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sexta-feira, 30 de março de 2012

ONDE FALHA A INTENÇÃO BRASILEIRA NO BIO COMBUSTÍVEL

Em entrevista dada pelo presidente da Embrapa, Pedro Arraes, sobre a produção brasileira de biocombustível algumas peças do quebra-cabeça da produção de biocombustível brasileira são postas na mesa. O termo é quebra-cabeça mesmo, já que fica difícil explicar as razões pelas quais um país que tem todos os elementos para produzir biocombustível em escala não o faz.

Bom registrar que a matéria da agência estatal Agência Brasil, e repercutida pelo InovaçãoTecnológica, abre avaliando em específico a produção de biocombustível na zona do Semiárido nordestino. Lembrando que a iniciativa de Lula foi hiper-super dimensionada pela mídia como uma espécie de projeto de profundo impacto social e perfeita integração com os propósitos de uma economia verde, gerando empregos verdes. Uma iniciativa louvável em todos os sentidos. Segundo a própria matéria quatro anos depois não aconteceu nada de relevante. Uma situação típica dos mirabolantes de delirantes projetos do PAC. É disto que trata a entrevista, desvendando uma parte do uso manipulatório das informações. Mesmo que obviamente não fosse esta a intenção tanto do editor como do entrevistado.

O presidente da Embrapa reforça um desalinhamento entre a produção e o fornecimento dos insumos como um importante fator.

Assinala que não teria se dado por maldade, mas por pressa em resolver o problema. “A velocidade da política nem sempre é a velocidade da técnica”, teria mencionado.

"Não acredito que seja má intenção, é a vontade de resolver um problema. A Embrapa é vendedora de sonho. Então, às vezes a gente vai ao local e fala com uma plateia e a pessoa toma aquilo como pronto e já vira verdade, e não é feito estudo econômico, de sustentabilidade, social," explicou em outro trecho da entrevista. Enfim, vender sonhos é o papel de todo centro de pesquisa. Comprar sonhos e vendê-los como realidade empresta ao governo uma outra definição bem diferente...
Postas as coisas desta forma só resta comentar que o inferno está cheio de boas intenções e que o estelionato eleitoral não é bem uma delas.
Faltou ao entrevistado mencionar que outro       sonho atravessou na avenida da política o sonho do biocombustível: O Pré-Sal e seus bilhões de reais de impostos, milhares de empregos etc. Da mesma forma que Lula foi flexível o suficiente para mudar o objetivo de seu segundo PPA, 2007-2011, de Qualidade na Educação Básica para o famigerado PAC, mudamos, e mais ou menos no mesmo período, de biocombustível para o velho e conhecido petróleo e sua cadeia produtiva por conta do Pré-Sal.
Deixar nas mãos da Petrobras, completamente instrumentalizada e vocacionada para extrair, processar e vender o óleo do Pré-Sal, a questão dos biocombustíveis foi um erro. Dobrado quando se olhou para o álcool combustível e o açúcar como fontes alternativas de renda de exportação de commodities.
Quer dizer, houve ma fé sim, mas o problema foi piorado pela mudança da estratégia governamental. Noves fora não sobra nada! E continuará não sobrando enquanto for o projeto geral for o que é e tiver a qualidade que tem.
Demetrio Carneiro

Biodiesel: Política atropelou tecnologia, diz presidente da Embrapa
Com informações da Agência Brasil - 20/03/2012
Vendedores de sonhos
Cerca de quatro anos após o governo estimular intensamente a produção da mamona e do pinhão-manso para fabricação de biodiesel, como forma de resolver o problema de renda dos produtores do Semiárido nordestino, o projeto ainda não vingou.
Segundo Pedro Arraes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), houve uma precipitação em se lançar programas antes de um estudo completo sobre a viabilidade econômica, de sustentabilidade e social, além de pesquisas mais avançadas.
"A velocidade da política nem sempre é a velocidade da técnica", disse.
Para Arraes, as políticas públicas precisam respeitar o tempo da pesquisa.
"Não acredito que seja má intenção, é a vontade de resolver um problema. A Embrapa é vendedora de sonho. Então, às vezes a gente vai ao local e fala com uma plateia e a pessoa toma aquilo como pronto e já vira verdade, e não é feito estudo econômico, de sustentabilidade, social," explicou.
Mamona, pinhão-manso e dendê
No caso da mamona, ele explicou que um dos problemas foi a falta de capacitação dos pequenos agricultores para tirar a toxidade da planta.
"Falaram assim [para os agricultor]: você planta mamona que vai produzir. Não se combinou com os maiores atores, que são os pequenos produtores. Às vezes, essas políticas vêm de cima, como se tudo tivesse resolvido, e não está", acrescentou.
No caso do pinhão-manso, o problema se repetiu.
"Trouxeram uma planta que é silvestre e disseram que ia resolver o problema do Brasil. Tem gente que plantou 2 mil hectares e está abandonada. Não trabalharam a qualidade do óleo, a maturação [da planta] é totalmente desuniforme, como vai colher isso aí?" indagou Arraes.
Um exemplo de programa bem estruturado, segundo ele, é o do dendê para a produção de óleo.
"Esse é um programa que nasceu com política de crédito associada à técnica e ao zoneamento", disse.
Segundo o presidente da Embrapa, os produtores de dendê da Região Norte se associaram e fecharam contratos com empresas que se comprometeram a comprar todo o produto.
Arraes destacou ainda os estudos sobre combustível florestal.
Segundo ele, o metanol da madeira pode ser uma alternativa, principalmente para os pequenos produtores, onde a agroenergia ainda é tida como desafio.
"Temos uma palmeira, a macaúba, que é de terras altas, tem 40% de óleo e é bastante rústica. Esta pode ser uma alternativa interessante para o pequeno produtor. Mas, ainda está sendo estudado. Depois que acharmos a tecnologia, temos que pensar em que território [o plantio] é viável, que tipo de organização será necessária e qual link com a iniciativa privada precisa ser feito para você esmigalhar isso", declarou.
Agricultura mais verde
Outro assunto abordado pelo presidente da Embrapa é o que ele chamou de "uma agricultura mais verde".
Segundo o presidente da estatal, Pedro Arraes, a contribuição da Embrapa para o projeto de sustentabilidade do setor, é, principalmente, oferecer subsídios científicos que permitam ao país ter clareza do que é a agricultura brasileira e de como funcionam seus sistemas produtivos.
A ideia é aproximar os estudos tecnológicos voltados para agricultura às metas de sustentabilidade ambiental definidas pelo governo federal.
"A gente tem que fazer esse inventário das tecnologias, com critérios científicos de sustentabilidade. O papel fundamental da Embrapa é colocar ciência nessas discussões, oferecendo parâmetros e ferramentas para que o produtor faça a escolha dele, pensando o ganho que pode ter a mais preservando água, por exemplo, e abrindo mercado para sustentabilidade nas três dimensões [social, econômica e ambiental]", destacou Arraes.
Nos últimos anos, a empresa tem sido alvo de críticas feitas por setores que questionaram os impactos de estudos polêmicos, como é o caso dos transgênicos.
Por outro lado, especialistas apontam a Embrapa como uma das grandes responsáveis pela poupança de recursos naturais do país.

quarta-feira, 28 de março de 2012

EXEMPLO DE AÇÃO ESTRUTURANTE NO PLANEJAMENTO DE ENERGIA RENOVÁVEL

Abaixo o link, em inglês, de uma notícia repercutida pelo Aldeia Comum hoje, 28. Basicamente é uma nota do Center for Coastal Monitoring and Assessment-CCMA (1) relatando o resultado final de um estudo sobre o oceano imediatamente à frente do litoral do estado de Nova Yorque.

Pelo que é possível deduzir foi uma demanda do governo daquele estado americano com o objetivo de avaliar a possibilidade de uso do oceano frente à costa do estado para a produção de energia alternativa.

Em terra há um forte debate sobre a interferência dos “ventiladores”dos geradores de energia eólica na migração de pássaros, stress por ruídos de baixa frequência etc.  Evidentemente aqui no Brasil não se debate essas coisas.

Também já relatamos que há um intenso debate sobre o uso de energia eólica nos oceanos. A lenda dizia que as populações locais seriam contra aqueles ventiladores instalados na linha do horizonte. De fato eles ficam a cerca de 5 quilômetros do litoral, o que seria mais ou menos na linha do horizonte de um observador nas praias, por exemplo. Na realidade todas as pesquisas de opinião demonstram claramente o contrário.

Aqui no Brasil a novidade são os grupos “anti-imperialistas” que agora afirmam que o conceito de Energia Verde/Economia Verde é uma produção das indústrias do Centro Capitalista para mais uma vez gerar esquemas de espoliação das pobres populações abaixo da linha do Equador. Evidentemente a China e a Índia, que desenvolvem indústrias autônomas, também estão nesta conspiração do mal contra nós inocentes criaturas tropicais.

Seja como for o estudo do CCMA é um extenso e científico balanço dessas possíveis aplicações e uma avaliação ambiental que oriente o planejamento quanto às implicações ambientais.

Com nossa costa de mais de 8 mil quilômetros poderíamos estar produzindo estudos semelhantes, principalmente na a alimentação de energia elétrica para pequenas cidades e aldeias do litoral, tendo em vista os custos de implantação e manutenção da transmissão de energia elétrica. O mesmo pode ser dito no que se refira a alguns rios largos como o Amazonas, evitando o uso das famo$a$ centrai$ termoelétrica$.

Infelizmente como gostamos mesmo é de “samba, cachaça e futebol” nossos ilustríssimos governadores e a presidente preferem gastar o NOSSO dinheiro construindo estádios para vender cerveja e encher as burras da AMBEVE e da FIFA. Claro que igualmente encher os bolsos de alguns “amigos”.

(1)Seria algo como Centro para o Monitoramento Costeiro e Avaliações. O CCMA é parte da estrutura da NOAA – National Oceanic and Atmosferic Administration, a agência americana para oceanos e atmosfera. Aquela que aparece em todos os filmes de ficção científica sobre as mudanças climáticas.


Demetrio Carneiro, 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

RIO + 20: A POSIÇÃO EQUIVOCADA DO GOVERNO BRASILEIRO

"...não é sensato continuarmos a depositar uma confiança ilimitada no sucesso adaptativo da nossa espécie. Estamos, pois, confrontados com escolhas difíceis, mas necessárias, quanto aos valores éticos e sociais, estilo de vida e padrões fundamentais de produção e consumo dos bens, se não quisermos comprometer a nossa permanência na Terra ao longo do tempo."
Henrique Schwarz - Perspectivas Ecológicas em Economia


Com praticamente nenhum repercussão na mídia brasileira vem sendo realizada no Kênia, África,  de 21 à 24 de fevereiro, a 26ª seção conjunta do Conselho de Governança e do Fórum Ministerial Global para o Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. 

A ONU repete o modelo de debates que antecedeu a Rio 92 e deu origem ao Relatório Brundtland,  documento preparatório daquele evento: Nosso futuro comum. O eixo central do relatório pode ser resumido nesta frase: "O desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.", que reflete a necessidade de compromisso entre o desenvolvimento e a sustentabilidade ambiental. É a partir deste relatório que o conceito de desenvolvimento sustentável ganhou a mídia e foi implementada a condição de se considerar que o crescimento da economia pode sim ter reflexos graves e eventualmente irreversíveis no meio ambiente afetando o direito das gerações futuras.

Desta vez, agora tendo em vista a Rio+20, o documento principal foca a necessidade de implementar a economia verde como forma de garantir que a sustentabilidade ambiental seja uma meta exequível. 

E ai começam os problemas. Agora pela manhã, sua coluna diária na CBN sobre Ecopolítica, o comentarista Sérgio Abranches mencionou exatamente a reunião que está ocorrendo no Kênia. Segundo Abranches a posição do governo brasileiros está alinha com outros países em desenvolvimento e questiona o conceito de economia verde, defendendo que a a Rio+20 seria uma conferência sobre o tema do desenvolvimento.

Há um evidente equívoco na posição do governo brasileiro já que a ligação entre economia verde, proteção ambiental, desenvolvimento e crescimento é total. Não há mais condições de discutir desenvolvimento sem que se discuta qual impacto a aplicação do atual modelo da economia do carbono e da predação ambiental geram na questão ambiental e no direito das futuras gerações. 

Conforme comentávamos em outro post, com referência ao presidente americano Obama, a questão do emprego e do crescimento não pode ser vista descolada da preservação ambiental. O argumento feito em nome da equidade é falso, pois minimamente retira o direito das gerações futuras. Ou seja, minimamente a predação ambiental afeta a equidade intergeracional. 

Do ponto de vista da equidade dentro desta geração o argumento também é falho, pois no caso brasileiro, por exemplo, há questões fundamentais para garantir essa equidade e o emprego que ficam estacionadas como por exemplo a regressividade de nossa estrutura tributária, a forte desigualdade do sistema previdenciário e até mesmos as questões de infraestrutura impeditivas da expansão do emprego ou a falta de transparência no uso dos recursos públicos, corrupção, patrimonialismo etc.

Nosso problema é que é mais fácil pra o poder dominante ficar no jogo de mídia fazendo uma suposta defesa do nosso "direito" de poluir e predar mais, o que no fim do dia não nos leva a bulir com o atual modelo de produção e consumo, não afetando assim a zona de conforto das Elites. 

Lidar à sério com economia verde, preservação ambiental, capital humano e social interfere na estrutura de poder e abala a zona de conforto. Dá para entender por quais razões o Brasil é contra o documento.

Demetrio Carneiro

terça-feira, 1 de março de 2011

VOCÊ TEM CARRO FLEX?

Se você está na faixa dos 30 anos deve ter passado boa parte da infância e da juventude embalado pela leitura da economia verde, do combustível verde, do combustível alternativo ao petróleo. Você até deve ter comprado um carro flex.
Pois é? Para quê?
O preço do álcool combustível simplesmente não bate com a lógica.
Uma pergunta: A processo de instalação estruturas de produção do álcool combustível foi totalmente subsidiado. E agora?
Nas mãos da Petrobras mais interessada em vender o petróleo há futuro nisso?


Demetrio Carneiro

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O CRASH DO DÓLAR , AS AÇÕES PONTUAIS DAS NAÇÕES: ECONOMIA VERDE É PARA DEPOIS.

O Tony havia falado lá no início da crise, num texto de 2009, sobre necessidade de mudança dos paradigmas de produção & consumo na economia mundial. O discurso de Obama, de ontem, é a aceitação da necessidade de inversão desses paradigmas. Ou, pelo menos, é uma inversão controlada pelo contexto político e social interno.

O State of the Nation de Obama reconheceu explicitamente a decadência do império americano e soa como um clássico discurso desenvolvimentista, mais comum entre emergentes. O governo americano não tem se furtado a promover ações que vão na direção de defender seus interesses e entre elas está a depreciação do dólar como instrumento de defesa, barateando as exportações e encarecendo as importações. Lá trás o buy America já tinha anunciado para onde as coisas caminhavam.

Seria uma ação muito natural partindo de uma país que quer superar todas as suas dificuldades em meio à problemas, como a questão das hipotecas, quase que insolúveis. Em se tratando de um país cuja moeda é referência do comércio internacional a coisa complica muito, pois quando os americanos depreciam sua moeda complicam de forma apreciável a vida dos países que têm na exportação uma atividade importante. Os que, como nós, exportam commodities ainda podem se beneficiar, por enquanto, da bolha especulativa. Os que, como o Japão ou segmentos internos brasileiros da indústria armada para exportação, dependem da exportação de industrializados têm e terão problemas. O primeiro ministro japonês já fala abertamente em medidas do Banco Central para conter a apreciação da moeda nacional.

É o Trilema de Rodrik em ação. Fica muito difícil alinhar interesses nacionais e comunidade internacional, sob a pressão política interna dos eleitores.

Estamos vivendo um período de reordenação que vai mais além do que a emergência de um mundo multipolar. O mundo multipolar é a consequência do desmonte do modelo bipolar que iniciou com a dissolução do bloco socialista. A competição entre os blocos foi um poderoso motor de crescimento do lado do bloco ocidental. Encerrada a fase competitiva a necessidade de ampliação da reprodução do capital gerou as bolhas especulativas alimentadas pelo consumismo levado ao seu limite. Enquanto a política de competição de blocos tinha um quê de estabilidade econômica no longo prazo, a produção de bolhas especulativas é um modelo instável, muito semelhante às bolhas de sabão: Crescem, se multiplicando rapidamente em ações laterais até o estouro.
Comparando a estabilidade do mundo bipolar com o mundo das bolhas e da transição é fácil entender que um personagem do peso de Eric Hobsbawm tenha considerado como melhor época do capitalismo justamente o período pós-guerra.

A feição real deste mundo ainda não está clara. Por enquanto estamos, ainda, na fase do “cada-um-por-sí-e-deus-por-todos”.
Também não está claro qual será o “novo motor” do crescimento mundial. Tempos atrás parecia que as questões mais diretas de sobrevivência da humanidade e o desafio do aquecimento global iram colocar em evidência a nova economia, a “economia verde” e que nela estariam os elementos de constituição do novo motor. Contudo o modelo atual, naturalmente, resiste e o discurso de Obama mostra isso bem claro. É esta a ficha que ainda não caiu.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 24 de junho de 2010

BRASIL: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E PROGRAMA DE GOVERNO

Abaixo uma rápida entrevista com o Deputado Federal, por São Paulo, Arnaldo Jardim, coordenador do Grupo de Eficiência Energética da Comissão de Minas e Energia e representante do PPS na Comissão que cuida da formulação do programa de governo de Serra.
Neste momento onde é necessário um debate mais aprofundado sobre o desenvolvimento que queremos e suas particularidades o deputado aponta a questão da eficiência energética como um dos assuntos mais relevantes se pensarmos em termos de uma economia sustentável.

Demetrio Carneiro



AB – Há muito desperdício de energia em nosso país?
AJ - O Brasil desperdiça muita energia, mais de 15 bilhões/ano segundo pesquisa divulgada durante o 7ª Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE), do qual participei. Há tempos tenho dedicado atenção ao desafio de transformar este desperdício em oportunidades. Necessitamos de mais energia para sustentar nosso crescimento e o melhor caminho, sem comprometer ainda mais os nossos recursos naturais, é a economia, a eficiência!

AB – Se o problema é tão amplo, não existe uma política pública que lide com esta questão?
AJ - Como coordenador do Grupo de Eficiência Energética da Comissão de Minas e Energia, da Câmara dos Deputados, entendo que “é melhor racionalizar o uso da energia de que dispomos, a energia mais barata e ambientalmente correta é aquela que não precisamos gerar”. Assim, defendo a definição imediata de uma Política Nacional de Eficiência Energética.

É necessário formular um marco regulatório capaz de impulsionar políticas públicas que possam “premiar a eficiência”, tais como:

Estabelecer os chamados Contratos de Performance no setor público, por meio de reformulação da Lei 8.666 (que trata de contratos e licitações públicas);

Impulsionar a inovação tecnológica (ex.: Smart Grid – tecnologia remota para controlar aparelhos em casas dos consumidores para economizar energia, reduzir custos e aumentar a confiabilidade e transparência);

Aquecer o mercado de “Green Buildings” (prédios sustentáveis);

Além de disseminar práticas cotidianas de racionalização de energia e consumo de água para a população.

AB – E o congresso sobre eficiência propriamente dito?
AJ - Vale destacar que representantes das principais candidaturas à Presidência da República estavam presentes no congresso, o que demonstra a importância estratégica do tema.
Como um dos formuladores do programa de governo de José Serra e entusiasta da Economia Verde, destaquei a lei estadual paulista de mudanças climáticas que vai impor à necessidade de ganhos de eficiência em todos os setores da economia, a instalação de aquecedores solares em novas moradias da CDHU, além do uso do poder de compra das instituições públicas para privilegiar produtos/empresas que estejam compromissadas com a eficiência energética.
Na ocasião, também defendi a etiquetagem de produtos/empresas como critério para orientar as concessões de financiamentos/isenções fiscais pelo setor público, a exemplo do que foi feito com a redução do IPI da linha branca, produtos estes que a partir do próximo ano terão de atender normas mais rígidas de economia de energia segundo nova determinação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial).
Também destaquei a proposta das “Usinas Virtuais” – o potencial de energia acumulada e que se torna realidade a partir da eficiência energética. Para este último, seria necessário, inclusive, criar um mercado de contratos de ganho em eficiência energética, a exemplo do que já acontece na comercialização dos créditos de carbono estabelecidos pelos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas no combate as mudanças climáticas.

AB – Alguma observação final, deputado?
AJ - Em suma, disseminar projetos de energia eficiente é o melhor caminho para aumentar a competitividade do País, além de proporcionar redução de emissão de poluentes e de impactos ambientais e sociais.
Estou certo que a eficiência energética vai desempenhar um papel estratégico na nossa matriz energética.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ENERGIA VERDE: QUESTÃO DE OPORTUNIDADE E SENSO


O texto abaixo é do site Canoe do Canadá.
Achei interessante traduzi-lo. Alguns dias atrás publiquei aqui um outro texto sobre a lei 150 da província de Ontário. Ambas as questões interagem e demonstram como o Canadá vem se preparando para enfrentar a questão da mudança dos paradigmas.
De um lado a lei se preocupa em fornecer elementos institucionais para criar uma forte estrutura capaz de pesquisar, desenvolver, produzir e comercializar equipamentos de energia elétrica alternativa. Contudo não fica por ai e trata mesmo da estratégia de distribuição e comercialização da energia verde. Do outro lado são as entidades empresárias canadenses procurando ocupar os espaços disponíveis de mercado.

No evento de BH esta semana uma das questões discutidas foi justamente o ambiente institucional e de investimentos para que outros formatos de energia verde além do hídrico sejam estimulados em nosso país.
Estamos frente a uma “janela de oportunidade” que envolve um potentíssimo mercado local e mundial. Alguém irá ocupá-la.
Já estivemos frente a outras janelas em nossa história. Outros ocuparam.
Como será dessa vez?

Demetrio Carneiro


A ENERGIA EÓLICA OFERECE OPORTUNIDADES AO CANADÁ

La Presse Canadienne

A expansão do mercado de energia eólica apresenta “consideráveis ocasiões” para os fabricantes canadenses, mas medidas devem ser tomadas imediatamente se o Canadá deseja ser capaz de estar em condições de concorrer, indica um relatório tornado público na quarta-feira.
O estudo realizado conjuntamente pela Associação Canadense de Energia Eólica(CanWEA) e Manufatores e Exportadores do Canadá(MEC) pede uma melhoria na comunicação entre os intervenientes para que se conheça melhor as oportunidades que se oferecem para o setor eólico no Canadá; facilitar as relações entre organizações e empresas; desenvolvimento de competências com vistas a melhorar a gestão das operações e as capacidades técnicas das empresas com o fim de que elas possam otimizar as ocasiões de parceria e os objetivos estratégicos que permitam desenvolver de forma durável uma cadeia produtiva canadense.

No curso da última década a capacidade mundial eólica teve uma taxa de crescimento anual de 25 por cento, indica-se no comunicado. Comparativamente o crescimento americano no curso dos últimos cinco anos ficou em torno de 30 por cento.

Os investimentos mundiais no setor devem ultrapassar um bilhão de dólares daqui a 2020, gerando uma capacidade instalada de 600 mil MW.

O presidente da CanWEA, Robert Hornung, explicou que a energia eólica constitui uma ocasião única de criar novos empregos verdes no setor canadense de empregos industriais e, simultaneamente, de encorajar a inovação de conceitos e a própria tecnologia do país. Coloca também uma linha de defesa contra a feroz concorrência dos EUA.

No Canadá a energia eólica constituirá uma das bases da produção de eletricidade facilitando um rápido crescimento já que os governos procuram meios de responder à crescente demanda de energia, reduzir as emissões de carbono e estimular o desenvolvimento rural e industrial.

Novas instalações eólicas, gerando uma potência de 950 MW, foram implantadas em oito províncias ao longo do último ano, colocando o Canadá no 9º lugar no que concerne à capacidade instalada.

Em 2009 os novos desenvolvimentos do setor de eólicos representaram um investimento de mais de 2,2 milhões de dólares, aumentando a potencia instalada total para 3.319 MW. A potência instalada hoje é de 3.426 MW.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ENERGIA VERDE: A LEI 150 DE ONTARIO

A Rainha da Inglaterra sancionou recentemente uma lei aprovada pela província canadense de Ontário. Trata-se da lei de nº 150, Green Energy Act, ou Lei da Energia Verde.

Há um portal que trata do assunto: Green Energy Atc Alliance, Aliança pela Lei de Energia Verde, que é o resultado da ação comum de 11 diferentes entidades da província ligadas à questão da energia verde. São estas entidades que conseguiram levar à frente o debate a garantir a aprovação da lei.

Para uma panorâmica da lei abaixo um texto comentando manifesto em sua defesa, lançado no final do ano passado. A comentar que a lei aprovada não fugiu do espírito da proposta.

Não pretendo ficar aqui me alongando nesta questão das inovações, economia verde etc...Nesta altura acho que é auto-evidente. O problema está em fazer e não em debater. Talvez essa ação positiva e bem finalizada possa servir de inspiração.

Demetrio Carneiro

Proposta de Lei da Energia Verde

Em 10 de dezembro no Queens Park, em Toronto, um projeto de proposta para a lei da energia verde em Ontário foi lançado com o título: "Uma lei para a concessão de prioridade para as fontes renováveis de energia para administrar as alterações climáticas globais, proteger o ambiente e simplificar as certificações". Algumas das questões sobre as quais o projeto incide incluem:

* Aquisição de energia verde
* Financiamento da energia verde.
* Energia comunitária.
* Envolver as tribos indígenas e comunidades Métis*
* Atualização da rede e evolução
* Conservação
* Proteger o meio ambiente

Uma forte ação é necessária para fazer de Ontário o líder mundial no desenvolvimento de energias renováveis, limpas e conservação da energia distribuída, criando milhares de postos de trabalho, prosperidade econômica, segurança energética e proteção climática.

Os organismos públicos, comunidades indígenas, corporações e contribuintes compartilham um interesse comum na produção de eletricidade que garanta a adequação, segurança, sustentabilidade e confiabilidade do fornecimento de eletricidade em Ontário. Através de um planejamento responsável e inovadora de gestão de recursos e de eletricidade, de fornecimento e demanda, as necessidades das gerações presentes e futuras poderão ser atendidas.

O objetivo desta lei é facilitar o desenvolvimento de uma economia de energia sustentável que:

* Proteja o ambiente enquanto racionalizar e melhorar o processo de planejamento ambiental e aprovações
* Mitigar a mudança climática
* Envolver as comunidades e construir setor industrial verde de porte internacional
* Permitir que todos os ontarianos possam participar e se beneficiar da energia verde, seja como conservadores ou geradores desta, com o menor custo para os consumidores.

Nós queremos fazer esta lei para todos cidadãos de Ontário, por isso depois de ler o documento, envie-nos seus comentários e sugestões!


*Os Métis, uma população resultante da miscigenação entre os primeiros colonizadores e mulheres indígenas, são considerados uma nação aborígene à parte.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O DRAGÃO DA MALDADE NEOLIBERAL CONTRA A SANTA GUERREIRO

O texto que esta abaixo é uma matéria típica da atual conjuntura: Feita para desconstruir imagem.
Independentemente de qualquer coisa chamar o Serra de “neoliberal” é, no mínimo, desinformação. A matéria reflete a vontade do autor de colar a imagem de Marina na imagem do Serra e “queimar” ambos como linha auxiliar do “neoliberalismo”. A mesma montagem já havia sido feita no Estado de São Paulo alguns dias atrás, numa entrevista dada pelo vice da chapa de Marina. 

É o dragão da maldade neoliberal contra a santa guerreira!
Existe ai uma questão cultural complicada, mas muito pedagógica: Tudo que não for de “esquerda” automaticamente é de “direita”. Tudo que for de direita automaticamente é “neoliberal”. Seja qual for a proposta de Marina, como é um empresário o seu vice isso ofende o código “de esquerda” e dá origem a essas avaliações, digamos usando um termo acadêmico, atravessadas. O vice de Lula pode ser empresário, pois o governo “é do povo”

O Chico Grazziano algum tempo atrás escreveu um belo trabalho sobre economia e meio-ambiente. Foi a linha do que o Serra falou em Copenhague. É muito semelhante a como vemos, ou deveríamos ver, as coisas. Na realidade, entre o trabalho do Chico, a posição de Marina há convergências: A economia mundial está se reorientando em função das novas demandas geradas pelos impactos ambientais do atual modelo de desenvolvimento. Isto valoriza outro modelo de desenvolvimento que não o atual. É nisso que o programa do PT é “atrasado” e superado. Ai está o simbolismo do PV ao colocar como vice um empresário atuando num segmento que lida com a questão do meio-ambiente de forma positivamente interativa.

O grande problema não vai estar na avaliação, que como vimos é convergente, ao menos em parte, ele vai estar é no como produzir, realizar esse modelo.
A indústria brasileira é toda focada no modelo, digamos assim, carbono-intensivo. Isso implica em uma mudança radical de perfil. Embora tenhamos os germens da nova indústria presentes na nossa economia. O estado do Paraná é o exemplo. Como administrar essa mudança num estado como são Paulo, por exemplo?

O Almirante Flores tem um ótimo texto, publicado às vésperas da Conferência de Copenhague, onde coloca justamente a enorme dificuldade de trazer para o mundo real essas propostas em função dos interesses políticos conservadores voltados para não mudar os atuais paradigmas. Que político arriscaria tratar de assuntos que ferissem os interesses corporativos da indústria tradicional?
Desse ponto de vista o projeto petista está fundamente articulado com os segmentos “conservadores” em termos de paradigma. Não tem outra forma de encarar e permanente defesa da desvalorização do real como forma de “proteger” a indústria nacional e melhorar a sua capacidade competitiva, quando a nossas respostas deveriam ser as mesmas da China: Investimento na “economia verde”.

Saudações
Demetrio Carneiro


Fonte: Blog do Noblat

Desde o fim oficial da ditadura, em 1985, o Brasil já se deparou com pelo menos dois candidatos (Collor e Lula) que se apresentam como novidades, mas no poder repetiram e aprofundaram as opções de seus antecessores.
A candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República segue a mesma rota. Com uma diferença, apenas. Ela não esperou ser empossada para repetir o mantra “esqueçam o que eu dizia” (cuja origem foi o “esqueçam o que eu escrevi”, de FHC).
A meses da eleição, diz para quem tiver vontade de ouvir: eleita, ela manterá as três principais opções que conformam a macroeconomia desde 1994.
São as opções que agudizaram algumas das maiores crises ambientais e sociais que vivemos e que radicalizam relações nada republicana entre o Estado e alguns dos agentes econômicos que se beneficiam amplamente dessa gestão enviesada da economia.
Na semana passada, durante o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental realizado em Cuiabá (MT), Marina reafirmou suas opções e afirmou que “Vou manter as 'conquistas' dos últimos 16 anos”.
Por “conquistas” entenda-se as medidas que impedem o País de se desenvolver e que foram preconizadas pelo ex-Ministro da Fazenda tucano Pedro Malan, e radicalizadas pelo lulista Henrique Meirelles, atual presidente do BC.
As três promessas da senadora verde já formavam a coluna vertebral da economia no bi-mandato de FHC.
Em parte, foram aprofundadas no igualmente bi-mandato de Lula. “Soberania do Banco Central, metas de inflação e superávit primário”, prometeu a política acreana.
Nem é necessário ler o restante de suas propostas porque as três primeiras inviabilizam todas as demais e travariam o desenvolvimento do Brasil caso a senadora chegue ao poder.
O grave destas idéias não é o perigo de Marina pô-las em prática caso vire Presidenta (a senadora ainda tem poucas chances de vitória – pelo menos na eleição de 2010).
O grande problema reside no fato de que a seringueira que criou para si o mito de herdeira do legado de Chico Mendes, formou-se politicamente numa perspectiva moderna de esquerda (incorporando a preocupação com o meio ambiente) e que até certo ponto opôs-se a obras controversas quando era ministra do meio ambiente, aos poucos passou a defender os projetos contra os quais se opunha (transgênicos, usinas na amazônia, transposição).
E, agora, opta por um modo de administrar o Brasil que, ao retomar práticas tucanas e petistas, inviabiliza a proteção ambiental e o resgate da enorme e dramática dívida que o Brasil tem com seus próprios nacionais.
Essas medidas sempre foram receitadas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Federal Reserve (o BC dos EUA) para formar um sistema de garantias aos especuladores.
As economias nacionais deixam assim de ser um meio de atender às necessidades da atual e das futuras gerações e passam a ter como fim exclusivo o pagamento de dívidas internas e externas. Mesmo aquelas que, pela Constituição, precisariam ser auditadas.
O BC independente dedica-se a garantir que a moeda seja acumulada e mantenha um valor que atenda aos credores.
O regime de metas de inflação vai pelo mesmo caminho, ao limitar a expansão do desenvolvimento econômico e social. E o superávit primário corta recursos da cultura, educação, saúde e proteção ambiental para pagamento das dívidas.
Antes de estrear esse jeito tucano de ser, Marina gerou a expectativa de que apresentaria uma agenda ecológica e inovadora que fosse uma alternativa à crescimentista Dilma e ao neoliberal Serra.
Mas, ao adotar o pior do que apresentam PT e PSDB, tudo que Marina conseguiu até agora foi repetir os padrões de comportamento e de visão do Brasil que os mais reacionários políticos brasileiros sempre tiveram. E com os quais se esperava que ela rompesse.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

DESENVOLVIMENTO E CIDADES VERDES

A matéria abaixo, do Portal do Ecodebate, deveria merecer alguma reflexão. Aqui se trata de criar paradigmas reais. A questão, claro, estará não apenas para o que se criará, embora o modelo possa apontar para estruturas urbanas descentralizadas, mas para como partir do que já existe para chegar no modelo proposto. Por exemplo, o quanto esse modelo ou partes dele são aplicáveis a uma cidade como São Paulo.
Demetrio Carneiro

Cidades verdes e com emissão zero de carbono
Por José Eustáquio Diniz Alves*

11/02/2010 - As cidades são consideradas por muitos como verdadeiras vilãs do meio ambiente e concentram as maiores fontes de poluição e desperdício do Planeta. Algumas pessoas defendem à volta ao meio rural e a reversão da transição urbana que já colocou mais da metade da humanidade vivendo em cidades. Contudo, as cidades podem deixar de ser um problema e se tornarem uma solução. Será que existe a possibilidade de haver cidades com emissão zero de carbono?
Pode parecer sonho, mas já estão em construção projetos de cidades que se pretendem verdes e sustentáveis, ou ecópoles, como as cidades de Dongtan, na China, e Masdar, em Abu Dhabi.
O primeiro exemplo vem do governo de Xangai que está tentando erguer um projeto inovador em Dongtan, no sentido de tornar o local uma cidade totalmente ecológica. Localizada na ilha de Chongming, que possui 86 quilômetros quadrados de área, semelhante à de Manhattan, em Nova York. A cidade de Dongtan pretende ser auto-suficiente em energia e água e utilizar somente fontes alternativas e renováveis de energia, como solar, a força dos ventos, além de biogás e de biomassa. O transporte não permitirá os veículos tradicionais à combustão, mas sim bicicletas e motos movidas a bateria ou carros à base de hidrogênio e outras energias alternativas. Apenas 7 minutos de caminhada separarão as casas da infra-estrutura da cidade, como escolas, hospitais e transporte público. Cerca de 80% do lixo deverá ser reciclado e os dejetos processados e reutilizados como adubo.
O segundo exemplo acontece nos Emirados Árabes onde o governo de Abu Dhabi está constuindo a cidade considerada a mais verde do mundo, chamada Masdar (“A cidade fonte” em árabe). A cidade foi concebida para ter: carbono zero, zero de resíduos e a não existência de carros. A eletricidade será gerada por energia solar e eólica, a água será fornecida através de processos de dessalinização e o paisagismo será feito com água residuais produzidas pela cidade. A maioria das ruas da cidade, por exemplo, terão apenas 3 metros de largura e 70 de comprimento para facilitar a passagem do ar e incentivar a caminhada. Segundo os idealizadores do projeto, a construção da cidade de Masdar foi concebida para atender 10 princípios de sustentabilidade:
1) 100% da energia fornecida virá de fontes renováveis;
2) 99% dos resíduos serão reutilizados, reaproveitados ou usados de maneira ecologicamente correta;
3) O transporte da cidade será inteiramente público e sem emissão de carbono;
4) Só será usado material ecologicamente correto, como recicláveis e materiais certificados;
5) Apenas alimentos biológicos e orgânicos farão parte do cardápio de Masdar;
6) Consumo de água será reduzido em 50% da média mundial e todas as águas residuais serão reaproveitadas e reutilizadas;
7) Haverá preocupação e cuidado com as espécies (fauna e flora) locais;
8) A arquitetura integrará os valores locais;
9) Bons salários e condições de trabalho para todos, conforme definido pelas normas internacionais do trabalho;
10) Investimentos na qualidade de vida e eventos para todos os tipos de habitantes.
Ainda falta um longo caminho para estes projetos visionários se tornarem realidade e uma referência para as demais cidades do mundo. Mas só a concepção e a tentativa de se construir ecópoles já é um passo à frente, significando uma esperança para que um dia, junto com mudanças culturais e nos hábitos de consumo, possamos ter uma sociedade que tenha como base uma economia urbana verde, limpa e sustentavel.
José Eustáquio Diniz Alves, Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, é colaborador e articulista do EcoDebate. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br.
Fonte: EcoDebate