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domingo, 1 de agosto de 2010

A EXPOSIÇÃO DAS INTIMIDADES DO PODER

Há o debate sobre a continuidade do governo Lula. Se continua melhorado parece que é a vontade de todos os candidatos. Então o debate deveria ser mais sobre o que é que vai continuar.

Já não é mais segredo, nem novidade, que o projeto de Lula é a construção de um regime de Capitalismo de Estado.
Se não faltassem comprovações bastaria a leitura da participação dos recursos do Tesouro Nacional que passaram de 6% em 2001 para 40% em 2009. Em termos mais imediatos já foram injetados 80 bilhões e há autorização para mais 80. O detalhe é que é recurso público captado no mercado ao preço dos juros aturais, mas repassado ao tomador subsidiados. Enfim, cria-se Dívida Pública para subsidiar um projeto de crescimento de segmentos escolhidos a dedo pela burocracia estatal. São esse recursos que irão, por exemplo, subsidiar a compra de carvão boliviano para tocar as “modernas” usinas termoelétricas de um certo amigo do Rei.

Há mais um exemplo possível na questão da “democratização” do acesso à internet. Foi montado todo um cínico discurso sobre a Telebrás e a urgência de dar ao Estado a capacidade de pulverizar no território nacional a rede. O que foi a especulação com os papéis da ex-falida empresa ainda deverá um dia ser objetio de investigação e certamente será mais um caso de polícia envolvendo os personagens de sempre. Agora aparece a outra ponta: O principal acionista dessa maravilha de esforço nacionalista será uma empresa estrangeira, a Portugal Telecom (por acaso mais conhecida como PT!). Enfim, mais de 900 empresas brasileiras, capacidatas, foram postas para escanteio para abrir espaço para a futura “gigante” estatal e suas associada estrangeira.

Para não cansar com muito exemplos podemos citar agora a maravilhosa operação de swap cambial defendida por Mantega. Aparentemente o objetivo seria melhorar o desempenho cambial e retirar a pressão sobre a apreciação do real. O único problema é que, como no caso do BNDES, a avaliação acurada acaba mostrando que há outros ganhadores e certamente não será a nação, conforme matéria do Valor Econômico baseada na avaliação de especialistas do mercado.

Essa é justamente as marca do regime de Capitalismo de Estado: Uma funda associação política entre a tecno-burocracia estatal e os grandes interesses econômicos. Por trás do discurso “social” ou até “socialista” do Estado + forte, do Estado mais competente, do Estado diretor do desenvolvimento, está a aliança que sustenta e é sustentada, vinculando os segmentos para-estatais, partido políticos, políticos, dirigentes governamentais e os segmentos do poder real na sociedade. Certamente “continuar” Lula não se trata disso e é preciso que fique muito claro.
É essa a clivagem feita por FHC em matéria publicada hoje no Estadão.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DESCAMINHOS ELEITORAIS

A mais recente declaração de Serra, relatada pela Agência Reuters, hoje, sobre uma equipe econômica “em que todos pensem igual” só faz colocar mais lenha na fogueira. Que ele mesmo acendeu ao sugerir a perda de autonomia do Banco Central. Depois desmentiu, mas já era tarde.

Eleitoralmente, na macroeconomia, o grande capital de Serra deveria ser a questão fiscal. Com números claramente desfavoráveis e à beira de um grave problema fiscal, com evidente uso do gasto público como meio de gerar poder, este governo seria alvo fácil de uma questão que já é quase consensual. A situação européia e a crise fiscal que se instala por lá, declarações como a de Dilma sugerindo que podemos gastar ainda mais, só ajudariam.

Serra com tudo preferiu ir por outro caminho e partir para culpar, nas entrelinhas, o Banco Central pelos juros altos. Lamentavelmente não se deu ao trabalho de discutir publicamente exatamente o que quis dizer. De imediato seu discurso foi apropriado por setores da esquerda que casaram a sua fala com o combate ao “rentismo”, numa visão fortemente anticapitalista.

A fala de Marina em NY traça um cenário onde Dilma e Marina aparecem como herdeiras de fato de toda a política de Estabilidade e Serra fica no corner, isolado e mantendo a mesma fala monocórdia e inexplicada.

É pena. Poderia ser bem melhor.

Demetrio Carneiro