Mostrando postagens com marcador Banco Central. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Banco Central. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MISTÉRIOS DO PAN AMERICANO

Segunda a mídia o BC detectou um rombo de R$ 1 bi na contabilidade do Banco Pan Americano. A Polícia Federal procura o dinheiro, mas não é este o grande mistério.

Assuntos ainda não esclarecidos:

Por qual motivo os fatos não vieram à tona antes das eleições e isso coloca uma dúvida sobre consistência da autoridade do BC.

Também falta esclarecer qual a relação entre as “facilidades” oferecidas à Sílvio Santos e a contra-propaganda do SBT que tentou desmoralizar Serra, num contexto onde a vedete foi Lula buscando desmoralizar Serra.

Sobre estas questões reina absoluto silêncio. Levando em conta que poderiam ter interferido no resultado das eleições...

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

VOLPON: EXISTE A TAL GUERRA CAMBIAL?


Por: Tony Volpon

Fonte: Valor Econômico - 11/11/2010

Existe a tal "guerra cambial"?

O termo, lançado inicialmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez sucesso, entrou no discurso do mercado financeiro como parte também das negociações internacionais e deve fazer parte da principal discussão no âmbito da reunião do G-20 na Coreia do Sul. A própria presidente eleita Dilma Rousseff adotou o termo, acusando a China como os Estados Unidos de travarem tal guerra.

Por que uma "guerra cambial"? A expressão somente faria sentido se, no caso atual, a execução da política de expansão do balanço do Federal Reserve (Fed, banco central americano), conhecida como "quantitative easing" - ou "QE2", já que é a segunda vez que os EUA lançam mão desse expediente -, tivesse como única meta a queda do dólar americano. A queda do dólar estaria, então, "roubando demanda" de outras economias que sofreriam com a apreciação de suas moedas.

Nessa visão do mundo nitidamente mercantilista, o crescimento e a demanda teriam "soma zero": se os Estados Unidos saem ganhando, os outros saem perdendo. Nessa situação, enfrentando a "agressão" de uma economia em decadência, mas ainda detendo a "moeda reserva global", vale tudo para proteger a economia local dos malefícios de uma política cambial americana travestida de política monetária.

Essa visão é tanto parcial como carrega nítida contradição. Vamos ver isso examinando os dois possíveis resultados da nova política americana. Se, como acreditam analistas mais pessimistas, essa nova rodada de QE não conseguir impulsionar o crescimento nos EUA, o resultado mais provável em países como o Brasil é uma inflação maior. Como em 2007-2008, a "fuga" do dólar deve levar a uma alta forte nos preços das commodities não inteiramente compensada pela valorização cambial. Mas, ao mesmo tempo, essa alta deve acontecer junto com a queda relativa nos preço das importações devido à continuação da quase recessão externa.

Ante uma conjuntura internacional cheia de riscos, a única iniciativa do novo governo é apoiar a volta da CPMF

Como a pauta das nossas exportações é carregada em commodities e as nossas importações são predominantemente de bens de capital e de consumo, a melhora nos termos de troca da economia brasileira equivale a um aumento da renda real, que deve incrementar ainda mais o investimento e o consumo. Nesse caso, o maior risco não é importar a recessão dos outros, mas sim sofrer maior inflação. As tentativas de segurar o câmbio, impedindo que uma alta do real frente ao dólar ajude a compensar a elevação dos preços das commodities, somente funcionam para aumentar os riscos inflacionários.

E se o QE2 funcionar? Nesse caso teríamos um crescimento maior da economia americana, algo que adicionaria demanda na economia mundial. Tal cenário certamente não poderia ser visto como negativo para o Brasil em termos de renda e crescimento econômico. Os Estados Unidos podem estar "fora de moda" em relação à ascendente economia chinesa, mas pelo seu tamanho é difícil sustentar qualquer recuperação global sem algum crescimento americano.

O que devemos perceber é que o Brasil está bem colocado para enfrentar as consequências do QE2 exatamente porque não se trata de uma guerra cujo resultado é soma zero e pela posição favorável do Brasil na atual economia internacional como exportador de commodities. Se QE2 funcionar, vamos ter uma economia americana em crescimento, importando mais do Brasil, com o dólar americano subindo, aliviando temores de uma sobrevalorização cambial.

Se o QE2 não funcionar, vamos continuar, como agora, a vender nossos produtos ao exterior, a preços ainda mais altos, e importar artigos de consumo e bens de capital mais baratos. O risco nesse caso não é os americanos "roubarem" nosso crescimento, mas haver um excesso de demanda interna, causado pela melhora dos termos de troca e pela intervenção do governo no mercado de câmbio interferindo no necessário processo de ajuste.

Vale a pena os riscos de um aquecimento excessivo da economia para segurar o câmbio? Seria essa a melhor maneira de ajudar nossa indústria a se ajustar ao atual cenário? Somando os custos da "estratégia de guerra" da política cambial atual, focado em fortes intervenções no mercado de câmbio e a imposição de crescentes impostos à entrada de capital estrangeiro, a resposta só pode ser não.

Fora o risco de maior inflação futura, já sentimos hoje em função do IOF a retração do investidor externo no mercado de dívida local, o que tem elevado as taxas de juros de longo prazo e impedido o Tesouro Nacional de colocar títulos de maior prazo em seus leilões. O trabalho de alongar o perfil da dívida federal está em risco por causa de uma política cambial mal elaborada. E isso quando o Brasil entra em um período em que deseja implementar forte agenda de investimentos, que somente serão executados com a ajuda do capital externo dada a baixa propensão a poupar como o contínuo e crescente déficit fiscal, que hoje tem uma da suas principais origens no custo da intervenção no mercado de câmbio.

Devemos ter em mente que a queda do dólar americano ou é temporária (no caso de QE2 ser um sucesso) ou é algo inevitável (caso seja um fracasso). A resposta da política econômica correta, no caso mais pessimista da eventual falha do QE2, é trabalhar para ajudar a indústria a se adaptar, aumentando sua produtividade e competitividade. Por causa disso, ficamos perplexos em ver que, exatamente quando temos tantos desafios pela frente dado uma conjuntura internacional ainda cheia de riscos e incertezas, a única iniciativa concreta do novo governo parece ser apoiar a volta da CPMF, imposto em cascata que afeta mais negativamente a indústria por causa da longa corrente de produção. IOF e CPMF são certamente as armas corretas para o Brasil perder essa guerra mal pensada.

Tony Volpon é chefe de pesquisas das Américas do Nomura Securities International, Inc.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

O BNDES E A DÍVIDA PÚBLICA OU, MELHOR, A NOSSA DÍVIDA.

Parece que não tem como o BNDES deixar de ser o centro das atenções.
Já acumulamos aqui no Blog um bom número de posts sobre o uso da dívida para financiar, de forma subsidiada é bom esclarecer, o financiamento do banco.
Enfim, é o povo brasileiro como financiador em última instância, já que a dívida pública em algum momento no futuro vira tributo que sai do nosso bolso, é claro.
E daí? Você, caríssimo leitor, vai dormir melhor quando souber que é o teu salário ou renda que vai financiar nossos gigantes econômicos?
Novas questões foram postas, na direção que já havíamos anunciado, e a gente retoma o tema.

Numa lógica de crescimento um banco de desenvolvimento deveria realmente ser uma referência. Caberia a ele conduzir políticas públicas de estímulo para áreas estratégicas da economia via facilidades de crédito por conta de facilitações assumindo riscos, prazos mais longos ou mesmo crédito subsidiado. Até aqui todos concordamos.

Onde começamos a discordar é na origem dos recursos agora utilizados para que o banco haja como referência, por exemplo.
Gastando tudo que tem direito no custeio da máquina não sobrou ao governo muito espaço para oferecer recursos de investimento quando ficou claro este componente de política pública era essencial para manter e estimular o nível de crescimento da economia. Saída foi lançar mão da dívida pública.
Argumentos não faltaram e o mais importante era o de que nossa dívida era “baixa” comparativamente aos outros países. De preferência os mais ricos. Quem se der ao trabalho de pesquisar encontrará entrevistas de Mantega sobre o tema.
Um interessantíssimo texto de Mendonça de Barros no Valor Econômico, repercutido pelo Política Democrática e Novo Reformismo, lida com esta questão da formação da dívida feita por caminhos transversos, lembrando do uso manipulatório e irresponsável dos recursos públicos na época da “conta-movimento” do BB.
Para quem não sabe esta conta, já extinta, tinha sido criada décadas atrás para equilibrar as relações entre o recém criado Banco Central e o Tesouro Nacional.
Por esta brecha o governo central transferiu recursos para a economia de forma descontrolada e discricionária, eventualmente a favor dos amigos do Rei da época, coincidentemente, ajudando a construir o que viria a ser uma grave crise fiscal em nosso país.

Outro ponto de discordância pode ser o tempo.
A decisão governamental de lançar mão da dívida pública para financiar o crescimento veio justamente no momento de inflexão para cima da curva de crescimento.
É evidente que as mesmas políticas públicas agindo dentro de pontos diferentes dos ciclos de expansão/depressão podem gerar efeitos diferentes dos esperados.
No caso acelerar a economia num momento onde ela já está acelerando por conta própria tem implicações futuras e acaba gerando novos problemas e não novas soluções.
Talvez tenha sido uma desesperada necessidade de poder apresentar bons números em 2010, tendo em vista as eleições.
Meirelles deu uma longa entrevista no Valor Econômico, repercutida pelo Portal do CORECON-MG, abordando um pouco as consequências deste tipo de política de doses além da recomendada.

Enfim, o governo errou na origem do recurso e errou no tempo de aplicação do recurso.

Também podemos discordar do uso do recurso.
Ainda deverá haver, em algum momento, uma retomada da função de controle social que o Senado Federal deveria ter sobre as Finanças Públicas. Embora as previsões indiquem um pesado investimento do PT e aliados nas eleições para a casa. Se este dia chegar talvez verificando as operações do banco venhamos a constatar que a instituição está muito mais voltada para os amigos do Rei do que para os compromissos de crescimento. Só isto poderia explicar o financiamento para a compra de carvão na Bolívia com o intuito de tocar as termoelétricas de um empresário nacional muito conhecido nos arraiais – estamos em julho, não é? - do Palácio do Planalto.

Hoje, 9, o Globo, repercutido pelo Noblat, trás matéria sobre a nossa posição entre as nações mais endividadas e, claro, o BNDES volta à baila.
Apenas a matéria fala em 100 bilhões, quando na realidade o valor total poderá chegar a 180 bilhões:
“O maior problema, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, está no fato de a dívida bruta ter subido significativamente entre 2008 e 2009 devido, principalmente, a uma operação para capitalizar o BNDES em R$ 100 bilhões.”
Atualmente ocupamos um orgulhoso terceiro lugar entre os maiores devedores numa relação, organizada pelo FMI, com 27 países emergentes. Com uma dívida bruta de 67,2% do PIB, só perdemos para a Hungria e a Índia.
Nossa referência de conduta, aquilo que queremos sempre ser, segundo o governo, a China, deve 20%.
O Chile, cujo BC foi citado por Serra como exemplo, talvez tenha no seu BC um bom exemplo porque deve espantosos 4,4%.

Em seu texto Mendonça de Barros vai além da questão das finanças públicas e trata da estatização do crédito e de seu subsídio.
Não é difícil ler este processo como um instrumento de um Capitalismo de Estado no seu clássico sentido de aliança entre as castas da tecno-burocracia estatal e setores privilegiados da economia privada.

A bela citação de Mendonça de Barros ao “ovo da serpente” de Bergman é muito feliz.
As “simpatias” governamentais por ditaduras e regimes autoritários, a doutrina do “let it be” com relação à bomba iraniana, indicam o quanto a política externa, a política interna, a economia e as finanças públicas se falam.
Mesmo que eventualmente a gente não consiga escutar.

Aguardemos a entrevista de Mantega minimizando a questão da dívida...

Demetrio Carneiro.