domingo, 8 de agosto de 2010

A PROPOSIÇÃO, DESENVOLVIMENTO, E SUAS PARTES, EDUCAÇÃO

Ontem postei sobre a incoerência do discurso de Dilma na questão da inclusão educacional.
Lá eu defendia que só poderíamos falar em verdadeira inclusão se houve uma radical transformação no ensino público brasileiro.
Nada a haver com continuar & melhorar.
Tudo a haver com transformar.

De imediato tive uma contestação, Gerci, sobre o custo desse projeto.
É verdade, com a tributação no limite onde se encontra muita gente vai se perguntando onde está o espaço para gastar mais.

Eu responderia que se trata de duas coisas:
a) Discutir a qualidade, a intensidade e a lógica do que se gasta hoje. Parte dos argumentos para não se tocar no assunto vem dos gastos sociais. Acontece que eles são a menor parte do gasto total. Existe sim espaço para rever, cortar gastos e redirecioná-los;
b) Discutir diretamente as escolhas. Políticas públicas enquanto orçamento são resultado de escolhas feitas pelo poder executivo, mas é bom não esquecer que o orçamento público, PPA-LDO-LOA, passa pelo legislativo e pode ser objeto de controle da sociedade, seja nas audiências públicas, seja por meio de entidades privadas de controle social.

Dá para perceber que na realidade há uma terceira coisa:
Não dá para fazer o debate da educação sem fazer o debate do desenvolvimento.
Ou seja, sem discutir um modelo de desenvolvimento não tem como discutir um modelo de educação.

A questão do gasto por exemplo.
O ensino público é constitucionalmente dividido. Creche, ensino infantil e fundamental, são atribuições dos municípios. Ensino médio convencional dos Estados. Ensino técnico dos estados e da federação. Ensino superior idem.
O trecho inicial, a porta de entrada, que é capilarizada, para se chegar ao ensino técnico ou a universidade passa pelos municípios.
Sabemos todos dos problemas que atingem a grande maioria dos municípios brasileiros, incapazes de gerar renda própria. Em tese sequer se trataria da União “ajudar”, como já ajuda municípios. No quadro atual a União teria que bancar a competência municipal. Do contrário o sistema jamais irá decolar.
Mesmo que intuitivamente todos sabem da incapacidade dos municípios assumirem suas competências por falta de renda própria.
Não é diferente no SUS e nem será no dia que tivermos que implantar o SUAS.
Se há um “tripé” para a política social do Estado deveria ser esse: Educação integral/SUS/SUAS.

Na realidade a questão do gasto nos municípios é uma questão federativa e tem tudo a haver com o modelo de crescimento econômico concentrador adotado. Da mesma forma está diretamente ligada ao atual conceito de desenvolvimento. Novamente estamos muito longe do continuar & melhorar. Trata-se de transformar.
Todo o problema desse debate de partes esta ai. Sem uma compreensão de conjunto discutir partes significa trabalhar com redundâncias e tautologias tipo as coisas são assim por que são assim...

Qual a razão da educação ser uma questão central?
É outro tipo política social. Voltada para a promoção e para a sustentabilidade do emprego. Empregos qualificados de longo prazo geram renda sustentável. Ampliam a capacidade do mercado interno etc.

Qual a outra razão?
O bônus demográfico. O Brasil terá um crescimento desproporcional de sua população jovem de agora até 2020. De 2020 a 2030 a pirâmide estaria estará quase que invertida em relação a atual.
Ficamos assim: O atual sistema educacional é incapaz de assimilar a demanda atual. Certamente, por NÃO SER inclusivo, teremos uma pressão maior sobre o sistema social. Mais desemprego, mais violência etc.
Invertida a pirâmide teremos problemas na previdência. Provavelmente o sistema que já está meio falido irá falir de vez. Mais tributos.
É evidente que o assunto extrapola a questão da escola é toca direto no núcleo de uma proposta de desenvolvimento totalmente diferente da atual.

Enfim, o debate da educação só se “completa” se estiver acomodado numa proposta muito mais ampla de desenvolvimento.
Talvez seja um pouco por isso que todas as falas pareçam ser meio iguais, a linha de corte, que é o modelo de desenvolvimento, não está presente.

Demetrio Carneiro

sábado, 7 de agosto de 2010

DILMA E A INCLUSÃO

Como boa governista e petista Dilma é favorável a todas as políticas educacionais inclusivas.
Ao menos foi o que disse hoje. Citou o acesso à internet, a necessidade de valorizar os professores, o diálogo com a categoria nas questões salariais(?). Defendeu a política de cotas raciais e o Prouni.
No debate de ontem colocou-se a favor a política de educação inclusiva em oposição à educação especial.

Fosse real toda a importância que dá a educação certamente não teria concordado com a mudança do foco do atual PPA.
De fato o PPA 2007/2011 tinha como foco principal a segunda meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: a qualificação do ensino fundamental.
No meio do caminho, por questões eleitorais, foi transformada em “mãe do PAC”. Razão suficiente para se alterar, por lei executiva, a finalidade do PPA. Como “gerentona” isso ela não pode falar que não leu.

Enfim, o primeiro passo para a educação inclusiva verdadeira é a implantação no território nacional do ensino em horário integral para todo ensino básico, com concentração, no ensino médio, nas escolas técnicas, e integração com o ensino infantil e o sistema de creches. Com fortes orientação dos alunos para cursos de tecnólogos. Com a formação de uma ampla rede de ensino a distancia.

Nesse formato teremos uma educação inclusiva e coerente com uma proposta de desenvolvimento diferente dessa que ai está.

O resto é papo de ninar boizinho.

Demetrio Carneiro

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CAMPANHA ELEITORAL

Abaixo uma tradução livre de um texto postado no blog Climate Progress ( leia no original ) no último dia 5.
A dramaticidade é um elemento importante e quem tiver um mínimo de discernimento com relação às questões ambientais haverá de ficar incomodado.

Lamentavelmente o debate eleitoral está passando por fora das questões ambientais de fundo. Mais lamentavelmente ainda não há grandes preocupações de debater o impacto dessas questões no nosso futuro, na gestão pública ou no nosso desenvolvimento ou sobre as mudanças que serão necessárias para enfrentar com eficiência o que virá.

Muitos meses atrás, ainda no ano passado o Almirante Flores escreveu um texto no Estado de São Paulo comentando sobre a relação entre a prática política e as questões ambientais. Nele o articulista comenta achar muito difícil que políticos coloquem em risco suas carreiras por conta de defender mudanças tão radicais como as que se farão necessárias. É um pouco disso que estamos vivendo.

Demetrio Carneiro

Do presidente russo Medvedev: "O que está acontecendo agora nas nossa região central é prova da mudança climática global, em nossa história jamais enfrentamos condições climáticas semelhantes."

Fonte: Blog Climate progress


NYT: "A Rússia proíbe a exportação de grãos após fracasso na colheita devido à seca" .
5 de agosto de 2010.




A Rússia está sendo devastada por condições meteorológicas extremas - e seus líderes não estão calados sobre o acham que é a causa. Na quinta-feira, o presidente russo, Dmitry Medvedev falou a uma reunião de Conselho de Segurança da Rússia sobre a ameaça permanente de queimadas associadas com a onda de calor no país e a seca:

"... O nosso país não tem tido tal onda de calor nos últimos 50 ou mesmo 100 anos ... Eu quero dizer que este é, naturalmente, um acontecimento severo para o nosso país, uma grande prova de fato. Mas, ao mesmo tempo, não estamos sozinhos para enfrentar essas dificuldades, outros países também passaram por tais provas, e, apesar de todas as dificuldades, conseguiram lidar com a situação. ... Em geral, temos de aprender lições com o que aconteceu, e com a onda de calor sem precedentes que temos enfrentado neste verão.

Nenhum de nós pode dizer que o próximo verão vai ser assim. As previsões variam muito. Todo mundo está falando sobre a mudança climática agora.
Infelizmente, o que está acontecendo agora nas nossas regiões central é prova da mudança climática global, porque em nossa história nunca enfrentamos condições climáticas semelhantes. Isso significa que precisamos mudar a nossa forma de trabalho, mudar os métodos que usamos no passado. "


Bem, todo mundo está falando que a mudança climática é agora - exceto talvez a grande mídia americana, como o New York Times.
O NYT informa:

“A Rússia proibiu todas as exportações de grãos, na quinta-feira, depois de perder milhões de acres de trigo em seca severa, uma complexa decisão num momento em que existem deficiências nas safras mundiais, causadas pelo calor e inundações no hemisfério norte.”
O tempo continua a explicar por que os preços do trigo "aumentaram cerca de 90 por cento desde junho devido a seca na Rússia, Ucrânia, Cazaquistão e partes da União Européia, e as inundações no Canadá." Mas é toda uma série aleatória de coincidências de ondas de calor, segundo o Times.

Mas não para o presidente russo. Última sexta-feira, em declarações aos chefes de federações desportivas internacionais, Medvedev disse :

"Estamos no meio de uma onda de calor sem precedentes ... Nós nunca tivemos temperaturas tão elevadas desde que se registram temperaturas. Às vezes tenho a impressão de que estou em algum lugar na Itália ou no Egito, mas certamente não em Moscou ... Francamente, o que está acontecendo com o clima do mundo no momento em que deve incitar-nos a todos (quero dizer, os líderes mundiais e chefes de organizações públicas ) para fazer um esforço mais enérgico para combater a mudança climática global.

Teremos de ter este fator em consideração na nossa preparação para os Jogos Olímpicos e outras competições internacionais. Acho que teremos que fazer ajustes para o fator clima, e gastar o dinheiro extra, trata-se das Olimpíadas de Inverno também. Muito em breve, de fato, eu vou estar reunido ali [em Sochi], como acontece com os chefes de federações que representam o nosso desporto desportos de Inverno. Teremos de tomar o que está acontecendo com a natureza em consideração. O aquecimento global precisa ser levado em consideração no planejamento dos Jogos Olímpicos, ao contrário do que a multidão anti-ciência”.

A extensão dos incêndios na Rússia foi capturada em imagens postadas hoje pelo Earth Observatory da NASA no Incêndios e fumaça na Rússia. De acordo com a NASA:

"Intensos incêndios continuaram com força no oeste da Rússia em 04 de agosto de 2010. Queimando em turfeiras e florestas secas, os incêndios produziram uma densa nuvem de fumaça que atingiu centenas de quilômetros quadrados .... Os incêndios ao longo da borda sul da pluma de fumaça perto da cidade de Razan ... [em cima] da imagem, estão entre os mais intensos. Delineada em vermelho, uma linha de intensos incêndios está a gerar uma parede de fumaça. O incêndio no leste da imagem é extremo o suficiente para que se produza uma nuvem pyrocumulus, uma densa e alta nuvem formadas quando o calor intenso de um incêndio empurra o ar para o alto na atmosfera.

A parte inferior da imagem mostra a extensão da pluma de fumaça, abrangendo cerca de 3.000 quilômetros de leste para oeste. Se a fumaça fosse nos Estados Unidos, se estenderia de São Francisco até Chicago ....

Análise de dados recente ... indica que a fumaça dos dias anteriores, por vezes chegou a 12 km acima da superfície terrestre, na estratosfera. Em tais alturas, a fumaça é capaz de viajar longas distâncias para afetar a distância a qualidade do ar. Essa pode ser uma razão para que a fumaça cubra uma área tão grande. A nuvem pyrocumulus e a detecção de fumaça na estratosfera, são bons indicadores de que os incêndios são grandes e extremamente intenso.

Segundo a imprensa, 520 incêndios ardiam no oeste da Rússia em 04 de agosto .... Altas temperaturas e a vegetação ressecada devido a severa seca em toda a Rússia central, criando condições de incêndio perigosos.

A partir de 04 de agosto, 48 pessoas morreram nos incêndios e mais de 2.000 perderam suas casas por toda a Rússia central, segundo informes da imprensa. A fumaça densa também criou uma perigosa falta de qualidade no ar sobre uma ampla região. A vsibilidade em Moscou caiu para 20 metros,em 04 agosto, e as autoridades de saúde advertiram de que todos, incluindo pessoas saudáveis, deviam tomar medidas preventivas como permanecer em ambientes fechados ou ao ar livre usando uma máscara, noticiou o Wall Street Journal. Na imagem, Moscou está escondido debaixo de uma nuvem de fumaça. Perto do fogo, o fumo constitui um risco para a saúde, pois contém pequenas partículas (fuligem) e gases perigosos que podem irritar os olhos e vias respiratórias. A fumaça também contém substâncias químicas que levam à produção de ozônio mais longe do fogo. "
Como o blog ligado ao clima da WWF nota:

A fumaça parece agora estender até além da Rússia à América do Norte. Em seu relatório diário sobre fumaças (05 de agosto de 2010), a National Oceanic Atmospheric Administration e diz que "uma área de fino aerossol, que se acredita ser o fumo, foi encontrada sobre Nunavut e estende-se a porções do norte de Manitoba. É possível que essa área pode estar associada com a atividade dos incendios em curso na Rússia. "

POLÍTICA EXTERNA, INSTITUIÇÃO E OPOSIÇÃO

Num post do mês passado tínhamos observado que o Senado Federal largou nas mãos do presidente a condução da política externa.
Agora é o Globo em editorial datado do último dia 6 que faz o alerta.

Não foi um acidente ter sido inscrita na Constituição Federal a disposição que dá ao Congresso Nacional a capacidade da “falar” sobre a política externa brasileira. O que se criou ali foi justamente um instrumento de controle social cuja finalidade é o uso para conter possíveis abusos por parte do poder executivo. É uma questão de cidadania básica.

Infelizmente não parece ser esse o entendimento dos parlamentares. Com honrosas exceções, muito poucas, honra feita ao Deputado Federal Raul Jungmann, o que se vê é o silêncio frente ás atitudes do poder executivo. 
Em parte não dá para espantar tanto, já que os brasileiros vivem imersos em si próprios, capazes de aceitar acriticamente diversas influências culturais, mas incapazes de realizar algum grau de crítica em relação ao mundo exterior. O Brasil ainda é, basicamente, um país fechado. O Congresso Nacional acaba refletindo essa marca nacional. Contudo, e na maior parte, não dá para aceitar tanta alienação frente às radicais mudanças de postura de política internacional que estão mudando para muito pior o formato das ações nacionais no exterior. Mais estranho fica quando sabemos que a competência principal é do Senado Federal e que lá o governo não tem a folgada maioria que detém na Câmara.

O silêncio da oposição, em todo o seu conjunto, e não apenas agora circunstancial e episodicamente por conta da campanha eleitoral, é certamente mais estranho ainda que a atitude de governo. 
Lula e o PT são o que são e estão ai para disputar o poder dentro e fora do país. E o quê exatamente é a oposição? Argumentar que as críticas da oposição “não repercutem” não é argumento suficiente perante a capacidade constitucional do Senado Federal. 
Ou os senadores da oposição já desistiram?

No fim do dia o que se vê é que a oposição de Lula é a que ele pediu a Deus: Incompetente e desarticulada.

Demetrio Carneiro

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

VOLPON E OS JUROS PARA 2011

A intensidade do debate atual sobre os juros básicos indica a importancia da avaliação abaixo. 

Mantido o contexto é viável reduzir os juros nominais para 10% em 2011. 
Com todo mundo reclamando, a queda dos juros nominais pode parecer e ser usada como indicativo de excelência de gestão econômica. Isso tem peso político. 
Se usarem esse argumento não deverá ficar esquecido outro lembrete do Volpon no mesmo texto: Juros reais na casa de 5%, contra juros reais negativos ou em zero nos outros países, ainda são uma taxa absurdamente alta.

Se houver excelência ela será trazer a taxa real para perto da taxa dos países. 
É no como fazer isso que está o problema. E é esse debate que não pode ser perdido.

Até porque se as verdadeiras questões, as insitucionais , de coordenação das políticas e as estruturais, não forem resolvidas, será apenas um ciclo de baixa sem qualquer garantias de que não haverá outro ciclo de alta.

Demetrio Carneiro

Há espaço para o BC reduzir juros em 2011?

Fonte: Valor Econômico- Eduardo Campos

Cenário externo menos favorável, menor pressão fiscal após as eleições e uma interpretação de que o que aconteceu no primeiro trimestre foi um fato isolado, que não transfere crescimento ao longo do tempo, dão embasamento à expectativa de que o Banco Central (BC) poderá voltar a cortar a taxa básica de juros já no primeiro semestre de 2011.
Essa é a avaliação da equipe do Nomura Securities, liderada por Tony Volpon, que responde como chefe de pesquisa para América Latina. Na visão do especialista, a taxa básica pode cair a 10% no ano que vem.
Permeando as considerações acima, diz Volpon, temos também os efeitos da normalização da política monetária passando a influir sobre o lado real da atividade. E uma mudança secular na taxa real de juros no Brasil, que poderia ficar ao redor de 5% sem grandes implicações inflacionárias.
Segundo o especialista, em função da maior penetração do crédito, entre outros fatores, movimentos menores de juros têm, de fato, maior impacto sobre o controle da inflação.
Um ponto levantado pelos especialistas da instituição é que o mercado local ainda encontra certa dificuldade em aceitar que o país caminha para um crescimento "normal", ao redor de 4%, abandonando o tal ritmo chinês do começo do ano.
Outro ponto levantado, mas menos palpável, é que o governo estaria preocupado com um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) inferior a 4% em 2011. Para quem vem de um crescimento superior a 7%, uma freada para baixo de 4% teria cara de "recessão".
No mercado de juros futuros, tal avaliação de Selic em queda em 2011 mostra que ainda há espaço para aplicações, ou seja, há prêmio para ganhar, ainda mais caso se leve em conta que a curva ainda embute cerca de 150 pontos-base de alta nos juros até meados de 2011.
No entanto, dizem os especialistas do banco, essa redução de taxas não será suave e uniforme.
No mercado de câmbio, o dia teve cara de ajuste técnico. O dólar comercial subiu 0,51%, para R$ 1,760.
Na visão do analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, depois da queda de segunda-feira, que chegou a levar a cotação da moeda para baixo do piso informal de R$ 1,750, o preço tinha se afastou das médias móveis de três, cinco e oito dias, por exemplo, o que abre espaço para um ajuste de alta.
Olhando além do dia a dia, o especialista acredita que a tendência global para o dólar ainda é de queda. Afinal, o mercado continua inundado de moeda americana emitida para tirar os EUA da recessão.
Acontece que essa montanha de dólares não parece ter sido suficiente para engrenar a economia de volta ao crescimento e o Federal Reserve (Fed), banco central americano, já estaria pensando em novas medidas de estímulo, ou seja, ainda mais dólares podem entrar em circulação.
No mercado externo, a moeda americana continuou perdendo valor, o Dollar Index, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, chegou a marcar 80,4 pontos, o menor patamar desde abril.
Já o euro seguiu atraindo compradores e retomou a linha de US$ 1,32, o que não acontecia desde o começo de maio. (veja gráfico)
Na agenda desta quarta-feira, dados sobre o emprego privado nos EUA em julho. O consenso sugere que os números da ADP mostrem a criação de 25 mil a 30 mil vagas.
Por aqui, a CNI mostra os Indicadores Industriais de junho. Os dados de utilização da capacidade instalada podem ajudar a reforçar a percepção de retração da atividade no setor.

VAMOS CRIAR A MARTEBRAS

Numa atitude digna de uma instituição totalmente voltada para o bem público, para a economia de meios e respeito ao contribuinte o Senado Federal aprovou numa só tacada a criação de mais três ministérios e uma Secretaria Especial.

Hoje, quarta, é o Ministro do Desenvolvimento(?) defendendo a criação do “Ministério da Pequena e Média Empresa”. Provavelmente algum tipo de SEBRAE Estatal.

Certamente a Lei de Responsabilidade Fiscal não será empecilho para um governo que não respeita as outras leis. Até por que Lula e o PT foram contra a criação da LRF. Tudo é questão de coerência.

Tudo bem, vamos criar mais alguns milhares de empregos. Multiplicando pelos familiares, sigamos 4, dá é voto.

Perante a essa onda modernizadora vou deixar a minha sugestão:
Já temos a Copa em 2014, as Olimpíadas em 2016. Quem sabe em 2018 não lançamos um plano habitacional para Marte? Poderíamos criar a Martebras. 
Afinal, segundo Delfim, a Infreaero foi criada com 600 novos empregos, para resolver os problemas dos aeroportos brasileiros. Atualmente tem 28 mil funcionários e parece precisar de mais. 
Imaginem o que não fará uma Martebras?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CHINA: O CUSTO DO PLANEJAMENTO CENTRAL

Essa demanda chinesa “fora do radar”, como está na matéria do WSJ repercutida pelo Valor Online, abaixo, tem explicações interessantes, mas sinalizam questões que podem ser bem complexas.

O aproveitamento de resíduos é atividade onerosa e normalmente não é lucrativa. Depende ou do desenvolvimento de novas tecnologias ou da vontade de usar as antigas soluções.

As antigas são: Custo reduzido de mão de obra, descompromisso com as questões de saúde pública e ambientais. A China é farta provedora das três.

Se o uso dos resíduos não está no radar dos analistas o que não está no radar do governo chinês são preocupações com a saúde de sua população ou com seu meio ambiente. 
É o crescimento econômico a qualquer preço típico dos projetos de economia centralizada.

Demetrio Carneiro


Fonte: Valor Online


Um navio carregado de terra cinzenta, arenosa, partiu do Alasca uma semana atrás rumo à China. Perdidas dentro dos detritos estavam pequenas lascas de ouro que a Corporação do Grupo Nacional de Ouro da China planeja extrair.
O embarque é um de muitos de material rico em minérios que viajam rumo aos portos chineses e formam uma parte importante, mas pouco notada, dos esforços para saciar a demanda do país por matérias-primas.
O ouro do Alasca não vai aparecer no relatório oficial das importações chinesas ou em dados comerciais das principais bolsas de commodities ou mercados de metais. As compras chinesas de sucata de cobre e seus investimentos em projetos de areias betuminosas no Canadá também estão fora do radar, revelados publicamente mas não amplamente observados.
Observadores dizem que o minério de baixo grau que chega à China reforça as evidências de que a demanda do país por matérias-primas é maior do que os indicadores comuns mostram, e maior do que muitos investidores imaginam.
Os investidores em vez disso acompanham de perto o consumo chinês de commodities bastante negociadas, como barras de ouro, cobre refinado e petróleo bruto. Sinais de que seu apetite está aumentando ou caindo podem mover esses mercados, e ajudam a definir seu crescimento econômico de maneira mais genérica.
Durante o primeiro semestre, as importações chinesas de cobre refinado caíram mais de 13%, um declínio de 239.000 toneladas em relação ao mesmo período do ano passado - um sinal aparente de demanda mais fraca. Mas o país aumentou as importações de sucata e concentrado de cobre, que precisam de mais processamento. As 362.000 toneladas de cobre adicional foram o suficiente para fazer com que as importações chinesas tivessem um crescimento líquido, segundo o Barclays Capital.
No caso do cobre, as compras chinesas de fontes alternativas pode mudar a percepção de que a demanda está fraca ou forte, diz Kevin Norrish, diretor de análise de commodities do Barclays.
Os investidores que só olham para os números de importação de cobre refinado "perdem o quadro todo", diz Norrish.

domingo, 1 de agosto de 2010

A EXPOSIÇÃO DAS INTIMIDADES DO PODER

Há o debate sobre a continuidade do governo Lula. Se continua melhorado parece que é a vontade de todos os candidatos. Então o debate deveria ser mais sobre o que é que vai continuar.

Já não é mais segredo, nem novidade, que o projeto de Lula é a construção de um regime de Capitalismo de Estado.
Se não faltassem comprovações bastaria a leitura da participação dos recursos do Tesouro Nacional que passaram de 6% em 2001 para 40% em 2009. Em termos mais imediatos já foram injetados 80 bilhões e há autorização para mais 80. O detalhe é que é recurso público captado no mercado ao preço dos juros aturais, mas repassado ao tomador subsidiados. Enfim, cria-se Dívida Pública para subsidiar um projeto de crescimento de segmentos escolhidos a dedo pela burocracia estatal. São esse recursos que irão, por exemplo, subsidiar a compra de carvão boliviano para tocar as “modernas” usinas termoelétricas de um certo amigo do Rei.

Há mais um exemplo possível na questão da “democratização” do acesso à internet. Foi montado todo um cínico discurso sobre a Telebrás e a urgência de dar ao Estado a capacidade de pulverizar no território nacional a rede. O que foi a especulação com os papéis da ex-falida empresa ainda deverá um dia ser objetio de investigação e certamente será mais um caso de polícia envolvendo os personagens de sempre. Agora aparece a outra ponta: O principal acionista dessa maravilha de esforço nacionalista será uma empresa estrangeira, a Portugal Telecom (por acaso mais conhecida como PT!). Enfim, mais de 900 empresas brasileiras, capacidatas, foram postas para escanteio para abrir espaço para a futura “gigante” estatal e suas associada estrangeira.

Para não cansar com muito exemplos podemos citar agora a maravilhosa operação de swap cambial defendida por Mantega. Aparentemente o objetivo seria melhorar o desempenho cambial e retirar a pressão sobre a apreciação do real. O único problema é que, como no caso do BNDES, a avaliação acurada acaba mostrando que há outros ganhadores e certamente não será a nação, conforme matéria do Valor Econômico baseada na avaliação de especialistas do mercado.

Essa é justamente as marca do regime de Capitalismo de Estado: Uma funda associação política entre a tecno-burocracia estatal e os grandes interesses econômicos. Por trás do discurso “social” ou até “socialista” do Estado + forte, do Estado mais competente, do Estado diretor do desenvolvimento, está a aliança que sustenta e é sustentada, vinculando os segmentos para-estatais, partido políticos, políticos, dirigentes governamentais e os segmentos do poder real na sociedade. Certamente “continuar” Lula não se trata disso e é preciso que fique muito claro.
É essa a clivagem feita por FHC em matéria publicada hoje no Estadão.

Demetrio Carneiro