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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

INFRAESTRUTURA:PONTO FRACO DE DILMA É O QUE DEVERIA SER O PONTO FORTE

      Todo o esforço de Lula, e custou caro, foi transformar Dilma, uma política totalmente inexperiente, como a gerentona da infraestrutura brasileira. Se colou ou não é outra questão. O fato é que o esforço concentrado gerou votos e elegeu Dilma.

       Infelizmente para a presidente as coisas não andam uma maravilha.

     Agora é o World Economic Forum, Fórum Econômico Mundial, que lança o seu Global Competiviness Report 2011-2012 , Relatório de Competividade Global para o período 2011-2012. Fundamentalmente o relatório é o resultado de uma pesquisa global, em caráter continuado, feita com 14 mil líderes empresariais em 142 países e envolve avaliações sobre itens como: instituições, infra-estrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária, educação superior e capacitação, eficiência no mercado de bens, eficiência no mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, prontidão tecnológica, tamanho de mercado, sofisticação de negócios e inovação, num total de 110 quesitos abordados.

      A boa notícia é que o Brasil, entre 142 países passou do 58º para o 53º lugar! A má, para Dilma, mas também para todos nós e o desenvolvmento brasileiro, é que um dos pontos mais fracos de nossa avaliação está justamente na infraestrutura.

      Não é tanto um caso de estelionato eleitoral, embora possa ser entendido assim, mas seria bom que a presidente explicasse como sendo gerentona de Lula todos esse anos pudemos ter esse avaliação.

       Claro, que logo as redes “espontâneas” do petismo chapa-branca vão acusar a conspiração capitalista de empresários contra o governo do povo. Mas esse já é outro assunto...

Demetrio Carneiro

sábado, 30 de outubro de 2010

COMENTÁRIO DO DIA ANTES

As pesquisas informam a diferença entre Dilma e Serra variando entre 10 e 12 por cento.
Um possivelmente alto nível de abstenção joga o resultado numa área de incerteza bem alta. De qualquer forma, como já insisti, no limite ganha-se a eleição por um voto.

É conveniente registrar que são 10 ou 12 por cento numa campanha onde se cometeu todo tipo de irregularidades e o próprio presidente foi quem mais estimulou o uso descarado da máquina pública, frente a uma Justiça Eleitoral na realidade submissa.
Se Dilma vier a ganhar é provável que esteja bem longe de ser o “banho” sonhado e se não for um banho, depois de tudo que se cometeu, é sinal que as forças em jogo são muito mais amplas do que imaginam os situacionistas.

Por um lado avançamos. Será a sexta eleição seqüenciada. O próximo presidente eleito será o primeiro que, tendo recebido a faixa de um presidente eleito irá entregá-la a outro que igualmente foi eleito. Há um imenso valor nesse fato.
Por outro regredimos aos tempos da Velha República e seus caciques.

Nossa democracia nos custou quase duas décadas de lutas e muitos sacrifícios.
As eleições se encerram em poucas horas, mas nossa luta pela consolidação da democracia, pelas reformas democráticas, por  outro desenvolvimento, não se encerra. Permanece.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CAPITAL POLÍTICO EM VOTOS E ELEIÇÕES

Já estava com a intenção de escrever algo sobre essa questão do capital social que se acumula em uma eleição e, logo após, se dilui.
De modo geral partidos e eleitores convergem na mesma lógica de mobilização apenas eleitoral. Não pretendo ficar avaliando leituras, apenas quero constatar que os projetos políticos dos partidos não passam por um estado permanente de mobilização. As ações são pontuais e orquestradas apenas às vésperas das eleições. Não há, portanto, políticas que visem organizar e mobilizar o imenso capital social que se acumula a cada eleição.


O texto de César Maia, abaixo, acabou me estimulando a escrever. Na realidade minha curiosidade também é saber como este capital social acumulado em 2010 pode ser empregado em 2012. Certamente a análise é válida para ser e deveria ser feita estado-a-estado.


Do meu lado estou partindo de uma avaliação nacional, que também acho importante, já que o plano nacional corta de forma mais clara situação e oposição. Sabemos que no âmbito estadual e municipal esses cortes não são tão eficientes. Outro debate que deveria haver é esse. É um debate bem longo, mas me atrevo a mencionar que a inexistência de programas partidários objetivos e claros ajuda muito a despolitização da política quando descemos a escala federativa na direção dos municípios.


Alguns números


Entre esta eleição e a primeira do atual ciclo somamos seis eleições federal/estaduais.


Em 1989 éramos, segundo o IBGE, 143,9 milhões de brasileiros e, segundo o TSE, 76 milhões de eleitores.
Hoje somos, 193, 2 milhões de brasileiros e 135 milhões de eleitores.
Ou seja, o número de eleitores cresceu relativamente ao número de pessoas 32,3%.
Enquanto entre 1989 e 2010 nasciam 49,1 milhões de brasileiros, em paralelo 59 milhões de brasileiros adquiriam o exercício do voto.
Os números são impressionantes.


Entre 1989 e 2002 o número de eleitores cresceu cerca de 50%. Entre 2002 e 2010 cresceu cerca de 17%. De uma ponta até a outra foi um crescimento de 77% num período menor que uma geração.


O voto como estoque de capital político


Atualmente 69,9% dos brasileiros estão de posse de um título eleitoral e acho bastante óbvio imaginar que a eleição realmente é um instrumento de representação das escolhas da sociedade brasileira. Obviamente não estou discutindo se essa vontade é manipulada/manipulável. Estou afirmando que é uma base material que por si só represente um imenso ganho de capital político.


Também afirmo que este ganho de capital político ainda não é tratado como um ganho político e que partidos em geral ainda são mobilizados pelo lado manipulatório e que o investimento pontual nos períodos eleitorais, a inexistência do debate programático, seja internamente, seja entre partidos ou entre partidos e a sociedade civil comprovam a minha afirmação.
Deste estrito ponto de vista lutar pela Reforma Democrática do Estado ou Governanças Democráticas por exemplo, pode ser uma leitura bastante moderna do fazer política, mas não soluciona a questão da relação entre capital político digamos “estocado” no exercício da democracia representativa e a política como meio de transformação.
Da mesma forma todo o debate da democracia direta ou da democracia representativa acabam encalhados ai.
Vistos assim. Reforma Democrática do Estado, Governança Democrática, Democracia Direta e Democracia Participativa são estandartes que anunciam vontades e não objetivos que se direcionem a mudar situações.


Abstenção no primeiro turno das eleições de 2010


Uma questão que já deveria ter chamado a atenção de todos e todas é o altíssimo nível de abstenção.
O primeiro turno tinha 135,8 milhões de eleitores aptos ao voto. Desse total 24,6 milhões se abstiveram de votar. Tendo em vista os números absolutos de votos da cada candidato não dá para dizer que é desprezível.
Pouco mais de 18% em um país onde o voto é obrigatório e restritivo em diversos momentos.
Região a região temos :


Norte – 18,9 de abstenções
Nordeste – 19,8
Centro-Oeste – 18,1
Sudeste – 17,4
Sul – 15,1


Cruzando os votos de Serra e Dilma dá para constatar que Serra teve menos votos nas regiões onde a abstenção foi maior. Com a perspectiva do feriado no segundo turno podendo gerar mais abstenções...


De 2010 para 2012


Vamos ver as coisas assim: São 135,8 milhões de eleitores aptos.
Vamos usar os números da pesquisa de hoje, DATAFOLHA, e imaginar que os indecisos, os que votarão em branco e os que votarão nulo irão, de fato votar. Vamos imaginar também que o nível de abstenção suba ai para uns 22%, puro chute, por conta do papel desmobilizador do feriado, por conta de haver apenas esta votação na maioria dos estados etc.


Muito bem, 135,8 milhões menos 22 por cento de abstenção = 105, 92 milhões. Supondo que os indecisos anulem ou votem em branco. São 105, 92 milhões menos 9 por cento = 96, 3 milhões de votos válidos.
Se for mantida a proporção da pesquisa: 56 por cento Dilma e 44 por cento Serra, teremos então
Dilma – 53, 9 milhões de votos ou 27,8 por cento dos votos sobre o população total ou 39,6 por cento dos eleitores aptos.
Serra – 42,4 milhões de votos ou 21,9 por cento dos votos sobre a população geral ou 31,9 por cento dos eleitores aptos.


De imediato os números deveriam recomendar muito prudência a todos os atores:
A possível vitória de Dilma está muito longe de expressar a “vontade do povo” que poderia ser deduzida do altíssimo índice de Lula. Definitivamente não poderá se considerar sua vitória como um cheque em branco.
Uma vitória de Serra, se houver, seria apertada e indicaria a mesma coisa.


Num universo de 135 milhões de eleitores aptos e 193 milhões de brasileiros menos de 10 por cento consolidarão a escolha.


Evidentemente esta é a regra do jogo e quem tiver um voto a mais ganha.


Vejamos assim:


Ganhe quem ganhar o que os partidos pretendem fazer com seu capital de votos? Ficarão como estoque utilizável para 2012 ou se assumirá que há um imenso caminho para os próximos dois anos e que é preciso que este capital vire ação política?


Demetrio Carneiro




DESDOBRAMENTOS DA CAMPANHA DE 2010 PARA 2012 NO RIO-CAPITAL!


Fonte: César Maia


1. A eleição de 2012, para Prefeito da Capital do Rio, passará a contar com dois novos e fortes vetores. Para isso, há que se analisar os resultados das eleições na Capital, para deputados e senadores, a origem de seus votos e os compromissos que esses levam para 2012.


2. Crivella foi eleito graças a um acordo com Garotinho. A dobradinha passou a ser Crivella-Waguinho e vice-versa. Sem essa, Crivella teria perdido para Picciani. Isso gera uma enorme dívida política de Crivella com Garotinho.


3. Ajustando os votos para senador (dois), para o que efetivamente correspondeu a cada candidato individualmente, isolando, portanto, o efeito "colinha" e o segundo voto residual, se tem duas conclusões óbvias. A primeira é que a grande concentração de votos de Lindberg, Crivella, Picciani e Waguinho, se deu entre estes. Uma espécie de análise combinatória de 4, dois a dois. Além disso, a concentração de votos dos mesmos se deu fora da capital. Na capital, Lindberg teve 36% de seus votos, Crivella 34%, Picciani 35% e Waguinho 34%. Cesar Maia teve 51% de seus votos na capital.


4. Com base em pesquisas na véspera e na boca de urna, se pode usar os seguintes redutores para se chegar aos votos próprios de cada um na capital: Lindberg 50%, Crivella 50%, Waguinho 50%, Picciani 30% e Cesar Maia 70%. Ou seja: Lindberg 760 mil, Cesar Maia 577 mil, Crivella 561 mil, Picciani 355 mil e Waguinho 277 mil. Aplicando a Temer 70% de votos próprios, temos 230 mil votos. Ou de outra forma: esquerda 990 mil, Evangélicos 838 mil, Centro/Centro-Direita 577 mil e PMDB 355 mil.


5. Recortando os votos para deputados federais acima de 50 mil (16 deputados), e agrupando por vetor político, temos: Esquerda (somando PT, PSOL, PCdoB, PV): 425 mil votos. Evangélicos 370 mil votos. Centro/Centro-Direita 219 mil votos. Máquinas PMDB (estado+prefeitura): 208 mil votos.


6. Recortando os votos para deputados estaduais acima de 30 mil, temos: Máquina PMDB- 300 mil \ Esquerda: 200 mil \ Centro/Centro-Direta: 200 mil \ Evangélicos: 109 mil. Foram excluídos os votos de Wagner Montes (sozinho 300 mil) porque não caracterizam um vetor político, devendo se espalhar sem seu nome, claro, ele não sendo candidato.


7. Na medida em que o PMDB terá como candidato à reeleição o atual prefeito, cabe avaliar os demais 3 vetores. Supondo que a esquerda finalmente tenha um só candidato a prefeito, as votações de Lindberg/Molon, Freixo/Alencar, os destacam. Havendo essa unidade, teríamos um vetor fortemente competitivo. O PV -em função de seus compromissos, antes e agora- não pode gerar unidade neste vetor. Teria que apoiá-lo. O terceiro vetor é o evangélico. O destaque é a deputada estadual Clarissa Garotinho, que contará com o apoio derivado dos compromissos assumidos por Crivella com Garotinho. Ela, sozinha, teve na capital 69 mil votos, e 140 mil no estado todo. Essa unidade parece óbvia.


8. Finalmente, o vetor de centro/centro-direita, cujos destaques na Capital foram os deputados federais Otavio Leite e Rodrigo Maia e o candidato a vice-presidente, Indio da Costa. Três nomes que exigiriam também a unidade do PSDB/DEM em torno de um deles. Lembre-se que o PSDB perdeu nesta eleição 20% de seu tempo de TV e o DEM perdeu 30%.


9. Com estes 4 vetores unificados, um a um, teríamos uma eleição competitiva, na Capital-Rio, entre quatro candidatos, em 2012. Lembre-se que (com a exceção à regra de 2004) desde 1992 os candidatos que chegaram na frente no primeiro turno tiveram, sobre votos totais, 24%, 33%, 30% e 28%. E que 20% sempre leva ao segundo turno. Mas sempre pode prevalecer a irracionalidade e um ou outro vetor se dividir. Aliás, isso tem sido comum.


10. Bem, 2011 será um ano de negociações dentro desses grupos. Um ano de economia frágil, de baixo crescimento, de estresse político pela pulverização da câmara de deputados, inflação mais alta, portanto um ano bom para a igualação das condições de partida entre governos e oposições.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CONTROLE LOCAL DA MÍDIA: PT SE PREPARA PARA NOVO “ESTILO” DE GOVERNANÇA AUTORITÁRIA

Num post recente eu comentava que ou o PT seria uma oposição extremamente agressiva, o inverso da atual oposição, caso Serra ganhe ou Dilma teria que pagar a conta da extensa mobilização dos setores mais radicais de seu partido.

Duas matérias abaixo:

Uma comenta proposta de criação, no Ceará, de um Conselho “Estadual” de Comunicação, aparentemente nos mesmos moldes do Conselho previsto no PNDH3.

Outra comenta que, além do Ceará, há projetos semelhantes em outros três estados: Bahia, Piauí e Alagoas.

Inicialmente soa estranho, já que é uma questão constitucional federal, fora, portanto, da competência estadual.
Aparentemente reflete mais uma leitura política de construção de poder ao “localizar” (teoria do Poder Local) questões nacionais. Mas olhando para o fato de que houve e haverá fortíssima resistência para a adoção de medida semelhante via Congresso Nacional, dá para imaginar uma tática de comer pelas bordas, preferencialmente onde o PT seja mais forte politicamente. No caso o nordeste.
Há, por trás, uma evidente leitura de tensionar o tema mediante pressão “das bases”.

Este movimento federativo não pode ser analisado descartado do outro movimento de agrupamento e coordenação das mídias petistas, principalmente nos blogs e sistemas de mailling. Na realidade uma leitura moderna da militância de rua, criando uma “militância de redes”. Também não dá para não considerar o forte subsídio com recursos públicos para este segmento.

Ambas as posturas são convergentes e fecham o foco sobre o conceito de “controle social” da mídia.
Diferentemente do conceito de “accountability” pelo movimento social, este tipo de controle tem nítida opção hegemonizante e responde ao estilo típico da cultura centralizante e verticalizante da esquerda mais radical.
Conquanto possamos olhar para o jogo democrático como um processo de fortes tensões, consensos e dissensos, estes grupamentos de esquerda radical trabalham com o conceito de formação de grandes hegemonias, daí, inclusive, a visão plebicitária. São lógicas completamente diferentes.

A leitura hegemonista, cooptadora e aparelhante já fez seus estragos no movimento social.
Nas estruturas de co-gestão pública qualquer leitura mais séria mostra que a maioria absoluta dos diversos conselhos fica anestesiada pelo esvaziamento das representações do movimento social.
Não é diversa a explicação para a decadência do processo de Orçamento Participativo, inclusive nos locais de prefeitura petista.

O conceito de cidadania política foi relido como um conceito de cidadania de bem estar, reforçando o discurso assistencialista.
A surpresa fica pelo fato da esquerda radical haver regredido e ser atualmente incapaz de ir muito além das propostas de políticas públicas assistencialistas mais básicas.
A luta pelo poder eliminou o conceito do ser humano como sujeito da história. Ele agora é objeto de outro sujeito: O partido hegemonizante e seu modelo de Estado que podem tudo, desde que seja em favor do grupo dominante. Já vimos esse modelo em operação em países autoritário de todo matiz ideológico.

Na realidade a própria política vem sendo fortemente despolitizada. Também já comentamos em diversas ocasiões os efeitos da despolitização do debate econômico e do desenvolvimento.

Embates constitucionais e reformas

Convém abrir um capítulo para raciocinar o futuro.
A esquerda radical não aprovou a Constituição de 88. é um fato histórico indiscutível.
Agora, tendo cortado o bolo em diversos pedaços para não se pedir uma revisão completa na Constituição, vão à luta.
O PNDH3 não é muito mais que esta revisão das partes para não ter que tocar no todo.
Não tendo colado o plano agora partes para, novamente, dividir o bolo em fatias.
Fortalecido no Congresso Nacional é bem provável que o PT e seus aliados mais próximos busquem mais claramente a revisão constitucional.
Quem imaginava que os grandes embates seriam por conta das reformas talvez esteja enganado.

Demetrio Carneiro


Fonte: O Povo

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, no Ceará, Valdetário Monteiro, afirmou, nesta sexta-feira, 22, que o projeto indicativo que propõe a criação do Conselho estadual de Comunicação é inconstitucional e cerceia a plena liberdade de expressão.

O projeto, de autoria da deputada estadual Rachel Marques (PT), foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Ceará na última terça-feira e encaminhada ao governador Cid Gomes (PSB).

Segundo Valdetário, uma análise preliminar do projeto causou “preocupação”, pois o artigo 224 da Constituição Federal prevê que nenhum projeto de lei poderá tratar de matéria que afete a liberdade de expressão jornalística.



Fonte: Blog do Noblat

Ao menos mais três Estados - Bahia, Alagoas e Piauí - preparam-se para implantar conselhos de comunicação com o propósito de monitorar a mídia.
A criação dos conselhos foi recomendação da Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano passado, por convocação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Ceará foi o primeiro a tomar a iniciativa. Na terça-feira, a Assembleia Legislativa do Estado aprovou a criação de um conselho, vinculado à Casa Civil, com a função de "orientar", "fiscalizar", "monitorar" e "produzir relatórios" sobre a atividade dos meios de comunicação, em suas diversas modalidades.
O governo de Alagoas estuda transformar um conselho consultivo - existente desde 2001 e pouco operante - em deliberativo, com poder de decisão semelhante ao aprovado pelo Ceará.
A modificação foi proposta pelo conselho atual e será examinada pela Casa Civil e pela Procuradoria-Geral do Estado. O governador é Teotonio Vilela Filho (PSDB).
Segundo o presidente do conselho, Marcos Guimarães, entre as novas funções estaria o monitoramento da programação da mídia.
"Não podemos cruzar os braços. Nem tudo que vai ao ar é agradável à sociedade alagoana", afirmou.
Ele diz que o conselho atual já exerce, de certa forma, esse papel.
"Se um programa agride o cidadão, o conselho recomenda à empresa que o modifique, mas ela não tem obrigação de acatar a sugestão, porque ele é só consultivo. Quando for deliberativo, poderá tomar medidas efetivas, respeitando a legislação das concessões", afirmou.
No Piauí, foi proposta a criação de conselho com atribuição de denunciar às autoridades "atitudes preconceituosas de gênero, sexo, raça, credo e classe social" das empresas de comunicação.
Caberia ainda a esse conselho vigiar o cumprimento das normas de radiodifusão pelas emissoras locais e de denunciá-las à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e ao Ministério das Comunicações em caso de desrespeito à legislação.
O projeto foi feito por um grupo de trabalho nomeado pelo ex-governador Wellington Dias (PT) e encaminhado à Assembleia Legislativa.
Na Bahia, o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado. A minuta do regulamento do conselho foi feita por um grupo de trabalho constituído em novembro do ano passado pelo governador Jaques Wagner (PT), que foi reeleito.
O secretário de Comunicação, Robinson Almeida, negou que haja intenção do governo do Estado de cercear a imprensa. Disse que o projeto está em análise na Casa Civil e não será divulgado antes de passar pelo crivo jurídico.
Além desses três Estados, em que há envolvimento direto do Executivo, tramita em São Paulo projeto semelhante ao aprovado no Ceará, como revelou o Painel ontem.
O texto do líder do PT, Antonio Mentor, prevê a criação de conselho parlamentar que teria, entre outras funções, a de fiscalizar as outorgas e concessões de rádio e TV.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PADOVANI: O RISCO DO RETROCESSO ECONÔMICO

Abaixo texto publicado hoje, 22, no Estadão, com participação de nosso amigo e sempre competente Padovani.
Vale ressaltar que não se trata de um curioso, mas especialista no que fala, investimentos, e fala bem.

Ao contrário dos economistas keynesianos ligados ao nacional-desenvolvimentismo, logo que der apresentaremos um caso bem concreto, que ficam rezando salmos ao investimento estatal via bancos públicos pela formação de dívida pública, com a desculpa do contra-ciclo, Padovani mostra com muita clareza é o que há de retrocesso nessa postura.

Às vésperas de um segundo turno é mais um lembrete dos riscos corridos.

Demetrio Carneiro

Lento retrocesso

Eduardo Yuki
Roberto Padovani

O ambiente econômico internacional tem sugerido que podemos assistir a um lento e gradual retrocesso na gestão econômica no Brasil. Há vários motivos para preocupação.

Os próximos anos devem trazer um crescimento global medíocre. Há uma enorme dívida pública a ser paga nas economias desenvolvidas e as condições de renda e crédito continuam frágeis. Ao mesmo tempo, o Brasil vem mostrando forte crescimento e atraindo capitais, apesar da piora nas contas externas. Como resultado, o dólar se mantém globalmente fraco e a moeda brasileira se fortalece ainda mais.

Do ponto de vista do consumo doméstico, a apreciação cambial é uma boa notícia, na medida em que preserva o poder aquisitivo da população e estimula o crédito. Mas, por outro lado, é provável que a indústria pague a conta da festa. Com governo e famílias ávidos por consumir, as importações de bens e serviços devem continuar em alta. Considerando-se nossa baixa produtividade, resultante da carga tributária elevada, falta de mão-de-obra qualificada e caos logístico, a apreciação cambial tornará ainda mais intensa a concorrência internacional.

Seria sensato, neste cenário, promover uma reforma do Estado. Com despesas correntes do governo menores, haveria espaço para mais investimentos públicos, menor carga tributária, juros mais baixos e câmbio menos apreciado. Com isso, as condições de produtividade e competitividade poderiam se elevar, reduzindo os danos gerados pelo câmbio.

Ao mesmo tempo, a definição de um quadro regulatório de boa qualidade e estável teria o mérito de atrair parceiros privados para os investimentos em infraestrutura, elevando a competitividade local. Eventos como copa do mundo, jogos olímpicos e exploração de novos campos de petróleo são um poderoso incentivo para se criar as condições para maiores investimentos públicos e privados.

Mas há uma chance de o País escolher a agenda errada e o Estado não ser refomado. Pelo contrário, os bancos públicos e as Estatais podem continuar sendo reforçados, além de a política fiscal – agora não mais anticíclica – poder continuar a todo vapor. Isto porque a crise global recente e as bem sucedidas medidas de estímulo fiscal adotadas fortaleceram a arriscada tese de que um Estado forte é fundamental
para o crescimento econômico.

Esta visão do papel do Estado na economia também tem sido reforçada pelo fato de a política fiscal não ser hoje um problema de solvência de dívida. É, de fato, pouco provável que o governo não tenha condições ou vontade de honrar a dívida pública. Com os investidores internacionais confiantes na capacidade de pagamento da dívida, como indica o historicamente baixo prêmio de risco do País e o fato de sermos grau de investimento, os gastos públicos em elevação representam um baixo risco de mercado
e, portanto, econômico.

Como resultado, os juros podem continuar elevados e o câmbio apreciado. Neste caso, crescem as chances de que as questões de competitividade do País sejam tratadas como um problema de “erro” de gestão do Banco Central. Justamente por isso, a agenda econômica dos anos 80 pode ser tentadora: Intervenções crescentes no mercado cambial, fechamento comercial e novos estímulos fiscais setoriais. A qualidade dos gastos públicos e o ambiente regulatório devem manter-se longe de qualquer debate, mesmo sendo claro que não temos portos, estradas, aeroportos e mão de obra suficientes para impulsionar o crescimento de longo prazo. O resultado, como já aprendemos no passado, é o baixo crescimento.

Deste modo, a oportunidade que o mundo tem nos dado para sonharmos com taxas mais elevadas de crescimento pode transformar-se em pesadelo. Não apenas poderemos ser lentos em superar os graves problemas de competitividade e infraestrutura, mas também é possível que a condução da política econômica se torne menos responsável e a reputação duramente construída nos últimos 15 anos seja a senha para um retrocesso na gestão econômica.


Eduardo Yuki é economista-chefe do BNP Paribas Asset Managenment.
Roberto Padovani é estrategista-chefe do Banco WestLB.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A HORA E A VEZ DE JOSÉ SERRA

A mudança nas intenções de voto, ocorrida nos últimos dias, já foi suficiente para impactar o mercado.
Sinal de novos tempos?
Abaixo matéria do Blog Beyond the BRICS, do Financial Times, como sempre em tradução livre.

Demetrio Carneiro


Mercado começa a precificar Serra.

Por Vicent Bevins

O mercado começa agora a imaginar que o candidato presidencial brasileiro José Serra tem chances de ultrapassar Dilma e que, se isto ocorrer, ele irá cortar despesa e as taxas de juros cairão.

Após as pesquisas de hoje colocando serra a pouca distancia da sucessora designada por Lula, os rendimentos das taxas de juros dos contratos futuros caíram ao longo da curva, indicando que os investidores pensam que há grande possibilidade das taxas caírem mais à frente.

Em nota Tony Volpon do Nomura Securities disse:
A ação extremamente positiva de precificação é consistente...com Serra rapidamente restringir o gasto fiscal brasileiro, se for eleito, retirando a pressão sobre a política monetária como “variável de ajuste" ao corrigir o gap entre demanda agregada e oferta.

Até aqui o mercado não havia precificado as chances eleitorais de Serra, a vitória de Dilma parecia praticamente certa, pois os movimentos do nome dela nas pesquisas eram poucos.

Serra, um crítico das altas taxas de juros é visto, muito mais que Dilma, como focado no gasto público, ação que leva muitos analistas a acreditar na queda das taxas.

Outra teoria é que Serra poderá pressionar de forma unilateral o Banco Central a reduzir as taxas ( o Brasil tem uma das maiores taxas reais do mundo ), o que pode gerar inflação, mas estimulará a redução delas.

Volpon contradiz:
Embora Serra seja um crítico da política monetária do Banco Central brasileiro, o que sugere que alguns agentes de mercado vejam nele um “risco”...nós acreditamos que ele primeiramente cortará as despesas para depois mexer nas taxas.

De qualquer forma outra evidência de que as pessoas estão olhando para as pesquisas mais seriamente.

PESQUISA SENSUS NAS REGIÕES MOSTRA UM QUADRO DRAMÁTICO PARA DILMA: É O MOMENTO DE SERRA

A pesquisa CNT/Sensus que acaba de ser divulgada mostra um quadro dramático para Dilma.

Logo após o primeiro turno o debate se concentrou na transferência de votos da Marina para Serra. Isto não seria suficiente para eleger Serra. Ele teria que poder tirar votos de Dilma. O que fica evidente na pesquisa regional é que há votos de Dilma transitando para Serra e em taxas muito elevadas. Havia gente apostando que votos de Dilma iriam compor indecisos. Claro que é preciso conferir os indecisos, mas mesmo assim a transferência Dilma/Serra é bem clara.

Pode ser muita coisa: Aborto, maquiagem orçamentária, BNDES, autoritarismo, corrupção, PMDB, mágua de aliados preteridos ou, o mais provável, a soma combinada de todas estas coisas, mais o fato de ter sido um poste plantado pela vontade única e exclusiva de Lula e seu grupo e construído midiaticamente. Claro colocar Zé Dirceu e Ciro Gomes na linha de frente deve estar ajudando e muito.

Lula e seu grupo estão postos contra o corner. Se Dilma perder o projeto de poder petista vira poeira. Provavelmente Lula irá ter que se expor muito mais, como fez ontem chancelando pessoalmente, em horário de trabalho, o acordo eleitoral entre Dilma e os pastores evangélicos. Portanto o melhor a fazer é observar a reação. Ela virá e virá pela via do desespêro. Este jogo não acabou e certamente teremos novidades, pois estas pessoas vão estar lutando por um estilo-de-vida de oito anos de poder e estão querendo mais oito. Sabem que não têm futuro num governo sério. FHC considerou a derrota algo natural e parte do sistema de rotação do poder. Não é o que está na cabeça desta turma que vai sair.

Este é mesmo o momento de Serra.

Norte/Centro-Oeste

Dilma tinha 48,9% passou para 40,7% : Queda 8,2

Serra tinha 38,2% passou para 45,7% : Alta 7,5

 
Nordeste

Dilma tinha 66% passou para 60,7% : Queda 5,3

Serra tinha 24,5% passou para 32,1%:  Alta 7,6
 
Sudeste

Dilma tinha 52,1% passou para 43,3% : Queda 8,8

Serra tinha 36% passou para 44,7%: Alta 8,7
 
Sul

Dilma tinha 40,7% passou para 36,3% : Queda 4,4

Serra tinha 45,5% passou para 56%: Alta 10,5
 

A margem de erro é de 2,2 % para mais ou para menos.
 
A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e realizada entre os dias 11 e 13 de outubro em 136 municípios de 24 estados. Foram feitas 2 mil entrevistas.
 
Demetrio Carneiro

terça-feira, 12 de outubro de 2010

EX-DIRETOR DA ANP CITADO POR DILMA:ELA DELIRA

Dilma se arriscou e perdeu espaço, perdeu a pouca moral que ainda tinha. Acusando Serra foi além do prudente e mentiu. Agora vai pagar a conta. Em votos...

Demetrio Carneiro


Fonte: Estado de São Paulo
O economista David Zylbersztajn divulgou ontem uma nota de "Esclarecimento Público" para rebater as afirmações feitas pela candidata petista Dilma Rousseff no debate da TV Bandeirantes, domingo passado. Zylbersztajn disse que "a candidata (ou quem a assessora) delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização a cada esquina".

A candidata ressuscitou no debate a tática usada em 2006 pelo então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o tucano Geraldo Alckmin. Como Lula, que acusou Alckmin de querer vender a Petrobrás e o Banco do Brasil, Dilma levantou a suspeita de que José Serra pode apoiar a "privatização do pré-sal".
No encerramento da nota de esclarecimento, parafraseando um trecho do livro "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós (1845-1900), Zylbersztajn afirma que a candidata do PT usou de "má fé cínica" e de "obtusidade córnea".
Concessões
Para fazer a ilação sobre a ameaça de privatização do pré-sal, Dilma Rousseff citou de maneira deturpada entrevistas concedidas por Zylbersztajn, na terça-feira passada, no Rio, durante um seminário da revista Exame sobre o petróleo. O economista, que foi o primeiro presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), criada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1997, defendeu a manutenção do regime de concessões na exploração do pré-sal, que atrai mais capital estrangeiro, em vez da proposta do governo Lula, que enviou projeto ao Congresso para implantar o regime de partilha - ainda em tramitação.

Zylbersztajn disse ainda que o Brasil precisa lembrar que "o mundo vive um processo de mudança na matriz energética e está (tentando) fugir do petróleo porque ele é finito e é o vilão do aquecimento global". Acrescentou que o País precisa "conter a euforia" com o pré-sal para não cair na "maldição do petróleo" - lucros altos e fáceis e descuido com os demais projetos estratégicos de desenvolvimento sustentado do País, como na Venezuela.
Hoje, no "Esclarecimento Público" o economista rebateu a informação de que é assessor do candidato tucano. "Devo esclarecer que não sou, nem nunca fui assessor do candidato (Serra)". Repetindo o que disse no seminário da Exame, Zylbersztajn voltou a defender "a manutenção do atual sistema de concessões também para as futuras licitações, sejam elas no pré-sal, ou fora dele."

Ao considerar a partilha "um modelo danoso aos interesses do país", o economista lista, entre outros motivos, o fato de que ele obrigou o governo "a criar uma estatal para comprar e vender petróleo". No encerramento da nota, o economista destaca que o governo Lula já usou o modelo das concessões para leiloar áreas do pré-sal.
"Nunca é demais lembrar que o exitoso modelo de concessões foi implantado a partir da Lei do Petróleo de 1999. Durante o governo FHC foram realizados 4 leilões sob este regime (num dos quais foram licitadas as áreas do pré-sal). No governo do PT foram 6 (leilões). Ou seja, se este é um modelo privatizante, foi aplicado de forma bem sucedida e permanente pelo governo do qual fazia parte a candidata Dilma, inclusive na qualidade de Ministra de Minas e Energia", afirmou Zylbersztajn.

Os modelos de concessão e de partilha não vetam a participação de capital e empresas estrangeiras na exploração do pré-sal. A Petrobras já tem como sócias nessas áreas leiloadas a portuguesa Galp, a britânica BP e a anglo-holandesa Shell. A diferença é que na regra brasileira da partilha, o governo Lula obrigou a Petrobras a ser sócia de todas as explorações do pré-sal com pelo menos 30% de participação no empreendimento. Na prática, a partilha serviu para reforçar o viés estatista do governo na indústria do petróleo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O PT E AS PRIVATIZAÇÕES

Não há privatização pior do que a que foi feita por Erenice e sua “famiglia”.
Não há privatização pior do que a que o BNDES faz com os recursos que um dia virarão impostos que todos nós pagaremos, gostando ou não.

O núcleo político de nosso programa político é a democracia e a reforma democrática do Estado.
O núcleo político do programa petista é o PNDH 3. Certamente para eles seria um orgulho mostrar ao país o quanto evoluíram. Foi um desastre a ponto de Lula ter que se desmentir em público pouco antes das eleições. Dilma se apressou em afirmar que não tinha lido o que assinou.
Eles não têm mais nada para dizer.
Agora, na falta de propostas, na falta de assunto, Dilma busca lá do fundo do baú as velhas conversas sobre privatização. Ótimo, pois foi falando deste tipo de coisa que o “chefe” perdeu duas eleições.

Não é Serra quem tegiversa. Dilma fala todo o tempo em Responsabilidade Fiscal, redução das despesas, mas leiam o que está na mensagem encaminhada pelo Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao presidente Lula, com relação à Lei de Diretrizes Orçamentárias para 201. Tenha-se em vista que é dai que sai o que é o Orçamento de 2011, quando Dilma, se fosse ganhar, seria presidente. É uma espécie de amaciada prévia de terreno:

Para se ter a real dimensão da rigidez na aplicação dos recursos, com a qual o Governo Federal se defronta por ocasião da elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual,
vale mencionar que aproximadamente 80% do total das receitas da União têm destinação prévia na sua alocação, com vinculação a determinados órgãos e subvinculação a despesas específicas.
Além desse mecanismo de proteção de algumas áreas com receitas vinculadas, foram criadas diversas despesas obrigatórias que consomem parcela substancial dos recursos
livres do orçamento do Governo Federal, a exemplo da educação e da saúde. Nesse cenário, o
atendimento da demanda social com a finalidade de adicionar novas metas e prioridades à LDO pressupõe, por um lado, a mudança na alocação dos recursos provenientes de vinculações, renúncias de receitas e despesas obrigatórias e, por outro, a decisão de elevar a carga tributária por meio de aumentos de alíquotas ou da base de cálculo de impostos e contribuições. As escolhas dependem de decisão política acerca da melhor maneira de maximizar o bem-estar social com a utilização dos recursos de todos os brasileiros".

Evidentemente Dilma, não podendo chamar de “boato’, “mentira” ou “fofoca”. Dirá o que é a praxe petista: Que não sabia.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A DERROTA DE LULA: O ANTI-CLÍMAX DA ARROGÂNCIA GOVERNISTA

Havia uma “Festa da Vitória” petista, organizada para ser realizada no estacionamento do Estádio Nilson Nelson, em Brasília. Festa para 50 mil pessoas. Às 20 horas havia 300 ouvindo os discursos vitoriosos...

A arrogância de Lula e dos petistas em geral. Os ataques à mídia. As ameaças. Viraram votos perdidos. O recado da população foi claro: Há limites.
Será que teremos de volta o Lulinha Paz e Amor?

Seja como for o PMDB foi o grande vencedor e com o segundo turno o preço deverá subir exponencialmente. O balcão de negócios acabou de ser reaberto e os projetos radicalizantes de Marco Aurélio Garcia e José Dirceu talvez tenham que ir, novamente, para o fundo do baú.

Demetrio Carneiro

domingo, 26 de setembro de 2010

PARA ONDE VAI O CICLO DE 1988?

A declaração de Marina hoje, 26, “Marina diz que parte boa do PT é maioria”, tem evidente cunho eleitoral e ainda joga com a esperança de atrair votos de segmentos próximos ao PT.
Nesta declaração busca separar a banda podre do PT de sua banda boa, mas é uma declaração emasculada, pois passa ao largo do simples fato de ser Lula o principal e da quadrilha começar na sua ante-sala.

Imaginando que há uma “banda boa” é de se imaginar que esta banda só possa conviver com todos estes fatos supondo que realmente há um enorme esquema de mentiras sendo articulado pela oposição.
Se esta banda existe e se essas pessoas acreditam que existe esse esquema então temos outro problema, talvez bem mais sério: Uma massa de manobra tremendamente influenciável e ideologicamente manipulável.

Podem estudar o lulismo ao limite. E parece que a vitória de Dilma irá gerar mais alguns milhões de papéis sobre o tema. Já tivemos algumas milhares de páginas provando que o populismo estava enterrado e morto na política brasileira. Não, não estava e a sua porta de retorno foi aberta pela monumental incompetência da oposição.

Só resta torcer para que deste desastre saia algum projeto mais eficiente que a proposta serrista de ser outro sendo o mesmo.

Está na hora de virar a página e perceber que o ciclo iniciado em 1.988 também não se esgotou, ao contrário de que poderiam supor, e parece caminhar em uma direção bem diferente daquela que imaginaram muitos dos que lutaram pela democracia.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A CRISE DA CASA CIVIL ESTÁ LONGE DE ACABAR

Se a matéria publicada hoje, 17, no site do Estado de São Paulo – Planalto já sabia de lobby na Casa Civil desde fevereiro – é correta, me arrisco a afirmar que estamos frente a um escândalo de proporções republicanas.



Há uma máquina de corrupção instalada ao lado do gabinete do presidente e já era de conhecimento da Presidência da República ANTES da publicação da matéria na mídia.



Já presenciamos um processo eleitoral irregular, com abusos autorizados – se o tribunal cala é porque autoriza – de todo o tipo. Caminhamos sobre o fio da ilegalidade sem que as autoridades saibam exatamente de que lado se colocam.



Agora vamos para o voto.
Se as previsões se confirmarem estará eleita uma pessoa ciente de um crime cometido quando exercia a função de autoridade pública – segunda autoridade em importância em nossa República - que receberá a faixa de outra autoridade, esta a máxima da República – que também estava ciente do crime.



Não, não é a oposição que “quer ganhar no tapetão”, conforme já disse Dilma. É a situação que comete crime sobre crime e imagina que pode sair impune de todos eles.



A autoridade pública que oculta um crime também comete um crime. É assim. Simples, claro e direto: Três das máximas autoridades nacionais estão envolvidas em crimes contra a Administração Pública.



Demetrio Carneiro

sábado, 11 de setembro de 2010

A SINA DE SER OPOSIÇÃO

Ao texto do César Maia, que foi redigido antes da última Datafolha, 10, abaixo, eu gostaria de acrescentar:

Sem discutir o evidente abuso de poder, no quadro geral é apenas mais um abuso de uma longíssima série, acho que há um forte recado “para dentro” de que o grupo de poder à volta de Lula não aceita qualquer tipo de autonomização. E está no jogo, qualquer que seja o próximo governo.

Olho para isto como um forte potencial de crises políticas num possível governo Dilma. Mas, ganhando Serra, acho que é também um forte indicativo de que este grupo de poder não dará ao presidente os benefícios de uma oposição de baixa combatividade.

Teremos pela frente, de uma forma ou de outra, tempos bem complicados.

Escolhas eleitorais envolvem manter, perder ou ganhar. No caso de Serra o que ele teria que ter mostrado é que o eleitor poderia trocar o presente pelo futuro, pois teria ganhos. O erro foi ter achado que se daria apenas pela confiança cega na sua capacidade gerencial. A estratégia de campanha de Serra não previu que parte do convencimento teria que vir de uma demonstração concreta das falhas existentes e da proposta de correção e que o campo desse tema seria o debate eleitoral programático. Nele o eleitor poderia se posicionar e decidir se seria melhor manter esta linha de governo ou se seria melhor mudar a linha de governo. Perdemos a oportunidade de um grande debate que pusesse frente à frente diferentes propostas de desenvolvimento que apontam para diferentes futuros possíveis.

O que vem ocorrendo agora é que parte da classe média urbana, posta de lado no debate presidencial e por isto se afastando da candidatura de Serra, percebeu os riscos inerentes ao gesto autoritário, na devassa fiscal, deste governo. Também percebeu a apatia institucional ou até mesmo a solidariedade corporativa dentro do aparelho de Estado. Há uma clara percepção de perda futura para segmentos que consideram a liberdade frente ao Estado como uma questão principal. Uma questão de cidadania num país cujo déficit de cidadania é monumental. Daí a pesquisa desta sexta que não captou nenhum movimento sginificativo. A indignação de alguns segmentos não foi suficiente para alterar as pesquisas e produzir a “virada” que muitos ansiavam.

Com a baixa classe média em ascensão, justamente o segmento que cresceu em poder de voto, as coisas são diferentes. Estes segmentos permanecem dispostos a avaliar a política pelo lado dos ganhos presentes. Os dados da última PNAD já informam que a classe C tem mais de 50% da população. Definitivamente o Brasil vira um país de classe média, baixa. A teoria política sempre coloca que o drama da classe média é manter seu status. Não parece que os segmentos da classe C se sintam em perigo frente a um continuísmo via Dilma. É com este fato que a oposição(?) deverá saber lidar. Na realidade a matemática de luta pelo poder ficou mais complexa. A estratégia de Serra tentou lidar com esta questão, mas falhou.

Os partidos políticos brasileiros lançam diferentes olhares paras a questão de cidadania. Essencialmente o que parece é que a cidadania ativa incomoda à maioria, pois o eleitor-cidadão talvez não esteja tão disposto às manipulações que ocorrem dentro das máquinas partidárias. Quem tiver alguma dúvida à respeito deve acompanhar as convenções eleitorais que definem candidatos e programas de partido. Da mesma forma o nível de cobrança na qualidade dos programas e sua execução seria outro. Por ora parece que todos têm a ganhar com o quadro atual. Se não tivessem deveriam ser os partidos os primeiros interessados na qualificação da cidadania.
Não é o que acontece.

Demetrio Carneiro

LULA E AS PESQUISAS QUE VIRÃO!

1. Recomenda Duda Mendonça, controller dos programas de Dilma: Quem bate, perde. Por que então Lula bateu em Serra no caso das quebras de sigilo fiscal de pelo menos 1400 pessoas e de pessoas ligadas ao partido opositor? Por que Lula foi pessoalmente a TV atacar, ocupando um terço do horário eleitoral de Dilma? Por que não foi um locutor, como seria apropriado em casos como este?

2. A participação de Lula tem dois aspectos 'ocultos pelo verbo', como se diz nas aulas de português. O primeiro, Lula ao entrar no programa de Dilma pessoalmente, informa que Dilma não sabe se defender e nem comanda seu próprio programa de TV. O eleitor deduz que se ela não coordena seu programa, como será no governo? Se não é a atriz principal, como será no governo? Precisa da presença do padrinho. Isso a enfraquece.

3. O segundo é que os números de pesquisas -qualitativas e quantitativas- internas já refletem isso, e, num risco de segundo turno, chamaram o 'salvador'. Todos sabem que uma pequena inflexão nos números de Dilma leva ao segundo turno. Basta ela apontar para 45% das intenções de voto para se estar na margem de erro em relação ao segundo turno.

4. Como a opinião pública é afetada por ondas, a primeira já produziu efeitos, e as que vêm sempre empurradas pela primeira também terão efeito. Não que isso inverta a liderança nas pesquisas. Mas que o segundo turno passou a ser uma probabilidade, isso passou. Talvez hoje a possibilidade de um segundo turno já esteja em 50%.

5. Os riscos sentidos por empresários e classe média com renda mais alta em relação a seus sigilos fiscal, bancário e grampos generalizados, já afetam sua decisão de voto, que começa a deixar de ser do tipo "tanto faz". A privacidade atingida já é percebida por esses segmentos. Se alcançar parte dos demais, ainda não se sabe. Mas no andar de cima, já alcançou.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O QUE APODE AGUARDAR A OPOSIÇÃO


A matéria, abaixo, de Rudolfo Lago, no Congresso em Foco, é bem oportuna.

O quadro dos governadores potencialmente eleitos mostra-se diferente do quadro eleitoral para a eleição presidencial.

Em termos de avaliar o quadro do futuro governo na realidade precisaríamos ainda aguardar os resultados para deputado federal e senador para ter uma noção melhor. Provavelmente também terá outro desenho e este desenho deverá ser mais importante para a política federal do que a eleição dos governadores, provavelmente.
Há a impressão de que a atual situação deverá ser maioria, o que facilitará muito um possível governo Dilma. Mesmo tão havendo uma formação ideológica clara, ou talvez até por isto, todos os presidentes eleitos dentro do regime da nova república tiveram problemas de governança com o Congresso. Foi uma claríssima escolha estratégica governista buscar eleger maiorias na Câmara e no Senado.

De qualquer forma já fica evidente o que já se sabia em parte. Que as eleições nos estados têm outro caráter se comparadas com a eleição presidencial.
Alguns analistas, no caso de Marina, assinalaram a importância da disputa a governança estadual. De fato a coligação situacionista elege provavelmente 17 governadores, enquanto a coligação oposicionista elege 10.

Contudo e imaginando um governo Dilma, numericamente a oposição governará sobre aproximadamente 94 milhões de brasileiros. Já a situação sobre aproximadamente 96 milhões.
Se forem confirmadas as previsões, as eleições para governadores apresentam duas questões interessantes:

a) O maior “vencedor” isolado é o PSDB, pois terá eleito 7 governadores entre 27, mas governará sobre 89 milhões de brasileiros. Os outros partidos da coligação PPS, DEM e PTB terão eleito, cada, um governador, mas em estados sem muito significância no quadro nacional;
b) Outro “vencedor” terá sido o PSB. Com 4 governadores e aproximadamente 24 milhões de brasileiros, terá sido o único partido de esquerda dentro da coligação governista, além do PT, que poderá manter personalidade própria nas políticas estaduais .

Tantos governadores ligados à oposição eleitos poderia ser desconfortável, mas não há indícios de que será, de fato. Desde a instalação da Nova República a política de governadores tem se mostrado desligada das dicotomias situação/oposição. Não temos tido embates dentro da estrutura executiva. Normalmente os embates são entre oposição parlamentar e executivo situacionista. O mesmo problema acontece nos municípios. Parece que se criou uma lógica de que o único executivo que pode fazer política é o central, cabendo aos níveis inferiores comportar-se como bons trabalhadores.
Não custa lembrar que a falta de combatividade política dos governadores tem sua raiz no golpe civil-militar de 64, que em seus primeiros momentos sobre neutralizar tanto os governadores opositores quanto os aliados.

Evidentemente este formato de oposição com governadores e prefeitos neutros, transferindo os embates para o parlamento, caso realmente a situação faça maioria nas duas casas, terá que mudar e governadores terão que ser mais pró-ativos. Do contrário não teremos oposição possível.

Do alto de seus 89 milhões de eleitores os governadores do PSDB terão que ter essa pró-atividade. Os governadores do PPS, DEM e PTB, também. Afinal é cerca de metada da população brasileira. Terão? Se tiverem, em quais bases?

É mudar a prática política ou correr o risco de ser pasteurizado. 

Demetrio Carneiro


Fonte : Congresso em foco


Por Rudolfo Lago

07/09/2010

Levantamento das últimas pesquisas disponíveis mostra que PSDB lidera eleições para governador em sete estados, ainda que isso não pareça se refletir na votação de José Serra para a Presidência da República


Nas eleições passadas, já houve quem observasse que o eleitor é sábio. Parece evitar concentrar poder demais em apenas uma escolha partidária. De alguma forma, parece compensar as escolhas que faz para presidente com escolhas diferentes para governador, prefeito, etc. Nas eleições deste ano, pelo menos até este momento, tal observação parece pertinente. Se a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, abre larga margem de vantagem sobre seus adversários, com chance de liquidar a disputa ainda no primeiro turno, o mesmo não se verifica nas eleições para governador nos estados. Ali, a disputa é apertada. E até com alguma vantagem, neste momento, para o PSDB.
O Congresso em Foco analisou as últimas pesquisas disponíveis em cada estado para governador. Embora haja disputas apertadas e casos e empate, considerando-se apenas aquele que lidera em cada eleição, o PSDB, partido de José Serra, hoje é líder em sete estados. O PMDB, principal aliado do PT na chapa de Dilma, vem em segundo, liderando em seis estados. O PT é o terceiro, com cinco. E o PSB vem em seguida com quatro.
Nos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, lideram as pesquisas neste momento candidatos tucanos: Geraldo Alckmin e Antônio Anastasia, respectivamente. Em situações inversas. Embora ainda tenha grande vantagem, Alckmin perdeu terreno para o candidato do PT, Aloizio Mercadante. Em Minas, Anastasia ultrapassou o candidato do PMDB, Hélio Costa. O PSDB é líder também em Goiás, Pará, Paraná, Piauí e Roraima.
Em mais uma demonstração da força que deverá ter num eventual governo Dilma Rousseff, o PMDB lidera as eleições em cinco estados. O mais importante é o Rio de Janeiro, onde o governador Sérgio Cabral parece ter a sua reeleição garantida. Os peemedebistas lideram ainda no Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, e Tocantins.
O PT lidera em cinco estados: Acre, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Sergipe. Com relação às pesquisas anteriores, a maior novidade é o Distrito Federal, onde Agnelo Queiroz, do PT, ultrapassou Joaquim Roriz, do PSC. É possível que haja aí alguma influência do avanço de Dilma. Mas o fato de Roriz ter sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral, já tendo perdido um recurso, parece influir mais. A propaganda de Agnelo tem informado sobre a situação de Roriz valendo-se de um texto em fundo azul, que mais parece um comunicado oficial. A estratégia parece surtir efeito.
Ascensão significativa deverá ter o PSB. Além de já praticamente confirmar as reeleições de Eduardo Campos em Pernambuco e de Cid Gomes no Ceará, os socialistas lideram em outros dois estados: Alagoas, onde Ronaldo Lessa passou Fernando Collor, do PTB, e Espírito Santo.
Parceiros
Se forem somadas, porém, as situações dos parceiros de cada candidato à Presidência, Dilma Rousseff tem vantagem. Os partidos aliados a ela lideram pesquisas em 17 estados. Os aliados de Serra em dez. O DEM, principal parceiro do PSDB na corrida presidencial, lidera apenas no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini. O PPS é líder apenas em Rondônia. O PTB no Amapá. E o PMN no Amazonas.
As eleições que, de acordo com as últimas pesquisas, parecem mais definidas são: Acre (Tião Viana, do PT), Amazonas (Omar Aziz, do PMN), Ceará (Cid Gomes, do PSB), Espírito Santo (Renato Casagrande, do PSB), Pernambuco (Eduardo Campos, do PSB).
GOVERNOS POR PARTIDO
Partidos que lideram hoje eleições para governador
Aliados de Dilma – 17
Aliados de Serra - 10
PSDB – Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí ,Roraima, São Paulo - 7
PMDB – Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Tocantins - 6
PT – Acre, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Sergipe - 5
PSB – Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco - 4
PP – Santa Catarina - 1
PPS – Rondônia - 1
DEM – Rio Grande do Norte - 1
PMN – Amazonas - 1
PTB – Amapá – 1