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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MANTEGA: A DIFÍCIL LUTA PARA PERMANECER NO PODER...

Pode ser certo, ou não, que Mantega continue ministro. Mas, sem dúvida alguma, é certo que as promessas de controle fiscal de Dilma viram poeira se ele continuar...

Demetrio Carneiro

Leia mais, abaixo:

Ao substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, Mantega foi mudando, paulatinamente, o perfil das ações adotadas por seu antecessor.

Nesta quinta, em Seul, Lula cedeu o pódio para que seu ministro da Fazenda falasse por quase 20 minutos sobre a ameaça de guerra cambial

Nos quatro dias que passaram juntos, desde a viagem do Brasil, o ministro deixou claro, segundo um interlocutor, que domina todas as informações de sua área e que apoia, como a presidente, um forte papel do Estado na indução do crescimento

VOLPON: EXISTE A TAL GUERRA CAMBIAL?


Por: Tony Volpon

Fonte: Valor Econômico - 11/11/2010

Existe a tal "guerra cambial"?

O termo, lançado inicialmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez sucesso, entrou no discurso do mercado financeiro como parte também das negociações internacionais e deve fazer parte da principal discussão no âmbito da reunião do G-20 na Coreia do Sul. A própria presidente eleita Dilma Rousseff adotou o termo, acusando a China como os Estados Unidos de travarem tal guerra.

Por que uma "guerra cambial"? A expressão somente faria sentido se, no caso atual, a execução da política de expansão do balanço do Federal Reserve (Fed, banco central americano), conhecida como "quantitative easing" - ou "QE2", já que é a segunda vez que os EUA lançam mão desse expediente -, tivesse como única meta a queda do dólar americano. A queda do dólar estaria, então, "roubando demanda" de outras economias que sofreriam com a apreciação de suas moedas.

Nessa visão do mundo nitidamente mercantilista, o crescimento e a demanda teriam "soma zero": se os Estados Unidos saem ganhando, os outros saem perdendo. Nessa situação, enfrentando a "agressão" de uma economia em decadência, mas ainda detendo a "moeda reserva global", vale tudo para proteger a economia local dos malefícios de uma política cambial americana travestida de política monetária.

Essa visão é tanto parcial como carrega nítida contradição. Vamos ver isso examinando os dois possíveis resultados da nova política americana. Se, como acreditam analistas mais pessimistas, essa nova rodada de QE não conseguir impulsionar o crescimento nos EUA, o resultado mais provável em países como o Brasil é uma inflação maior. Como em 2007-2008, a "fuga" do dólar deve levar a uma alta forte nos preços das commodities não inteiramente compensada pela valorização cambial. Mas, ao mesmo tempo, essa alta deve acontecer junto com a queda relativa nos preço das importações devido à continuação da quase recessão externa.

Ante uma conjuntura internacional cheia de riscos, a única iniciativa do novo governo é apoiar a volta da CPMF

Como a pauta das nossas exportações é carregada em commodities e as nossas importações são predominantemente de bens de capital e de consumo, a melhora nos termos de troca da economia brasileira equivale a um aumento da renda real, que deve incrementar ainda mais o investimento e o consumo. Nesse caso, o maior risco não é importar a recessão dos outros, mas sim sofrer maior inflação. As tentativas de segurar o câmbio, impedindo que uma alta do real frente ao dólar ajude a compensar a elevação dos preços das commodities, somente funcionam para aumentar os riscos inflacionários.

E se o QE2 funcionar? Nesse caso teríamos um crescimento maior da economia americana, algo que adicionaria demanda na economia mundial. Tal cenário certamente não poderia ser visto como negativo para o Brasil em termos de renda e crescimento econômico. Os Estados Unidos podem estar "fora de moda" em relação à ascendente economia chinesa, mas pelo seu tamanho é difícil sustentar qualquer recuperação global sem algum crescimento americano.

O que devemos perceber é que o Brasil está bem colocado para enfrentar as consequências do QE2 exatamente porque não se trata de uma guerra cujo resultado é soma zero e pela posição favorável do Brasil na atual economia internacional como exportador de commodities. Se QE2 funcionar, vamos ter uma economia americana em crescimento, importando mais do Brasil, com o dólar americano subindo, aliviando temores de uma sobrevalorização cambial.

Se o QE2 não funcionar, vamos continuar, como agora, a vender nossos produtos ao exterior, a preços ainda mais altos, e importar artigos de consumo e bens de capital mais baratos. O risco nesse caso não é os americanos "roubarem" nosso crescimento, mas haver um excesso de demanda interna, causado pela melhora dos termos de troca e pela intervenção do governo no mercado de câmbio interferindo no necessário processo de ajuste.

Vale a pena os riscos de um aquecimento excessivo da economia para segurar o câmbio? Seria essa a melhor maneira de ajudar nossa indústria a se ajustar ao atual cenário? Somando os custos da "estratégia de guerra" da política cambial atual, focado em fortes intervenções no mercado de câmbio e a imposição de crescentes impostos à entrada de capital estrangeiro, a resposta só pode ser não.

Fora o risco de maior inflação futura, já sentimos hoje em função do IOF a retração do investidor externo no mercado de dívida local, o que tem elevado as taxas de juros de longo prazo e impedido o Tesouro Nacional de colocar títulos de maior prazo em seus leilões. O trabalho de alongar o perfil da dívida federal está em risco por causa de uma política cambial mal elaborada. E isso quando o Brasil entra em um período em que deseja implementar forte agenda de investimentos, que somente serão executados com a ajuda do capital externo dada a baixa propensão a poupar como o contínuo e crescente déficit fiscal, que hoje tem uma da suas principais origens no custo da intervenção no mercado de câmbio.

Devemos ter em mente que a queda do dólar americano ou é temporária (no caso de QE2 ser um sucesso) ou é algo inevitável (caso seja um fracasso). A resposta da política econômica correta, no caso mais pessimista da eventual falha do QE2, é trabalhar para ajudar a indústria a se adaptar, aumentando sua produtividade e competitividade. Por causa disso, ficamos perplexos em ver que, exatamente quando temos tantos desafios pela frente dado uma conjuntura internacional ainda cheia de riscos e incertezas, a única iniciativa concreta do novo governo parece ser apoiar a volta da CPMF, imposto em cascata que afeta mais negativamente a indústria por causa da longa corrente de produção. IOF e CPMF são certamente as armas corretas para o Brasil perder essa guerra mal pensada.

Tony Volpon é chefe de pesquisas das Américas do Nomura Securities International, Inc.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

QUE SERÁ, SERÁ...



Algumas coisas que vão ocorrendo estes dias e acabam nos deixando apreensivos.

Andei pensando em escrever um comentário com o nome Que será, sera... Na letra original, em inglês, abaixo, os termo são Whatever will be will be. Algo como: O que tiver que ser, será. E: What will be, will be: O que será, será.

Confiram, no Youtube, a cara Doris Day quando canta a frase Que sera, será... É puro desespero. Tem tudo a haver com o clima.
Por acaso o filme, de onde retiraram o trecho musical, chama-se The Man Who Knew Too Much : O homem que sabia demais. Digamos que foi mera coincidência

Perante essa quase que certa vitória de Dilma a aflição musical de certa forma se impõe. E está muito longe de ser o terrorismo alegado pela candidata. Está mais para atitude precaucional de quem já se queimou algum dia.

Essa notícia sobre os vazamentos da Receita é meio assustadora. É assustadora a tranqüilidade de Lula naquele famoso estilo que já vimos em outras horas críticas, tipo “o que é que tem?”. Assustador o descompromisso da instituição Receita Federal e de seu responsável, aliás cria petista. Assustador o tamanho da rede que os fatos só fazem ampliar. Começou num arranca rabo interno da altíssima cúpuda que comanda a campanha de Dilma, chegou até uma agência da Receita e que é evidentemente local das mais variadas operações criminosas, seja crime político ou crime organizado. Agora estacionou em outra agência da Receita e envolve uma nova variedade de crime. Não são mais senhas “esquecidas” sobre mesas. Agora é falsificação de documento público. Providencialmente o falsificar “não lembra do cliente”.

Surpreende que alguém ainda possa sugerir, como fez o presidente, que a Receita Federal tem condições morais ou éticas de investigar os vazamentos. Parece que ninguém quer se dar contar da cadeia de responsabilização.
Hoje, 1°, o líder de governo disse que Mantega não precisaria depor no Senado Federal sobre o tema, “pois não tem nada a haver com isso”. Engana-nos o Senador Jucá. Tem sim. O ministro é o responsável direto pelo que ocorre na Receita.
Da mesma forma que surpreende Lula dizer que “não pode fazer nada”. Não pode porque não quer fazer nada, porque não que apurar nada, porque já sabe aonde a apuração chegará. Aonde chegaram as outras: Pouco antes das portas de seu gabinete.
Lula que é o mesmo “cara” que não vacilou em desrespeitar as leis ou desmoralizar uma alta corte judiciária para promover e empurrar guela à baixo da nação a “sua” candidata, agora se coloca em atitude suposto respeito às instituições?

Repito o que já disse antes: Vivemos um processo eleitoral fraudado e viveremos uma presidência imposta pelo poder de governo no mais batido estilo “velha república”.

Foram pegos mais uma vez com a mão na butija.
Não bastou o peso econômico, o aparelhamento, a compra descarada de aliados, as alianças com o que existe de mais atrasado na política brasileira, a participação direta e ilegal do presidente na pré-campanha. Não foi suficiente.
Tentaram ainda o caminho da difamação e da chantagem. Mas também nos levaram à conclusão óbvia de que há conexões entre esse grupo e o crime organizado. É o que o “destampe” das operações na agência de Mauá irá mostrar. Certamente.

Perante tudo isso é que fica essa indagação sobre o futuro: O que viveremos num governo Dilma? Iremos como a Doris Day ficar no piano cantando com cara de desesperados?
Se a candidata não pretende, digamos assim, vestir a carapuça, como já vestiu Lula, deve vir a público imediatamente e defender não apenas uma investigação independente, que, nessa altura deveria ser feita fora da estrutura de governo, mas a punição exemplar de quem já tem que ser punido, como é o caso do responsável direto pela Receita Federal.

Uma questão: Esses fatos colocam em risco um princípio constitucional de direito. As operações foram organizadas de dentro de uma estrutura de governo. Não é hora de levar essa questão para o Supremo e não para o tribunal eleitoral?

Demetrio Carneiro


Que Sera Sera


When I was just a little girl
I asked my mother what will I be
Will I be pretty
Will I be rich
Here's what she said to me
Que sera sera


Whatever will be will be
The future's not ours to see


Que sera sera
When I was just a child in school
I asked my teacher what should I try
Should I paint pictures
Should I sing songs


This was her wise reply
Que sera sera
Whatever will be will be
The future's not ours to see
Que sera sera


When I grew up and fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will there be rainbows day after day
Here's what my sweetheart said
Que sera sera
Whatever will be will be
The future's not ours to see


Que sera sera
What will be, will be
Que sera sera...