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domingo, 6 de março de 2011

SAIBA O QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010 COM A "DIVIDA INTERNA/EXTERNA" DO BRASIL

Com base em textos do economista Waldir Serafim e de Hélio Tribuna da Imprensa Fernandes montaram esta apresentação que tem uma abordagem bem interessante.
Alguém discorda?

Demetrio Carneiro


SAIBA O QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010 COM A "DIVIDA INTERNA/EXTERNA" DO BRASIL

Você ouve falar em
DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA
em jornais e TV e não entende direito vamos explicar a seguir:

DIVIDA EXTERNA

é uma dívida com os Bancos, Mundial, o FMI e outras Instituições, enfim, credores públicos e privados, no exterior, em moeda estrangeira.

DIVIDA INTERNA

é uma dívida com Bancos e instituições, credores públicos e privados, em moeda nacional, no país.

Então, quando LULA assumiu o governo,
em 2002, devíamos:

Dívida externa =   217 Bilhões
Dívida interna =    623 Bilhões
Total da Dívida =  840 Bilhões


Em 2010, no final do governo Lula:

Dívida Externa =         190 Bilhões
Dívida Interna =        1,902 Trilhões
Total da Dívida =    2,011 Trilhões

Ou seja, no governo LULA, a dívida do Brasil aumentou em um trilhão, centro e setenta e um bilhões, !!!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O BNDES E A DÍVIDA PÚBLICA OU, MELHOR, A NOSSA DÍVIDA.

Parece que não tem como o BNDES deixar de ser o centro das atenções.
Já acumulamos aqui no Blog um bom número de posts sobre o uso da dívida para financiar, de forma subsidiada é bom esclarecer, o financiamento do banco.
Enfim, é o povo brasileiro como financiador em última instância, já que a dívida pública em algum momento no futuro vira tributo que sai do nosso bolso, é claro.
E daí? Você, caríssimo leitor, vai dormir melhor quando souber que é o teu salário ou renda que vai financiar nossos gigantes econômicos?
Novas questões foram postas, na direção que já havíamos anunciado, e a gente retoma o tema.

Numa lógica de crescimento um banco de desenvolvimento deveria realmente ser uma referência. Caberia a ele conduzir políticas públicas de estímulo para áreas estratégicas da economia via facilidades de crédito por conta de facilitações assumindo riscos, prazos mais longos ou mesmo crédito subsidiado. Até aqui todos concordamos.

Onde começamos a discordar é na origem dos recursos agora utilizados para que o banco haja como referência, por exemplo.
Gastando tudo que tem direito no custeio da máquina não sobrou ao governo muito espaço para oferecer recursos de investimento quando ficou claro este componente de política pública era essencial para manter e estimular o nível de crescimento da economia. Saída foi lançar mão da dívida pública.
Argumentos não faltaram e o mais importante era o de que nossa dívida era “baixa” comparativamente aos outros países. De preferência os mais ricos. Quem se der ao trabalho de pesquisar encontrará entrevistas de Mantega sobre o tema.
Um interessantíssimo texto de Mendonça de Barros no Valor Econômico, repercutido pelo Política Democrática e Novo Reformismo, lida com esta questão da formação da dívida feita por caminhos transversos, lembrando do uso manipulatório e irresponsável dos recursos públicos na época da “conta-movimento” do BB.
Para quem não sabe esta conta, já extinta, tinha sido criada décadas atrás para equilibrar as relações entre o recém criado Banco Central e o Tesouro Nacional.
Por esta brecha o governo central transferiu recursos para a economia de forma descontrolada e discricionária, eventualmente a favor dos amigos do Rei da época, coincidentemente, ajudando a construir o que viria a ser uma grave crise fiscal em nosso país.

Outro ponto de discordância pode ser o tempo.
A decisão governamental de lançar mão da dívida pública para financiar o crescimento veio justamente no momento de inflexão para cima da curva de crescimento.
É evidente que as mesmas políticas públicas agindo dentro de pontos diferentes dos ciclos de expansão/depressão podem gerar efeitos diferentes dos esperados.
No caso acelerar a economia num momento onde ela já está acelerando por conta própria tem implicações futuras e acaba gerando novos problemas e não novas soluções.
Talvez tenha sido uma desesperada necessidade de poder apresentar bons números em 2010, tendo em vista as eleições.
Meirelles deu uma longa entrevista no Valor Econômico, repercutida pelo Portal do CORECON-MG, abordando um pouco as consequências deste tipo de política de doses além da recomendada.

Enfim, o governo errou na origem do recurso e errou no tempo de aplicação do recurso.

Também podemos discordar do uso do recurso.
Ainda deverá haver, em algum momento, uma retomada da função de controle social que o Senado Federal deveria ter sobre as Finanças Públicas. Embora as previsões indiquem um pesado investimento do PT e aliados nas eleições para a casa. Se este dia chegar talvez verificando as operações do banco venhamos a constatar que a instituição está muito mais voltada para os amigos do Rei do que para os compromissos de crescimento. Só isto poderia explicar o financiamento para a compra de carvão na Bolívia com o intuito de tocar as termoelétricas de um empresário nacional muito conhecido nos arraiais – estamos em julho, não é? - do Palácio do Planalto.

Hoje, 9, o Globo, repercutido pelo Noblat, trás matéria sobre a nossa posição entre as nações mais endividadas e, claro, o BNDES volta à baila.
Apenas a matéria fala em 100 bilhões, quando na realidade o valor total poderá chegar a 180 bilhões:
“O maior problema, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, está no fato de a dívida bruta ter subido significativamente entre 2008 e 2009 devido, principalmente, a uma operação para capitalizar o BNDES em R$ 100 bilhões.”
Atualmente ocupamos um orgulhoso terceiro lugar entre os maiores devedores numa relação, organizada pelo FMI, com 27 países emergentes. Com uma dívida bruta de 67,2% do PIB, só perdemos para a Hungria e a Índia.
Nossa referência de conduta, aquilo que queremos sempre ser, segundo o governo, a China, deve 20%.
O Chile, cujo BC foi citado por Serra como exemplo, talvez tenha no seu BC um bom exemplo porque deve espantosos 4,4%.

Em seu texto Mendonça de Barros vai além da questão das finanças públicas e trata da estatização do crédito e de seu subsídio.
Não é difícil ler este processo como um instrumento de um Capitalismo de Estado no seu clássico sentido de aliança entre as castas da tecno-burocracia estatal e setores privilegiados da economia privada.

A bela citação de Mendonça de Barros ao “ovo da serpente” de Bergman é muito feliz.
As “simpatias” governamentais por ditaduras e regimes autoritários, a doutrina do “let it be” com relação à bomba iraniana, indicam o quanto a política externa, a política interna, a economia e as finanças públicas se falam.
Mesmo que eventualmente a gente não consiga escutar.

Aguardemos a entrevista de Mantega minimizando a questão da dívida...

Demetrio Carneiro.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

PARA QUÊ SERVE UMA PROPOSTA?

O Tony passou um e-mail questionando o fato de que há um silêncio generalizado sobre a atuação do Tesouro comprando dólares para segurar o câmbio, quer dizer, para impedir uma maior apreciação do real. 
Em realidade há uma diferença quando o Tesouro cria uma dívida para comprar dólares que o Tony estima hoje em 10% ao ano.
O problema é que eles acham sim que tem que controlar o câmbio de alguma forma, mesmo com aumento da dívida pública.

Na realidade é uma forma de “proteção” à indústria e responde às demandas da FIESP/CNI. Nesta altura do campeonato situação e oposição estão “sensíveis”.

Como aqui no Brasil o debate da dívida é especializado e não feito publicamente, quando o Tesouro vende títulos públicos na realidade “joga para baixo do tapete”.

Outro detalhe é que eles medem em termos de PIB. Outro dia escutei o argumento de um técnico do governo explicando que a atual formação de dívida não é fundamental porque não influenciará o percentual DP/PIB, já que o PIB esperado é alto. Quer dizer o que aparece na mídia é a despesa relativa e não a absoluta.

Enfim, comprar dólares serve para todos os gostos.
É como a questão dos juros. Politicamente é mais simples atacar o aparente e não o estrutural.
É mais simples dizer que os juros estão altos do que criticar a estrutura e o processo que levam a isso. Da mesma forma é mais complexo buscar as ações estruturantes para mudar o quadro. 
Com a questão do câmbio, desde que se resolva o “hoje”, o “amanhã” é problema do “outro”, quer dizer dos que virão.

O processo de jogar debaixo do tapete os custos das políticas atuais, desde a taxa de juros até Belomonte, é mais ou menos como o cara que joga o lixo num terreno público. Depois que ele jogou o lixo o problema não é mais dele, mas dos outros. 
É alguma coisa como a socialização da incompetência.

Demetrio Carneiro

PARA QUÊ SERVE UMA CPI?

Segundo o Jornal da Câmara, edição de 28 de abril passado, o relator da CPI da Dívida Pública concluiu que os juros altos são responsáveis pela escalada da dívida.

Segundo teria adiantado o relator o governo ao ter “trocado” uma dívida externa atrelada ao dólar por uma dívida interna atrelada à Selic e essa não teria sido uma boa escolha. Já para o deputado Ivan Valente o texto reconhece tacitamente que o aumento da dívida não se deu pelos gastos com a Previdência ou com o funcionalismo, como suporiam Poe “alguns setores da área econômica do governo ou da oposição”.

Não sei bem qual é o custo de uma CPI. Imagino, pelas extensas mordomias da Câmara Federal que uma planilha realista – custo do tempo dos parlamentares, custo total de pessoal, espaço, material, viagens etc...- indicaria que não deve ser nada baixo. 
Se não é tão baixo uma CPI deveria produzir mais que firulas e obviedades ou servir de palco da pirotecnias. É simples: Respeitar o contribuinte.

Fica como sugestão aos nossos valentes(!) parlamentares que estudem o quando os mais de 200 bilhões destinados ao BNDES interferem na Dívida. Também poderiam estudar o custo da política da Receita Federal para a compra de dólares com a intenção de “segurar o câmbio”. Quem sabe o custo do aparelhamento político do Estado? Ou os custos diretos e indiretos da corrupção. Ou os custos adicionais da “contribuição estatal” para acelerar a Belomonte, que certamente virarão dívida pública.

Mais complicado é o discurso de Ivan Valente. Supondo-se “de esquerda” o deputado fica satisfeito de livrar a cara de Previdência ou do funcionalismo. Pode ser que já seja uma propostas de plataforma de governo. Nada de reforma previdenciária. Nada de crítica ao conceito de que inchar a máquina pública significa automaticamente melhorar a qualidade do serviço prestado. Mas principalmente nada da percepção de que dinheiro não tem marca e, portanto, um déficit numa área qualquer da gestão pública soma para a diferença geral entre receita real e despesa real e vira sim dívida pública.

Talvez os deputados devessem mesmo é gastar os recursos públicos estudando um pouco de Finanças Públicas.

Demetrio Carneiro