Mostrando postagens com marcador Telebras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Telebras. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de janeiro de 2011

CURTO E GROSSO: A SOLUÇÃO DA INTERNET NÃO É TER UMA OU MIL EMPRESAS PÚBLICAS

Em 2009 o Plano Nacional de Banda Larga previa investimentos na ordem de R$75 bi, até o ano de 2014.
Em 2010, a gerentona da Casa Civil, a ex-amiga Erenice “inquérito prorrogado” Guerra, mais modesta, falava em R$13 bi.
Tudo com recursos do Tesouro Nacional, mas segundo se disse “já daria lucro no terceiro ano”. Muito bem, tendo em vista que no setor de comunicação a tributação chega a 57%, é bem provável que já de lucro, para o governo, nas primeiras três horas. Como os recursos são do Tesouro o prejuízo é do contribuinte. Claro.

Pensando bem que tipo de modelo de rede é possível com uma carga tributária deste porte?

Por falar em tributo, está no programa do PT e no programa de governo a revisão do caráter regressivo da carga tributária. Já esqueceram?

Demetrio Carneiro

sábado, 15 de janeiro de 2011

OS R$32 BI DO FUST: O FUTURO TEM FUTURO?

O Fundo Universal dos Serviços de Telecomunicações – FUST, foi instituído no ano 2000, sob a lei 9998. Basicamente foi criado para garantir a “universalização” dos serviços de telecomunicações, como aliás está no próprio nome. Com tal finalidade foi instituída uma taxa cobrada das empresas do ramos. Como todos já sabemos no fim do dia quem paga é o consumidor.

Sendo assim podemos afirmar que, nós contribuintes, já depositamos na caixinha do FUST cerca de R$ 32 bi.

A magnitude deste valor é fácil de avaliar quando se imagina que o tal corte orçamentário, para o chamado esforço fiscal, fundamental para buscar um equilíbrio macroeconômico mais sustentável, não parece que irá muito além, embora se fale em R$40 bi ou até R$60 bi. Enfim, Mantega é quem sabe os números de vai jogar este debate para o carnaval. Seja como for, é, no mínimo a metade do corte previsto.

Como sempre o problema são os problemas:

Primeiro o governo parece muito disposto a juntar recursos, mas tem se demonstrado bastante desinteressado em gastá-los nas finalidades do fundo. Cerca de três anos atrás pude participar de um evento na Câmara Federal reunindo inúmeros representantes das pequenas e médias empresas ligadas à telecomunicação e ali a pergunta já era o motivo pelo qual o governo não usava o fundo para subsidiar o trabalho de ampliação da rede de cabo. A avaliação era de que às grandes do ramo só interessava investir nos grandes aglomerados urbanos. A sugestão é que abrissem e financiassem via fundo, o mercado das pequenas e médias cidades para as mais de 900 empresas privadas.

Segundo. Claro que a destinação do recurso é complexa e, à parte a forte vontade de manter esses recursos travados por questões de Finanças Públicas, tem conotações complexas.
Usar recursos que são em última análise públicos para estimular empresas privadas pode ser um obstáculo. Principalmente quando se destina aos concorrentes das maiores operadoras.

De outro lado o que significa exatamente “universalizar”? No modelo americano, num fundo semelhante, Universal Service Fund – USF, se utiliza os recursos para implementar o acesso local à rede nacional de bibliotecas, em escolas e na saúde rural, programas de telemedicina!.

No nosso caso falta o básico: A rede física de cabos. No governo passado lançaram a idéia de reabilitar a falida Telebrás para criar uma rede de cabeamento governamental que seria utilizada em segundo plano para acesso de escolas públicas etc. Começou mal, pois começou sob a denúncia de manipulação com direito ao DNA de nosso tristemente famoso Zé Dirceu. Quanto se faturou com isto ninguém sabe ou quer saber, mas certamente foi um torpedo na linha d’àgua do projeto. No fim do dia a Telebrás recebe do governo federal a ridícula quantia de cerca de R$500 mi para implementar o badalado Plano Nacional de Banda Larga.

Agora, com a Rainha do PAC governando a nação e com a infraestrutura sendo o núcleo da proposta, resta ver os próximos passos.
De qualquer forma a única coisa certa é que não se dará um passo na direção de um futuro melhor sem sairmos do impasse que se criou e que não se dá por falta de recursos.

É questão de escolha, no sentido do trade-off, vontade e capacidade de gestão. Enfim, é questão para um Estado republicano, no bom sentido. Existe um por aqui?

Demetrio Carneiro

domingo, 1 de agosto de 2010

A EXPOSIÇÃO DAS INTIMIDADES DO PODER

Há o debate sobre a continuidade do governo Lula. Se continua melhorado parece que é a vontade de todos os candidatos. Então o debate deveria ser mais sobre o que é que vai continuar.

Já não é mais segredo, nem novidade, que o projeto de Lula é a construção de um regime de Capitalismo de Estado.
Se não faltassem comprovações bastaria a leitura da participação dos recursos do Tesouro Nacional que passaram de 6% em 2001 para 40% em 2009. Em termos mais imediatos já foram injetados 80 bilhões e há autorização para mais 80. O detalhe é que é recurso público captado no mercado ao preço dos juros aturais, mas repassado ao tomador subsidiados. Enfim, cria-se Dívida Pública para subsidiar um projeto de crescimento de segmentos escolhidos a dedo pela burocracia estatal. São esse recursos que irão, por exemplo, subsidiar a compra de carvão boliviano para tocar as “modernas” usinas termoelétricas de um certo amigo do Rei.

Há mais um exemplo possível na questão da “democratização” do acesso à internet. Foi montado todo um cínico discurso sobre a Telebrás e a urgência de dar ao Estado a capacidade de pulverizar no território nacional a rede. O que foi a especulação com os papéis da ex-falida empresa ainda deverá um dia ser objetio de investigação e certamente será mais um caso de polícia envolvendo os personagens de sempre. Agora aparece a outra ponta: O principal acionista dessa maravilha de esforço nacionalista será uma empresa estrangeira, a Portugal Telecom (por acaso mais conhecida como PT!). Enfim, mais de 900 empresas brasileiras, capacidatas, foram postas para escanteio para abrir espaço para a futura “gigante” estatal e suas associada estrangeira.

Para não cansar com muito exemplos podemos citar agora a maravilhosa operação de swap cambial defendida por Mantega. Aparentemente o objetivo seria melhorar o desempenho cambial e retirar a pressão sobre a apreciação do real. O único problema é que, como no caso do BNDES, a avaliação acurada acaba mostrando que há outros ganhadores e certamente não será a nação, conforme matéria do Valor Econômico baseada na avaliação de especialistas do mercado.

Essa é justamente as marca do regime de Capitalismo de Estado: Uma funda associação política entre a tecno-burocracia estatal e os grandes interesses econômicos. Por trás do discurso “social” ou até “socialista” do Estado + forte, do Estado mais competente, do Estado diretor do desenvolvimento, está a aliança que sustenta e é sustentada, vinculando os segmentos para-estatais, partido políticos, políticos, dirigentes governamentais e os segmentos do poder real na sociedade. Certamente “continuar” Lula não se trata disso e é preciso que fique muito claro.
É essa a clivagem feita por FHC em matéria publicada hoje no Estadão.

Demetrio Carneiro