segunda-feira, 10 de maio de 2010

CURANDEIRISMO ECONÔMICO

Bresser-Pereira assumiu o número mágico de Mantega: R$2,40.
Segundo os dois esse número será a salvação da lavoura, da pátria e da FIESP. Mantega, mais modesto, falou alguns meses atrás em um crescimento forte. Bresser garante o dobro ou nada.
Enfim, mais um atalheiro ou curandeiro. Tanto faz.
Demetrio Carneiro

Dólar valorizado poderia dobrar crescimento do Brasil, afirma Bresser-Pereira

Fonte: Valor Econômico

O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira afirmou hoje (10) que uma mudança na política cambial poderia dobrar a taxa de crescimento do Brasil.
Para ele, o governo deveria trabalhar pela valorização do dólar e, com isso, estimular as exportações, os investimentos e a geração de emprego no país.
"Com o dólar valorizado, todas as empresas competentes teriam uma chance de exportar muito mais, investiriam muito mais, e o país cresceria muito mais", afirmou Bresser-Pereira. "O crescimento do país poderia ser 50% maior ou até dobrar."
O ex-ministro participou de um evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discussão da política cambial brasileira.
No evento, ele apresentou algumas alternativas para que o dólar alcance o patamar considerado razoável de R$ 2,40. Nesta tarde, a moeda era negociada a R$ 1,77

sábado, 8 de maio de 2010

O QUE HÁ DE COMUM ENTRE NÓS E A GRÉCIA?

Basicamente os gregos pagam hoje a conta de ontem. Como se diz no meio liberal: “Não tem almoço de graça”. Se achavam que o gasto público é um poço sem fundo agora estão descobrindo que não é e que tem um custo que pode ser muito alto. Os ganhos excessivos de qualidade de vida são retomados em forma de perda de qualidade de vida. Aqueles que acusam as políticas de estabilidade e responsabilidade de “políticas neoliberais” , políticas de suporte ao rentismo, devem perceber ou pelo menos devem tentar perceber qual a outra face da liberalidade fiscal.

O modelo brasileiro do pós–crise foi construído no fio da navalha.
Induzir fortes políticas de investimento sem poupança interna, Pré-Sal/Copa/Olimpíada, dependentes da poupança externa representava um duplo risco:

a) Retomada do crescimento no resto do mundo. A fartura de capitais é resultado da escassez de oportunidades nos países desenvolvidos. Frente a ela os países “emergentes”, por terem sentido menos os efeitos da crise, acabam sendo melhores oportunidades e atraindo mais investimentos. Uma retomada do crescimento deverá escassear esses capitais. Não foi o que aconteceu, mas...

b) Crise nos países desenvolvidos. Os capitais sobrantes não caíram do céu. Como dissemos vieram por diferença de oportunidades. A crise na Europa leva ao seu recolhimento. É a chamada aversão ao risco.

Na realidade toda a percepção de um crescimento brasileiro, projetado de 6% ou até mais, estava ancorada na possibilidade de uma retomada da economia mundial somada à expansão do consumo interno e financiada pelos capitais externos. Um belo patinho.
Sem a resto do mundo somos o que somos: Um mercado interno forte, mas fundado no endividamento e não na expansão da renda. Não somos e não temos mecanismos próprios de formação de poupança. Não somos capazes de construir políticas internas consistentes de investimento. Sem o resto do mundo os “emergentes” tão cantados em prosa e verso são um pato manco.

Vamos torcer por um outro governo, com outra filosofia de melhoria da qualidade de nossa relação com o resto do mundo, de expansão de mercado interno via emprego qualificado, de construção de lógicas de estímulo à poupança e ao investimento nas inovações, na economia verde.
Está na hora de riscar de nossa história da história do pato manco.

Nesta altura so campeonato não resolve muito a Alemanha ou a França ficarem bradando contra os "especuladores" que estão especulando sobre os erros de condução das políticas públicas na Grécia, Portugal, Espanha.
Demetrio Carneiro

sexta-feira, 7 de maio de 2010

JOSÉ DIRCEU, MERCOSUL E UNASUL

Patético o que argumenta José Dirceu, hoje, no Blog do Noblat.
Na intenção de comprometer a fala de Serra questionando a inoperância real do Mercosul , fala mesmo em “indignação internacional”. De quem cara-pálida? Hugo Chaves?
O pior é querer colocar o projeto ideológico do Unasul no mesmo nível da União Européia que é uma tentativa de integração econômica e não de hegemonização.
Serra está certo é precisa uma profunda revisão na política externa brasileira, inclusive a comercial e as relações bilaterais e multilaterais, posta ao serviço de um projeto que só tem a haver com a vontade de poder de um grupo e não com os interesses nacionais. Essas coisas não se confundem.
Demetrio Carneiro

quarta-feira, 5 de maio de 2010

AVE LULA!

Nosso Rex Maximus, Lula Imperator agora decide que vai ou quem não vai à Cúpula da União Européia com a América Latina e Caribe.
Seu braço direito, quer dizer esquerdo, Garcia já garantiu que o presidente hondurenho não irá, segundo registra a Folha.
Esse tipo de fala soa muito interessante quando vem de um burocrata que em oito meses estará fora do governo. Felizmente.
Agora, infelizmente levará um bom tempo para colocar no lugar certo a política externa brasileira.
Demetrio Carneiro

Assessor de Lula rejeita ida de líder hondurenho à cúpula da UE
via Folha Online - Brasil - Principalem 05/05/10
O assessor para assuntos internacionais da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta-feira que se o governante hondurenho, Porfirio Lobo, for à Cúpula da União Europeia (UE) com a América Latina e o Caribe "pelo menos dez presidentes latino-americanos" não irão. "Se Honduras participar, pelo menos dez presidentes latino-americanos não irão a Madri, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva", declarou Garcia à agência Efe, em referência à reunião que ocorrerá na capital da Espanha nos dias 17 e 18 de maio. No entanto, Garcia disse que está em condições de "garantir que Honduras não irá", sem precisar em que estava baseada sua afirmação.

FATOR PREVIDENCIÁRIO, REAJUSTE DE APOSENTADOS E FINANÇAS PÚBLICAS

Muito, bem no próximo concurso público em que houver questões envolvendo Finanças Públicas já haverá uma nova questão para apresentar:

Quem acha que recurso público cai do céu?

a) Os metereologistas;
b) Quem não entende nada de Finanças Públicas;
c) Quem entende até demais e é candidato;
d) Nenhum das respostas anteriores.

Se tiver sido um bom professor certamente meus alunos irão ticar a letra “c”.

Incrível o que uma eleição pode produzir em termos de conduta.
O tal do “fator previdenciário” foi introduzido tendo-se em vista a situação deficitária da Previdência. Havia no paralelo a questão de estabelecer um novo regime que pudesse viabilizar uma sustentabilidade mínima.
Na época já estava bastante claro que o sistema de pagar pensões e aposentadorias lançando mão da receita presente não tinha futuro possível.
Quer dizer, ao contrário de ser aplicado o recurso apropriado do trabalhador é utilizado para cobrir pensão ou aposentadoria devida ao trabalhador aposentado ou à sua viúva.

A Constuição de 88 só fez ampliar a crise ao admitir que brasileiros e brasileiras pudessem se beneficiar do sistema previdenciário mesmo sem contribuir para isso. Aquilo que estaria melhor como Assistência Social virou Previdência Social devido à falta de recursos.
Quer dizer, o Estado foi “equinânime” , mas com os recursos do trabalhadores. Como a Previdência é um sistema fechado os recursos utilizados para cobrir os custos das novas categorias ingressantes, rurais, donas de casa, empregadas domésticas, são os mesmos a serem utilizados para as categorias que já cumpriram seu ciclo de contribuições. Explicamos: Num primeiro momento, digamos nos próximos 20 anos, a contribuição das novas categorias “não bate” com as despesas. Essa diferença só pode sair do caixa e acaba afetando diretamente as categorias que já estão dentro do ciclo contribuição/benefício.
Como isso afeta as categorias que já estão dentro do ciclo? Os reajustes possíveis terão que “caber” dentro do caixa. Daí a “compressão” dos benefícios pagos aos trabalhadores da economia privada. Claro, falta alguém explicar que os benefícios pagos aos funcionários públicos, inclusive aos deputados que votaram agora, são estruturados com outra lógica e o défict da previdência pública do que o da previdência privada é infinitamente maior em termos de proporções.
Muito bem. O caixa não cobre e a obrigação é constitucional. O Estado faz a única coisa que pode fazer: Cria dívida pública para honrar seus compromissos.

Orçamento Público é uma peça muito técnica. Geralmente o que sai nos jornais ou na web é o orçamento do governo federal e não a peça completa. É ela que demonstra o quanto a Previdência onera a Dívida Pública. De modo geral o orçamento do governo é equilbrando. O que desequilibra a conta é o “buraco” entre receita e despesa da previdência. A privada. O “buraco” da previdência pública fica ocultado nas contas “equilibradas” dos governos nos três níveis federativos.

Claro, o que os olhos não vêem o coração não sente.
O fator previdenciário e mesmos as limitações ao aumento dos benefícios foram mecanismos para evitar o aumento do déficit previdenciário e, portanto, da dívida pública.
O argumento central para derrubar o fator previdenciário e aumentar os benefícios são dois:
a) “Justiça social”;
b) Se gastamos tanto com tantas coisas porque não gastar também em justiça social?

O problema dos argumentos anteriores é que não se elva em conta a injustiça das soluções parciais ou paliativas.
Na realidade o que os parlamentares fizeram foi jogar para o futuro um abacaxi do presente, de formas que obtivessem um “lucro” eleitoral.
Evidentemente haverá a necessidade de formar mais Dívida Pública para cobrir este novo déficit. Também é evidente que isso não vai afetar os benefícios do funcionalismo público, inclusive os deputados, que estão em outra conta. Agora, se a Dívida Pública de hoje é a tributação de amanhã é claro que o prejuízo atual será pago por mais tributo depois. Na realidade é o trabalho de brasileiros e brasileiras que irá financiar essa decisão.

Existe um dilema clássico entre eficiência e equidade. Quer dizer, as famílias, em geral, aceitam perder parte de sua renda em prol do benefício de famílias mais pobres. Isto é justiça social. Equidade.
Está em nossa Constituição Federal e é uma conquista de nosso povo.

A questão que os senhores parlamentares se recusaram a encarar é que a Previdência Privada é o que é por falta de uma profunda reforma que nunca se realiza. Todas as recentes “reformas”, inclusive essa do Fator Previdenciário foram paliativos. O Executivo central e o Congresso Nacional empurram com a reforma com a barriga, cientes de ser assunto que mais que dar pode tirar votos por interferir em questões fortemente corporativas.

É o mesmo com a contribuição sindical, por medo de envolver as poderosas centrais sindicais ou com a regulamentação do direito de greve dos funcionários públicos.

O que a Câmara Federal fez foi uma “bondade” claramente eleitoral. Metendo a mão no nosso bolso e não fazendo o que deveria fazer de fato: Reforma das duas Previdências, a privada e a pública.
Não há qualquer razão para comemorar esse tipo de "vitória".

Demetrio Carneiro

terça-feira, 4 de maio de 2010

O QUE UNE SERRA E DILMA

O artigo do Nerval Pereira, abaixo, é emblemático e sintetiza o pragmatismo eleitoral que a todos une.
Infelizmente há outra coisa, além do pragmatismo, que une o debate atual: A inexistência de uma avaliação do atual modelo de desenvolvimento e das proposições para outro modelo que responda às demandas desse nosso tempo.
Mesmo que pareça aos marqueteiros abstrato demais para o eleitorado é do debate de nosso futuro, ou não, que estamos falando.
Demetrio Carneiro

Querer é poder?
De Merval Pereira:
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É esse sentimento de que qualquer dos dois candidatos pode prosseguir no projeto de Lula, que é uma continuação do projeto de FH, que permite um ambiente tranquilo, quase modorrento na eleição, e dá margem a que o candidato oposicionista consiga fazer a comparação entre ele e Dilma, e não entre Lula e FH, como querem os petistas.
Ao atuar como um candidato que não confronta sua adversária, e muito menos o popularíssimo presidente Lula, o candidato tucano José Serra desmobilizou, pelo menos no momento, a expectativa governista de radicalizar as posições para colocá-lo no córner, caracterizando-o como o representante do retrocesso.
Ao contrário, ele se coloca como o mais capacitado para dar continuidade ao projeto, e somente os militantes petistas e tucanos são capazes de levar a campanha para comparações desqualificantes, ou agressões radicais.
Atribui-se a Lula a decisão de assumir a tarefa de "desconstruir" Serra e mostrar aos seus seguidores que o candidato oposicionista não pode ser sua continuidade.
Vai ser difícil Lula atacar Serra gratuitamente, ainda mais que o tucano não perde ocasião para elogiá-lo. Dilma tentou o confronto com aquela história de "lobo em pele de cordeiro", mas não deu muito certo.
A face radical dessa eleição está na internet, enquanto os dois candidatos comem feijoada juntos na mesma mesa em Uberaba.
O sociólogo Rudá Ricci considera que analisar as diferenças e proximidades entre gestões FHC e Lula pode ser útil para ter-se "uma visão mais clara da trajetória e tendência que o país vem adotando".

sexta-feira, 30 de abril de 2010

POR TRÁS DO DISCURSO DE LULA

Reinaldo Azevedo desagrega o discurso de Lula, feito ontem, 29, na TV e mostra onde estão as infrações à lei.
Aqui no meu cantinho fico pensando uma coisa: Com o volume de recursos que a Presidência da República dispõe, com a verdadeira fortuna que o PT tem para gastar nessa campanha, com toda a especialidade das pessoas que cercam esse grupo de poder, será que ninguém se dá conta da ação abusiva de Lula? Imaginar que seja desatenção seria subestimar aquelas cabeças pensantes. Tem que haver algo mais no desrespeito sistemático às instituições democráticas brasileiras. Tem que haver algo mais quando é o próprio presidente da república que prega o desrespeito aberto.
O quê será?

Demetrio Carneiro

PARA QUÊ SERVE UMA PROPOSTA?

O Tony passou um e-mail questionando o fato de que há um silêncio generalizado sobre a atuação do Tesouro comprando dólares para segurar o câmbio, quer dizer, para impedir uma maior apreciação do real. 
Em realidade há uma diferença quando o Tesouro cria uma dívida para comprar dólares que o Tony estima hoje em 10% ao ano.
O problema é que eles acham sim que tem que controlar o câmbio de alguma forma, mesmo com aumento da dívida pública.

Na realidade é uma forma de “proteção” à indústria e responde às demandas da FIESP/CNI. Nesta altura do campeonato situação e oposição estão “sensíveis”.

Como aqui no Brasil o debate da dívida é especializado e não feito publicamente, quando o Tesouro vende títulos públicos na realidade “joga para baixo do tapete”.

Outro detalhe é que eles medem em termos de PIB. Outro dia escutei o argumento de um técnico do governo explicando que a atual formação de dívida não é fundamental porque não influenciará o percentual DP/PIB, já que o PIB esperado é alto. Quer dizer o que aparece na mídia é a despesa relativa e não a absoluta.

Enfim, comprar dólares serve para todos os gostos.
É como a questão dos juros. Politicamente é mais simples atacar o aparente e não o estrutural.
É mais simples dizer que os juros estão altos do que criticar a estrutura e o processo que levam a isso. Da mesma forma é mais complexo buscar as ações estruturantes para mudar o quadro. 
Com a questão do câmbio, desde que se resolva o “hoje”, o “amanhã” é problema do “outro”, quer dizer dos que virão.

O processo de jogar debaixo do tapete os custos das políticas atuais, desde a taxa de juros até Belomonte, é mais ou menos como o cara que joga o lixo num terreno público. Depois que ele jogou o lixo o problema não é mais dele, mas dos outros. 
É alguma coisa como a socialização da incompetência.

Demetrio Carneiro