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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

BEYONDBRICS DO FINANCIAL TIMES SE PERGUNTA SOBRE O GÊNIO DA GARRAFA

O Beyndbrics do Financial Times trás hoje, quarta, uma matéria avaliando um projeto de lei, 477/11, que tramita no Senado Federal e deverá ir a plenário em breve. 
Basicamente ele altera a lei de criação do BC, de 1964, acrescentando à sua competência original do banco “ estimular o crescimento econômico e a geração de empregos”. Em paralelo irá também ao plenário outro projeto de lei, o 311/11. Esse altera competências do Conselho Monetário Nacional, acrescentando um “busca do pleno emprego”.

A matéria do BB não fala desse segundo PL, mas os PLs estão evidentemente conectados, ambos entraram por vias diferentes, mas foram apresentados este ano, e juntos criam o ambiente institucional para trazer a “meta de crescimento” para dentro da política monetária.

A matéria certamente foi uma rápida repercussão originada numa pequena nota do Tony Volpon, emitida pela manhã, comentando o primeiro PL. Abaixo o trecho citado da nota do Tony na matéria do BB:
Embora essa proposta ainda precise da aprovação de outro comitê(sic) antes de tornar-se lei, percebemos que este é um caminho para fazer oficial o que já é um fato: Que o Banco Central brasileiro efetivamente persegue uma meta de crescimento importante para o governo. Se a proposta for aprovada e não vemos razão para que não seja, dará condições ao BC de formalizar o regime de multi-alvos. Assim, esta lei indica uma discussão mais séria e eventual mudança nas políticas oficiais de operação do banco”.

O título da matéria é Regime de metas de inflação sob cerco e lá pelas tantas o articulista do Beyondbrics se pergunta se todo essa mudança no fim do dia não vai liberar o gênio da garrafa.

Deixo ao leitor o exercício de imaginar de qual gênio  ele está falando...

Demetrio Carneiro

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Folha:Ao cortar juros, Brasil destoa de demais países com inflação alta


17 de outubro de 2011

Para evitar baixo crescimento, analistas preveem que BC voltará a reduzir taxa na quarta-feira

Levantamento indica que apenas quatro países optaram por reduzir juros diante de incerteza internacional

MARIANA SCHREIBER DE SÃO PAULO


A decisão do Banco Central brasileiro de reduzir a taxa de juros em um momento de inflação ainda elevada não foi acompanhada pela maioria dos bancos centrais que trabalha com o sistema de metas de inflação.
Levantamento feito pela Folha revela que, de 27 países que seguem o mesmo regime de controle da inflação, apenas quatro -incluindo o Brasil- reduziram os juros.
Diante da incerteza global, mas ainda com inflação alta, a maioria (20 países) vem mantendo os juros inalterados nos últimos meses. "A mudança na política monetária brasileira, agora mais focada em crescimento do que em inflação, não foi acompanhada por outros países", afirma Tony Volpon, diretor de pesquisa econômica da corretora Nomura.
Ele observa que Peru, Chile, Colômbia, Uruguai e México também estão em desaceleração econômica, mas mantiveram os juros inalterados nas últimas reuniões.
No Brasil, mesmo com a inflação alta, a expectativa dos economistas é que o BC corte novamente a taxa de juros nesta quarta-feira, para evitar uma desaceleração muito forte da economia.
Com a indústria fraca e o varejo perdendo fôlego, analistas projetam uma possível retração no 3º trimestre. "O corte dos juros vai impedir que a economia esfrie demais", defende o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.
Para o economista da USP Carlos Eduardo Gonçalves, é importante que a economia cresça menos para que a inflação caia. A inflação acumulada em 12 meses está em 7,3%, acima da meta de 4,5%, com tolerância até 6,5%.
Gonçalves ressalta que é mais difícil reduzir a inflação do que reaquecer a economia mais à frente: "Como o desemprego continua baixo, não se justifica tanta preocupação com o crescimento".
As projeções dos economistas são de que o BC deve continuar cortando os juros dos atuais 12% ao ano para algo entre 9% e 10,5%. Mas, para André Perfeito, economista da corretora Gradual, o ritmo de redução dos juros será mantido, com três cortes de 0,5 ponto percentual até o fim do ano.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas, pondera que o sucesso do BC depende do corte de gastos do governo e de uma piora no exterior: "Senão, o BC terá que voltar a subir a taxa de juros em 2012".

sábado, 27 de agosto de 2011

NACIONAL-DESENVOLVIMENTISMO FLERTA COM O ABISMO

      Há todo um estudo sobre as chamadas Falhas de Governo. Uma das mais badaladas e a falta de controle sobre os resultados das Políticas Públicas. Quer dizer, é fato que o gestor não controla todos os resultados das políticas que implementa.

      No momento em que o governo decide usar o corte dos juros básicos como um instrumento a mais de Política Pública Midiática, vamos assumir que há a política pública para valer e a política pública para "inglês ver" há, é a meu ver, um perigosíssimo flerte com o abismo.

      Estamos vivendo a glória do nacional-desenvolvimentismo. Dilma não faz nem melhor, nem pior do que Serra dizia que faria. fixou um piso de crescimento e relativizou o controle da inflação. No teto da meta ela oficialmente está "controlada". Agora cumpre sua promessa de campanha e, para o bem ou para o mal, reduzirá o juro básico da economia "no muque".

      O nacional-desenvolvimentismo vive uma forte ilusão sobre ser isso que fazem "desenvolvimento" quando na verdade não se trata mais do que uma acomodação à nova distribuição de trabalhor e poder na economia internacional.

      Hoje apenas confirmamos nosso papel periférico, agora com a China. Da mesma forma a ilusão com relação a criar um mercado interno a partir da concessão de crédito, sem criar possibilidades de renda sustentável e crecente. Espero que todos concordem que assistencialismo estatal não é renda sustentável e crescente...

      Agora, satisfeitos em suas ambições estratégicas avançam sobre as escolhas dentro do debate distributivo. Já ajeitaram o gasto. Negado na teoria e executado na prática, a vida segue.
      Ajeitaram o dilema entre controlar a inflação e gastar mais, não controlando a inflação.
Agora vão ajeitar o dilema entre custos da polkítica pública e juros, baixando por decreto os juros. É não tem outro nome. É uma forte crença entre os economistas nacional-desenvolvimentistas que os juros básicos do mercado podem ser controlados desde a vontade do gestor na Presidência e na Fazenda.

      Resta ao Bc "fazer-o-que-seu-dono-mandar". Nosso problema é que não estamos numa brincadeira de crianças.

      Delfim, o guro lulo-petista flertou com a inflação. Lembram que ele, além de aconselhar dividir o bolo depois, aconselhava que uma inflação de 1% ao mês era "saudável"? Bem, todo mundo ou lembra ou já leu aonde isso foi dar...

      É de se imaginar que Dilma precisa muito de "novidades" agora que entregou, em nome da sobrevivência política, os pontos na luta contra a corrupção e o patrimonialismo. Não estamos frente a uma escolkha econômica, mas política.

      Sem dúvida pensam nas políticas heróicas de JK no Plano de Metas ou dos genarais da ditadura do IIº PND, que remaram contra a maré e investiram onde o recomendável era recolher os flaps. Imaginam que a história sempre se repete e, certamente, já sonham com os discursos nas campanhas de 2012 e 2014. Vamos torcer para que estejam certos, pois se estiveram errados quem pagará a conta serão todos, mas principalmente o "povo" que eles dizem defender, pois períodos de alta inflação são especialmente maléficos `s baixas rendas.

       Vamos acompanhar.

Demetrio Carneiro

terça-feira, 15 de março de 2011

BRASIL: GAVIÕES IRRITADOS RECLAMAM COM O BIG BOSS

Por Tony Volpon

Ontem, o Banco Central do Brasil (BCB) realizou a sua reunião trimestral com muitos economistas do mercado ( participantes da pesquisa Focus)  preparatória do próximo Relatório de Inflação de março. No entanto, esta reunião, ao contrário da maioria das reuniões anteriores, apresentou fortes críticas de alguns economistas que, abertamente, puseram em causa o compromisso do Banco Central no combate à inflação. Embora a maioria concordasse que a economia brasileira está desacelerando, alguns participantes mais radicais afirmaram que não se faz o suficiente para trazer a inflação de volta à meta,  ainda em 2012. Dúvidas sobre a eficácia das medidas de macro-prudencial, o compromisso com a austeridade fiscal e com o esperado  aumento de 13,5% ,ou mais, do salário mínimo para 2012 eram queixas repetidas muitas vezes. O Banco Central também foi criticado por ter, aparentemente, abandonado o objetivo de trazer a inflação para meta durante o ano corrente e pelas alterações sugeridas na composição da pesquisa Focus.
  
O Brasil é o único país no qual eu posso pensar que alguns economistas do mercado vêem como seu dever dizer ao Banco Central o que fazer ao invés procurarem prever o que o Banco Central vai realmente fazer. Culturalmente (e falo isso como um brasileiro) a maioria dos economistas do mercado gostam de fazer um  “Monday morning quarterbacking”*, da mesma forma a maioria dos brasileiros acha que eles seriam melhores treinadores do alardeado plantel de futebol do país.

Por conta dessas tendências culturais, devemos ainda acrescentar dois conjuntos de fatores agravantes:
 Em primeiro lugar, a partir de uma perspectiva normativa, muitos analistas locais simplesmente não concordam com as recentes alterações introduzidas pelo novo governo no mix de política macroeconômica.
Em segundo lugar, tanto o governo como o Banco Central precisa tornar mais claras as mudanças políticas que estão sendo planejadas e, de fato, concluí-las.
O mix do regime no Brasil também mudou. .
Simplificando um pouco as coisas, nós tínhamos o seguinte mix no governo Lula:

1. Uma política fiscal e creditícia frouxa;
2. Política monetária e cambial apertada;

Agora com o Presidente Dilma:
 
1. Uma apertada, mas nem tanto, política fiscal e uma política creditícia pela via das medidas prudenciais;
2. Menor dependência da Selic e da apreciação cambial para controlar a inflação.
 
Além disso, essas mudanças têm um maior grau de coordenação e coerência entre políticas agora do que durante o período Lula.
 
Alguns economistas não concordam com essas mudanças. Enquanto a grande maioria dos economistas de mercado não são fãs da política fiscal frouxa do período de Lula (ainda que mais aceita como uma necessidade no rescaldo da crise financeira), o claro direcionamento da inflação pelo instrumento da política de taxa de juro é visto por muitos como uma virtude. A maioria não aceita o argumento de que a articulação política de Lula levou a uma valorização enorme e perigosa da moeda, e que a decisão política tomada pelo novo governo mudou a combinação de políticas para diminuir a pressão sobre o Real.
 
Reconhecemos que a articulação política atual é mais complexa do que se deu no governo anterior. A execução desta combinação das complexas políticas atuais é o que governo escolheu para lidar tanto com a valorização do real, como as maiores taxas de política real do mundo. Em segundo lugar, a coordenação entre as políticas é muito importante e a necessidade de olhar tranversalmente as áreas políticas e fazer julgamentos informados é talvez a principal lição da crise financeira.
 
Mas a maior complexidade pode criar riscos que o governo e o Banco Central deveriam ter em conta. Por exemplo, o impacto real das políticas macro-prudenciais é difícil de estimar, dada a capacidade do sistema financeiro para ultrapassar as medidas (algo desse tipo está acontecendo no mercado de câmbio, com os bancos locais formando dívidas de curto prazo para contornar os recentes limites impostos sobre as posições pontuais de curto prazo).
 
Em nossa opinião, o Banco Central deve abordar esta incerteza, errando para mais no lado da cautela e impondo medidas mais eficazes para reduzir o crescimento do crédito. Acreditamos também que o governo deve caminhar para um regime fiscal de longo prazo que iria retirar a tentação política de estimular a demanda nos períodos próximos as eleições, como se estimulou em 2010. Esperemos que qualquer novo regime possa usar, como alvo, outra coisa além da medida fiscal primária, que, infelizmente, perdeu toda a credibilidade dada aos truques contábeis sucessivos utilizados pelo governo para "acertar" esta meta ao longo dos últimos dois anos.O governo também precisa lidar com a "super indexação" do salário mínimo, que será um importante desafio em 2012.
 
O Banco Central também deve ser mais direto em seus objetivos. É claro que não há apoio político para o tipo de aperto monetário que seria necessário para trazer a inflação para meta no ano calendário de 2011. O horizonte político efetivo é de 2012. Sendo assim, o Banco Central deve indicar isso claramente, e não através de atas habilmente redigidas, mas com uma linguagem opaca.
 
Os falcões infelizes estão certos em muitos pontos, mas assim é o governo e o Banco Central. O regime político mudou, e nós acreditamos na direção certa. No entanto, o governo tem muito mais trabalho a fazer, especialmente no lado fiscal. E o Banco Central tem que clarificar as suas reais intenções.

* Nota de tradução (DC): Termo informal, americano e canadense, que se refere à pessoas que gostam de opinar após os fatos, de forma retrospectiva, sugerindo outras opções.



AFINAL O "NOVO" BANCO CENTRAL

Alguns setores petistas andam comemorando o que chamam de “novo” BC, cuja marca principal seria o fato de não ser tão impressionável quanto ao desempenho da inflação.

O Mantega tem repetido insistentemente ao longo dos últimos anos que a política de metas não trabalha entorno do centro, mas dentro da banda.

Alguns economistas defendem que o olhar de médio prazo, para além deste semestre ou de longo prazo, para além deste ano, deve poder orientar melhor a política de alta da taxa Selic. A se saber esta também é a posição dos atuais dirigentes do BC.

Por seu lado outros economistas comentam que ao agir assim o BC pisa em gelo fino. Bem no gelo você pode derrapar e se ele for fino com água por baixo o tombo não termina no chão e as luxações podem ser o teu menor problema, pois você pode é morrer afogado por hipotermia. A nossa hipotermia seria a conhecida estaginflação. Inflação em alta num ambiente de redução da velocidade de crescimento.

Certamente há problemas de confiabilidade nos agentes públicos, conforme disse o Padovani ou de fortes contradições dentro e entre as diversas políticas, como disse o Tony. Ambas as questões com forte impacto nas expectativas e possibilidades de crescimento num ambiente internacional também tendendo às complicações.

Agora a questão do Japão e do quanto poderá impactar o lento processo de retomada acrescenta outra variável complicadora. No que interessa a nós trata-se de observar, adicionalmente, como o acidente irá influir na questão das commodities.

De uma forma ou de outra os dias vão se passando a o governo vai tomando um formato. Mesmo que a estratégia de olhar para além do horizonte de 2010 esteja correta já vão se desenhando outros elementos que indicam escolhas equivocadas derivadas da falta de clareza quanto aos objetivos estratégicos das políticas públicas, falta de coordenação, ainda, destas políticas, mas também de posturas claramente ideológicas como a questão do papel do Estado no processo de desenvolvimento.


Demetrio Carneiro


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A TAXA SELIC VAI SUBIR EM 2011?

Na direção oposta da maior parte dos analistas o Tony aposta na estabilidade da taxa. A tese dele de "alongamento dos horizontes" como norma do efeito reativo do BC, cumprindo seu papel de guardião da oscilação controlada da inflação, tem sentido. 
Mantega quando propôs a solução criativa de retirar alimentos e combustível da cálculo que fundamenta a reatividade do BC deveria estar perseguindo alguma noção muito parecida.

Politicamente aumentar a SELIC em janeiro, mês de posse de Dilma, tem implicações para quem fez da redução da taxa um dos principais elementos de seu programa econômico.

As apostas estão feitas. É aguardar para ver o resultado. E suas implicações...

Demetrio Carneiro



Fonte: CORECON-MG

Valor Econômico 

Política monetária: Para 27 dos 32 entrevistados, o Copom começa a subir os juros na 1ª reunião de 2011

Lucinda Pinto e Angela Bittencourt | De São Paulo

Alta dos preços das commodities, já capturadas pelos índices de inflação; emprego, renda e crédito vigorosos; preocupação com a evolução dos gastos públicos; e dúvidas sobre a autonomia do Banco Central no próximo governo. Esses elementos compõem o cenário da maioria dos analistas e justificam a aposta em aumento de juros no curto prazo. Dentre 32 economistas ouvidos pelo Valor, dois já esperam o início do aperto monetário na reunião do Copom da próxima semana. A grande maioria, 27 dos consultados, acredita que o aperto monetário terá início em janeiro. Apenas cinco trabalham com estabilidade da Selic ao longo de 2011.
O Bradesco está no grupo que representa a minoria da pesquisa e projeta, no cenário básico, estabilidade da Selic em 10,75% até dezembro de 2011, com a possibilidade de implementação de medidas na área de crédito, resultado fiscal que seja "supreendentemente" positivo e volta dos preços dos alimentos, além da manutenção das preocupações globais com o agravamento da situação europeia. "Concedemos o benefício da dúvida ao esforço fiscal sinalizado pelo governo e acreditamos que medidas macroprudenciais poderão ser implementadas na área do crédito. A confirmação dos R$ 540 de salário mínimo nos parece decisiva como sinalização para os juros", afirma Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco. Ele diz que, se os sinais forem outros, sobretudo no plano fiscal, há um cenário alternativo, de aumento de 0,50 ponto percentual a partir de janeiro em um total de 1,25 ponto, combinado com medidas prudenciais na área de crédito.

O Tony Volpon, estrategista para América Latina do Nomura Securities, também está entre os que apostam em estabilidade da Selic no próximo ano, embora reconheça que haja um "grande risco de estar errado". Ele lembra que o BC já declarou estar perseguindo a meta de inflação em horizontes mais longos. "O horizonte mais longo dá ao BC tempo para que esses choques se acomodem, sem que ele precise subir os juros", afirma. Além disso, Volpon trabalha com o cenário de que o governo irá cumprir o compromisso com a meta fiscal. "O regime de metas amadureceu e isso dará mais espaço ao BC para ignorar os choques primários de preços, que abatem outros bancos centrais no mundo também", afirma.
A maioria dos economistas, entretanto, considera que há uma deterioração importante das expectativas de inflação - base do sistema de metas -, o que justifica o início imediato do aperto monetário. E há quem diga que o BC já demorou para reagir a esse ambiente, o que pode tornar ainda mais caro o próximo ciclo. É o caso do diretor da Tandem Partners, Paulo Vieira da Cunha, que espera uma alta de 0,5 ponto da Selic em janeiro e um ciclo total de aperto de dois pontos percentuais. "O BC chegou atrasado e, assim, seria bom que a nova presidência deixasse claro o compromisso com a meta e já começasse a subir os juros na primeira reunião do ano", afirma.
Na mesma linha, está o Itaú Unibanco, que antecipou a projeção de retomada do ciclo de alta da Selic de abril para janeiro de 2011, contemplando um ajuste total de dois pontos percentuais, com a taxa alcançando 12,75% em dezembro de 2011. Em relatório, Ilan Goldfajn, economista-chefe da instituição, explica que a decisão foi tomada devido à deterioração adicional na perspectiva de inflação e da necessidade de controlar o processo de piora nas expectativas. "Reiniciar o ciclo apenas em abril resultaria em uma projeção ainda mais elevada para a inflação de 2011".
O Santanderprojeta, para dezembro de 2011, Selic a 13%, resultado de quatro elevações de 0,50 ponto e uma de 0,25 ponto. Tatiana Pinheiro, economista da instituição, pondera que o banco esperava que o ciclo de aperto monetário, iniciado em abril, fosse concluído neste ano [portanto seria maior do que 2 pontos percentuais confirmados]. Mas a inflação praticamente zero em junho, julho e agosto e as dúvidas do BC sobre o ambiente externo e os seus efeitos no Brasil levaram o Copom a encerrar o ciclo mais cedo do que esperava o Santander. "Continuamos, contudo, com a ideia forte de que havia pressão inflacionária não trivial que levaria a inflação à alta ainda maior neste ano. As indicações já estavam aí: estoque de crédito e concessões em expansão, mercado de trabalho apertado e taxa de desemprego abaixo da natural, além de reajustes salariais acima da inflação. A retomada da trajetória dos índices era questão de tempo, considerando as pressões desses fatores domésticos amplificados pelo juro real de 6%, além da política fiscal expansionista. Para nós, esse juro está abaixo do neutro que estimamos entre 7% e 8%", explica a economista.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

UMA NOTA SOBRE OS LIMITES DA POLÍTICA MONETÁRIA, VOLPON: BC E JUROS


Parte importante da função de um BC é antecipar movimentos nos preços, inflação, e sinalizar um procedimento futuro como forma de orientar um certo comportamento da economia em geral que lhe pareça interessante. Se o BC pressente uma tendência de alta de preços ele sinaliza criando expectativas sobre a possibilidade uma taxa de juros básica maior etc.
Parte da arte é ler os sinais outra parte importante do papel dos analistas de mercado é prever como o BC poderá reagir perante fatos futuros.
É o que o Volpon vai fazendo nessa matéria do, abaixo, Valor Econômico. Repercutida pelo Blog do Carvalho.

Vale observar que o argumento do BC está ancorado na situação travada dos países desenvolvidos e na convicção de que o mercado interno ou a situação da China não impactarão os preços internos. É a leitura de que o ciclo de altas dos juros momentaneamente está interrompido.
Um exemplo de desacordo com essa leitura é um texto de Mendonça de Barros, publicado no Estado, onde afirma que a economia européia está se recuperando e deverá dar sinais positivos e consistentes de crescimento. Essa é a leitura de que a trégua no ciclo de aumentos poderá ser menor do que se imagina.

Seja lá como for o que deve ficar evidente é a situação de “limite” colocada pela agressiva política fiscal do governo brasileiro.
Bom registrar que a atual política fiscal tem explicações muito mais políticas do que “técnicas”. A atual expansão fiscal brasileira é uma escolha marcada por razões ideológicas e de poder real.

O fato é que a margem de negociação é sempre muito reduzida e elementos internos e externos são capazes de interromper muito rapidamente situação de baixa ou calmaria no preço dos juros básicos, retomando-se com muita velocidade ciclos de alta, deixando nosso juros básico reais sempre entre os mais altos do planeta.

Essa é uma situação de vulnerabilidade macroeconômica muito pouco consistente com um crescimento que seja sustentável, que é o nosso grande desafio nesse século.

Demetrio Carneiro


Indicadores podem indicar uma direção

Eduardo Campos

Depois do susto da quarta-feira, o pregão de ontem foi inconclusivo, transparecendo certa indecisão entre recompor ou seguir desmanchando posições em ativos de risco.
Também não poderia ser muito diferente, já que os agentes seguem questionando o ritmo de recuperação da economia global.
Na Europa, a Bolsa de Londres teve valorização, mas Frankfurt voltou a perder fôlego. Em Wall Street, os índices também fecharam em baixa, mas longe das mínimas do dia. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu fechamento em alta. E o euro teve um pregão errático, assim como o real, e acabou cedendo espaço para o dólar.
Os dados que estão na agenda desta sexta-feira podem ajudar o mercado a ganhar alguma direção mais definida. O dia começa com o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no segundo trimestre. O consenso sugere crescimento de 0,70%. (veja gráfico abaixo)
Já nos Estados Unidos, os investidores aguardam o índice de preços ao consumidor referente ao mês de julho. A expectativa é de inflação de 0,2%, depois da variação negativa de 0,1%. Os dados de preço ganham peso especial conforme cresce a preocupação com uma deflação na economia americana. Vale lembrar que o núcleo da inflação, que tira alimentos e energia da conta, continua rodando ao redor de 1% em 12 meses, abaixo, portanto, da chama zona de conforto do Federal Reserve (Fed), banco central americano, de inflação ao redor de 2%.
Ainda na agenda americana, atenção às vendas no varejo de julho e à preliminar do índice de confiança do consumidor.
De volta ao pregão de quinta-feira, o mercado com rumo definido foi o de juros futuros.
Os contratos longos caíram com ajuda dessa deterioração de expectativas com a economia mundial.
Apesar da queda recente nas taxas, o chefe de pesquisa para América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, identifica uma clara divisão entre os "falcões" locais, que mantêm uma visão cética quanto ao menor ciclo de aperto monetário, e os investidores estrangeiros, que estão cada vez mais interessados no rendimento oferecido pelo Brasil dentro de um mundo deflacionário.
Para Volpon, o Banco Central claramente fez uma aposta com a turma da deflação. Afinal, não há cenário para um problema inflacionário em um mundo de fraco crescimento em países desenvolvidos.
O que segue válido mesmo com os emergentes crescendo apoiados em sua demanda doméstica.
Na visão do especialista, o BC compartilha dessa visão e já sinalizou que está olhando além de qualquer impacto residual que o crescimento chinês do primeiro trimestre tem sobre a inflação de 2010 e terá na de 2011.
A chave para esse raciocínio de Volpon foi a extensão do horizonte de previsão do BC para 2012. Vale lembrar que, na ata da reunião de julho, o BC fez considerações sobre a inflação no primeiro semestre de 2012.
Segundo o especialista, como o BC acredita que o cenário externo carrega um risco substancial de baixa, ele olha além da retomada dos índices de inflação e atividade, algo que deve começar a acontecer em breve. O próprio Nomura prevê IPCA ao redor de 0,35% já em setembro.
A conclusão, segundo Volpon, é que há oportunidade de ganho com aplicação na parte longa da curva de juros.
Os contratos curtos devem subir conforme os dados voltarem a apresentar variações "normais". Por isso, a recomendação é esperar um pouco mais antes de aplicar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O QUE HÁ POR TRÁS DO DEBATE DA AUTONOMIA DO BC

Ontem, quinta-feira, pude escutar de uma pessoa que julgo bastante séria a observação de que “por trás da defesa da autonomia do BC haveria alguma coisa”.

Fiquei “dando tratos à bola” e só dava para concluir que essa desconfiança está ligada ao velho discurso sobre o conluio do BC com os banqueiros, a proteção aos rentistas etc.
Na realidade até o início da crise e o revival do desenvolvimentismo keynesiano essas coisas pareciam encerradas no museu da história do pensamento político brasileiro.

Não vou ficar novamente discutindo sobre juros reais, regime de metas e todo o resto. Quem ainda não entendeu o papel do BC, quem não entendeu que o problema dos juros reais é estrutural, não entende por que não quer entender. Acha que o discurso mais fácil, o atalho para corações e mentes é o discurso forte. A teoria da conspiração dos banqueiros sempre mexe com o imaginário popular do nosso anticapitalismo básico.

O BC tem um papel institucional na política monetária que cumprirá se tiver liberdade para isso. Se não tiver liberdade não cumprirá. Simples assim.

Existem meios de coordenar política fiscal e política monetária. Existem meios de coordenar ambas tendo por base metas de crescimento econômico.
Um debate que tratasse dessas coisas seria um debate sério. 
Vamos ao debate sério.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A SELIC E AS ELEIÇÕES

As eleições acabam jogando, mesmo que não se queira, a economia para o centro do debate.

O atual governo, com o foco no processo eleitoral, mas também por ter os conceitos que tem, força a mão na economia. As projeções anualizadas do PIB são altas e indicam que poderemos chegar ao teto de produção. As proximidades desse limite são potencialmente geradoras de inflação.

O papel do BC, o seu mandato institucional, é agir para que a inflação fique dentro das metas que o Conselho Monetário Nacional estabelece. 
Note-se que neste conselho sentam-se representantes do setor econômico do governo. Até o ministro Mantega, por acaso o presidente, ferrenho defensor das taxas baixas, tem assento lá. As metas de inflação que disparam a ação do BC são decididas no CMN.

Caberia ao CMN a coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Mas não é o que ele faz no mundo real. O mundo real, desde que o BC é BC no Brasil, é o mundo dos choques e entrechoques dentro da área econômica de todos os governos. Entreveros entre o Planejamento e a Fazenda, entre a Fazenda e do BC são rotineiros e estão nas primeiras páginas dos jornais desde sempre.

O choque real, e não o eleitoral, é entre diferentes concepções da relação entre inflação, taxas de juros e desenvolvimento. Ou seja, em que exatamente a inflação e as taxas de juros adiantam ou prejudicam o nosso desenvolvimento enquanto nação e como dar a essa questão uma solução eficiente.

Uma das soluções para um desenvolvimento brasileiro  coerente e suficiente seria uma coordenação real entre as políticas fiscal e monetária, feita dentro de um CMN que agregasse representantes do setor de produtivo e de serviços e que falasse de forma efetiva e não apenas formal com o Senado, que deveria ser o seu controlador social. 
Mas isso é o que não se quer para não se tocar em áreas muito definidas de interesse dos grupos que apoiam qualquer governo desde que estejam nele.

O fato. Sempre há um fato. é que é mais fácil, mais digerível com nossa vocação nacional para a esquerda e mais eleitoral, reclamar da SELIC, acusar banqueiros e rentistas. Este é o discurso comum que une oposição e situação. 
A culpa é do Outro.

É bem mais simples acusar a taxa do que procurar na estrutura de relações, nas propostas de gestão ou no próprio projeto de desenvolvimento superado e anacrônico as raízes para a inflação que força o BC a fazer o que ele tem que fazer porque é para isto que ele existe.

Se banqueiros e rentistas se beneficiam dos juros mais altos do mundo é porque há uma estrutura e uma relação de poderes entre a gestão pública e a economia real que tem que ser alterada. O mais divertido é ver entrevistas de representantes desses setores estigmatizados declarando com todas as letras que preferem investir na economia e não no governo e que os entraves estão nas questões regulatórias e estruturais que cabem ao governo resolver.

O programa da redução da taxa de juros é simples. O que é preciso é coragem política:

- Coordenação institucional entre política fiscal e política monetária;
- Controle do gasto público;
- Estabelecimento de metas de crescimento econômico e sua compatibilidade com as políticas fiscal e monetária.

Se quisermos ir mais longe:

- Fim do oligopólio bancária e das políticas que o sustentam;
- Criação de uma Política Nacional de Estímulo à Poupança;
- Criação de uma Política Nacional de Investimentos coerente com um novo modelo de desenvolvimento que adote os paradigmas ligados à sustentabilidade econômica e ambiental, portanto às inovações como elemento de transformação da economia.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUANDO O OUTONO CHEGAR...

A matéria abaixo, publicada no Valor de hoje, 26, não diminui a força dos argumentos do post anterior.
A redução da liquidez, via redução do compulsório, realmente retira pressão e a pressa, mas não elimina a questão estrutural ou a pressão de demanda gerada pela despesa do setor público ou o efeito, mesmo inercial,das políticas de estímulo, o produto potencial continua no mesmo lugar, com ou sem aumento do compulsório.
A notar o fim da matéria onde Meirelles especula sobre onde estará o PIB potencial do Brasil pós-crise, deixando em aberto uma leitura de que o poderia haver uma mobilidade para cima da fronteira, o que retiraria igualmente a pressão inflacionária adiando um aumento da Selic. A se ver.
De qualquer forma a pressão política sobre o BC não será pequena, já que o assunto abala o discurso de Lula.
Demetrio Carneiro


Compulsórios devem adiar a alta dos juros

Cristiano Romero, de Brasília

26/02/2010

O recolhimento de depósitos compulsórios, no valor estimado de R$ 71 bilhões, terá impactos sobre a política de juros do Banco Central. Meirelles: "Há recuperação forte da demanda, do consumo privado e público e do investimento"
O recolhimento de depósitos compulsórios, no valor estimado de R$ 71 bilhões, terá impactos sobre a política de juros do Banco Central. Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, a medida foi adotada para diminuir o excesso de liquidez na economia, que ameaçava levar o mercado a assumir posições de risco. Em entrevista ao Valor, ele deixou claro, no entanto, que, ao reduzir a liquidez, a decisão ajudará o BC na tarefa de controlar a inflação.
Meirelles se recusa a vincular o recolhimento dos compulsórios com a política de juros. Na prática, porém, isso pode significar o adiamento da elevação da taxa básica, aguardada para breve por setores do mercado. "A liquidez se mostrou elevada nas últimas semanas e meses, e nós temos meios de medir isso através das nossas operações de mercado aberto", explicou o presidente do BC. Como o aumento dos compulsórios não é neutro do ponto de vista de política monetária, cumprirá parte da tarefa que, antes, estaria a cargo apenas da taxa Selic.
"Não há dúvidas que a decisão tem efeitos de política monetária. Restrição ou injeção de liquidez tem impactos monetários", afirmou Meirelles, ressalvando, porém, que o melhor instrumento para combater a inflação ainda é a política de juros. "Não procuramos substituir um mecanismo por outro. Para o controle específico de liquidez, em alguns momentos o recolhimento ou a liberação de compulsório, como fizemos em 2008, é um mecanismo extremamente eficaz".
Questionado se a previsão de crescimento de 5,8% para a economia brasileira neste ano, feita pelo BC, é sustentável, Meirelles respondeu que, como o país passa por momento de recuperação de uma crise, é possível crescer acima do seu potencial sem gerar descontrole inflacionário. Ele disse, todavia, que ninguém sabe ainda em quanto está o chamado PIB potencial do Brasil pós-crise.

NO OUTONO AS FOLHAS CAEM, MAS A SELIC VAI SUBIR

Abril é outono, embora o outono brasileiro não seja exatamente bem definido, ainda assim, no nosso imaginário é o mês em que as folhas caem das árvores. Mas apenas as folhas deverão continuar caindo...

Abril continua sendo o lugar da inflexão da curva da Selic. Preventivamente, digamos assim, o sistema bancário já reajusta para cima suas taxas, principalmente no crédito às empresas. No mercado a retomada do emprego, aumentando o potencial de demanda, é vista como um elemento a mais de pressão sobre a Selic.

Política econômica responsável nunca foi fácil, principalmente quando as condições estruturais ajudam muito pouco. Incapacidade de investimentos de médio e longo prazo, inconsistências na construção de políticas de estímulo à poupança que possam reverter como investimento. Resultado: O produto real sempre oscila muito perto do produto potencial, condição de pressão inflacionária.

No conceito de política econômica populista é mais simples ampliar a faixa de variação da inflação. Ou seja reações mais lentas das autoridades monetárias na lógica de que um pouco a mais de inflação viabilizando um pouco a mais de crescimento é melhor para o país.
Outros grupos mais radicais e que entendem menos ainda da economia, preferem “segurar” a Selic por decreto, imaginando que o Estado tem poder, que não tem de fato, de controlar os juros reais.
Outros, mais radicais ainda, afirmam que é tudo coisa neoliberal e que não precisa ter qualquer grau de preocupação com inflação, pois o importante é o crescimento que minorará as questões da desigualdade.
Olhando para a política nenhum desses grupos olha para onde realmente deveriam olhar sem estivessem autenticamente interessados nas soluções dos problemas de nosso desenvolvimento: Para a questão estrutural.

As políticas públicas brasileiras têm um longo histórico de atuação ineficiente frente ao processo inflacionário e o impacto disso na distribuição de rendas está ai nos livros para quem não for incapaz de ler, não por analfabetismo, mas por questões ideológicas e culturais. Contraditoriamente os que criticam a política monetária da estabilidade são os mesmos que criticam a concentração de renda. Na prática estão muito próximos, e não por acaso, de Delfim Netto, aquele que defendia “uma pouco mais de inflação”, mas já alertava que o bolo teria que ser dividido depois. Nesse ramo não há coincidências.

Então ficamos assim. Lula passou todo o ano de 2009 afirmando que a Selic não podia subir. Aliás, mirando a Selic como “responsável” pelo custo do crédito. A taxa administrada pelo BC seria ela a culpada de nossos males, pois o custo de financiamento das empresas nacionais é muito alto. Concentração bancária patrocinada pelo poder público, aquecimento da demanda via gastos públicos, também não são problemas. Na estratégia de governo são soluções, ações inocentes e bem orientadas, portanto não podem ser capazes de gerar o mal. Nessa lógica é mais fácil bater no rentismo patrocinado pelas autoridades monetárias. Não diz nada, mas impressiona e soma aliados à esquerda.
Já Dilma Roussef, mais realista e de olho na questão do financiamento externo, portanto sensível ao problema da confiabilidade, que deverá sustentar seus projetos mais fortes, Pré-Sal-Copa-Olimpíada-PAC, fez declarações públicas defendendo a estabilidade.

Abril vem ai. Vamos ver o que dirão os principais atores políticos.

Demetrio Carneiro