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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

AINDA A DISCUSSÃO DA BOLINHA DE PAPEL

Foi Lula, o Pequeno, quem retomou o assunto...

Ontem o futuro ex-presidente do BC, numa reunião com economistas do mercado, reconheceu que o BC já conhecia problemas no PanAmericano desde julho passado. Não saberia ao certo da extensão, mas já sabia que havia problemas.

Três indagações:
- A CEF foi avisada ou continua a conversa de que não é papel do BC fazer isso?
- O que mesmo que o Sílvio Santos foi fazer no gabinete de Lula?
- A manipulação de imagem/linha de tempo que o SBT fez, por coincidência, claro, depois da reunião, não tem nada mesmo a haver com isso?

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

CONTROLE CAMBIAL E VULNERABILIDADE

Existem muitos estudos disponíveis sobre vulnerabilidade externa via deficiência no mercado interno de crédito. Ainda voltarei a falar sobre isso no comentário de um interessante texto que debate a situação do México: Why isn’t México Rich? O que espero fazer ainda hoje.

O governo vem adotando medidas visivelmente inócuas para tentar conter a apreciação do real. A pergunta é por qual motivo isso vem sendo feito? Qualquer que seja não acho que esteja no campo da teoria econômica, mas sim no campo da política.

Primeiramente acho que é na intenção de mostrar trabalho, frente a um evidente problema de fragilidade nas políticas de governo. No caso a fragilidade está no próprio modelo de desenvolvimento adotado. Isso fica oculto, e favorece o governo, pela inexistência de debate.
Mas, talvez, seja algo mais e se refira à fragilidade em si própria. Certamente não interessa à situação um debate sobre o motivo pelo qual o dólar está tão apreciado – debilidade das fontes internas de crédito – e muito menos as consequências disso.
Não estou me referindo ao debate da Doença Holandesa, que acaba escamoteando outra questão muito mais séria.
Estou me referindo à completa vulnerabilidade de colocar todo um projeto de desenvolvimento na alçada do mercado internacional de crédito.
Chega a ser hilário constatar um governo que tem todo um discurso “libertador”, que posa de anti-hegemonista no plano internacional, que nos livrou das garras do monstro do FMI, estar pura e simplesmente nas mãos do capital internacional.
Quem enxerga maldade no capital internacional são eles. No meu caso só acho que estão se baseando num contexto sobre o qual não têm qualquer controle. Hoje o mercado de crédito do resto do mundo é farto e generoso. Amanhã pode não ser.

Essa vulnerabilidade, típica de processos incompletos de desenvolvimento, deveria estar sendo combatida hoje e agora. Mas quem disse que mercado interno de crédito é uma preocupação de governo?

Infelizmente nosso debate eleitoral está prá lá de Marraquesh e não dá tempo de discutir essas questões triviais e tão longe do interesse do povo brasileiro.

Demetrio Carneiro

sábado, 10 de julho de 2010

TSE MULTA MINISTRO DA CULTURA POR PROPAGANDA PRÓ-DILMA


O título da matéria do JB Online, 9, já diz tudo.
Não bastando o presidente infringir a lei agora outros membros do alto escalão de seu governo enveredam pelo mesmo caminho.

A Lei Eleitoral sobre o uso da máquina pública no apoio à políticos do governo foi produzida com a finalidade de impedir que recursos públicos, que são de todos os brasileiros, sejam utilizados em favor de alguns e não de todos.

Ou o TSE toma atitudes mais duras e vai além das multas ou teremos o mesmo estilo de campanha que já se viu neste país, mas lá no início do século 20 quando os coronéis mandavam na política e usavam a máquina de governo para garantir a eleição de quem lhes interessasse. 

Com respeito à "política dos coronéis" não está acontecendo nada muito diferente no caso das prefeituras, fiquem atentos. O formato como os recursos públicos passam do governo federal para as prefeituras , construindo uma cadeia de interesses que pressionam de cima para baixo e passa pelo legislativo, acaba gerando uma pressão que pode ser irresistível e poderá deformar as escolhas nos municípios. Por isso temas como a reforma democrática do Estado, revisão do pacto federativo e outros devem estar na ordem do dia dos discursos eleitorais.

Nossa atual democracia é uma conquista recente e nos custou quase duas décadas de lutas contra uma ditadura insana, custou também a vida de muitos brasileiros e brasileiras. A complacência dos tribunais não contribui em absolutamente nada para a sua consolidação.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CÉSAR MAIA: DETERIORA A IMAGEM EXTERNA DO BRASIL!


Para não ficar muito repetitivo até tinha resolvido dar um tempo nessa questão da política externa.

Acredito na vitória de Serra, mas me preocupa o fato apontado por CM e que eu mesmo já havia comentado aqui: A posição do Senado tem sido extremamente ambígua mantendo um preocupante silêncio. Mais preocupante fica quando sabemos que a oposição não vive no Senado a mesma situação de posta contra a parede que vive na Câmara Federal. Levando em conta os planos de PT & aliados para o Senado...
Outro ponto de preocupação é o fato de não se tratar de um assunto previsto para o debate eleitoral, embora seja certamente um dos pontos mais fracos da atual gestão. Talvez seja sugestão dos marqueteiros imaginando que as relações externas não movem as massas. Apenas o bolsa-família e o guia máximo. Talvez por ser obra pessoal do guia máximo. Como imaginam que não se bate em líder, então não se discute política externa.

Em todos os sentidos é um erro não abordar a política externa. O que está rolando é muito mais que a vontade do guia máximo, mas um formato de ver o mundo como um sistema de oposições clássico entre desenvolvidos e emergentes que defendem a si próprios e a amplíssima maioria que é o restante do mundo não-desenvolvido. Esquecendo o debate sobre se a questão é ser “desenvolvido” ou “emergente de onde para onde” ou se o mundo atual comporta esta leitura, o fato é que o Brasil, enquanto nação e não apenas seu presidente, vai tentando estar à frente de um movimento que é uma ação política e um balaio de gatos. Balaio de gatos da pior espécie possível.
Isto não tem nada a haver com governança mundial, mas com um sistema de apoiamento mútuo de regimes autoritários, nominalmente “populares”, num falso diálogo sul-sul contra o norte.

Mais um aspecto esquizofrênico da política oficial brasileira: Nossa política externa se preocupa diariamente em destruir as bases de uma interação global, uma governança global de convergências, sustentando todo um trabalho de oposições e identificação de inimigos. 
Na outra ponta o desenvolvimento brasileiro só é viável com um pesado ingresso de capitais que vem exatamente do norte do planeta. 
Na medida em que o Brasil, por exemplo, ajuda ativamente o Irã a construir a sua bombinha alguma coisa não vai dar certo. 
Acreditem.

Demetrio Carneiro

DETERIORA A IMAGEM EXTERNA DO BRASIL!

Trecho da coluna de Cesar Maia, na Folha de SP (19).

1. Cuba e Venezuela usam a política externa como instrumento de propaganda para multiplicar a percepção da importância de seus países. Ela é marcada por slogans e frases de efeito contra o imperialismo e coisas que tais. Essa diplomacia de slogans foi também adotada pelo Brasil: etanol, camisas da seleção, acordos políticos e comerciais inócuos, o caso Honduras, onde a embaixada brasileira foi usada como picadeiro diplomático. Agora foi a vez do Irã, que terminou languidamente num velório de terceira na ONU.

2. A diplomacia brasileira construiu, por décadas, o respeito internacional, pela capacidade de nossos diplomatas nas instituições, nos tratados e nos acordos internacionais. É verdade que um ou outro empresário brasileiro se encanta com a "venezuelização" da política comercial externa, na medida em que consegue contratos com financiamento brasileiro e sem licitação. Se somarmos as linhas de crédito anunciadas pelo presidente no exterior, ultrapassamos os US$ 15 bilhões. Na prática, pequena fração disso foi efetivada e só para a alegria desses contemplados.

3. O Brasil anuncia o perdão de dívidas de países pobres para exaltar a sua própria importância. Mas, quando um país o confronta, como a Bolívia ou o Paraguai, o presidente recua e fica feliz com os destaques na imprensa desses países. Reclama do FMI e, para parecer grande, transfere reservas suas no mesmo FMI. Na crise grega atual, anunciou que participava da ajuda Na verdade, eram US$ 250 milhões, ou 0,003333% da ajuda internacional. No Haiti, seu imobilismo expôs o Exército Brasileiro ao constrangimento de ter que abrir alas para a passagem de militares dos Estados Unidos.

4. A Unasul virou outro picadeiro para o exibicionismo bolivariano coonestado pelo Brasil. O Mercosul foi demolido. Obama impulsionou a sua vaidade ao apontá-lo como "o cara", antes do G-20, amaciando a sua participação. Chefes de governo têm que ouvir, com um sorriso amarelo, as metáforas e gracinhas futebolísticas presidenciais. De tudo isso, o que se vê de resultados é o Brasil ter virado uma economia primário-exportadora, para o estremecimento, em seus túmulos, de Raul Prebish e Celso Furtado.

5. E o Senado -responsável constitucional pela aprovação de tratados internacionais- a tudo assiste, passivamente, vendo suas competências invadidas. Esse é o melancólico caminho dessa nova diplomacia histriônica, que deixa a tradição do Itamaraty num quadro de constrangimento. Espera-se que os candidatos presidenciais explicitem que política externa pretendem adotar, para não surpreender os eleitores depois.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O QUE UNE SERRA E DILMA

O artigo do Nerval Pereira, abaixo, é emblemático e sintetiza o pragmatismo eleitoral que a todos une.
Infelizmente há outra coisa, além do pragmatismo, que une o debate atual: A inexistência de uma avaliação do atual modelo de desenvolvimento e das proposições para outro modelo que responda às demandas desse nosso tempo.
Mesmo que pareça aos marqueteiros abstrato demais para o eleitorado é do debate de nosso futuro, ou não, que estamos falando.
Demetrio Carneiro

Querer é poder?
De Merval Pereira:
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É esse sentimento de que qualquer dos dois candidatos pode prosseguir no projeto de Lula, que é uma continuação do projeto de FH, que permite um ambiente tranquilo, quase modorrento na eleição, e dá margem a que o candidato oposicionista consiga fazer a comparação entre ele e Dilma, e não entre Lula e FH, como querem os petistas.
Ao atuar como um candidato que não confronta sua adversária, e muito menos o popularíssimo presidente Lula, o candidato tucano José Serra desmobilizou, pelo menos no momento, a expectativa governista de radicalizar as posições para colocá-lo no córner, caracterizando-o como o representante do retrocesso.
Ao contrário, ele se coloca como o mais capacitado para dar continuidade ao projeto, e somente os militantes petistas e tucanos são capazes de levar a campanha para comparações desqualificantes, ou agressões radicais.
Atribui-se a Lula a decisão de assumir a tarefa de "desconstruir" Serra e mostrar aos seus seguidores que o candidato oposicionista não pode ser sua continuidade.
Vai ser difícil Lula atacar Serra gratuitamente, ainda mais que o tucano não perde ocasião para elogiá-lo. Dilma tentou o confronto com aquela história de "lobo em pele de cordeiro", mas não deu muito certo.
A face radical dessa eleição está na internet, enquanto os dois candidatos comem feijoada juntos na mesma mesa em Uberaba.
O sociólogo Rudá Ricci considera que analisar as diferenças e proximidades entre gestões FHC e Lula pode ser útil para ter-se "uma visão mais clara da trajetória e tendência que o país vem adotando".

sexta-feira, 30 de abril de 2010

POR TRÁS DO DISCURSO DE LULA

Reinaldo Azevedo desagrega o discurso de Lula, feito ontem, 29, na TV e mostra onde estão as infrações à lei.
Aqui no meu cantinho fico pensando uma coisa: Com o volume de recursos que a Presidência da República dispõe, com a verdadeira fortuna que o PT tem para gastar nessa campanha, com toda a especialidade das pessoas que cercam esse grupo de poder, será que ninguém se dá conta da ação abusiva de Lula? Imaginar que seja desatenção seria subestimar aquelas cabeças pensantes. Tem que haver algo mais no desrespeito sistemático às instituições democráticas brasileiras. Tem que haver algo mais quando é o próprio presidente da república que prega o desrespeito aberto.
O quê será?

Demetrio Carneiro