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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SACHSIDA: UMA VISÃO SOBRE 2012


por Adolfo Sachsida.

Os últimos acontecimentos referentes ao Banco Central do Brasil deixa claro que o combate a inflação deixou de ser prioridade. Quando um país estabelece uma meta de inflação de 4,5% ao ano, podendo chegar até 6,5%, isso parece aquele time de futebol que se coloca como meta perder “apenas” de 3 a 0. E o pior, o BACEN sequer consegue esse objetivo. Alguém duvida que, para 2012, a mesma leniência ao combate a inflação irá continuar? Alguém dúvida que, para esse governo, uma inflação de 6% não é problema?

Se o lado monetário da política econômica vai mal, o que dizer do lado fiscal? Truques, enrolação, equipe formada por viés ideológico (e não por talento ou capacidade), são a regra no que diz respeito aos Ministérios da Fazenda e Planejamento. Quando um time tem Pelé e Garrincha, você sabe que pode vencer a qualquer momento. Quando seu time tem Guido Mantega e Miriam Belchior você sabe que é questão de tempo para uma catástrofe acontecer. Alguém pode justificar a recente medida referente ao IPI elaborada pela equipe econômica? Esses são os talentos que estão a frente da política fiscal.

Existe uma fantasia sendo disseminada nos jornais: o lado fiscal da economia vai bem, prova disso seriam os superávits primários do governo. Nada mais equivocado do que tal análise. O lado fiscal do governo está em frangalhos, está se sustentando única e exclusivamente por causa das arrecadações tributárias recordes que estão ocorrendo. Ao contrário do que diz a boa prática, o ajuste fiscal brasileiro está sendo feito a base de aumentos da arrecadação, e não devido à reduções no gasto do governo. Adivinhem o que irá ocorrer quando a economia der uma “engasgada”, e os recordes de arrecadação desaparecerem. Inclua aqui o aumento do salário mínimo para vigorar em 2012, a necessidade de mais recursos públicos para as obras da Copa e das Olímpiadas, e o aumento tradicional dos gastos públicos que antecedem as eleições.

Inflação alta e situação fiscal deteriorada, isso é o que nos espera em 2012. Como um país nessa situação espera ter um crescimento sustentável no longo prazo?

terça-feira, 15 de março de 2011

ADOLFO SACHSIDA: MUDANÇA NO SISTEMA DE METAS DE INFLAÇÃO

Em 1999, o Banco Central do Brasil adotou o mecanismo de metas de inflação. A idéia básica desse regime é de anunciar uma inflação esperada para o ano e usar a taxa de juros para manter a inflação dentro da meta. Vários países adotam tal regime; outros, como os Estados Unidos não possuem um regime explícito de metas (mas é senso comum que eles perseguem alguma meta). O sistema de metas depende fundamentalmente da credibilidade do Banco Central.
No Brasil, o sistema de metas tem uma peculiaridade: as metas são ajustáveis, ou seja, elas podem ser revistas na presença de choques adversos na economia. Isso simplesmente vai contra a ideia de uma regra. Se uma regra pode ser ajustada ao estado da economia então isso não é uma regra, é sim uma política discricionária. Políticas discricionárias têm péssimo desempenho no combate à inflação.
Opiniões pessoais à parte, vários estudos acadêmicos têm defendido o sucesso do regime de metas de inflação no Brasil. Contudo, fatos estranhos estão ocorrendo. Sem grande alarde, o Banco Central começou a dar ênfase na estabilidade de preços, e na convergência da inflação para o centro da meta, em 2012. Isso só pode significar uma coisa: o BC está se preparando para mudar o sistema de metas de inflação no Brasil. Atualmente, o BC persegue uma meta anual de inflação. O que os últimos acontecimentos parecem sugerir é que o BC pretende alargar o horizonte temporal da meta (para dois anos, por exemplo).
Do ponto de vista teórico existem argumentos defensáveis para se perseguir uma meta de inflação para horizontes mais longos de tempo. Contudo, o que não fica claro é se o BC está alongando o horizonte do sistema de metas por razões teóricas ou por questões políticas. Se o BC tem argumentos teóricos para realizar a mudança, nada mais justo do que discutir isso com a comunidade. Ao se furtar dessa discussão e optar pelo silêncio, o BC levanta dúvidas quanto ao seu compromisso com o combate rigoroso da inflação. O resultado óbvio disso é a recorrente piora das expectativas de inflação que tem marcado o ano de 2011.
O BC não tem legitimidade para sozinho alterar o horizonte do sistema de metas. Se ele quer falar sobre convergência da inflação, para o centro da meta, em horizontes superiores a 1 ano, ele deve informar claramente à sociedade que está alterando o horizonte de tempo do regime de metas. Caso contrário, cabe ao BC explicar à sociedade as causas da inflação não convergirem para a meta no horizonte de tempo estabelecido (anual).
Texto publicado originalmente em Ordem Livre

quarta-feira, 2 de março de 2011

ENCONTRO NACIONAL DOS BLOGUEIROS DE ECONOMIA

Já estava na hora de acontecer alguma coisa semelhante. Certamente o evento colaborará, e muito, para consolidar este segmento especializado da Blogosfera. 
Registrando a participação do Adolfo Sachsida.

Demetrio Carneiro

Programa do Encontro

25 de março, na Sala da Congregação da FEA-USP, de 13:30 às 18 horas.

Abertura (13:30)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

Painel Temático I (13:40)

O Papel dos Blogs no Debate sobre Política Econômica
Carlos Eduardo Gonçalves, Alexandre Schwartsman, Felipe Salto
Vídeo: Adolfo Sachsida

Coffee-Break (15:00)

Painel Temático II (15:10)

A Blogosfera e o Jornalismo Econômico: Complementares ou Substitutos?
Cristiano M. Costa, Leonardo Monasterio, Silvio Crespo, Thais Herédia
Vídeo: Rodrigo Constantino

Coffee-Break (16:20)

Instituto Millenium (16:35)

Painel Temático III (16:50)

Os Blogs na Sala de Aula: A Disseminação do Conhecimento
Cláudio D. Shikida, Ronald Hillbrecht, Márcio Laurini, Mauro Rodrigues
Vídeo: Roseli Silva

Encerramento (18:00)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

ADOLFO SACHSIDA: UM LONGO ANO, COM CHANCES DE CPMF

Tendo que lidar com expectativas o governo produz o corte, mesmo que em seguida nos apresente ao contra-corte. Agora terão que lidar com a síndrome de abstinência ou reconhecer a ineficiência gerencial que é ou deveria ser, uma das marcas fortes da atual gestão.

Nesse contexto a preocupação do Adolfo com a CPMF não é infundada, pois a base da expectativa é de que o governo não expanda mais seus gastos sobre a receita atual prevista. Nas falas tortas de Mantega caberia sem muita dificuldade o argumento, vencido, da necessidade de suplementar áreas estratégicas. Talvez até para gestar a proposta a função educação tenha sofrido cortes. O fato é que o governo já mostrou que dispõe de ampla maioria e sabe usá-la quando lhe apetece. 

Demetrio Carneiro


Quando seu time tem Pelé e Garrincha você sabe que pode vencer a qualquer momento. Quando seu time tem Mantega e Belchior você sabe que é questão de tempo até alguém entregar o ouro. Vejam, por exemplo, o vexame associado ao ajuste fiscal anunciado pelo governo. É simplesmente inaceitável tanta confusão envolvendo os dois principais ministros da área econômica.

Logo depois de anunciar os cortes que integrariam o ajuste fiscal, o governo foi vergonhosamente desmentido. Alguns especialistas, esse blog entre eles, deixaram claro que o ajuste anunciado pelo governo não era factível. Não satisfeito, o governo tentou novamente convencer a todos detalhando os cortes do orçamento. Dessa vez é difícil dizer se a equipe econômica foi confusa ou maldosa. Três detalhes devem ser levados em conta para se analisar o corte de R$ 50 bilhões proposto pelo governo.

Em primeiro lugar, o governo simplesmente mentiu ao dizer que gastos sociais e investimentos do PAC não seriam atingidos pelo corte. Será que a equipe econômica realmente acreditou que ninguém iria notar o truque de falar uma coisa e fazer outra? Exatamente o que se passa na cabeça de ministros de Estado que se contradizem recursivamente no mesmo assunto?

Em segundo lugar, o governo não detalhou os cortes de maneira a deixar claro o que efetivamente será cortado.

Em terceiro lugar, o corte é simplesmente de mentira. Quando se anunciou o ajuste fiscal, a maneira efetiva de fazer isso é reduzindo os gastos do governo em 2011 em relação a 2010. Ou seja, espera-se que o governo gaste menos esse ano do que gastou no ano passado. Mas não, o governo quer basear o ajuste fiscal não no volume de recursos efetivamente gastos em 2010, mas sim no orçamento aprovado para 2011. Só pra dar uma idéia desse absurdo, notem que o governo gastou em 2010 R$ 657 bilhões (sem entrar a capitalização da Petrobras). Dessa maneira, um ajuste fiscal sério nos levaria a crer que em 2011 o governo iria gastar menos do que isso. Contudo, mesmo após o corte de R$ 50 bilhões, se o governo gastar o restante do orçamento ele terá gasto em 2011 R$ 717 bilhões. Ou seja, deve ser o primeiro caso no mundo de um ajuste fiscal que aumenta os gastos do governo.

Para finalizar, vou repetir o que já disse antes, o ajuste fiscal no Brasil será feito por dois canais: volta da CPMF e aumento da inflação (para algo entre 7% e 8% ao ano).

domingo, 22 de agosto de 2010

JAJABRAS, 100% BRASIL!


O texto abaixo é do Adolfo Sachsida, qualquer coincidência não é mero acaso...
Demetrio Carneiro

O Curioso Caso de Jajabras Button

O cinema nos brindou com “O Curioso Caso de Benjamin Button”, filme onde o personagem principal nascia velho e ia rejuvenescendo ao longo da vida. Eu, como escritor de romances, estou escrevendo “O Curioso Caso de Jajabras Button”.

Jajabras Button é uma empresa que, ao contrário de outras empresas, nasce rica. Mas vai empobrecendo a medida que vai ficando mais velha. Jajabras Button nasce sendo dona do negócio mais lucrativo do mundo: petróleo. Tal como Bejamim Button, Jajabras Button vai na direção oposta de seus semelhantes. Enquanto seus rivais precisam fornecer produtos cada vez melhores a preços mais baixos, Jajabras não precisa se preocupar com esse detalhe.

O tempo vai passando, novas tecnologias vão surgindo, mas por alguma razão Jajabras Button vai ficando cada vez mais pobre. O climax do livro ocorre quando Jajabras Button descobre novas reservas de petróleo. Dado que o negócio de Jajabras é exatamente explorar petróleo, seria de se esperar a volta da riqueza para nosso nobre Jaja. Contudo, por uma trama que beira a tragédia grega, quanto mais petróleo encontra mais pobre Jajabras vai ficando.

O livro estava pronto para ser lançado, mas infelizmente estou tendo que brigar na justiça pelos direitos do mesmo. Uma mente maldosa me acusou de plágio, disse que meu livro é uma biografia não autorizada da Petrobras.

terça-feira, 6 de julho de 2010

REGISTRANDO PUBLICAÇÃO INTERNACIONAL DO ADOLFO SACHSIDA

Com algum atraso tenho a satisfação de registrar mais uma publicação internacional do amigo Adolfo, que na contramão de boa parte de nossa academia publica. 
Demetrio Carneiro

15 + 18 = 33
Meu artigo "Demographic Dynamics in Poor Countries: Labor Market Conditions and Gender Inequalities" acabou de ser aceito para publicação no Journal of Development Studies.

Agora tenho 33 artigos publicados (ou aceitos para publicacação), sendo 15 deles em revistas internacionais e outros 18 em revistas nacionais.