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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

AINDA A DISCUSSÃO DA BOLINHA DE PAPEL

Foi Lula, o Pequeno, quem retomou o assunto...

Ontem o futuro ex-presidente do BC, numa reunião com economistas do mercado, reconheceu que o BC já conhecia problemas no PanAmericano desde julho passado. Não saberia ao certo da extensão, mas já sabia que havia problemas.

Três indagações:
- A CEF foi avisada ou continua a conversa de que não é papel do BC fazer isso?
- O que mesmo que o Sílvio Santos foi fazer no gabinete de Lula?
- A manipulação de imagem/linha de tempo que o SBT fez, por coincidência, claro, depois da reunião, não tem nada mesmo a haver com isso?

Demetrio Carneiro

sábado, 10 de julho de 2010

TSE MULTA MINISTRO DA CULTURA POR PROPAGANDA PRÓ-DILMA


O título da matéria do JB Online, 9, já diz tudo.
Não bastando o presidente infringir a lei agora outros membros do alto escalão de seu governo enveredam pelo mesmo caminho.

A Lei Eleitoral sobre o uso da máquina pública no apoio à políticos do governo foi produzida com a finalidade de impedir que recursos públicos, que são de todos os brasileiros, sejam utilizados em favor de alguns e não de todos.

Ou o TSE toma atitudes mais duras e vai além das multas ou teremos o mesmo estilo de campanha que já se viu neste país, mas lá no início do século 20 quando os coronéis mandavam na política e usavam a máquina de governo para garantir a eleição de quem lhes interessasse. 

Com respeito à "política dos coronéis" não está acontecendo nada muito diferente no caso das prefeituras, fiquem atentos. O formato como os recursos públicos passam do governo federal para as prefeituras , construindo uma cadeia de interesses que pressionam de cima para baixo e passa pelo legislativo, acaba gerando uma pressão que pode ser irresistível e poderá deformar as escolhas nos municípios. Por isso temas como a reforma democrática do Estado, revisão do pacto federativo e outros devem estar na ordem do dia dos discursos eleitorais.

Nossa atual democracia é uma conquista recente e nos custou quase duas décadas de lutas contra uma ditadura insana, custou também a vida de muitos brasileiros e brasileiras. A complacência dos tribunais não contribui em absolutamente nada para a sua consolidação.

Demetrio Carneiro

domingo, 4 de abril de 2010

FHC E A UNIDADE DA OPOSIÇÃO

Mais um texto de FHC. Nele há um ótimo e fundamentado exercício sobre a unidade da oposição nas próximas eleições. Vale a leitura, sem dúvida.
Demetrio Carneiro

Hora de União


A visão de futuro mostra quem é verdadeiramente líder. No auge das lutas pela volta às eleições diretas e pelo fim do autoritarismo, três personagens, cada qual à sua maneira, foram decisivos para que conseguíssemos mudar o rumo do País. Não foram os únicos. Muita gente se empenhou desde a campanha das Diretas-Já com o mesmo propósito. Nem se deve esquecer do papel desempenhado pelas grandes greves do ABC e por seus líderes. Mas, a partir da derrota da emenda Dante de Oliveira, quando se colocou a possibilidade de derrotar o candidato do Sistema utilizando-se o próprio Colégio Eleitoral, a condução do processo passou a depender de Ulysses Guimarães, Franco Montoro e Tancredo Neves.

Houve hesitação sobre o que fazer. Fiz um discurso no Senado trocando o lema Diretas-Já por Mudanças-Já, com a convicção de que poderíamos derrotar os donos do poder. Foi difícil para Ulysses Guimarães tragar a dose e aceitar as eleições indiretas, ele que fora o anticandidato em 1974 e cujo nome se identificava com as eleições diretas. Foi mais difícil ainda, uma vez deslanchado o processo de conquista de votos no Congresso, unir a oposição em torno de um nome.

Ulysses até aquele momento fora o condutor indiscutido das oposições democráticas. Entretanto, pela dureza das posições que assumira na crítica ao regime autoritário, teria dificuldades em granjear votos entre os que, diante do desgaste do poder, da crítica de uma imprensa mais livre, dos movimentos de protesto em massa e das dificuldades econômicas, se predispunham a mudar de posição. Sem o apoio desses, a derrota era garantida. Na época presidente do MDB de São Paulo e muito próximo a Ulysses Guimarães, disse-lhe com muito pesar, pela enorme admiração e respeito que nutria por ele, que a vez seria de outro.

Roberto Gusmão, chefe da Casa Civil do governo Montoro, havia declarado nas páginas amarelas da Veja que São Paulo se uniria a Tancredo Neves para a conquista da Presidência. Ulysses fez questão de ouvir a decisão da voz do governador de São Paulo. Acompanhei-o ao Palácio dos Bandeirantes num encontro com o governador Montoro e com Roberto Gusmão. Montoro poderia pretender legitimamente a candidatura à Presidência: ganhara as eleições diretas em São Paulo com votação consagradora. Percebeu, entretanto, que no caso das eleições indiretas Tancredo teria melhores oportunidades. Reafirmou esse ponto de vista a Ulysses. Mais do que os méritos e as ambições de cada um, contava o momento histórico. Ou nos uníamos e ampliávamos a frente contra o autoritarismo ou este permaneceria por mais tempo, esmaecido que fosse, com a eleição de Paulo Maluf, candidato da Arena. A visão de futuro e o interesse nacional contavam mais do que as biografias. Tiveram grandeza. São Paulo se uniu a Minas para que o Brasil avançasse e Ulysses chefiou a campanha pela eleição de Tancredo.

Passados 25 anos, nos encontramos frente a circunstâncias históricas que novamente requerem grandeza dos líderes e unidade de todos. Não está em jogo o admirar ou não o presidente Lula, nem mesmo as qualidades de liderança (ou a falta delas) de sua candidata Dilma Rousseff. Por trás das duas candidaturas polares há um embate maior. A tendência que vem marcando os últimos 18 meses do atual governo nos levará, pouco a pouco, para um modelo de sociedade que se baseia na predominância de uma forma de capitalismo na qual governo e algumas grandes corporações, especialmente públicas, unem-se sob a tutela de uma burocracia permeada por interesses corporativos e partidários. Especialmente de um partido cujo programa recente se descola da tradição democrática brasileira para dizer o mínimo. Cada vez mais nos aproximamos de uma forma de organização política inspirada num capitalismo com forte influência burocrática e predomínio de um partido. Tudo sob uma liderança habilidosa que ajeita interesses contraditórios e camufla a reorganização política que se está esboçando.

Agora, com as eleições presidenciais se aproximando, as alianças são feitas sem preocupação com a coerência político-ideológica: o que conta é ganhar as eleições. Depois, a força do Executivo se encarregará de diluir eventuais resistências de governadores e parlamentares que se opuserem à marcha do processo em curso, e transformará os aliados em vassalos. Mais recentemente tem surgido a dúvida: será que a candidata petista, sem ser Lula, terá força para arbitrar entre os interesses do partido, os dos aliados e os da sociedade? Não sei avaliar, mas o resultado será o mesmo: pouco a pouco, o "pensamento único", agora sim, esmagará os anseios dos que sustentam uma visão aberta da sociedade e se opõem ao capitalismo de Estado controlado por forças partidárias quase únicas infiltradas na burocracia do Estado.

Os líderes oposicionistas atuais terão a visão de grandeza dos que os antecederam e perceberão que está em jogo a própria concepção do que seja democracia? Há quem defenda um outro estilo de sociedade. Há quem acredite que certo autoritarismo burocrático com poder econômico-financeiro pode favorecer o crescimento econômico. A China está aí para demonstrar que isso é possível. Mas é isso o que queremos para nós? A força governista ignora os limites da lei e tudo que decorre dessa atitude, desde a leniência com a corrupção até a arrogância do poder e o abuso publicitário antes do início legal das campanhas. É imperativo, pois, que as oposições se unam. A aliança entre Minas e São Paulo - que se pode dar de forma variada - salvou-nos do autoritarismo no passado. Uma candidatura que fale a todo o País, que represente a união das oposições e busque o consenso na sociedade é o melhor caminho para assegurar a vitória. José Serra e Aécio Neves estiveram ao lado dos que permitiram derrotar o regime autoritário. Cabe-lhes agora conduzir-nos para uma vitória que nos dê esperança de dias melhores. Tenho certeza de que não nos decepcionarão.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O DRAGÃO DA MALDADE NEOLIBERAL CONTRA A SANTA GUERREIRO

O texto que esta abaixo é uma matéria típica da atual conjuntura: Feita para desconstruir imagem.
Independentemente de qualquer coisa chamar o Serra de “neoliberal” é, no mínimo, desinformação. A matéria reflete a vontade do autor de colar a imagem de Marina na imagem do Serra e “queimar” ambos como linha auxiliar do “neoliberalismo”. A mesma montagem já havia sido feita no Estado de São Paulo alguns dias atrás, numa entrevista dada pelo vice da chapa de Marina. 

É o dragão da maldade neoliberal contra a santa guerreira!
Existe ai uma questão cultural complicada, mas muito pedagógica: Tudo que não for de “esquerda” automaticamente é de “direita”. Tudo que for de direita automaticamente é “neoliberal”. Seja qual for a proposta de Marina, como é um empresário o seu vice isso ofende o código “de esquerda” e dá origem a essas avaliações, digamos usando um termo acadêmico, atravessadas. O vice de Lula pode ser empresário, pois o governo “é do povo”

O Chico Grazziano algum tempo atrás escreveu um belo trabalho sobre economia e meio-ambiente. Foi a linha do que o Serra falou em Copenhague. É muito semelhante a como vemos, ou deveríamos ver, as coisas. Na realidade, entre o trabalho do Chico, a posição de Marina há convergências: A economia mundial está se reorientando em função das novas demandas geradas pelos impactos ambientais do atual modelo de desenvolvimento. Isto valoriza outro modelo de desenvolvimento que não o atual. É nisso que o programa do PT é “atrasado” e superado. Ai está o simbolismo do PV ao colocar como vice um empresário atuando num segmento que lida com a questão do meio-ambiente de forma positivamente interativa.

O grande problema não vai estar na avaliação, que como vimos é convergente, ao menos em parte, ele vai estar é no como produzir, realizar esse modelo.
A indústria brasileira é toda focada no modelo, digamos assim, carbono-intensivo. Isso implica em uma mudança radical de perfil. Embora tenhamos os germens da nova indústria presentes na nossa economia. O estado do Paraná é o exemplo. Como administrar essa mudança num estado como são Paulo, por exemplo?

O Almirante Flores tem um ótimo texto, publicado às vésperas da Conferência de Copenhague, onde coloca justamente a enorme dificuldade de trazer para o mundo real essas propostas em função dos interesses políticos conservadores voltados para não mudar os atuais paradigmas. Que político arriscaria tratar de assuntos que ferissem os interesses corporativos da indústria tradicional?
Desse ponto de vista o projeto petista está fundamente articulado com os segmentos “conservadores” em termos de paradigma. Não tem outra forma de encarar e permanente defesa da desvalorização do real como forma de “proteger” a indústria nacional e melhorar a sua capacidade competitiva, quando a nossas respostas deveriam ser as mesmas da China: Investimento na “economia verde”.

Saudações
Demetrio Carneiro


Fonte: Blog do Noblat

Desde o fim oficial da ditadura, em 1985, o Brasil já se deparou com pelo menos dois candidatos (Collor e Lula) que se apresentam como novidades, mas no poder repetiram e aprofundaram as opções de seus antecessores.
A candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República segue a mesma rota. Com uma diferença, apenas. Ela não esperou ser empossada para repetir o mantra “esqueçam o que eu dizia” (cuja origem foi o “esqueçam o que eu escrevi”, de FHC).
A meses da eleição, diz para quem tiver vontade de ouvir: eleita, ela manterá as três principais opções que conformam a macroeconomia desde 1994.
São as opções que agudizaram algumas das maiores crises ambientais e sociais que vivemos e que radicalizam relações nada republicana entre o Estado e alguns dos agentes econômicos que se beneficiam amplamente dessa gestão enviesada da economia.
Na semana passada, durante o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental realizado em Cuiabá (MT), Marina reafirmou suas opções e afirmou que “Vou manter as 'conquistas' dos últimos 16 anos”.
Por “conquistas” entenda-se as medidas que impedem o País de se desenvolver e que foram preconizadas pelo ex-Ministro da Fazenda tucano Pedro Malan, e radicalizadas pelo lulista Henrique Meirelles, atual presidente do BC.
As três promessas da senadora verde já formavam a coluna vertebral da economia no bi-mandato de FHC.
Em parte, foram aprofundadas no igualmente bi-mandato de Lula. “Soberania do Banco Central, metas de inflação e superávit primário”, prometeu a política acreana.
Nem é necessário ler o restante de suas propostas porque as três primeiras inviabilizam todas as demais e travariam o desenvolvimento do Brasil caso a senadora chegue ao poder.
O grave destas idéias não é o perigo de Marina pô-las em prática caso vire Presidenta (a senadora ainda tem poucas chances de vitória – pelo menos na eleição de 2010).
O grande problema reside no fato de que a seringueira que criou para si o mito de herdeira do legado de Chico Mendes, formou-se politicamente numa perspectiva moderna de esquerda (incorporando a preocupação com o meio ambiente) e que até certo ponto opôs-se a obras controversas quando era ministra do meio ambiente, aos poucos passou a defender os projetos contra os quais se opunha (transgênicos, usinas na amazônia, transposição).
E, agora, opta por um modo de administrar o Brasil que, ao retomar práticas tucanas e petistas, inviabiliza a proteção ambiental e o resgate da enorme e dramática dívida que o Brasil tem com seus próprios nacionais.
Essas medidas sempre foram receitadas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Federal Reserve (o BC dos EUA) para formar um sistema de garantias aos especuladores.
As economias nacionais deixam assim de ser um meio de atender às necessidades da atual e das futuras gerações e passam a ter como fim exclusivo o pagamento de dívidas internas e externas. Mesmo aquelas que, pela Constituição, precisariam ser auditadas.
O BC independente dedica-se a garantir que a moeda seja acumulada e mantenha um valor que atenda aos credores.
O regime de metas de inflação vai pelo mesmo caminho, ao limitar a expansão do desenvolvimento econômico e social. E o superávit primário corta recursos da cultura, educação, saúde e proteção ambiental para pagamento das dívidas.
Antes de estrear esse jeito tucano de ser, Marina gerou a expectativa de que apresentaria uma agenda ecológica e inovadora que fosse uma alternativa à crescimentista Dilma e ao neoliberal Serra.
Mas, ao adotar o pior do que apresentam PT e PSDB, tudo que Marina conseguiu até agora foi repetir os padrões de comportamento e de visão do Brasil que os mais reacionários políticos brasileiros sempre tiveram. E com os quais se esperava que ela rompesse.