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quinta-feira, 3 de março de 2011

MANTEGA LANÇA OFICIALMENTE O CONTRA-CORTE-DO-CORTE

Mantega lançou hoje sua mais nova novidade: Um política de contra-pesos para regular o alcance e a intensidade do corte proposto por Dilma Roussef. O ministro garante que os R$50bi do BNDES não têm nada a haver com os R$50 bi do corte de Dilma. Nisso ele esta totalmente certo. Afinal o dinheiro do corte era para tirar recursos estatais e reduzir a pressão sobre a inflação e o dinheiro do BNDES é para fazer justamente o contrário.

Eu ainda acho que Mantega fatura um Nobel de Economia.

Demetrio Carneiro

quarta-feira, 2 de março de 2011

ADOLFO SACHSIDA: UM LONGO ANO, COM CHANCES DE CPMF

Tendo que lidar com expectativas o governo produz o corte, mesmo que em seguida nos apresente ao contra-corte. Agora terão que lidar com a síndrome de abstinência ou reconhecer a ineficiência gerencial que é ou deveria ser, uma das marcas fortes da atual gestão.

Nesse contexto a preocupação do Adolfo com a CPMF não é infundada, pois a base da expectativa é de que o governo não expanda mais seus gastos sobre a receita atual prevista. Nas falas tortas de Mantega caberia sem muita dificuldade o argumento, vencido, da necessidade de suplementar áreas estratégicas. Talvez até para gestar a proposta a função educação tenha sofrido cortes. O fato é que o governo já mostrou que dispõe de ampla maioria e sabe usá-la quando lhe apetece. 

Demetrio Carneiro


Quando seu time tem Pelé e Garrincha você sabe que pode vencer a qualquer momento. Quando seu time tem Mantega e Belchior você sabe que é questão de tempo até alguém entregar o ouro. Vejam, por exemplo, o vexame associado ao ajuste fiscal anunciado pelo governo. É simplesmente inaceitável tanta confusão envolvendo os dois principais ministros da área econômica.

Logo depois de anunciar os cortes que integrariam o ajuste fiscal, o governo foi vergonhosamente desmentido. Alguns especialistas, esse blog entre eles, deixaram claro que o ajuste anunciado pelo governo não era factível. Não satisfeito, o governo tentou novamente convencer a todos detalhando os cortes do orçamento. Dessa vez é difícil dizer se a equipe econômica foi confusa ou maldosa. Três detalhes devem ser levados em conta para se analisar o corte de R$ 50 bilhões proposto pelo governo.

Em primeiro lugar, o governo simplesmente mentiu ao dizer que gastos sociais e investimentos do PAC não seriam atingidos pelo corte. Será que a equipe econômica realmente acreditou que ninguém iria notar o truque de falar uma coisa e fazer outra? Exatamente o que se passa na cabeça de ministros de Estado que se contradizem recursivamente no mesmo assunto?

Em segundo lugar, o governo não detalhou os cortes de maneira a deixar claro o que efetivamente será cortado.

Em terceiro lugar, o corte é simplesmente de mentira. Quando se anunciou o ajuste fiscal, a maneira efetiva de fazer isso é reduzindo os gastos do governo em 2011 em relação a 2010. Ou seja, espera-se que o governo gaste menos esse ano do que gastou no ano passado. Mas não, o governo quer basear o ajuste fiscal não no volume de recursos efetivamente gastos em 2010, mas sim no orçamento aprovado para 2011. Só pra dar uma idéia desse absurdo, notem que o governo gastou em 2010 R$ 657 bilhões (sem entrar a capitalização da Petrobras). Dessa maneira, um ajuste fiscal sério nos levaria a crer que em 2011 o governo iria gastar menos do que isso. Contudo, mesmo após o corte de R$ 50 bilhões, se o governo gastar o restante do orçamento ele terá gasto em 2011 R$ 717 bilhões. Ou seja, deve ser o primeiro caso no mundo de um ajuste fiscal que aumenta os gastos do governo.

Para finalizar, vou repetir o que já disse antes, o ajuste fiscal no Brasil será feito por dois canais: volta da CPMF e aumento da inflação (para algo entre 7% e 8% ao ano).

terça-feira, 1 de março de 2011

GOVERNO DILMA INVENTA O CONTRA-CORTE DO CORTE

Provavelmente numa já no início de uma crise de abstinência o governo inova na Política Econômica e lança o Contra Corte do Corte, vulgo CCC. Anotem que ainda vai dar um Nobel de Economia. No ato que corta gastos de um lado arruma uma forma de gastar mais do outro e já vai soltar uns trocados para o BNDES. Vocês conhecem, aquele banquinho que vive pedindo algum para o governo, de preferência bem baratinho.

Demetrio Carneiro