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segunda-feira, 11 de abril de 2011

CONGRESSO NACIONAL: OLIGARQUIAS DA VELHA REPÚBLICA RESSUSCITADAS

Levantamento do Congresso em Foco sobre relações de parentesco entre os parlamentares no Legislativo Federal leva a interessantes conclusões: "Para cientista político, o país está voltando aos padrões oligárquicos da República Velha, do início do século 20".

Alguns cientistas políticos negam que a política de formação de amplas bases de apoio ao governo esteja acabando por reviver a arcaica estrutura do coronelismo e não aceitam o termo neo-coronel imputado a políticos como Sarney ou mesmo à políticos desse novo PT que emerge na atual conjuntura como parceiro de fé do PMDB, mas ai estão alguns fatos conprovando que talvez realmente a formação da amplíssima base de governo está atrelada ao retorno de relações políticas arcaicas renovadas. Mais um problema sobre democracia representativa e seu papel na construção de um projeto democrático de longo prazo.

Demetrio Carneiro

Quase 300 deputados têm parente na política

Relações de família com outros políticos são a realidade de quase metade da Câmara. Para cientista político, o país está voltando aos padrões oligárquicos da República Velha, do início do século 20

Um negócio de família: de cada dois deputados federais, um tem outros parentes na política. Um quadro que revela o quanto ainda é oligárquico o poder no Brasil
Edson Sardinha e Renata Camargo

Tradição familiar não é sinônimo de sucesso na política. Mas é quase isso, a julgar pela atual composição da Câmara. Um em cada dois deputados da atual legislatura tem laços de parentesco com outras figuras da vida pública brasileira. Dos 564 deputados que assumiram mandato este ano, entre titulares, suplentes e licenciados, 271 (48%) são parentes de políticos. São filhos, netos, pais, irmãos, sobrinhos, tios, primos, cônjuges ou ex-cônjuges de quem tem ou já teve mandato, exerceu algum cargo de nomeação política ou participou de eleição.

Onze dos 22 partidos com assento na Câmara têm ao menos metade de sua representação formada por deputados com familiares políticos. O quadro é de amplo predomínio em algumas das principais legendas do país, como o PMDB, o DEM e o PP, campeões no número de parlamentares com parentes na política entre as cinco maiores bancadas da Casa. Os dados fazem parte de levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco sobre as relações de parentesco entre os parlamentares no Legislativo federal.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

UM POSTE CHAMADO DILMA

O radicalismo petista despreza a democracia representativa e suas instituições. Não tem sido outro o comportamento de Lula e seu grupo e as eleições foram, digamos, um dos pontos fortes do processo.
Deve ter sido muito estimulante, já no primeiro governo, quando se deram conta de que o grosso dos agentes políticos e representantes do poder real estavam dispostos a negociar votos e posições em troca de poder&dinheiro e que ter projetos era o menos importante. Foram oito anos do mais completo pragmatismo que acabou justificando a visão do sistema representativo brasileiro como um lixo.
Não é um acaso o pesado investimento governamental nas estruturas participativas e é de se imaginar futuros investimentos nas estruturas de democracia direta.
Faz parte do projeto de poder lulo-petista o uso manipulatório, e é bom deixar claro: consentido, do regime representativo. Realmente olhando da posição deles, compradores, para a estrutura parlamentar, governos estaduais e municipais, vendedores, é possível imaginar o desprezo.
É provável que esse desprezo esteja na raiz do comportamento francamente desmoralizador das instituições republicanas e federativas.

“Num cenário de a Dilma fazer um governo bom, é evidente que ela vai à reeleição. Se houver dificuldades, e ele for a solução para a gente ter uma vitoria, ele pode voltar”. Este comentário de Gilberto Carvalho, que é o futuro Secretário-geral da Presidência não poderia ter outra interpretação que não fosse o desprezo não por Dilma, vista aqui como um fantoche a ser manipulado pelo grupo, mas da própria instituição da Presidência da República.

Nossas instituições resistirem a mais quatro anos seguidos na mesma situação?
Há uma clara estratégia de desmonte da democracia representativa e o reforço paralelo das estruturas de democracia participativa em andamento.
A democracia participativa não deveria ser desvantajosa para a consolidação do processo democrático. Infelizmente não é o nosso caso. A cooptação pró-governamental é a métrica das entidades do movimento social.

O ponto de resistência não são os partidos políticos, mas deveria ser a cidadania.
Partidos políticos como os nossos, construídos sobre o personalismo e o “se dar bem” são peças auxiliares do processo, fazem parte orgânica dele. Daí nossa “oposição” ser o que é.
Com nosso pesado déficit de cidadania dá para imaginar que há um longo caminho pela frente.

Demetrio Carneiro