terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2011

Em julho de 2010 a Revista Política Democrática publicou um pequeno texto que escrevi sobre a situação na Europa: “Para onde caminha a Europa”. O texto eu escrevi por volta de maio e era mais uma reflexão sobre a crise e o projeto socialista. Naquela altura a maior parte dos prognósticos e avaliações apontavam a recuperação da economia continental. Na contramão dessas leituras eu percebia uma dificílima recuperação, principalmente por conta da política. Publicado o texto muitos o consideraram vencido, contudo os fatos recentes, talvez por isto seja bom escrever e datar, mostram que a avaliação que fiz não estava errada.

Mas por qual motivo lembrar agora desse texto? É por considerar que os limites de nosso 2011 estão na crise européia, embora também estejam na americana.
Não é preciso um estudo muito profundo para perceber o quanto a situação externa impulsionou o crescimento brasileiro nos últimos anos. Também é mais ou menos evidente o formato do trenzinho da mundialização com a China fornecendo, às custas do processo de desindustrialização primeiro na Europa e Estados Unidos é bom registrar, produtos industriais e o Brasil fornecendo para a China commodities para a elaboração desses produtos.

A crise na Europa e nos Estados Unidos coloca em cheque esse modelo e aponta para a necessidade de maior investimento no mercado interno. Certamente isso explica a concentração de recursos no BNDES e também o forte interesse na redução da taxa básica de juros. Acredito que viveremos em 2011 o início de um processo bastante focado nas oportunidades do mercado interno brasileiro e suas três “alavancas”: Pré-Sal, Copa e Olimpíadas.
Para quem considerar que o processo se basta por aqui a leitura do nacional-desenvolvimentismo estará um seu ápice.
Para quem, como eu, acha que o processo nacional-desenvolvimentista vai se esgotando a conclusão é que até poderemos crescer, mas estaremos condenados a outra década de mediocridade.

Menos mau para Lula, que precisa ter em Dilma um governo medíocre, garantindo assim sua volta redentora em 2014.

Demetrio Carneiro

PARA ONDE CAMINHA A EUROPA

Para Onde Caminha a Europa

UM POSTE CHAMADO DILMA

O radicalismo petista despreza a democracia representativa e suas instituições. Não tem sido outro o comportamento de Lula e seu grupo e as eleições foram, digamos, um dos pontos fortes do processo.
Deve ter sido muito estimulante, já no primeiro governo, quando se deram conta de que o grosso dos agentes políticos e representantes do poder real estavam dispostos a negociar votos e posições em troca de poder&dinheiro e que ter projetos era o menos importante. Foram oito anos do mais completo pragmatismo que acabou justificando a visão do sistema representativo brasileiro como um lixo.
Não é um acaso o pesado investimento governamental nas estruturas participativas e é de se imaginar futuros investimentos nas estruturas de democracia direta.
Faz parte do projeto de poder lulo-petista o uso manipulatório, e é bom deixar claro: consentido, do regime representativo. Realmente olhando da posição deles, compradores, para a estrutura parlamentar, governos estaduais e municipais, vendedores, é possível imaginar o desprezo.
É provável que esse desprezo esteja na raiz do comportamento francamente desmoralizador das instituições republicanas e federativas.

“Num cenário de a Dilma fazer um governo bom, é evidente que ela vai à reeleição. Se houver dificuldades, e ele for a solução para a gente ter uma vitoria, ele pode voltar”. Este comentário de Gilberto Carvalho, que é o futuro Secretário-geral da Presidência não poderia ter outra interpretação que não fosse o desprezo não por Dilma, vista aqui como um fantoche a ser manipulado pelo grupo, mas da própria instituição da Presidência da República.

Nossas instituições resistirem a mais quatro anos seguidos na mesma situação?
Há uma clara estratégia de desmonte da democracia representativa e o reforço paralelo das estruturas de democracia participativa em andamento.
A democracia participativa não deveria ser desvantajosa para a consolidação do processo democrático. Infelizmente não é o nosso caso. A cooptação pró-governamental é a métrica das entidades do movimento social.

O ponto de resistência não são os partidos políticos, mas deveria ser a cidadania.
Partidos políticos como os nossos, construídos sobre o personalismo e o “se dar bem” são peças auxiliares do processo, fazem parte orgânica dele. Daí nossa “oposição” ser o que é.
Com nosso pesado déficit de cidadania dá para imaginar que há um longo caminho pela frente.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NÓS E O TERRORISMO INTERNACIONAL

Um dos últimos atos do governo Lula deverá ser a decisão de não extraditar o terrorista e criminoso condenado Cesare Battisti.

Ao não aceitar receber os terroristas de Guantánamo nosso governo alegou que “não era um problema nosso”, o que nos leva a imaginar por qual razão um terrorista italiano é “problema nosso”. 
A assimetria de comportamento com relação a casos como o do Irã, de Cuba ou da China,  onde Lula declarou que não queria se intrometer nos assuntos internos daqueles países - o argumento "forte" desmoraliza a justiça e o sistema carcerário italianos - e  torna a dúvida bem razoável: O que mais deverá haver?

De qualquer forma assumir essa decisão agora, nos últimos dias de governo, é mais uma forma de ir pautando o próximo governo.

Demetrio Carneiro


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MISTÉRIOS DO PAN AMERICANO

Segunda a mídia o BC detectou um rombo de R$ 1 bi na contabilidade do Banco Pan Americano. A Polícia Federal procura o dinheiro, mas não é este o grande mistério.

Assuntos ainda não esclarecidos:

Por qual motivo os fatos não vieram à tona antes das eleições e isso coloca uma dúvida sobre consistência da autoridade do BC.

Também falta esclarecer qual a relação entre as “facilidades” oferecidas à Sílvio Santos e a contra-propaganda do SBT que tentou desmoralizar Serra, num contexto onde a vedete foi Lula buscando desmoralizar Serra.

Sobre estas questões reina absoluto silêncio. Levando em conta que poderiam ter interferido no resultado das eleições...

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CAPACIDADE DE SE INDIGNAR

Quando as pessoas perdem a capacidade de se indignar ou compactuam, a cidadania desaparece e se abrem as portas para o autoritarismo.
Auto-citação

Demetrio Carneiro

O AUMENTO PÓS-ELEITORAL DAS AUTORIDADES E A DIFÍCIL ARTE DE SER OPOSIÇÃO

Nada como o natal, época dos bônus natalinos das autoridades. A situação situou-se muito bem e a oposição foi espetacular. Todos merecem.
Aqueles partidos que passaram as eleições jurando que defendiam a austeridade fiscal e que Dilma não devia ser eleita por ser da turma do gasta-gasta parece que revisaram suas propostas e votaram todos unidos pela recomposição do poder aquisitivo de suas excelências. Excessão feita ao PSOL, é bom registrar.
Um bi adicionais para o Congresso e 2 bi adicionais para estados e prefeituras. Claro que as outras autoridades sub-nacionais vão se sentir autorizadas a se auto-aumentarem. Três bi. Tudo pela pátria e o povo brasileiro...

Evidentemente esperaram as eleições passarem.

Demetrio Carneiro