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sexta-feira, 14 de maio de 2010

O QUE HÁ POR TRÁS DO DEBATE DA AUTONOMIA DO BC

Ontem, quinta-feira, pude escutar de uma pessoa que julgo bastante séria a observação de que “por trás da defesa da autonomia do BC haveria alguma coisa”.

Fiquei “dando tratos à bola” e só dava para concluir que essa desconfiança está ligada ao velho discurso sobre o conluio do BC com os banqueiros, a proteção aos rentistas etc.
Na realidade até o início da crise e o revival do desenvolvimentismo keynesiano essas coisas pareciam encerradas no museu da história do pensamento político brasileiro.

Não vou ficar novamente discutindo sobre juros reais, regime de metas e todo o resto. Quem ainda não entendeu o papel do BC, quem não entendeu que o problema dos juros reais é estrutural, não entende por que não quer entender. Acha que o discurso mais fácil, o atalho para corações e mentes é o discurso forte. A teoria da conspiração dos banqueiros sempre mexe com o imaginário popular do nosso anticapitalismo básico.

O BC tem um papel institucional na política monetária que cumprirá se tiver liberdade para isso. Se não tiver liberdade não cumprirá. Simples assim.

Existem meios de coordenar política fiscal e política monetária. Existem meios de coordenar ambas tendo por base metas de crescimento econômico.
Um debate que tratasse dessas coisas seria um debate sério. 
Vamos ao debate sério.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 12 de abril de 2010

DEMOCRATIZAÇÃO DO ESTADO

Este conceito de “Democratização do Estado” ou, se preferirem, a “Reforma Democrática do Estado”, é aparentemente bastante complexo e deveria merecer uma reflexão mais profunda no presente momento.

Basicamente estamos falando do uso do aparelho do Estado. O debate da democratização do Estado envolve tanto o “como” se chega ao poder, quanto ao uso que dele é feito.
No capítulo do “como” estão tanto o controle do uso dos mandatos parlamentares e dos mandatos executivos, como também a capilaridade que garanta a rotação democrática dos cargos e a “via de mão dupla” que dê acessibilidade da cidadania à ação dos mandatos.
No capítulo do uso estão as normas de bom uso, contrárias, por exemplo, ao uso dos recursos públicos em proveito próprio ou em proveito da perpetuação de grupos no poder.

No sábado, lançamento da candidatura de Serra, o tema andou pelo discurso de todos, contudo ainda há espaço para lamentar que não tenha sido melhor elaborado e informado como item de extrema importância que deveria ter nas propostas do próximo governo.

Demetrio Carneiro