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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

THE ECONOMIST: VOLTANDO À TERRA

O Tony foi referenciado nesta matéria do The Economist e me enviou. 
Aproveitei para traduzir, de forma livre, pois acho que tem uma abordagem bem interessante sobre os dilemas do futuro governo Dilma.

Demetrio Carneiro



VOLTANDO À TERRA

Dilma Roussef assume com uma economia em expansão – e aumento na inflação e nas taxas de juros, falte investimentos na infraestrutura e incontinencia fiscal dos legisladores.

A poucos passos da presidência do Brasil, em 01 de janeiro, Dilma Rousseff pode  ficar cautelosamente satisfeita consigo mesma. Ao escolher o seus 37 ministros, fez um trabalho razoável satisfazendo as demandas conflitantes do seu partido e da coligação, demandas regionais e blocos ideológicos e o seu próprio desejo de ter um terço dos cargos ocupados por mulheres (ela conseguiu nove). Ao fazer Antônio Palocci, um antigo ministro da Fazenda, seu chefe de equipe mostrou confiança em si mesmo: Alguns acreditam que ela se recusaria a colocar uma figura política poderosa em um papel central. Essa escolha e a promoção de Alexandre Tombini da Diretoria do Banco Central para a presidência safistez os investidores, que procuravam por sinais de ortodoxia econômica. Ela ainda conseguiu mostrar-se agradecida a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, apesar dos comentários de seu mentor político sobre o seu procedimento.

Nos momentos antecedentes de sua posse, Rousseff recebeu também claros sinais sobre as dificuldades à frente. No discurso de vitória, em 31 de outubro, ela destacou que suas prioridades nos próximos quatro anos, serão eliminar a pobreza extrema e melhorar a qualidade da saúde e da educação, mantendo a estabilidade econômica e inflação baixa.

Ela disse que quer as taxas de juros reais, atualmente superiores aos de qualquer outra grande economia, em queda de 5% para 2% até 2014. Mas a inflação subiu para 5,6% em novembro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que manterá o seu trabalho sob Rousseff, elevou as reservas bancárias e os requisitos necessários para o capital, em uma tentativa de esfriar a economia de forma a evitar aumentos. Embora o Banco Central tenha sido parceiro, o relatório trimestral de inflação, divulgado em 22 de dezembro, deixou claro que o alívio é temporário. Muitos economistas esperam um aumento de meio ponto na taxa básica de juros Selic (hoje 10,75%) em janeiro, e mais dois ou três aumentos durante o ano.

Isto irá colocar pressão crescente sobre a moeda brasileira, cujo valor mais que dobrou em relação ao dólar durante os oito anos de Lula como presidente. Tony Volpon, do Nomura Securities, uma corretora de valores, estima que o Tesouro do Brasil está perdendo cerca de R$ 40 bi (US$ 24 bi) por ano, ao vender Brazilian Bonds a estrangeiros, para investir esses recursos instrumentalmente, com o dólar cedendo menos dez pontos percentuais. Em outubro Mantega triplicou o imposto sobre os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa para tentar conter a inundação. Mas o real terminou o ano sem novas baixas.

Para as taxas de juro e a moeda que eles focaram, forem cair como Dilma Rousseff quer, ela vai ter que reduzir o frenético aumento dos gastos federais. Os projetos de lei para salários e pensões aumentaram esses mais que a inflação nos últimos anos. A tarefa de manter a inflação sob controle foi deixada inteiramente à política monetária. Nos últimos três anos, o governo aumentou os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, em pelo menos 210 bilhões de reais, permitindo-lhe ampliar os empréstimos para projetos de infra-estrutura e uma série de outros empreendimentos que não tão obviamente merecem o apoio do Estado. Segundo o IPEA, um instituto de pesquisas econõmicas ligado ao governo, os juros subsidiados BNDES custarão para os contribuinte até R$ 21 bi anuais.

Dilma Rousseff tem falado da necessidade de acabar com a incontinência fiscal: Ela quer reduzir a Dívida Líquida do governo, de 42% para 30% do PIB durante seu mandato. Ela está resistindo à pressões de seu Partido, PT, e aliados para um grande aumento no salário mínimo. No final de novembro Mantega disse que ele daria ao BNDES em 2011 apenas metade do financiamento extra deste ano. Para incentivar o setor privado a assumir os espaço de folga nos investimentos ele vai cortar impostos como bônus para os novos projetos de infra-estrutura aprovados pelo governo. Mas, enquanto os elevados retornos em papéis governamentais estiverem disponíveis no curto prazo, cortar impostos pode não ser suficiente apetitoso para atrair investimentos no longo prazo.

Lula escolheu Dilma Rousseff como sua sucessora, em parte, porque as alternativas mais óbvias estavam envolvidas em vários escândalos. Mas ele também viu nela alguém que poderia transformar grandes planos em realidade. O Brasil durtante muito tempo gastou pouquíssimo com infra-estruturas e o crescimento econômico faz este o déficit sempre mais dolorosamente evidente. Como ministra da energia, Dilma Rousseff manteve as luzes acesas, depois de uma seca em 2001 que levou ao racionamento de energia elétrica. Ela passou a executar um programa governamental gigante na infra-estrutura, conhecido como PAC: Lula durante sua campanha eleitoral, a apelidou de "Mãe do PAC".

Se ela falhar nesta frente, sabe que será com o mundo observando. O Brasil vai sediar a Copa do Mundo em 2014. Até lá também ficará claro se o trabalhar para os Jogos Olímpicos, a realizarem no Rio de Janeiro dois anos mais tarde, estarão indo no caminho certo. Os aeroportos são a preocupação mais premente: O número de passageiros cresceu 13% em 2009 e um forte crescimento ainda é esperado. Mas a maioria dos principais aeroportos já estão operando acima da capacidade.Eles são administrados pela Infraero, uma empresa estatal dominado pela Força Aérea que é um exemplo brasileiro para a obstrução burocrática e a incompetência. Dos mais de 5 bilhões de reais destinados a Infraero para investimento em período que antecedeu a 2014, mais da metade está nos projetos, que já estão atrasados.

Rousseff considerou afastar a Infraero do Ministério da Defesa e transferi-la para o ministério dos Portos. Isso teria tornado mais fácil atrair recursos privados, e, talvez, a gestão privada também. Uma greve do empregados de empresas aéreas, evitada por pouco, por aumento de salários, na véspera do natal, pode ter consequências na movimentação do feriado.

O maior obstáculo aos planos Rousseff para gastar menos no dia a dia, a fim de investir na infra-estrutura, que é onde ela imagina que será lembrada, serão seus companheiros políticos. Se ela já não soubesse disso, recebeu um lembrete em 15 de dezembro, quando os membros do Congresso se auto-concederam um aumento salarial de 62%. Muitos governos estaduais e municípios já seguiram o exemplo. Se todos o fizerem, o custo total será de cerca de 2,2 bilhões de reais por ano. Em um raro erro de julgamento da opinião pública, Lula, rindo, lamentou o azar de estar saindo um pouco antes que generosidade houvesse chegado. "Eles estão brincando com o nosso dinheiro", dizia uma manchete de jornal. Nos aeroportos, os manifestantes carregavam cartazes cobrando a razão pela qual os políticos podem receber aumentos salariais enormes, mas eles não podiam. Sua greve ainda pode acontecer no ano novo, trazendo Rousseff de volta a terra, com um solavanco.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

VOLPON E PREVISÕES PARA 2011

Outro post do Tony Volpon publicado no Blog Beyondbrics do FT, hoje, 29.
Como sempre em tradução livre.

Demetrio Carneiro

O 11 do 11 de 2011: o governo do Brasil vai conter a política fiscal?

O desempenho recente do governo brasileiro, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está de saída, não sugere que a sua escolhida sucessora, Dilma Rousseff, vai conter a política fiscal.

Ignorando os números altamente distorcidos do superávit fiscal e olhando apenas para o gasto, os do governo central, nos últimos 12 meses, foram de R$ 616 bi, um incrível aumento de 44 por cento com base em 2008.
Com Lula deixando o cargo registrando popularidade recorde Rousseff ousaria mudar alguma coisa?

Muitos analistas dizem que não, mas nós pensamos que sim. A crença de que o próximo governo vai continuar sua políticas as usual não reconhece duas realidades:

Primeiro, o Brasil claramente passou por um caso particularmente agudo do "ciclo político-econômico", tendência, bem documentada, dos gastos dos governos subirem rampa acima antes das eleições.

Os recentes incrementos dos enormes gastos, primeiro justificados como anti-cíclicos, uma resposta keynesiana a crise de 2008, continuaram inabaláveis, mesmo com o crescimento econômico superando 7 por cento ao ano. Agora, com a eleição ganha, não há razões eleitorais para manter o crescimento de gastos no nível atual.

A segunda realidade a ser reconhecida é que esse aumento dos gastos já está causando graves desequilíbrios na economia. Isso já pode ser visto no mercado de trabalho muito incrementado, crescentes importações, e contínua alta de inflação nos itens não-comercializáveis (como os serviços, que geralmente não podem ser importados).

Mais importante do que esses efeitos de curto prazo, é que o "modelo Lula" para a economia brasileira está finalmente mostrando as suas limitações estruturais.

A política econômica de Lula pode ser facilmente descrita como "um pé no acelerador e um pé no freio", em outras palavras, muita facilidade fiscal, salarial e de política de crédito equilibrada por uma muito restrita política monetária para manter a inflação baixa. Esse "mix" foi politicamente bem sucedido, proporcionando um crescimento forte e inflação baixa (principalmente em um ambiente internacional favorável para o Brasil). Mas uma conseqüência natural da combinação dessas políticas é a valorização da moeda: desde 2009, a moeda brasileira valorizou mais de 40 por cento em termos reais.

Se as políticas atuais continuarem, o Brasil vai finalmente enfrentar um explosivo déficit em conta corrente e a destruição de sua capacidade de exportação de manufaturas - e do novo governo compreende isso.

Livre, temporariamente, do ciclo eleitoral podendo olhar para quatro anos adiante, esse novo governo já sinalizou como muda a política: corte de gastos e de crédito para aliviar a pressão sobre a demanda e reduzindo a absurdamente alta taxa de juros reais do Brasil, aliviando a pressão sobre a moeda brasileira.

A contenção orçamentária é o elemento chave de um novo "modelo" econômico para o Brasil, e apesar de que mudar a política fiscal é sempre lento e difícil, os incentivos para fazê-lo agora são grandes. Como Rousseff sabe, uma crise econômica é a única forma segura de perder o poder político.

BATTISTI RECEBE HOJE CONCESSÃO DE ASILO NO BRASIL

Naquilo que talvez seja o último ato importante de seu governo está previsto que Lula assine a concessão de asilo ao terrorista italiano Battisti.
A medida precisa ser olhada pelo que representa.

Deverá argumentar que não foi ele, mas os advogados do governo que decidiram o assunto, mas é bom que se estabeleça que decidiu com argumentos que humilham e ofendem o povo italiano e acabam por ofender a nós próprios, brasileiros, que abrigaremos um assassino disfarçado de democrata arrependido. O que é revoltante e mostra o desprezo evidente por nossas instituições.

Para evitar danos a si próprio espertamente assinará a concessão no último minuto de governo. Não é sinal de sapiência, mas de má fé, que também afeta a Dilma. Haverá reações e irão cair diretamente no colo dela, já desnudando que tipo de governo teremos adiante, a partir da justificativa para explicar a difícil situação diplomática em nos colocaremos.  Dirá o quê? Que não foi ela? Ou será apenas incorporado como parte da herança maldita de Lula?

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

DÚVIDAS SOBRE UM AJUSTE FISCAL EM 2011

As intervenções do Estado na economia foram mais intensas na crise, mas permaneceram após ela. Imagina-se que tenham permanecido por conta das eleições executando a lógica do ciclo político-eleitoral de gastos na fase pré-eleitoral. Com o novo governo imagina-se também a continuidade da lógica do ciclo: Conter a expansão fiscal.

Durante os últimos anos a fonte da expansão vinha dos sucessivos recordes de arrecadação, o que não parece ser a perspectiva mais correta para os próximos anos, portanto permanecer expandindo gastos parece não ser uma escolha, mas manter o mesmo ritmo de gastos também parece que não é. Existe uma clara contradição entre manter o ritmo de gastos públicos e o desempenho da economia, ela fica externada na ritmo inflacionário e na manutenção das taxas de juros reais.
A questão da taxa real de juros é uma forte marca no debate econômico é há evidente relação entre gastos públicos "além do necessário" para manter o ritmo econômico e seu custo refletido não apenas na pesada carga tributária, mas também na necessidade de manter os juros nominais em patamares mais altos para atrair recursos que financiem a dívida e sua rolagem. Não é problema apenas nosso. Agora mesmo a Espanha se vê na contingência de ter seus títulos pouco demandados pelo mercado por conta de uma taxa que se considera insuficiente.

Enfim, se juros reais mais baixos são tema do dia o corte no gasto público se torna assunto a ser evidenciado. Dilma uma hora prometeu cortes ou hora nem tanto. Supondo que ela busque os cortes de gastos, entre a pura vontade dela, a vontade que evidencia pelo pragmatismo que tem marcado todos esses anos de governo petista, e seu objeto de desejo estão as limitações do jogo que se jogou todos esses anos na área fiscal.

Embora não seja uma abordagem nova, e muito especialistas em finanças públicas já sinalizaram a dificuldade de cortes frente ao tipo de gasto que se realiza, texto abaixo, referenciado num resumo do Ex-Blog do César Maia e de autoria de Mansueto F. Almeida Júnior,  trás, de forma embasada, um interessante debate sobre os limites do corte de gasto tendo em vista todas as restrições e introduz a noção de "custeio restrito".

Interessante comentar que na exposição da LDO 2011 o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, comentava, num linha paralela de lógica, sobre a dificuldade de obter recursos orçamentários para investimento nas obras do PAC, com referência ao Orçamento Geral da União de 2011, por conta do "engessamento" das despesas públicas nas contas de pssoal, saúde, educação etc. É nessa fala que ele abre as portas para a possibilidade de aumento arrecadação via aumento da tributação nos próximos anos, por conta da necessidade de investimentos. Apenas anotem essa lógica para referência futura, pois esse é outro debate que vai render muito.

Demetrio Carneiro

A Difícil Tarefa de Cortar o Custeio

Vou direto ao ponto. O Brasil não tem como fazer um ajuste fiscal profundo em um ano. Por que? Simples. Nos últimos onze anos, mais de 70% do crescimento dos gastos não financeiros do governo federal vem de gastos sociais e INSS. Se acrescentarmos a essa conta o custeio especifico da saúde e educação, esse número vai para 85%. Com esse perfil, a única forma de fazer um ajuste fiscal é sendo mais parcimonioso ao longo dos anos, concedendo reajustes menores ao salario mínimo e controlando os aumentos dos funcionários públicos.

A possibilidade de redução drástica de custeio também não é possível. Vamos, por exemplo, ver o caso dos gastos com educação e saúde. Em 2009, excluindo os gastos com servidores inativos, o gasto total com as funções saúde e educação pelo governo federal foi, respectivamente, R$ 53,7 bilhões e R$ 34,1 bilhões. De acordo com a estrutura do gasto detalhada nas tabelas abaixo, 96% do gasto com saúde são gastos com custeio (84%) e pessoal (12%); e 89% dos gastos com educação são gastos de custeio (47%) e pessoal (42%). Não há como, no curto-prazo, os hospitais deixarem de comprar material cirúrgico ou pagar os leitos que o SUS utiliza nos hospitais privados. Assim, o potencial de ajuste nessas áreas é muito pequeno. E quanto essas contas representam do custeio?


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2011

Em julho de 2010 a Revista Política Democrática publicou um pequeno texto que escrevi sobre a situação na Europa: “Para onde caminha a Europa”. O texto eu escrevi por volta de maio e era mais uma reflexão sobre a crise e o projeto socialista. Naquela altura a maior parte dos prognósticos e avaliações apontavam a recuperação da economia continental. Na contramão dessas leituras eu percebia uma dificílima recuperação, principalmente por conta da política. Publicado o texto muitos o consideraram vencido, contudo os fatos recentes, talvez por isto seja bom escrever e datar, mostram que a avaliação que fiz não estava errada.

Mas por qual motivo lembrar agora desse texto? É por considerar que os limites de nosso 2011 estão na crise européia, embora também estejam na americana.
Não é preciso um estudo muito profundo para perceber o quanto a situação externa impulsionou o crescimento brasileiro nos últimos anos. Também é mais ou menos evidente o formato do trenzinho da mundialização com a China fornecendo, às custas do processo de desindustrialização primeiro na Europa e Estados Unidos é bom registrar, produtos industriais e o Brasil fornecendo para a China commodities para a elaboração desses produtos.

A crise na Europa e nos Estados Unidos coloca em cheque esse modelo e aponta para a necessidade de maior investimento no mercado interno. Certamente isso explica a concentração de recursos no BNDES e também o forte interesse na redução da taxa básica de juros. Acredito que viveremos em 2011 o início de um processo bastante focado nas oportunidades do mercado interno brasileiro e suas três “alavancas”: Pré-Sal, Copa e Olimpíadas.
Para quem considerar que o processo se basta por aqui a leitura do nacional-desenvolvimentismo estará um seu ápice.
Para quem, como eu, acha que o processo nacional-desenvolvimentista vai se esgotando a conclusão é que até poderemos crescer, mas estaremos condenados a outra década de mediocridade.

Menos mau para Lula, que precisa ter em Dilma um governo medíocre, garantindo assim sua volta redentora em 2014.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A TAXA SELIC VAI SUBIR EM 2011?

Na direção oposta da maior parte dos analistas o Tony aposta na estabilidade da taxa. A tese dele de "alongamento dos horizontes" como norma do efeito reativo do BC, cumprindo seu papel de guardião da oscilação controlada da inflação, tem sentido. 
Mantega quando propôs a solução criativa de retirar alimentos e combustível da cálculo que fundamenta a reatividade do BC deveria estar perseguindo alguma noção muito parecida.

Politicamente aumentar a SELIC em janeiro, mês de posse de Dilma, tem implicações para quem fez da redução da taxa um dos principais elementos de seu programa econômico.

As apostas estão feitas. É aguardar para ver o resultado. E suas implicações...

Demetrio Carneiro



Fonte: CORECON-MG

Valor Econômico 

Política monetária: Para 27 dos 32 entrevistados, o Copom começa a subir os juros na 1ª reunião de 2011

Lucinda Pinto e Angela Bittencourt | De São Paulo

Alta dos preços das commodities, já capturadas pelos índices de inflação; emprego, renda e crédito vigorosos; preocupação com a evolução dos gastos públicos; e dúvidas sobre a autonomia do Banco Central no próximo governo. Esses elementos compõem o cenário da maioria dos analistas e justificam a aposta em aumento de juros no curto prazo. Dentre 32 economistas ouvidos pelo Valor, dois já esperam o início do aperto monetário na reunião do Copom da próxima semana. A grande maioria, 27 dos consultados, acredita que o aperto monetário terá início em janeiro. Apenas cinco trabalham com estabilidade da Selic ao longo de 2011.
O Bradesco está no grupo que representa a minoria da pesquisa e projeta, no cenário básico, estabilidade da Selic em 10,75% até dezembro de 2011, com a possibilidade de implementação de medidas na área de crédito, resultado fiscal que seja "supreendentemente" positivo e volta dos preços dos alimentos, além da manutenção das preocupações globais com o agravamento da situação europeia. "Concedemos o benefício da dúvida ao esforço fiscal sinalizado pelo governo e acreditamos que medidas macroprudenciais poderão ser implementadas na área do crédito. A confirmação dos R$ 540 de salário mínimo nos parece decisiva como sinalização para os juros", afirma Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco. Ele diz que, se os sinais forem outros, sobretudo no plano fiscal, há um cenário alternativo, de aumento de 0,50 ponto percentual a partir de janeiro em um total de 1,25 ponto, combinado com medidas prudenciais na área de crédito.

O Tony Volpon, estrategista para América Latina do Nomura Securities, também está entre os que apostam em estabilidade da Selic no próximo ano, embora reconheça que haja um "grande risco de estar errado". Ele lembra que o BC já declarou estar perseguindo a meta de inflação em horizontes mais longos. "O horizonte mais longo dá ao BC tempo para que esses choques se acomodem, sem que ele precise subir os juros", afirma. Além disso, Volpon trabalha com o cenário de que o governo irá cumprir o compromisso com a meta fiscal. "O regime de metas amadureceu e isso dará mais espaço ao BC para ignorar os choques primários de preços, que abatem outros bancos centrais no mundo também", afirma.
A maioria dos economistas, entretanto, considera que há uma deterioração importante das expectativas de inflação - base do sistema de metas -, o que justifica o início imediato do aperto monetário. E há quem diga que o BC já demorou para reagir a esse ambiente, o que pode tornar ainda mais caro o próximo ciclo. É o caso do diretor da Tandem Partners, Paulo Vieira da Cunha, que espera uma alta de 0,5 ponto da Selic em janeiro e um ciclo total de aperto de dois pontos percentuais. "O BC chegou atrasado e, assim, seria bom que a nova presidência deixasse claro o compromisso com a meta e já começasse a subir os juros na primeira reunião do ano", afirma.
Na mesma linha, está o Itaú Unibanco, que antecipou a projeção de retomada do ciclo de alta da Selic de abril para janeiro de 2011, contemplando um ajuste total de dois pontos percentuais, com a taxa alcançando 12,75% em dezembro de 2011. Em relatório, Ilan Goldfajn, economista-chefe da instituição, explica que a decisão foi tomada devido à deterioração adicional na perspectiva de inflação e da necessidade de controlar o processo de piora nas expectativas. "Reiniciar o ciclo apenas em abril resultaria em uma projeção ainda mais elevada para a inflação de 2011".
O Santanderprojeta, para dezembro de 2011, Selic a 13%, resultado de quatro elevações de 0,50 ponto e uma de 0,25 ponto. Tatiana Pinheiro, economista da instituição, pondera que o banco esperava que o ciclo de aperto monetário, iniciado em abril, fosse concluído neste ano [portanto seria maior do que 2 pontos percentuais confirmados]. Mas a inflação praticamente zero em junho, julho e agosto e as dúvidas do BC sobre o ambiente externo e os seus efeitos no Brasil levaram o Copom a encerrar o ciclo mais cedo do que esperava o Santander. "Continuamos, contudo, com a ideia forte de que havia pressão inflacionária não trivial que levaria a inflação à alta ainda maior neste ano. As indicações já estavam aí: estoque de crédito e concessões em expansão, mercado de trabalho apertado e taxa de desemprego abaixo da natural, além de reajustes salariais acima da inflação. A retomada da trajetória dos índices era questão de tempo, considerando as pressões desses fatores domésticos amplificados pelo juro real de 6%, além da política fiscal expansionista. Para nós, esse juro está abaixo do neutro que estimamos entre 7% e 8%", explica a economista.
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domingo, 28 de novembro de 2010

AVALIÇÃO DO GOVERNO ROUSSEF: UMA QUESTÃO DE FILTROS

A avaliação geral do governo Roussef vai repetindo as mesmas lógicas da campanha e se transforma numa avaliação de partes que só vai servir para complicar, como, de fato, complicou na campanha e já vinha complicando antes.

A grande questão é como Dilma Roussef irá responder ao desenvolvimento enquanto uma totalidade de questões que se falam e não como ela irá “solucionar” ou “continuar” cada qual isoladamente. É este o debate que jamais houve.

O debate da economia é um exemplo.
É evidente que manter o controle da inflação é relevante, mas é evidente que taxas reais de juros muito altas impactam na formação continuada da dívida.
Também é evidente que o giro da dívida está atrelado aos prazos reduzidos que se obtém no mercado e a necessidade absoluta de obter recursos para garantir o giro. Fácil de entender: O valor total da dívida mais renovação e juros, que transitam pelo Orçamento Geral da União, se somados, são maiores que o valor arrecadado pelo Estado. Os valores arrecadados são suficientes para pagar custeio, um mínimo de investimentos, os juros e amortização. O grosso entre no OGU como receita, do lado esquerdo da contabilidade. Mas é receita obtida na venda de novos títulos que renovam as dívidas que vão vencendo naquele exercício. São valores superiores a R$700 bi. Não há muito espaço para debate com investidores aqui. O mercado ciente da premência sabe jogar com prazos pequenos e juros bem altos. As autoridades sabem que para a máquina continuar rodando devem fazer o jogo. O Brasil tem juros reais excepcionais porque tem uma estrutura de dívida apertada e sinaliza que quer continuar devendo sempre mais. As discussões sobre dívida líquida e bruta passam um pouco ao largo dos números que estão no OGU e do que se tem que fazer para manter a roda girando.
A discussão de redução do superávit para “garantir” programas sociais ou a lógica criadora do super-ministro relativizando a meta de inflação para reduzir os valores da taxa SELIC passam por essa questão mais elementar de ter que manter taxas reais mais altas como única forma de manter esse perfil de dívida. Pode mudar o perfil? Talvez até possa, mas certamente os velhinhos aposentados do mundo desenvolvido irão querer ver planos de governo bem mais consistentes que o atual.
A política econômica de governo se dá em um espaço sistêmico onde cada elemento influencia e pode determinar ou sobredeterminar os outros.

De qualquer forma o que parece que não ficou claro para muitas pessoas é que é a Estabilidade (assim mesmo, como letra maiúscula) é peça central que qualquer política econômica que se pretenda minimamente sustentável.
Há inúmeras propostas “criativas” para adaptar a política de estabilidade mais ao gosto da cultura de esquerda. Essa do Mantega é apenas uma delas. Há outras que olham para uma quebra da autonomia do BC para estabelecer a taxa SELIC.
A questão não é tão complexa. A idéia central da proposta de estabilidade é tripla:
- Manter os preços da economia num patamar de crescimento suficientemente baixo ao ponto de não afetar a dinâmica dos preços relativos vista pelo lado do valor real da moeda;
- Manter a máquina de governo operando de forma sustentável, se mirados o médio e longo prazo;
- Manter um câmbio realista, que reflita as relações com o resto do mundo.
Então, quebrem a autonomia do BC, relativizem as metas e controlem o câmbio por decreto. Vamos conferir se este novo conceito de estabilidade é estável e sustentável.

Na questão cambial uma observação: A grande gritaria da indústria nacional na realidade não é contra o dólar, mas contra a economia chinesa.
O fato é que a indústria nacional atua praticamente na mesma linha da indústria chinesa. O fato é que foi o Brasil o fiador da China na OMC e agora fica obrigado a trabalhar dentro das regras da instituição.
Mas não é apenas isso. O Brasil vai brigar comercialmente com seu maior comprador? Os EUA vão brigar comercialmente com o maior detentor individual de títulos do tesouro americano?
Alguém realmente acredita que alterar por decreto a apreciação do real vai resolver?
Alguém acha mesmo que o problema é o baixíssimo salário pago aos trabalhadores chineses?
Aliás, é elogiável e patriótico o absoluto silêncio de nossas poderosas centrais sindicais quanto à situação do trabalhador na China.
Se os trabalhadores brasileiros ganhassem a miséria que ganham os chineses a coisa estaria resolvida?
Esta é a única vantagem competitiva da China? Não são muito melhores do que nós também na infraestrutura, nas operações e nos investimentos em P&D e inovações?

Ai está o ponto. O debate da economia e de todo o resto, educação, saúde, meio ambiente, investimentos, P&D, integração regional etc. não vai a lugar algum se não partir de outro modelo de desenvolvimento que apresente as soluções que esse modelo é incapaz de apresentar.
Na realidade ter bons fundamentos ou praticar boas políticas de estabilidade, que é onde o debate atual estacionou, é apenas o dever de casa. Sem um projeto de desenvolvimento muito mais consistente que o atual o que iremos perseguir será a mesma mediocridade do crescimento das últimas décadas. Aquilo que o governo atual comemora como meta, o PIB na faixa de 5%, está muito longe de ser o nosso potencial, mas no atual modelo até mesmo essa meta corre risco frente a nossa total vulnerablidade à economia internacional.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

WE LOVE CHINA...CHINA'S GDP.


Fernando Taquari | Valor

SÃO PAULO - O Brasil deve adotar nos próximos anos uma política econômica baseada no modelo chinês. Para a equipe de analistas do Nomura Securities, que elaborou um documento sobre o país, essa será uma das principais mudanças no governo da presidente eleita Dilma Rousseff. A instituição admite que, à primeira vista, essa hipótese pode parecer absurda, já que são duas economias diferentes.

Hoje, a China tem um modelo de crescimento com foco nas exportações de manufaturados, alto índice de poupança e investimentos que geram superávit em conta corrente.

Já o Brasil é um exportador de commodities, com baixas taxas de poupança e com um enorme e crescente déficit em conta corrente. A equipe do Nomura, no entanto, lembra que o governo brasileiro já alterou sua política para um modelo inspirado na China.

Isso teria acontecido em 2008, quando o governo federal, em meio ao iminente aperto no crédito, decidiu capitalizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que o transformou no maior banco de fomento do mundo, com investimentos em torno de R$ 146 bilhões neste ano. Segundo a instituição, a oferta de crédito se tornou uma marca da atual política econômica e uma iniciativa de longo prazo.

O BNDES é hoje o maior financiador para projetos de infraestrutura e em setores onde o governo tenta predominar. Isso se ampliou de tal forma que a política monetária não pode ser discutida sem se levar em conta esses movimentos. Na visão da equipe, o maior sinal de que o Brasil copia o modelo chinês é o fato do banco de fomento ter se tornado na maior fonte de investimentos da economia nacional.

Outro indicativo, conforme o documento, é a taxa de câmbio. Depois de anos de um regime de transparência e livre flutuação do câmbio, o governo apelou neste ano para a imposição de políticas restritivas à entrada de capitais, sob a alegação de que precisa se proteger contra iniciativas do FED (FederalReserve).

Para evitar a entrada de capitais especulativos e conter a valorização do real, o governo brasileiro elevou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Uma terceira evidência seria a proximidade dos dois países nos fóruns mundiais, como o G-20. No recente encontro na Coreia do Sul, o Brasil apoiou a China nas queixas de que os Estados Unidos representam uma ameaça à estabilidade internacional. A crítica é direcionada contra decisão do governo de Barack Obama de injetar US$ 600 bilhões na economia norte-americana.

O Nomura acredita que a ideia de “copiar” o modelo chinês tem como base três razões. Primeiro, por conta dos laços econômicos entre as duas nações. A China representa hoje o maior mercado para os produtos brasileiros, sendo que neste ano, se tornou o maior investidor no Brasil.

Outro motivo seria que as autoridades brasileiras já esperam que Pequim irá ocupar o lugar do Estados Unidos como principal potência. Por fim, a última razão se justificaria pelo fato do modelo chinês se adaptar à ideologia do PT.

Acreditamos que o próximo governo vai utilizar mais oferta de crédito e outras medidas administrativas para tentar controlar a inflação e menos instrumentos monetários como a política de juros altos. A meta de inflação deve ficar subordinada a outras considerações, como a política fiscal e cambial, disse a instituição, que espera a continuidade de uma postura
intervencionista no câmbio e um papel central do BNDES na economia nacional.


sábado, 20 de novembro de 2010

DILMA: PT VOLVER!

Os fatos da transiçao vão apontando escolhas muito claras.
A postura brasileira quanto à votação na ONU que, segundo o nosso governo não é o "local ideal", indica um engajamento ele sim politizado, unilateral e seletivo. A política externa brasileira vem sendo usada de guarda-chuva para a ditadura iraniana e, pelo visto, permanecerá. As palavras de Dilma sobre o apedrejamento foram apenas palavras lançadas para satisfazer a pressão da hora.
Pelo mesmo caminho segue a questão fiscal. A decisão de retirar a Eletrobras do cálculo do superávit primário(antes do cálculo dos juros) indica novos ajustes. Será Mantega o apóstolo do gasto a qualquer custo quem fará esses ajustes?

O encontro entre Dirceu e Lula não foi publicizado por descuido e muito menos a agressiva fala contra o "mensalão" do quase ex-presidente.

Enfim, política externa é para os "amigos", gasto é para garantir o poder e corrupção é onda dos inimigos. No arraial petista só tem santo.

Dizem que os primeiros 100 dias são o prazo para o presidente eleito mostrar a que veio. Antes de assumir Dilma já vai mostrando.

A situação econômica mundial indica que, diferentemente da era Lula, Dilma não irá surfar com tanta facilidade. As posturas de um PT que quer recuperar seu discurso mais radical, mas ainda assim quer continuar gozando das benemeses e impunidade do poder, não é exatamente a melhor para tempos que podem ser mais complicados. Vamos aguardar...

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

PANAMERICANO: HÁ ALGO ERRADO NO PARAÍSO

Palavras de Dirceu:


Publicado em 10-Nov-2010

É o mínimo que posso julgar, por enquanto, sobre essa operação, também chamada de "intervenção branca", em que a Caixa Econômica Federal (CEF) despejou R$ 2,5 bi no Banco PanAmericano, do Grupo Sílvio Santos.

As justificativas estão enviesadas, confusas, nebulosas, inclusive porque até o momento partem do próprio banco com uma nota em que justifica a operação em função de "inconsistências contábeis que não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade".

Como é que a CEF faz esta operação autorizada pelo Banco Central (BC)? Como é que a CEF comprou - ou se associou - o Panamericano e só agora descobre um rombo, uma fraude gigantesca de R$2,5 bi? Como foi possível tamanha maquiagem contábil? Onde estava o BC, nossa autoridade monetária e fiscalizatória máxima? Como ele autorizou a compra?

Estas são perguntas não respondidas até agora, que não podem calar e que continuarão vagando até que venham a público - principalmente o BC - e expliquem em detalhes tudo o que aconteceu.


Num dos comentários ao post acima, no blog de Dirceu, alguém pergunta se foi “fogo amigo”.
Certamente não foi neste sentido, embora toda a indignação de Dirceu contra o BC e não contra a CEF ou contra Lula, que certamente já sabia, mostre que há, de fato, um “alvo”.
Sendo fogo amigo ou não é fato é que foi uma tramóia cuidadosamente guardada à sete chaves para estouras apenas DEPOIS das eleições. Qual teria sido o peso desse novo escândalo jamais saberemos.

De uma forma ou de outra continuam as perguntas:

O eleitor imagina que se já existissem os tais “controles sociais da mídia” tão amados pela esquerdinha governamental essas notícias estariam circulando?

Houve claramente um crime. O empresário e amigo do Rei, Sílvio Santos irá responder judicialmente por ele?

A presidente da Caixa tem como permanecer no cargo? E, mais, tem como fazer parte do grupo que irá, na prática, intervir no PanAmericano?

Qual tipo de credibilidade tem o pessoal interno de auditoria da CEF agora? Não são eles que também fazem o controle das empresas que empregam recursos do FGTS? Esse controle é feito no mesmo estilo do PanAmericano? O Programa Habitacional é confiável?

Quem são as empresas privadas contratadas para auditar o PanAmericano?
Como elas foram escolhidas?
Elas responderão judicialmente pelos prejuízos ao erário público?

Para o quê exatamente a Caixa precisa competir com o sistema de participações do BNDES? ´

É verdade que o recurso do Fundo Garantidor é dos bancos, mas os quase R$800 milhões que a CEF gastou para entrar nesta canoa furada caíram do céu?

A “normalidade” ficou instaurada quando o Fundo Garantidor sacou os R$2,5 bi?
O BC acha mesmo que um banco do porte pequeno, para uso doméstico do grupo Sílvio Santos, iria mesmo “abalar” o sistema ou o BC não pediu a falência do banco porque a CEF é sócia?
Não abalará mais saber que o BC não estava preocupado exatamente com a saúde do sistema bancário, mas com a saúde da cúpula, petista?, da CEF?

Deve ter mais uma centena de perguntas em aberto.

O governo Dilma irá começar muito mal. Obviamente, sem um sistema de Conselhos Sociais de Defesa da Inocência Popular Contra a Mídia Maldosa da Burgueia Opulenta, ou CSDIPCMMBO, que faça sumir no ar essas questões, certamente elas chegarão à janeiro e permanecerão.
Um governo que irá iniciar com o passivo da ex famiglia-amiga Erenice.
Vai ter que explicar como a tal secretária conseguir passar pela ABIN e ser escalada para a equipe de transição.
Agora vai ter que lidar com um processo, CEF/PanAmericano, mais furado que queijo suíço.

É. O Dirceu tem mesmo é que ficar irritado.
Como diz a canção: Há algo errado no paraíso.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MANTEGA: A DIFÍCIL LUTA PARA PERMANECER NO PODER...

Pode ser certo, ou não, que Mantega continue ministro. Mas, sem dúvida alguma, é certo que as promessas de controle fiscal de Dilma viram poeira se ele continuar...

Demetrio Carneiro

Leia mais, abaixo:

Ao substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, Mantega foi mudando, paulatinamente, o perfil das ações adotadas por seu antecessor.

Nesta quinta, em Seul, Lula cedeu o pódio para que seu ministro da Fazenda falasse por quase 20 minutos sobre a ameaça de guerra cambial

Nos quatro dias que passaram juntos, desde a viagem do Brasil, o ministro deixou claro, segundo um interlocutor, que domina todas as informações de sua área e que apoia, como a presidente, um forte papel do Estado na indução do crescimento

VOLPON: EXISTE A TAL GUERRA CAMBIAL?


Por: Tony Volpon

Fonte: Valor Econômico - 11/11/2010

Existe a tal "guerra cambial"?

O termo, lançado inicialmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez sucesso, entrou no discurso do mercado financeiro como parte também das negociações internacionais e deve fazer parte da principal discussão no âmbito da reunião do G-20 na Coreia do Sul. A própria presidente eleita Dilma Rousseff adotou o termo, acusando a China como os Estados Unidos de travarem tal guerra.

Por que uma "guerra cambial"? A expressão somente faria sentido se, no caso atual, a execução da política de expansão do balanço do Federal Reserve (Fed, banco central americano), conhecida como "quantitative easing" - ou "QE2", já que é a segunda vez que os EUA lançam mão desse expediente -, tivesse como única meta a queda do dólar americano. A queda do dólar estaria, então, "roubando demanda" de outras economias que sofreriam com a apreciação de suas moedas.

Nessa visão do mundo nitidamente mercantilista, o crescimento e a demanda teriam "soma zero": se os Estados Unidos saem ganhando, os outros saem perdendo. Nessa situação, enfrentando a "agressão" de uma economia em decadência, mas ainda detendo a "moeda reserva global", vale tudo para proteger a economia local dos malefícios de uma política cambial americana travestida de política monetária.

Essa visão é tanto parcial como carrega nítida contradição. Vamos ver isso examinando os dois possíveis resultados da nova política americana. Se, como acreditam analistas mais pessimistas, essa nova rodada de QE não conseguir impulsionar o crescimento nos EUA, o resultado mais provável em países como o Brasil é uma inflação maior. Como em 2007-2008, a "fuga" do dólar deve levar a uma alta forte nos preços das commodities não inteiramente compensada pela valorização cambial. Mas, ao mesmo tempo, essa alta deve acontecer junto com a queda relativa nos preço das importações devido à continuação da quase recessão externa.

Ante uma conjuntura internacional cheia de riscos, a única iniciativa do novo governo é apoiar a volta da CPMF

Como a pauta das nossas exportações é carregada em commodities e as nossas importações são predominantemente de bens de capital e de consumo, a melhora nos termos de troca da economia brasileira equivale a um aumento da renda real, que deve incrementar ainda mais o investimento e o consumo. Nesse caso, o maior risco não é importar a recessão dos outros, mas sim sofrer maior inflação. As tentativas de segurar o câmbio, impedindo que uma alta do real frente ao dólar ajude a compensar a elevação dos preços das commodities, somente funcionam para aumentar os riscos inflacionários.

E se o QE2 funcionar? Nesse caso teríamos um crescimento maior da economia americana, algo que adicionaria demanda na economia mundial. Tal cenário certamente não poderia ser visto como negativo para o Brasil em termos de renda e crescimento econômico. Os Estados Unidos podem estar "fora de moda" em relação à ascendente economia chinesa, mas pelo seu tamanho é difícil sustentar qualquer recuperação global sem algum crescimento americano.

O que devemos perceber é que o Brasil está bem colocado para enfrentar as consequências do QE2 exatamente porque não se trata de uma guerra cujo resultado é soma zero e pela posição favorável do Brasil na atual economia internacional como exportador de commodities. Se QE2 funcionar, vamos ter uma economia americana em crescimento, importando mais do Brasil, com o dólar americano subindo, aliviando temores de uma sobrevalorização cambial.

Se o QE2 não funcionar, vamos continuar, como agora, a vender nossos produtos ao exterior, a preços ainda mais altos, e importar artigos de consumo e bens de capital mais baratos. O risco nesse caso não é os americanos "roubarem" nosso crescimento, mas haver um excesso de demanda interna, causado pela melhora dos termos de troca e pela intervenção do governo no mercado de câmbio interferindo no necessário processo de ajuste.

Vale a pena os riscos de um aquecimento excessivo da economia para segurar o câmbio? Seria essa a melhor maneira de ajudar nossa indústria a se ajustar ao atual cenário? Somando os custos da "estratégia de guerra" da política cambial atual, focado em fortes intervenções no mercado de câmbio e a imposição de crescentes impostos à entrada de capital estrangeiro, a resposta só pode ser não.

Fora o risco de maior inflação futura, já sentimos hoje em função do IOF a retração do investidor externo no mercado de dívida local, o que tem elevado as taxas de juros de longo prazo e impedido o Tesouro Nacional de colocar títulos de maior prazo em seus leilões. O trabalho de alongar o perfil da dívida federal está em risco por causa de uma política cambial mal elaborada. E isso quando o Brasil entra em um período em que deseja implementar forte agenda de investimentos, que somente serão executados com a ajuda do capital externo dada a baixa propensão a poupar como o contínuo e crescente déficit fiscal, que hoje tem uma da suas principais origens no custo da intervenção no mercado de câmbio.

Devemos ter em mente que a queda do dólar americano ou é temporária (no caso de QE2 ser um sucesso) ou é algo inevitável (caso seja um fracasso). A resposta da política econômica correta, no caso mais pessimista da eventual falha do QE2, é trabalhar para ajudar a indústria a se adaptar, aumentando sua produtividade e competitividade. Por causa disso, ficamos perplexos em ver que, exatamente quando temos tantos desafios pela frente dado uma conjuntura internacional ainda cheia de riscos e incertezas, a única iniciativa concreta do novo governo parece ser apoiar a volta da CPMF, imposto em cascata que afeta mais negativamente a indústria por causa da longa corrente de produção. IOF e CPMF são certamente as armas corretas para o Brasil perder essa guerra mal pensada.

Tony Volpon é chefe de pesquisas das Américas do Nomura Securities International, Inc.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VOLPON: POLÍTICA ECONÔMICA DO GOVERNO ROUSSEF

Agora pela manhã o Tony enviou uma nota sobre a sua percepção quanto ao que poderá ser a política econômica do futuro governo Roussef.
Aqui no Brasil muitos apostam que Dilma Roussef manterá a política de gastos, e o que terminou em irresponsabilidade fiscal, do atual governo.
Não é a avaliação de Tony, que dá suas razões e insights.
Reproduzo abaixo.

Demetrio Carneiro


Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) venceu a segunda rodada da eleição presidencial este domingo, com 56 por cento dos votos contra 43 por cento para José Serra, do Partido Social Democrata (PSDB).
Em seu primeiro discurso como eleita Dilma Rousseff falou sobre a necessidade de erradicar a pobreza no Brasil, mas igualmente reafirmou seu compromisso com uma política econômica responsável.

De fato, o Broadcast (serviço de informações financeiras da Agência Estado – NT ) de hoje informa que o governo já vem trabalhando em um plano para trazer as taxas de juros reais, atualmente na região de 6%, para 2% até 2014.
O eixo central do plano será um retorno para o instrumental mais básico: 3,3% de meta do superávit primário (sem descontos para investimentos ou antecipações de receitas) e uma regra que regule o crescimento das despesas tornando-as inferiores ao crescimento da economia. Também devemos ver medidas para reduzir ainda mais a indexação dos preços na economia que gera forte inflação inercial.

Estas medidas foram formuladas pelo atual Secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, que deverá ter um papel de liderança na equipe econômica de Dilma Rousseff .

Como argumentamos em agosto (ver "primeiro Dilma 100 dias", 25 de agosto de 2010), essas medidas serão fundamentais para Rousseff afastar a sombra de seu patrono político, o presidente Lula, gerando uma ruptura decisiva com algumas das presentes políticas de governo e o pessoal que as executa.
Apesar de retratar-se a si mesma como uma "Candidato da continuidade", foi a estratégia eleitoral correta, a natureza altamente centralizada das demandas presidências brasileira determina Rousseff como o único centro de poder para governar eficientemente. Conquanto haja muitas maneiras de fazer isso, e alguém poderia imaginar uma guinada para a esquerda, o sinais enviados por Nelson Barbosa indicam o desejo de usar uma política fiscal mais apertada como a primeira iniciativa para diferenciar o novo governo.

Após a séria deterioração da política fiscal empreendido nos últimos anos, culminando com a utilização da oferta de ações da Petrobras para "antecipar" receitas, muitos participantes do mercado estão céticos quanto a Rousseff implementar uma política fiscal mais apertada.
O Brasil certamente parece ter sofrido um forte "ciclo político eleitoral": As despesas nominais, fora juros, em relação a 2009, cresceram de 9,95%, com base anualizada, em janeiro, para 19,51% em agosto. Despesas na casa de 20% são claramente insustentáveis e têm sido um importante elemento de estímulo à demanda e ao mercado de trabalho, aumentando as preocupações quanto ao controle da inflação.

Assim, enquanto no final do período de campanha, por si só constitui uma razão para retomar as despesas para num caminho de crescimento mais sustentável, acreditamos que o membros da provável equipe econômica de Rousseff entenderão que a abundante condição de liquidez torna possível trocar a política fiscal mais apertada por uma forte redução nas taxas de juros reais, onde a soma dos pagamentos de juros anuais é de mais de R$184 bi. O movimento de trabalhar na região da taxa de juros de 2% é um explícito e, a nosso ver, muito positivo, reconhecimento de que este trade-off existe e que está na hora certa de o perseguir.

Uma política fiscal mais apertada é a premissa-chave por trás da nossa não-consensual previsão de uma política de taxas baixas no próximo ano no Brasil, com a Selic caindo para 10% dos 10,75% atuais (ver “Nine reasons to receive rates”, 30 de setembro de 2010).
Na verdade, o Banco Central do Brasil reconheceu, na ata da reunião do Copom de outubro, que uma política fiscal mais apertada é condição necessária para a inflação convergir para meta.
Acrescentaríamos a isso a apreciação cambial muito maior que o que se espera (esperamos o USD/BRL a 1,55 na final do próximo ano contra uma expectativa mediana do mercado a 1,78 de acordo com a Pesquisa Focus semanal). Esta apreciação, nos nossos termos, será um driver necessário para uma Selic menor em 2011.
Embora as taxas futuras tenham caído em antecipação a essas medidas, o preço ainda está cerca de 150pp acima do que deveria estar. Nós acreditamos que a taxa continuará a cair assim que Rousseff nomear os membros de sua equipe econômica que, esperamos, estarão comprometidos com uma política fiscal mais apertada. Uma forte inflação visível, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos, deve manter as taxas sob pressão ao longo dos próximos meses. No entanto, podemos usar o histórico das taxas para justificar, que a inflação dos alimentos provavelmente será uma inflação menor-que-o- esperado no início do próximo ano, da mesma forma que a alta inflação no início deste ano levou ao arrefecimento das leituras da inflação no meio do ano. Acreditamos que uma menor leitura de inflação e sinais concretos de política fiscal mais apertada no início do próximo ano, juntamente com a continua apreciação do Real, levarão o mercado a reduzir o atual não-razoável nível do prêmio de risco ao longo da curva de juros

Tony Volpon