Mostrando postagens com marcador inflação no Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador inflação no Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ANO NOVO, INFLAÇÃO NOVA

   Num momento onde o governo joga todas as suas fichas no "crescimento a qualquer custo", pressionando a inflação o IBGE resolve alterar a forma de cálculo do IPCA, dando mais peso aos bens duráveis, que historicamente flutuam menos, e menos peso aos serviços, mais sensíveis às flutuações de preço ou sejam respondem mais rapidamente.

   Isto posto, provavelmente a medida da inflação em 2012 será menos reativa às mudanças de preços. Tudo bem, são "olhares" que a gestão pública pode se considerar autorizada a mudar. Um bom exemplo é quando o BC decidiu "olhar além do horizonte", abandonou a inflação de 2011 e passou a mirar na de 2012. Foi uma mudança substancial de postura e criou o meio para justificar a permanência do estímulo à atividade econômica em 2011, mesmo que isso levasse a inflação para além da meta. Enfim, o recado da área econômica era: "Temos que estimular a economia para que não caia abaixo de 4%, na época era 4%. Dai teremos maior inflação em 2011, mas em 2012 a inflação será menor". Como resultado daqui a pouco o BC vai ter que olhar para 2198 para ver a inflação encostar na meta. Mas tudo bem, é para isso que eles foram eleitos. Alguém votou e deu a eles este mandato.

   O raciocínio do "ganhou, levou", contudo é correto em termos. Temos a considerar a confiança. Muito da economia se movimenta pelo mecanismo das expectativas. Se um dado governo, mesmo que legítimo, vai mudando as regras do jogo e se essa mudança mostra direcionamentos completamente diferentes dos declarados originalmente, o agente econômico pode ou não confiar que essas mudanças sejam as melhores para o conjunto da economia e para a sociedade. Eu diria que é exatamente o caso da estratégia de crescimento a qualquer custo e pode ser o caso dessa mudança no IPCA.

   Até o momento, qualquer que seja a explicação "técnica" do IBGE, o que é perceptível é que a mudança é uma forma se suavizar, relativizar, se for um termo melhor, os números da inflação. Como qualquer outro indicador os do IBGE só fazem sentido se a série histórica for coerente ao longo da escala de tempo. Mudanças na qualidade dos dados acabam dificultando as avaliações em retrospectiva. Por tanto devem sr muito bem fundamentadas. O IBGE, com base certamente nas apurações do Censo 2010, afirma que o perfil de consumo mudou e que o consumo de bens duráveis afeta o perfil de consumo dos estamentos de renda ao ponto de ser necessário mudar seu peso. Em tese, com maior renda as famílias tenderiam a abrir ou aumentar gastos em bens duráveis.

   Como comenta hoje César Maia é uma questão de aguardar e ver o que vai realmente rolar. Ainda dentro do comentário dele, de qualquer forma é de preocupar a proximidade com uma Argentina cujo governo desmoralizou o seu instituto encarregado de monitorar a inflação.

Demetrio Carneiro

sábado, 15 de outubro de 2011

NOVA PREVISÃO DE QUEDA NO PIB: MAIS INFLAÇÃO

Segundo informa o Blog do Vicente já há previsão de que o PIB recue para 3%. Ainda segundo o mesmo Blog Dilma deve cercar o presidente do BC antes da reunião do Copom para uma conversinha ao pé do ouvido. Certamente não será para garantir a autonomia da instituição.

Disso tudo o que dá para deduzir é que teremos mais cortes na Selic e mais inflação.

Pelo menos Dilma poderá colocar a culpa da confusão que vem pela frente nos europeus afinal "foram eles que fizeram a crise e não nós". Obviamente a decisão de escolher mais inflação para, supostamente, poder garantir um piso de crescimento foi perfeita. A culpa é da conjuntura que não soube se adaptar às decisões presidenciais...

Demetrio Carneiro

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ECONOMIA COMO UM SISTEMA E O RISCO INFLACIONÁRIO

      Num movimento lateral, em decorrência tanto da crise, como da decisão de reduzir politicamente a taxa Selic, o dólar apresenta sinais de apreciação e previsões já há de que o novo piso é R$ 1,70, com expectativas de chegar a R$ 1,75 em 2012 e R$ 1,80 em 2013.

      Para o governo Dilma reter a apreciação do real e mesmo reverter a apreciação é um forte ganho político, frente ao setor industrial, exportador - a se conferir o ganho nas exportações - ou não – a se conferir os ganhos na redução das importações -, e também frente aos setores mais críticos das políticas econômicas, tanto na oposição, como no grupo de pensadores e apoiadores da atual gestão. Com efeito, em paralelo à crítica da alta taxa Selic a outra grande crítica vinha da apreciação do real.

      Olhando assim não faltou senso de oportunidade e ousadia em cortar exatamente agora a Selic e foi um movimento bem sucedido politicamente. Que o diga o silêncio da oposição, agora frente a mais um dilema no jogo sucessório de 2014.

     O que o atual modelo de planejamento estratégico governamental, já está bem claro que é outro modelo de pensamento diferente do de Lula, não controla é a inflação. Da mesma forma que a apreciação cambial trouxe ganhos políticos ela também trará conseqüências ao neutralizar ganhos da queda de preços das commodities. Nesse sentido a queda do preço das commodities, que poderia ser um componente de redução da pressão inflacionária mundial, internamente não gera resultados, pois é compensado pela apreciação do dólar. Mudou a equação.

      Todo o risco do atual planejamento é a inflação e num país que á teve nessa área experiências traumáticas. Desde o impacto do sucesso do Real no controle da alta/altíssima inflação, os sucessivos presidentes, aparentemente, sempre escolheram perspectivas mais conservadoras, onde o gasto público sempre em expansão, basta acompanhar o aumento real, em valores monetários, da arrecadação tributária nos últimos anos, precisava ser mediado pela taxa Selic de formas a controlar o aumento da inflação. O atual governo pensa diferente e colocou suas cartas na mesa. O jogo está feito e tem seus ganhos e perdas. Ainda é muito cedo para maiores avaliações e o debate ainda está mais no campo da teoria.

     O que é certo é que na economia do setor público normalmente há ganhos associados a perdas. O melhor dos mundos da política pública estaria no espaço onde ninguém perde, mas não parece ser esse o caso se o processo inflacionário se mantiver consistentemente alto. Certamente faz parte do plano de governo a consideração de que o forte aumento do salário mínimo, associado à confirmação dos gastos sociais, que escaparam dos cortes, de alguma forma irá compensar um aumento do ritmo inflacionário, já que são fortemente indexados na prática. 

      Todo o problema com esse estilo de pensamento é a questão das expectativas dos agentes. Na sua lógica keinesiana imaginam que o preponderante será o espírito animal e que o clima geral de sucesso irá impactar positivamente a economia, mesmo com um ritmo de inflação mais ampliado. Para nós o problema vai estar na racionalidade dos agentes econômicos que percebendo a forte indexação de componentes importantes do gasto públicos diretamente ligados à formação de renda, já cientes da indexação dos preços públicos com base na inflação passada, talvez decidam também indexar seus preços. Esta é uma variável exógena ao modelo governamental e sobre ela o governo não tem qualquer controle.

    Algumas lições ainda não foram completamente absorvidas. Quando a crise começou, em 2008, os economistas e pensadores ligados à corrente keinesiana festejaram o “fim” do controle neo-liberal da economia e o sinal verde do gasto foi aceso. Algumas dezenas de trilhões de dólares depois o mundo continua com problemas, pois gastar e gastar não resolveu a problema da expectativa dos agentes. Para a lógica do gasto dar certo seria necessário que os agentes econômicos fossem como os peixinhos de aquário: Uma vez posta a ração eles se atiram a comê-la. Se fosse sempre exatamente assim seria uma maravilha para o Estado como diretor, driver, das economias nacionais. Apenas não é, e o próprio Keynes alertou sobre isso.

      Todo o problema desse modelo é que ele é pensado sem a consideração de que os agentes econômicos podem estar suficientemente informados sobre a aposta na inflação e podem reagir indexando seus preços e ai os custos talvez venham a ser mais altos que os benefícios. Muito em breve isso poderá deixar de ser um problema apenas teórico.

Demetrio Carneiro

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MAIS UM ÍNDICE SINALIZA ALTA

       Agora é o IGP-DI com alta de 0,61% em agosto, quando havia registrado deflação em julho de 0,05%. O índice já acumula 7,81%.

      Historicamente falando as escolhas entre crescimento e inflação não resultam necessariamente em crescimento sustentável. O processo inflacionário a partir de certos limites nem sempre é um dado positivo e pode, muito rapidamente ser um dos componentes, junto com a falência dos instrumentos institucionais de controle da economia, para nos levar à famosa estaginflação ou estagflação. Isso é o que está na literatura.

      Escolhas pela inflação são escolhas típicas do chamado ciclo partidário. Isto é são escolhas interessadas na sobrevivência política. Algumas podem dar certo. Outras não. Por isso normalmente se associa nas análises inflação, crescimento e emprego, gerando o que se chama de Índice de Miséria. Talvez esteja na hora de usar esse instrumento.

      Como o governo deverá guardar a sete chaves o “ponto de retorno” da política de tolerância à inflação, quer dizer o ponto a partir do qual a inflação tolerada acima da meta não oferece uma escolha boa e sim um risco, resta cruzar os dedos...

Demetrio Carneiro

sábado, 27 de agosto de 2011

NACIONAL-DESENVOLVIMENTISMO FLERTA COM O ABISMO

      Há todo um estudo sobre as chamadas Falhas de Governo. Uma das mais badaladas e a falta de controle sobre os resultados das Políticas Públicas. Quer dizer, é fato que o gestor não controla todos os resultados das políticas que implementa.

      No momento em que o governo decide usar o corte dos juros básicos como um instrumento a mais de Política Pública Midiática, vamos assumir que há a política pública para valer e a política pública para "inglês ver" há, é a meu ver, um perigosíssimo flerte com o abismo.

      Estamos vivendo a glória do nacional-desenvolvimentismo. Dilma não faz nem melhor, nem pior do que Serra dizia que faria. fixou um piso de crescimento e relativizou o controle da inflação. No teto da meta ela oficialmente está "controlada". Agora cumpre sua promessa de campanha e, para o bem ou para o mal, reduzirá o juro básico da economia "no muque".

      O nacional-desenvolvimentismo vive uma forte ilusão sobre ser isso que fazem "desenvolvimento" quando na verdade não se trata mais do que uma acomodação à nova distribuição de trabalhor e poder na economia internacional.

      Hoje apenas confirmamos nosso papel periférico, agora com a China. Da mesma forma a ilusão com relação a criar um mercado interno a partir da concessão de crédito, sem criar possibilidades de renda sustentável e crecente. Espero que todos concordem que assistencialismo estatal não é renda sustentável e crescente...

      Agora, satisfeitos em suas ambições estratégicas avançam sobre as escolhas dentro do debate distributivo. Já ajeitaram o gasto. Negado na teoria e executado na prática, a vida segue.
      Ajeitaram o dilema entre controlar a inflação e gastar mais, não controlando a inflação.
Agora vão ajeitar o dilema entre custos da polkítica pública e juros, baixando por decreto os juros. É não tem outro nome. É uma forte crença entre os economistas nacional-desenvolvimentistas que os juros básicos do mercado podem ser controlados desde a vontade do gestor na Presidência e na Fazenda.

      Resta ao Bc "fazer-o-que-seu-dono-mandar". Nosso problema é que não estamos numa brincadeira de crianças.

      Delfim, o guro lulo-petista flertou com a inflação. Lembram que ele, além de aconselhar dividir o bolo depois, aconselhava que uma inflação de 1% ao mês era "saudável"? Bem, todo mundo ou lembra ou já leu aonde isso foi dar...

      É de se imaginar que Dilma precisa muito de "novidades" agora que entregou, em nome da sobrevivência política, os pontos na luta contra a corrupção e o patrimonialismo. Não estamos frente a uma escolkha econômica, mas política.

      Sem dúvida pensam nas políticas heróicas de JK no Plano de Metas ou dos genarais da ditadura do IIº PND, que remaram contra a maré e investiram onde o recomendável era recolher os flaps. Imaginam que a história sempre se repete e, certamente, já sonham com os discursos nas campanhas de 2012 e 2014. Vamos torcer para que estejam certos, pois se estiveram errados quem pagará a conta serão todos, mas principalmente o "povo" que eles dizem defender, pois períodos de alta inflação são especialmente maléficos `s baixas rendas.

       Vamos acompanhar.

Demetrio Carneiro

quarta-feira, 27 de julho de 2011

INFLAÇÃO BRASILEIRA: A POLÍTICA SOBRE O FIO DA NAVALHA

por Demetrio Carneiro

Willian R. Keech em seu livro The Costs of Democracy¹ discorre sobre a relação entre inflação, crescimento e emprego nas democracias. Segundo autor gestores públicos, os políticos eleitos, na intenção de permanecer no poder, são propensos a admitir a inflação como resultado de políticas públicas de estímulo ao crescimento e a geração de empregos. Da mesma forma eleitores também estariam dispostos a manter no poder políticos que mantivessem políticas públicas inflacionárias, mas que proporcionassem crescimento e geração de empregos.

Sendo crescimento e geração de empregos fortes elementos de garantia de votos a escolha natural de políticos é pela inflação. Não é difícil lembrar das falas de Delfin Neto ainda durante a ditadura onde o ex-ministro insistia que “um pouco” de inflação é benéfico à economia.

Nesse momento que está face ao dilema é Dilma e tem se manifestado claramente favorável a “um pouco” de inflação, também. Lula, por conta a boa situação internacional na maior parte de seu mandato não teve que fazer escolhas deste tipo a não ser já no último ano de mandato, por conta das eleições de 2010 quando claramente esposou a tese do ciclo político eleitoral forçando o gasto público para eleger Dilma.

Dilma assume em 2011, com a proposta da “visão longa”, já num quadro em que o ano estava perdido para a meta e os números apontavam para o teto da meta. Ao longo do ano já fica evidente que 2012 não será diferente e agora os olhares se voltam para 2013.

A pergunta a se fazer é sobre o risco de escolher mais inflação.

Algumas questões potencialmente críticas estão na linha de interesse daqui para 2012:

Combustível. Torna-se evidente de que não será possível segurar por muito mais tempo o prço da gasolina, sabidamente criador de expectativas inflacionárias. A combinação entre a necessidade política de manter o mercado aquecido e a falta de planejamento melhor tanto na questão do álcool combustível quanto na produção de gasolina mostrou sua face fatal. Compelido a escolher entre aumentar preços de combustível ou cortar impostos não parece muito provável que o governo decida pela racionalidade. Muito provavelmente apenas se aguarda a confirmação de um ritmo menor na inflação para o anúncio dos aumentos.

Reajuste salarial. Há efetivamente uma forte onda por reajustes salariais. Ai também não apenas os generosíssimos aumentos auto-concedidos pelos poderes, mas também confirmação da permanência da política de forte reajustes no mínimo geraram na classe trabalhadora expectativas que irão se afirmando ao longo do ano.

Mercado. O governo tem sido nitidamente leniente em “segurar” o mercado e também vem sofrendo forte pressões para ser mais pró-ativo na “defesa” da indústria nacional. Agregue-se um ambiciosíssimo programa de estímulo a investimentos tipo Pré-Sal, Copa e Olimpíadas, investimentos na área social como o novo programa de combate á miséria e outros eu não são exatamente situações de mercado “morno”.

Para 2012 novas expectativas.

Eleições de 2012. Até aqui na impede de se imaginar que 2012 repetirá o mesmo desempenho de ciclo eleitoral de 2010. Principalmente tendo em vista a disputa que se apresenta entre PT e PPMDB no que se refira às prefeituras municipais. Base de apoio fundamental para as eleições de 2014. Natural que se criem expectativas de gasto público.

O reajuste previsto para o salário mínimo certamente criará novas expectativas de pressão salarial das outras categorias e de aumento geral de preços.

Do lado dos riscos duas questões:

Formação de expectativas. Nada mais eficiente para gerar inflação do que expectativas de que haverá inflação. Seria a retomada a mentalidade indexadora eu havia sido derrubada pelo Plano Real.

Falha de governo. Uma das falhas de governo reconhecidamente evidentes é a falta de controle sobre os resultados. O governo é capaz de implementar políticas, mas não é capaz de ter certo que a política implementada alcance os resultados esperados. Ele não controla o resultado. Isto com políticas públicas correntes. Quando se trata de jogar com a inflação num ambiente de incertezas tão fortes quanto o atual nada garante que o governo possa, por exemplo, parar de brincar quando quiser. A excessiva generosidade das políticas fiscais neutraliza a política monetária e a partir de um dado ponto a política monetária, que tem sido ainda a única linha de “stop” do “stop and go” - na realidade muito mais go do que stop - da política atual pode deixar de ser eficiente.

Há claros riscos. Ninguém, nem mesmo Mantega, é capaz de não percebê-los. Contudo, estar no Poder e se manter nele parece ser o ponto principal e a referência das escolhas.

A única predição possível é que as incertezas, inclusive na arena internacional, são fortes. A única predição provável é que há acúmulo de tensões e elas não apontam certamente para o pretendido “pouso suave” de Dilma, mas para o fio da navalha.

1) The costs of democracy – W.R.Reech – Cambridge University Press – 1995

quinta-feira, 5 de maio de 2011

INFLAÇÃO IRRITANTE

Não duvido nada que essa coisa da inflação persistente deve irritar o governo. Analistas vão, de forma crescente, alertando para a persistência do ritmo. Na outra ponta a turma nacional-desenvolvimentista vocalizada pelo presidente do IPTEA alerta para a indecente pressão dos banqueiros por mais Selic. Ai o Tombini fala que não hesita em lançar mão dos instrumentos que tem em mão. O Mantega cita o mantra “habemos medidas prudenciais na manga”. A Dilma vai ficar rouca achando que a fala presidencial tem qualquer importância frente a um governo atordoado. É um quadro complicado.

Lentamente o osso vai ficando mais duro de roer e ainda mais lentamente as contradições vão se instalando na base de governo. Tem um pesadíssimo trade off nessa coisa do combate a inflação já que boa parte dessa turma foi condicionada historicamente a acreditar que as políticas econômicas de estabilização são contra as políticas sociais.

Parece que eles mesmos não lêem o que se escreve no governo. O que o trabalho coordenado pelo Marcelo Neri (bom lembrar que ele é do Conselho Nacional de Desenvolvimento Social que é o lugar do pensamento estratégico do Estado brasileiro) mostra é justamente que não há qualquer problema de competição entre estabilidade e ganhos sociais. Querendo mostrar o bom desenvolvimento dessa questão sob a gestão Lula o que se mostra é que a gestão Lula preservando em boa parte a lógica da Estabilidade conseguiu produzir o período mais intenso de atendimento às demandas de equidade.

Bom que se diga isso hoje, justamente o dia de aniversário da promulgação da LRF que o PT renegou e votou contra.

É bom que se diga que quando não se preservou a lógica da Estabilidade, como no momento de garantir a eleição de Dilma, o resultado foi a intensificação da inflação vivida agora. De certa forma é a beneficiária pagando a conta do benefício e o custo pode ser a perda de aprovação, o que para um governo totalmente midiático como o atual é crítico.

É bom que se diga que os maiores perdedores com a intensificação da inflação são os mais pobres, cujo perfil de renda e consumo os orienta para consumir os bens mais básicos, justamente os que mais aumentam no regime de inflação mais forte. Não esquecer que os preços públicos são sempre corrigidos ACIMA da inflação com ganhos reais para o Estado pela via da tributação. O que há de "justiça social" nesse tipo de proposta?
Os burocratas bem pagos das corporações sindicais ou da estrutura de governo ou das estruturas dos partidos da base de governo certamente não se dão conta desse pequeno detalhe que destrói tudo o que eles garantem que querem construir.

Demetrio Carneiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

ESTABILIDADE : CENÁRIO VAI FICANDO MAIS COMPLEXO

Aparentemente a equipe econômica não trabalha preocupada com a confiança e a expectativa dos agentes de mercado. Talvez por imaginar que questões mais objetivas como o ritmo de negócios sejam mais importantes. No caso, trazer no bolso grandes vitórias da China pode ser uma referência. Ou talvez por considerarem que é justificável ter mais inflação desde que o ritmo não caia muito.

De uma forma ou de outra as expectativas vão se deteriorando com alguma velocidade e os avisos vão se tornando mais volumosos, embora a equipe e Dilma façam de conta que não escutam.

O episódio da importação de alcóol combustível mostra uma falha estratégica que poderá ter reflexos extremamente negativos na inflação, pois minimamente reforça as expectativas de que os preços vão mesmo subir, independentemente de Dilma deixar ou não subir o preço da gasolina.
Outro componente são as demandas salariais.

O projeto petista de poder está sendo posto a teste e ter mais ou menos inflação pode rapidamente assumir um forte significado político com alinhamentos que podem ir muito além da questão econômica. O passado brasileiro está repleto de traumas inflacionários. Os custos podem ser altos.

Demetrio Carneiro

Economistas já preveem nova alta de juros no ano

Fonte: Folha de SP

Piora do cenário para a inflação põe em dúvida estratégia usada até agora

BC já acenou com um aumento da Selic na semana que vem, mas especialistas esperam nova elevação em 2011

A piora do cenário para a inflação já leva alguns economistas a apostar que o Banco Central terá de mudar de estratégia e adotar política mais agressiva no combate à alta de preços.
Nos últimos meses, o BC adotou medidas para conter o forte ritmo de expansão do crédito -que contribui para a alta da inflação- e elevou a taxa de juros duas vezes, de 10,75% para 11,75% no total.
Para analistas, a autoridade monetária indicou que voltará a subir os juros em até 0,5 ponto percentual em reunião na próxima semana, encerrando o aperto monetário.
Mas resultados da inflação piores do que o esperado nas últimas semanas e forte deterioração nas previsões do mercado têm levado a apostas que o BC será forçado a subir a taxa de juros novamente no segundo semestre.
Para Rafael Martello, analista da Tendências, em junho o BC terá a seu favor aumentos de preços menos intensos, o que é normal para essa época do ano. Mas ele espera novas pressões no fim de 2011. Principalmente, diz, após negociações salariais em setembro e outubro: "Em novembro, o BC deverá ter que elevar a taxa de juros em mais 0,50 ponto."
Em relatório divulgado na semana passada, o banco JP Morgan disse acreditar que o BC será forçado a estender o ciclo de alta de juros: "Pressões inflacionárias devem manter o ciclo de aperto monetário até o segundo semestre de 2011, levando a Selic a 12,5%", diz trecho do documento.
O ceticismo do mercado em relação à capacidade do governo de combater a inflação tem levado a uma forte deterioração das projeções.
A meta oficial do BC, medida pelo IPCA, é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%. Mas já há quem espere que a inflação ultrapassará o teto admitido em 2011. A projeção mediana para a inflação das cinco instituições -que, segundo o próprio BC, mais acertam as previsões de um ano-atingiu 6,57% pela primeira vez na última semana. O resultado consta do Boletim semanal Focus, divulgado ontem.
Economistas mais pessimistas, segundo a pesquisa, preveem que a inflação fechará 2011 em 7,4%.
"Isso demonstra o nível de desconfiança que está sendo gerado por essa política gradualista do Banco Central", diz Tony Volpon, chefe de pesquisas para a América Latina do Nomura Securities. Esta foi a quinta pesquisa seguida de alta das projeções. Na média geral, as instituições esperam inflação de 6,26% no ano.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

PADOVANI: NÃO HÁ MILAGRES NA ECONOMIA... OU NA SUA GESTÃO

São duas pequenas notas do Roberto Padovani, no seu blog "O negócio é o seguinte" , que devem ser lidas juntas, pois se complementam. Na verdade “Não há milagres na economia” é o título de uma delas, mas vale para as duas.
Demetrio Carneiro

Cambio: não ha milagres na economia

Desde que o banco central norte-americano anunciou uma nova rodada de afrouxamento quantitativo e inundou os mercados mundiais com dólares, ha uma preocupação crescente com o nível da taxa de cambio nos países emergentes. O Brasil passou a liderar o debate, sugerindo a implementação de medidas de controle no mercado cambial, procurando com isso reduzir os fluxos de capitais gerados pela política monetária dos Estados Unidos.
Ha vários estudos que indicam que os efeitos destas medidas tendem a ser temporários. Mais que isso, no entanto, e preciso não se iludir. A estabilidade do cambio nominal e um fator que contribui para o aumento da inflação, junto com o aquecimento econômico local e a forte alta de preços das commodities. Com a inflação em alta, o cambio real tende a se apreciar. Portanto, seja em termos nominais ou em termos reais, as condições globais de liquidez irão necessariamente implicar uma apreciação da moeda brasileira. E bem verdade que a volatilidade não interessa a ninguém e que ha o risco de bolhas neste mercado. Mas melhor seria nos voltarmos para os problemas concretos da baixa competitividade do Pais: excesso de gastos públicos, carga tributaria elevada e complexa, infraestrutura precária, mão-de-obra pouco qualificada e caos logístico. Não ha milagres na vida. Nem na economia.

Juros contra juros

Ha uma situação inusitada na economia mundial. A necessidade norte-americana de se evitar um segundo mergulho recessivo tem produzido uma política monetária excessivamente frouxa: primeiro com corte de juros, depois com medidas de relaxamento quantitativo. Os objetivos são claros: (a) evitar o medo de deflacao, e estimular o consumo; (b) manter baixo o custo real de financiamento de longo prazo (juros de longo prazo descontados da expectativa de inflação); gerar ganhos de riqueza por meio da valorização dos ativos financeiros (bolhas); e desvalorizar a moeda, estimulando as exportações.
Diante deste cenário, a inflação global vem se acelerando. E o Brasil importa esta inflação por meio dos preços de commodities. Neste ambiente, como o Banco Central brasileiro (BC) deve reagir? Dado nosso recente passado inflacionário e diante da falta de autonomia do BC, não ha alternativa que não o aumento de juros. Não por outro motivo, o BC retomou o ciclo de aperto monetário interrompido em setembro do ano passado. Mas a política monetária brasileira dificilmente ira anular todos os efeitos impostos pela política monetária norte-americana. Neste caso, faz sentido trabalhar com outros instrumentos que não apenas os juros: o aperto fiscal e o aperto quantitativo (deposito compulsório) – atenuando eventuais impactos sobre o cambio. Dadas as restrições ao uso da política fiscal e cambial, ou o BC terá que elevar mais a taxa de juros ou devera se valer do amplamente recomendado intervalo da banda de inflação. Enfim, como nossa inflação e em grande parte explicada por uma causa externa, a política monetária dos Estados Unidos, a reação do BC precisa existir, mas tem que ser cautelosa.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A NOITE EM QUE TODOS OS GATOS SÃO PRETOS - 1


Uma nota do Blog do Noblat, com base em matéria d’O Globo, “Governo se arma contra a inflação”, mostra um pouco como se dá o debate econômico nesse momento pré-eleitoral.
Preocupado com o que nega veementemente, uma possível alta da inflação e procurando não recuar da posição de não aceitar o aumento da taxa de juros, o governo vai pelo caminho criativo e decide substituir a política monetária pela política fiscal no combate ao aumento de preços.
A capacidade das políticas fiscais como as propostas, que envolvem renúncia fiscal e importação são evidentemente de curto prazo e visivelmente se destinam a fins eleitorais. Ficaria muito estranho depois de tantas falas o BC aumentar a taxa de juros. Assim Dilma poderá seguir na mesma linha de bater nos juros “altos” como se isso não tivesse nada a haver com a própria política econômica praticada pelo governo.
Certamente o discurso-que-atrai-as-esquerdas, o anticapitalismo básico da proposta de crítica ao rentismo como se ele fosse a causa e não a conseqüência continuará na ordem do dia.
Demetrio Carneiro