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segunda-feira, 5 de março de 2012

O DIABO NEM SEMPRE VESTE PRADA

Dilma se encontra com Merkel. Alguns comentaristas registram o encontro entre duas das mais poderosas mulheres do planeta, mas nenhum parece ter percebido a contradição, forte contradição dessa conversa.

O que Dilma cobra de Merkel é a competição desleal dos países desenvolvidos oferecendo dinheiro a juros baixíssimos enquanto o Brasil tem seus juros na estratosfera! 
Quando Dilma argumenta que o "seu" modelo é que é o certo é bom lembrar que o modelo "dela" não é apenas o modelo dos juros extorsivos, também é o modelo do gasto público como forma de se manter no poder. 
A "maravilha" de Dilma, o super-hiper-Estado não teria muito sentido na Alemanha por exemplo, e não é apenas por Merkel ter vivido debaixo do tacão do modelo de Estado idolatrado por Dilma, é por ser desnecessário: O povo alemão não precisa, como nós brasileiros, sustentar toda uma corja de oportunistas e corruptos que vive às custas do Estado. Não é para isto que o Estado alemão serve.

Aliás, via BNDES até que Dilma empresta dinheiro bem barato, mas é apenas para os amigos do Rei e da Rainha e devidamente subsidiado pelo contribuinte brasileiro.

Daqui para frente vai ser muito divertido observar nos fóruns internacionais a esquerdinha radical petista bradando contra o "capitalismo mundial", "explorador dos povos pobres" e que irrita a presidente por oferecer dinheiro a juros tão baixos...

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DEMOCRATIZAÇÃO DO MERCADO DE OFERTA DE CRÉDITO

Conectado tanto com o modelo macroeconômico como com a questão do ciclo poupança/investimento, governamental das famílias, o mercado de oferta de crédito é outro que acaba se tornando um entrave para outro modelo de desenvolvimento.

Como vimos anteriormente a formação do “preço” dos juros básicos é afetada, em primeiro plano, por políticas fiscais que acabam pressionando a ação de governo na direção de aumentar as taxas básicas como meio de conter a inflação. Também vimos que há meios institucionais e operacionais de sair dessa armadilha, desde que haja vontade política para isso.

Mas como fica a questão das taxas de juros para empréstimos, cartão de crédito etc.?
Não estamos falando daquelas subsidiadas por mim ou por você, como ocorre atualmente com o BNDES, e que acabam custando bem barato para os amigos do Rei.
Estamos falando de indivíduos – micro e pequenos empresários informais que pedem crédito pessoal , famílias e empresas que não estejam naquele circulo mais fechado dos privilegiados. Gente normal.

Gente normal vai ao mercado. E o mercado de crédito brasileiro está nas mãos de um verdadeiro oligopólio. Não vamos falar aqui do consumidor desavisado que compra seu fogão em 5 anos e paga o valor de 10 fogões. Vamos falar de recursos necessário à expansão e/ou manutenção de empresas, informais ou não.

Existem fórmulas matemáticas para se calcular se o que se paga pelo recurso emprestado pode ser coberto pelo que se ganhará no futuro. Evidentemente o custo de um empréstimo pode comprometer um projeto de expansão empresarial.

O problema com mercado de crédito oligopolizado como os nosso é que quem empresta tem a liberdade de escolher taxas bem mais altas do que ocorreria num mercado mais competitivo.

É bom lembrar que vivemos num regime de oligopólio autorizado. Lá no início da crise, por conta de reforçar o sistema bancário brasileiro o governo autorizou fusões que encolheram o mercado ainda mais. Oligopolizar é política deste governo.

Não é preciso ser um grande especialista em economia para perceber que ampliar a capacidade de atuação das empresas tem a haver com a democratização do crédito.

Espremido entre os oligopólios e os esquemas de favorecimento dos amigos do Rei o empresário acaba sendo obrigado a um trabalho sub-aproveitado. É bem assim, empresas que não crescem o que podem por falta de recursos são sub-aproveitadas não gerando a renda e os empregos que são potencialmente capazes de oferecer.

Se vamos falar em economia sustentável teremos que falar em democratização do crédito e a única solução é abrir o mercado de crédito. Se o Estado tiver um papel regulatório nessa área terá que ser o de quebrar a estrutura oligopolizada, viabilizando novas instituições.
Mais concorrência = menor taxa de juros.

Calma ai! Não estou falando em intervir nos bancos, estatizar o demônio creditício burguês etc.
Estou afirmando que é possível estimular novas instituições de crédito. Por exemplo, instituições de crédito cooperativo. Elas podem democratizar e capilarizar o mercado.
Nenhuma novidade a legislação já está ai. Já existem cooperativas de crédito. Trata-se de induzir a ampliação do sistema. Se vamos falar em Estado pró-ativo vamos começar por ai.

Demetrio Carneiro

quarta-feira, 7 de abril de 2010

COMO BAIXAR OS JUROS

Caso exista alguém por ai, digamos assim, redigindo um discurso e adore falar sobre juros baixos, este pequeno texto publicado hoje, 7, no Selva Brasilis, vai ajudar. Muito...
Demetrio Carneiro

Como Baixar a Taxa de Juros no Brasil?


Segundo o professor Pedro H. Albuquerque o aumento da competição bancária é essencial, todavia: O aumento da competição bancária passaria, por exemplo, pela liberalização das transações bancárias, cambiais e financeiras com outros países, pela privatização do sistema financeiro nacional, e pela sua desregulamentação e rerregulação com vistas a permitir e incentivar a formação de pequenos bancos, além do desmantelamento dos grandes conglomerados privados que atuam no momento como entidades semigovernamentais. É necessária também a eliminação dos impostos sobre a intermediação financeira e os chamados subsídios cruzados no crédito, em particular, via o encerramento das atividades de “subsídio à formação das grandes fortunas dos cupinchas” como as exemplificadas pelo vergonhoso sistema de “fomento à desigualdade social” do BNDES. E é necessário que sejam encontrados meios para evitar que dirigentes e funcionários do BACEN façam parte das elites dirigentes dos bancos públicos e privados que operam no país, reduzindo assim o problema de principal-agente que contribui em parte para o conformismo do BACEN em relação ao status quo. Os elevados juros brasileiros não são, portanto, um problema técnico, mas um problema político, e faltaria à administração petista coragem, capacidade técnica e honestidade intelectual para enfrentá-lo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUANDO O OUTONO CHEGAR...

A matéria abaixo, publicada no Valor de hoje, 26, não diminui a força dos argumentos do post anterior.
A redução da liquidez, via redução do compulsório, realmente retira pressão e a pressa, mas não elimina a questão estrutural ou a pressão de demanda gerada pela despesa do setor público ou o efeito, mesmo inercial,das políticas de estímulo, o produto potencial continua no mesmo lugar, com ou sem aumento do compulsório.
A notar o fim da matéria onde Meirelles especula sobre onde estará o PIB potencial do Brasil pós-crise, deixando em aberto uma leitura de que o poderia haver uma mobilidade para cima da fronteira, o que retiraria igualmente a pressão inflacionária adiando um aumento da Selic. A se ver.
De qualquer forma a pressão política sobre o BC não será pequena, já que o assunto abala o discurso de Lula.
Demetrio Carneiro


Compulsórios devem adiar a alta dos juros

Cristiano Romero, de Brasília

26/02/2010

O recolhimento de depósitos compulsórios, no valor estimado de R$ 71 bilhões, terá impactos sobre a política de juros do Banco Central. Meirelles: "Há recuperação forte da demanda, do consumo privado e público e do investimento"
O recolhimento de depósitos compulsórios, no valor estimado de R$ 71 bilhões, terá impactos sobre a política de juros do Banco Central. Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, a medida foi adotada para diminuir o excesso de liquidez na economia, que ameaçava levar o mercado a assumir posições de risco. Em entrevista ao Valor, ele deixou claro, no entanto, que, ao reduzir a liquidez, a decisão ajudará o BC na tarefa de controlar a inflação.
Meirelles se recusa a vincular o recolhimento dos compulsórios com a política de juros. Na prática, porém, isso pode significar o adiamento da elevação da taxa básica, aguardada para breve por setores do mercado. "A liquidez se mostrou elevada nas últimas semanas e meses, e nós temos meios de medir isso através das nossas operações de mercado aberto", explicou o presidente do BC. Como o aumento dos compulsórios não é neutro do ponto de vista de política monetária, cumprirá parte da tarefa que, antes, estaria a cargo apenas da taxa Selic.
"Não há dúvidas que a decisão tem efeitos de política monetária. Restrição ou injeção de liquidez tem impactos monetários", afirmou Meirelles, ressalvando, porém, que o melhor instrumento para combater a inflação ainda é a política de juros. "Não procuramos substituir um mecanismo por outro. Para o controle específico de liquidez, em alguns momentos o recolhimento ou a liberação de compulsório, como fizemos em 2008, é um mecanismo extremamente eficaz".
Questionado se a previsão de crescimento de 5,8% para a economia brasileira neste ano, feita pelo BC, é sustentável, Meirelles respondeu que, como o país passa por momento de recuperação de uma crise, é possível crescer acima do seu potencial sem gerar descontrole inflacionário. Ele disse, todavia, que ninguém sabe ainda em quanto está o chamado PIB potencial do Brasil pós-crise.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O PONTO FORA DA CURVA


Texto de Dionísio Dias Carneiro, abaixo e na íntegra, foi publicado hoje no Estado de São Paulo.


Inicialmente assume com muita clareza a questão das políticas de estabilidade econômica no Brasil.
O tempo que Lula está perdendo em querer entrar para a história como Pai dos Pobres II, o pós-Getúlio, com iniciativas tipo Copa, Olimpíada, Consolidação das (dele) Leis Sociais, seria mais bem empregado se ele se dedicasse na consagração desse modelo macroeconômico que trouxe ao país condições de um crescimento estável.
A lógica do Estado forte e do gasto como instrumento de dominação e subordinação não deixa, a ele o boa parcela de nossos “progressistas”, perceber como o regime de baixa inflação contribuiu para a manutenção do poder de compra, no longo prazo, das classes menos favorecidas. No discurso tudo o que se faz é para os pobres, mas as práticas são bem outras.


Na parte final vale o comentário sobre o reflexo de falas como a do Senador Sérgio Guerra e outros companheiros tucanos que criticando as altas taxas acabam justamente dando elementos, via instabilidade de regras futuras, para que se mantenham altas ou subam. No caso vale aquele ditado sobre a boa vontade...


Demetrio Carneiro




Regra de Taylor e aumento de juros


Dionisio Dias Carneiro




No mundo, discutem-se as estratégias de saída para as políticas expansionistas que foram aplicadas em todos os países e isso aumenta a incerteza. No Brasil, a política monetária contracíclica não desestabilizou as expectativas inflacionárias e isso diminuiu a incerteza. Essa poderia ser a consagração do regime de política macroeconômica que completou dez anos de sucesso no Brasil. Na economia internacional, a estratégia de metas mostrou suficiente flexibilidade para sobreviver em diferentes países sob circunstâncias históricas bem diversas.


Parte do sucesso decorre do fato de não ter sido um modelo de política monetária "imposto" de fora, mas resultado de uma evolução teórica e prática que permitiu adaptações a diferentes ambientes institucionais e políticos. Sobretudo, permitiu que governos de diferentes matizes ideológicos pudessem cumprir seus programas sem abrir mão da governança monetária. O reconhecimento da continuidade e da seriedade do trabalho do Banco Central (BC) sob Henrique Meirelles resultou em sua nomeação para o conselho diretor do Banco de Compensações Internacionais (BIS). No ambiente pré-eleitoral, isso vale mais do que as desmoralizadas avaliações de risco produzidas pelas agências especializadas.


A convergência de regimes monetários foi antecipada por John Taylor, de Stanford, que mostrou que, independentemente do que diziam seus porta-vozes, bancos centrais razoáveis seguiam na prática uma regra simples: metas para as taxas de juros no mercado de reservas bancárias determinadas pelos desvios entre a inflação esperada e a desejada e pelos desvios entre o PIB projetado e o nível considerado não inflacionário.


Na conferência anual do Fed Kansas City em 2007, John Taylor mostrou que os desvios da taxa de juros praticada pelo Fed com respeito a uma regra de Taylor estimada para os EUA confirmavam o ponto de vista de que a política monetária foi excessivamente frouxa entre 2002 e 2005. A diferença entre a taxa efetiva e a taxa calculada pela regra de Taylor seria a maior desde os anos 70, quando foi gerada a inflação americana, só dominada pela frieza de Paul Volcker. Na conferência anual dos economistas americanos deste ano, Ben Bernanke racionalizou a política de Greenspan de 2002-05, questionou o uso da inflação observada na regra de Taylor, defendendo o uso das projeções do Fed, que conduziria a uma política mais previsível, e arguiu que a evidência internacional não mostrava correlação entre bolhas imobiliárias e política monetária frouxa. Abriu espaço para o Fed agir quando os preços de ativos (inclusive de imóveis) sinalizarem perigo, o que não é consensual.


Nos EUA, os economistas estão divididos entre os riscos de reverter muito cedo e abortar a recuperação incipiente e os riscos de uma recuperação desorganizadora, inflacionária e de curta duração. Não faltam argumentos para os dois lados. Isso aumenta as incertezas em torno da dívida pública, prejudica o investimento privado e contamina os mercados cambiais.


No Brasil, a taxa Selic está abaixo da calculada pela regra de Taylor usada por nós na Galanto, o que explica as dúvidas entre os especialistas sobre o futuro das taxas de juros. Mas as curvas de juros mostram um prêmio que estatisticamente pode ser atribuído à incerteza quanto ao futuro do regime, mais do que à taxa esperada de juros.


A inflação, tanto a passada quanto a esperada para 12 meses, está abaixo da meta. A evidência mostra: 1) o BC tem seguido uma regra de Taylor; 2) a Selic tem sido maior do que a calculada pela regra quando a inflação projetada é maior do que a observada em 12 meses; 3) os desvios entre expectativas e observações têm diminuído desde 2004; e 4) o BC não mudou seu comportamento na recessão e tem reagido à inflação e ao nível de atividade de forma coerente. O que houve foi o maior uso de instrumentos diretos de injeção compensatória de liquidez e de política fiscal expansionista.


No ambiente eleitoral, alguns bem-intencionados argumentam que o Banco Central aumente os juros o quanto antes para preservar a credibilidade. Esse argumento, questionável, tem provocado intensa pressão especulativa sobre os juros futuros. A entrevista do presidente do PSDB na semana passada mostra que há riscos concretos de mudança de regime, independentemente do que faça o Comitê de Política Monetária (Copom). Portanto, os prêmios podem aumentar sem que isso seja razão para o BC "seguir a curva".