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sábado, 4 de setembro de 2010

RISCO REPUBLICANO

A história da Receita já está bastante pautada por toda mídia.

Aliás muito interessante assinalar que a mídia tem composto uma forte linha de resistência. O, certamente, reforçará os argumentos para um maior “controle social” sobre o que ela faz.

Muito bem, meu ponto é que vivemos novo período de crescimento de risco. Não me refiro ao risco dos bancos estatais, que já preocupa as agências de risco. Me refiro ao risco republicano.

Nossa Constituição prevê uma república democrática. Estes termos são inseparáveis. Pela lógica de nossa lei maior, e de toda a luta para chegar até ela, ou temos uma república “democrática” ou não temos nada.

O aprofundamento do risco se dá por mecanismos de gestão de poder que vão se organizando. Nenhuma dúvida de que esse trabalho de levantamento de dossiês já se tornou uma rotina institucional, portanto pode ser visto como um mecanismo permanente de gestão de poder. Juntando todas essas pequenas peças, dossiês, “controles sociais”- no mal sentido do termo, aparelhamento, compra de posições, centralismo executivo etc. o resultado final certamente não é uma República Democrática.

O problema é que parte de nosso drama está no fato do forte rastro autoritário presente até mesmo na oposição. Nenhuma dúvida de que também na oposição existem defensores do centralismo executivo, do Estado “acima de tudo” etc. Talvez seja isso que formata nossa oposição envergonhada.

Conforme comentei em outro post não tenho nenhuma dúvida em apontar uma questão de garantias constitucionais neste affaire dos dossiês.
É por isto que o caminho adotado pelos gênios da campanha de Serra foi o pior possível.
O fórum não é o tribunal eleitoral e o objeto não é Dilma, mas o próprio poder executivo central já que a quebra se deu dentro do aparelho mais sensível de Estado.
A missão do presidente é garantir a Constituição. Se ela não se realiza satisfatoriamente o presidente pode sim ser questionado.

De todo este imbróglio fica mais uma dúvida: Este formato de oposição, com forte vertente autoritária, é realmente capaz de produzir um movimento, digamos insistente, de luta pela permanência da república democrática?

Ironicamente, na ascenção nazista, o Partido Comunista Alemão não via no Nacional Socialismo um opositor feroz. Preferiram escolher como opositor principal a Social Democracia. Deu no que deu. Talvez o fato de terem vertentes autoritárias seja uma das soluções do problema.

Muitos analistas olham para este tipo de colocação um alarmismo e informam que não há nada a temer. Que nossas instituições são sólidas. Que resistirão a qualquer embate.
Tomara que estejam certos. Foi mais ou menos a linha de fala do Adolfo Sachsida em resposta à crítica a um post seu quando tratou do mesmo tema.

Do meu lado assinalo, precaucionalmente, essas questões. A experiência de 64 mostrou que não adiante chorar sobre o leite derramado.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CRIME E POLÍTICA

Em post anterior comentei que os fatos ainda iriam mostrar um conexão entre o crime organizado e o crime político, no caso da Receita.

Em entrevista hoje, 2, à rádio CBN, o dublê de bandido e contador, responsável pela falsificação da procuração demonstrando muito tranqüilidade e segurança mandou um recado direto para o cliente que não lembra: Espera faturar uma boa grana.

Esse cidadão não espera apenas impunidade, espera ganhos e fez questão de declarar ao vivo para uma rádio de grande penetração nos meios políticos nacionais.

Já se chegou ao bandido. É preciso esclarecer com toda urgência o papel desse indivíduo e de onde vem tanta convicção de impunidade.

Logo chegaremos ao crime organizado agindo dentro de uma estrutura sensível do governo brasileiro.

E ai? Como fica?

Demetrio Carneiro

QUE SERÁ, SERÁ...



Algumas coisas que vão ocorrendo estes dias e acabam nos deixando apreensivos.

Andei pensando em escrever um comentário com o nome Que será, sera... Na letra original, em inglês, abaixo, os termo são Whatever will be will be. Algo como: O que tiver que ser, será. E: What will be, will be: O que será, será.

Confiram, no Youtube, a cara Doris Day quando canta a frase Que sera, será... É puro desespero. Tem tudo a haver com o clima.
Por acaso o filme, de onde retiraram o trecho musical, chama-se The Man Who Knew Too Much : O homem que sabia demais. Digamos que foi mera coincidência

Perante essa quase que certa vitória de Dilma a aflição musical de certa forma se impõe. E está muito longe de ser o terrorismo alegado pela candidata. Está mais para atitude precaucional de quem já se queimou algum dia.

Essa notícia sobre os vazamentos da Receita é meio assustadora. É assustadora a tranqüilidade de Lula naquele famoso estilo que já vimos em outras horas críticas, tipo “o que é que tem?”. Assustador o descompromisso da instituição Receita Federal e de seu responsável, aliás cria petista. Assustador o tamanho da rede que os fatos só fazem ampliar. Começou num arranca rabo interno da altíssima cúpuda que comanda a campanha de Dilma, chegou até uma agência da Receita e que é evidentemente local das mais variadas operações criminosas, seja crime político ou crime organizado. Agora estacionou em outra agência da Receita e envolve uma nova variedade de crime. Não são mais senhas “esquecidas” sobre mesas. Agora é falsificação de documento público. Providencialmente o falsificar “não lembra do cliente”.

Surpreende que alguém ainda possa sugerir, como fez o presidente, que a Receita Federal tem condições morais ou éticas de investigar os vazamentos. Parece que ninguém quer se dar contar da cadeia de responsabilização.
Hoje, 1°, o líder de governo disse que Mantega não precisaria depor no Senado Federal sobre o tema, “pois não tem nada a haver com isso”. Engana-nos o Senador Jucá. Tem sim. O ministro é o responsável direto pelo que ocorre na Receita.
Da mesma forma que surpreende Lula dizer que “não pode fazer nada”. Não pode porque não quer fazer nada, porque não que apurar nada, porque já sabe aonde a apuração chegará. Aonde chegaram as outras: Pouco antes das portas de seu gabinete.
Lula que é o mesmo “cara” que não vacilou em desrespeitar as leis ou desmoralizar uma alta corte judiciária para promover e empurrar guela à baixo da nação a “sua” candidata, agora se coloca em atitude suposto respeito às instituições?

Repito o que já disse antes: Vivemos um processo eleitoral fraudado e viveremos uma presidência imposta pelo poder de governo no mais batido estilo “velha república”.

Foram pegos mais uma vez com a mão na butija.
Não bastou o peso econômico, o aparelhamento, a compra descarada de aliados, as alianças com o que existe de mais atrasado na política brasileira, a participação direta e ilegal do presidente na pré-campanha. Não foi suficiente.
Tentaram ainda o caminho da difamação e da chantagem. Mas também nos levaram à conclusão óbvia de que há conexões entre esse grupo e o crime organizado. É o que o “destampe” das operações na agência de Mauá irá mostrar. Certamente.

Perante tudo isso é que fica essa indagação sobre o futuro: O que viveremos num governo Dilma? Iremos como a Doris Day ficar no piano cantando com cara de desesperados?
Se a candidata não pretende, digamos assim, vestir a carapuça, como já vestiu Lula, deve vir a público imediatamente e defender não apenas uma investigação independente, que, nessa altura deveria ser feita fora da estrutura de governo, mas a punição exemplar de quem já tem que ser punido, como é o caso do responsável direto pela Receita Federal.

Uma questão: Esses fatos colocam em risco um princípio constitucional de direito. As operações foram organizadas de dentro de uma estrutura de governo. Não é hora de levar essa questão para o Supremo e não para o tribunal eleitoral?

Demetrio Carneiro


Que Sera Sera


When I was just a little girl
I asked my mother what will I be
Will I be pretty
Will I be rich
Here's what she said to me
Que sera sera


Whatever will be will be
The future's not ours to see


Que sera sera
When I was just a child in school
I asked my teacher what should I try
Should I paint pictures
Should I sing songs


This was her wise reply
Que sera sera
Whatever will be will be
The future's not ours to see
Que sera sera


When I grew up and fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will there be rainbows day after day
Here's what my sweetheart said
Que sera sera
Whatever will be will be
The future's not ours to see


Que sera sera
What will be, will be
Que sera sera...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DOSSIÊ E INCAPACIDADE

Evidentemente, a seguir a linha de argumento da receita as servidoras envolvidas na organização dos dossiês montados contra pessoas da oposição não são imputáveis. São destituídas de qualquer culpa. Só uma forma deste argumento ter sentido: São incapazes.

Modestamente proponho que se abra uma outra investigação para:

1°) Afastar imediatamente essas servidoras, com perda de todos os direitos, já que são incapazes. Evidentemente devem ser obrigadas a restituir tudo receberam no exercício de uma função a qual não poderiam ter acesso;
2º) Punir a autoridade que admitiu incapazes no serviço público.

Demetrio Carneiro