terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Caixa e BB - Como o Blog já Havia Afirmado, Políticas Ruins um Dia Cobram seu Preço

ISTO É ON LINE, 27/01/2010.


Um Vespeiro de R$ 260 bilhões: Foi dada a largada para a reforma da CEF e BB

Estela Caparelli e Fabiane Stefano

Nas próximas duas semanas, o governo vai meter a mão em um grande vespeiro político e econômico: a reestruturação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O destino dos dois maiores bancos públicos do País – e os maiores da América Latina – e dos seus ativos de R$ 260 bilhões será discutido em audiência pública no Congresso. As discussões serão baseadas em um estudo encomendado à consultoria Booz Allen pela divisão do Ministério da Fazenda responsável pelos cinco bancos federais, a Comif. O estudo, ao qual DINHEIRO teve acesso, foi entregue há um mês e sugere alternativas para outros três bancos federais: BNDES, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste. Entre as idéias que serão colocadas na mesa, está a transformação das carteiras de crédito rural do BB e de habitação da CEF em agências independentes. A idéia – que não está clara no estudo da Booz Allen – foi discutida dentro do Banco Central com parlamentares, segundo DINHEIRO apurou. Nessas reuniões foi levantada a necessidade de uma reforma rápida dos dois bancos federais devido à deterioração de seus números. Estimativas feitas no ano passado a portas fechadas pelo próprio BC mostram que o rombo da Caixa era de R$ 35 bilhões. No caso do BB, o buraco chegava a R$ 20 bilhões. Amauri Bier, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, e homem-chave dessa reforma, fez um enorme esforço para não usar a palavra privatização em seu primeiro pronunciamento sobre o assunto na Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados, no último dia 16. Mas a idéia é levantada de forma sutil diversas vezes no estudo da Booz Allen. "O papel (dos bancos federais) de apoiar os objetivos do Estado, em boa parte, pode ser cumprido pelo setor privado", diz o estudo. Juntas, as cinco instituições geraram prejuízos de R$ 7,3 bilhões nos últimos cinco anos, em parte porque 55% dos seus ativos de R$ 353 bilhões estão ligados a riscos gerados por atividades do Estado. "Esses ativos representam exposição fora do controle das instituições", afirma a consultoria. É exatamente por ter grande importância nas políticas estatais que a reforma deve encontrar obstáculos. "As mudanças vão enfrentar muita resistência política", diz o deputado Manoel Castro (PFL-BA), presidente da Comissão de Finanças. Vida ou morte. Independente de como será feita a reformulação dos gigantes financeiros públicos, uma coisa é certa: a reforma é questão de vida ou morte para essas instituições. Os cinco bancos federais atuam de forma descoordenada, deficitária e muitas vezes competem entre si. O BB e a CEF, por exemplo, disputam os créditos dos Estados e municípios – como é o caso da previdência das Prefeituras – e clientes em agências abertas nos mesmos lugares. Isso sem falar nos problemas de gestão. A Caixa é um exemplo. A rentabilidade da instituição no ano passado foi de 10,1%, a metade da média do mercado, segundo levantamento feito pela Engenheiros Financeiros & Consultores (EFC) para DINHEIRO. O que explica o resultado é o déficit na carteira habitacional, seu principal negócio. O estudo da Booz Allen confirma essa posição. Segundo a consultoria, a razão para esses números é a necessidade de o banco atender aos apelos sociais. Sem citar números, o estudo afirma que a margem da Caixa na carteira de habitação foi negativa em 1998 principalmente devido à inadimplência e ao custo direto das agências. O custo operacional do banco é de R$ 5,2 bilhões ao ano, um valor maior que seu orçamento, de R$ 4,2 bilhões. Outro problema da CEF é emprestar mais dinheiro do que realmente tem em caixa. Ou, como se diz no mercado, estar muito alavancada. Para se ter uma idéia, enquanto os 80 maiores bancos brasileiros apresentaram um índice de alavancagem de 9,4 no ano passado, a da Caixa chegou a 31,4. "O banco deveria ter três vezes o patrimônio atual ou um terço dos ativos", diz Carlos Coradi, consultor da EFC. Além de emprestar muito, a estratégia da Caixa não ajuda a resolver o problema habitacional. Segundo o estudo da Booz Allen, os recursos para habitação são destinados em sua maioria para a região Sudeste, embora a necessidade de crédito esteja no Nordeste. Além disso, o dinheiro beneficia, principalmente, famílias de renda superior a cinco salários mínimos, quando a necessidade maior é de famílias com renda inferior. Na conclusão, o estudo sugere que a Caixa deveria ser agente de políticas públicas e sair de negócios comerciais. No caso do BB, o maior banco da América Latina, com ativos de R$ 138,4 bilhões, um dos principais problemas é a inadimplência da carteira agrícola, segundo a Booz Allen. O BB já perdeu duas vezes o valor do seu patrimônio e teve de recorrer a aportes financeiros do governo. Na última vez, em 1997, recebeu R$ 7 bilhões dos cofres do Tesouro. "O Banco do Brasil vive uma crise existencial", diz o especialista em bancos, Alberto Borges Matias. Segundo ele, a vocação do BB é atuar nos setores de agronegócios e exportação. "O governo e o Banco do Brasil deveriam desistir da idéia de transformar a instituição em um banco comum." Nesse caso, o BB passaria a competir com todo o mercado financeiro. "O BB perdeu uma oportunidade importante de se firmar no setor externo." Talvez não. O estudo da Booz Allen sugere que o BB melhore sua posição em comércio exterior. E mais: que aumente sua competitividade comercial e as expectativas dos acionistas em resultados financeiros. Como se vê, há muita faxina a ser feita.

A DÍVIDA PÚBLICA E SEUS LIMITES

Logo no início de todo esse debate sobre a crise econômica chamávamos atenção para duas questões que nos pareciam e os fatos mostraram que são importantes:
a) Qualquer recuperação da economia dependeria da confiança do consumidor. Muitos economistas achavam que esse era um problema superável desde que se despertasse o “espírito animal” de cada um de nós. A fórmula mágica seria injetar na economia recursos via governo;
b) Como decorrência alertávamos que essa conta, que nos parece difusa e etérea por falar em números fantásticos (40 trilhões de dólares, por exemplo), sempre cai no colo do contribuinte.
Pelo que se vê a expansão da dívida pública nos países desenvolvidos da Europa segue em ritmo acelerado, tendo crescido nos últimos dez anos de duzentos para trezentos e trinta por cento do PIB. Existe todo um debate sobre o quanto um país pode dever e o termo de referência é o PIB. Muitos economistas defendem que isso é determinado pela real capacidade de pagamento. Muito bem, mesmo que o custo de captação para esses países seja bem menor que o nosso custo, um número de trezentos e trinta por cento sobre o PIB certamente compromete a capacidade de poupança interna, mais tributação, e comprometendo a capacidade interna compromete o crescimento econômico. Isso nós conhecemos bem.
Ao contrário do que sempre quiseram fazer parecer não há soluções fáceis. Leituras lineares sempre são leituras interessadas.
Demetrio Carneiro

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

TEORIA E PRÁTICA

A crise que avança pela Europa já tem nome: PIG. Os BRICs, por conta da Rússia, podem virar CRIB. E economia americana já está levando Obama a buscar inspiração no Chávez e acusar a oposição pelos problemas.
Aguardamos alguma formulação dos nossos nacional-desenvolvimentistas ou novo-desenvolvimentistas, se preferirem, que explique por que afinal todas as cantatas, óperas e versos que saudaram a retomada do projeto estatizante (não corro o risco de chamar isso de keynesianismo para não ofender Keynes) e do gasto público não estão funcionando.
A leitura era de que essa etapa da humanidade culminava com a derrota final do “neo-liberalismo” (que seria o rentismo explorador da burguesia capitalista aliado a um conceito nocivo ao progresso e ao bem-estar dos povos do planeta: a estabilidade econômica).
Enfim, depois de gastar tudo o que tinham direito, os governos não conseguiram muito mais que segurar a onda de segmentos do setor financeiro, garantindo, para horror de Obama, que só agora se deu conta, que o prejuízo vai para o contribuinte. Pelo visto terão que continuar gastando. O tal modelo em “W” está cada vez mais famoso.
Enquanto isso aquele conceito ultrapassado, o tal de “confiança dos agentes econômicos” parece que resiste a ser mudado por decreto. Que coisa!

Demetrio Carneiro

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A PESQUISA E A ECONOMIA

A pesquisa Sensus pode ter diversas leituras. Enquanto a maior parte da mídia lê a expansão da candidatura de Dilma, César Maia faz uma leitura estratégica e procurar ver os sinais que mostram os limites da expansão de Dilma, como os índices de rejeição de Lula ou críticas aos serviços públicos ou a altíssima carga tributária.

Seja como for talvez esteja na hora de acender o sinal amarelo no debate econômico.
A oposição escolhe mal o terreno do embate quando fica insistindo em se misturar ao discurso governista de juros baixos e controle cambial. Não se trata apenas do fato de ser incapaz de explicar com clareza como pretende reduzir juros ou como pretende segurar a apreciação do real ou se esse processo de desindistrialização que tanto nos ameaça é potencial ou real ou se outras propostas podem ou não ser melhores.

Trata-se mais da estratégia em si própria.
O debate que realmente interessa é o debate do modelo de desenvolvimento que aponte para algo que é muito mais que a superação da crise e sim um novo projeto que nos coloque em outro patamar. É desse debate que derivarão as outras questões e será ele que apontará uma nova qualidade que poderá sinalizar ao eleitor que valerá trocar o presente pelo futuro.

Esse debate de partes e discursos que possam soar mais simpáticos é apenas oportunista e aponta para a vitória de Dilma, por insuficiência.

Demetrio Carneiro

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Estado é Eu... Já o Erário... Bem, esse Pode Ser Também dos Amigos!

Nosso presidente favorito demonstra novamente crer em sua suprema esperteza e na ignorância coletiva.

Além do escandaloso comportamento de Lula com relação à compra de caças pela FAB, onde simplesmente rasgou o trabalho dos verdadeiros especialista técnicos e estratégicos (ou alguém razoável acredita que o Jobim, Marco Aurélio Garcia, Amorim e cia entendem mais de estratégia e tecnologia que o pessoa da FAB, que inclui CTA, AFA, ITA etc) e demonstra disposição em pagar muito mais pelo Rafael do que o caça realmente aparenta valer (segundo a própria Dassault, que oferta o avião por valores bem mais baixos para a Índia), nosso “guia” acaba de indicar a substituta de Dilma, ninguém menos que Erenice Guerra.

A tia Erenice, secretária executiva da ex-doutora Dilma, é pivô do escândalo que envolveu a elaboração de um dossiê contra a verdadeira doutora Ruth Cardoso e seu marido, e ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso.

Poderíamos abordar essa senhora de duas maneiras possíveis:

i) A partir do claro absurdo que é a idéia de tentar evitar a apuração do roubo do erário facilitado pelos cartões corporativos através da chantagem. Ela, antes mesmo de ter vida política, mostrou que não está nem aí quando um companheiro rouba, o relevante é impedir que ele seja punido.
ii) Ou do segundo absurdo, que é o uso da maquina pública para surripiar os direitos de cidadãos. Palocci fez isso contra um simples caseiro que ousou contar que Palocci era o que é, um criminoso! Guerra, sob comando de Dilma, tentou fazer isso contra uma das pessoas mais éticas a freqüentar o quadro do poder, a Dra. Ruth Cardoso. Com isso mostrou que tem o mesmo caráter ruim que predomina em boa do lulu-petismo.

Lula novamente mostra onde fica o seu padrão de ética e responsabilidade com a coisa pública.

Abs

José Carneiro

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

OS VENDEDORES DE DIFICULDADES


Aos ilustres amigos que pretendem “interpretar” o sentimento da esquerda ou a vontade das massas e saem por ai criticando “os juros altos” ou o “câmbio que prejudica nossa indústria” deixo como sugestão o texto abaixo publicado no Valor Econômico.
Pessoalmente já esgotei meu repertório. Pode ser que escrito o argumento por outros talvez prestem atenção e se dêem conta de que num ano eleitoral precisam de argumentos mais bem elaborados.
No fundo essa fala fácil de criticar no geral sem procurar entender as origens ou tratar das verdadeiras soluções não deixa de ser um formato de vender dificuldades para oferecer facilidades ou, quem sabe, soluções mágicas, atalhos...
Talvez se prestassem atenção naquela pesquisa que relata a reação das classes de menor renda à tributação excessiva tivessem assuntos mais interessantes para tratar. Apenas uma sugestão, claro.
Demetrio Carneiro

Câmbio, poupança e os vendedores de ilusão

Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fradelli Cardoso
29/01/2010

Muitos economistas têm defendido a adoção de uma taxa real de câmbio desvalorizada como estratégia de desenvolvimento, no intuito de preservar a competitividade de vários setores industriais nacionais ameaçados pela valorização cambial. Como exemplo de sucesso a ser copiado apresentam os países asiáticos, onde o acelerado crescimento econômico vem acompanhado de uma taxa real de câmbio competitiva, sem pressão inflacionária. Teria o Brasil condições de emular a estratégia asiática, sem provocar a elevação da inflação?
A resposta à pergunta acima é categoricamente negativa, pois o modelo asiático está calcado em uma alta taxa de poupança doméstica, inexistente no Brasil. É importante compreender por que, de posse de uma poupança doméstica elevada, os bancos centrais asiáticos conseguem facilmente manter a taxa real de câmbio desvalorizada sem provocar inflação. Um banco central que decida manter a taxa real de câmbio mais desvalorizada do que o determinado pelo mercado precisará comprar dólares dos exportadores. Se as compras forem pagas com emissão monetária, cedo ou tarde surgirão pressões inflacionárias. A fim de evitar a inflação, a emissão monetária decorrente da acumulação de divisas terá que ser esterilizada mediante venda de títulos do próprio banco central - ou de títulos do governo que estejam em seu ativo. Quando a poupança doméstica é alta, esses títulos são facilmente colocados no mercado interno, mesmo a taxas de juros baixas, pois há poupadores dispostos a comprá-los. Entretanto, diante de uma poupança doméstica baixa, o banco central não consegue neutralizar a pressão monetária provocada pela acumulação de divisas, gerando inflação.
Como exemplo de comparação com o caso brasileiro, tome-se a China, país cuja poupança doméstica - pública mais privada - alcança 45% do PIB, enquanto no Brasil ela é de apenas 17%. A poupança pública chinesa é elevada por dois motivos. Primeiro porque o governo não precisa arcar com elevadas despesas previdenciárias, pois lá não existe um programa previdenciário em regime de repartição deficitário como aqui. No Brasil, diferentemente, apesar de sua população relativamente jovem, os gastos com aposentadorias e pensões - INSS e servidores públicos -, transferem a gigantesca fração de 12% do PIB às famílias, equivalente a um terço da enorme carga tributária de 36% do PIB brasileiro.
O segundo motivo é o fato de que, nos principais setores da economia chinesa, há uma empresa hegemônica estatal que, por operar como monopolista - ou quase isso - tem alta margem de lucro, que contribui para a poupança pública. Vale lembrar que, num país com mercado de capitais em estágio embrionário, é natural que as empresas estatais chinesas dependam de lucros retidos para financiar seus investimentos. Ademais, num regime politicamente fechado como o chinês, o governo desconsidera pressões populares por redução de margens de suas estatais. O mesmo fenômeno se observava na década de 1970 no Brasil. No Brasil democrático atual, as estatais são frequentemente chamadas a dar sua contribuição para a redução das pressões inflacionárias, reduzindo a poupança pública.
Quanto à poupança privada chinesa, ela é alta porque a inexistência de um sistema previdenciário público estimula a poupança pessoal. Diante da perspectiva de insuficiência de renda na velhice, o chinês humilde que migrou do interior para trabalhar nas grandes cidades opta voluntariamente por poupar metade de sua renda do trabalho. Como consequência, o consumo pessoal chinês é de apenas 35% do PIB, cerca de metade da fração observada no Brasil.
Os chineses poupam muito e os brasileiros muito pouco. Isso não ocorre porque os brasileiros são intrinsecamente diferentes dos chineses, mas porque reagem a incentivos econômicos muito distintos. Um trabalhador brasileiro de baixa renda, caso atue no setor formal, não tem estímulo a poupar, pois receberá aposentadoria integral do INSS. Se estiver no setor informal, terá direito ao LOAS, um benefício mensal de um salário mínimo - equivale a mais de um terço da renda per capita nacional -, mesmo que nunca tenha contribuído para o INSS. No caso do trabalhador de classe média, se for servidor público, não terá incentivo a poupar, pois receberá aposentadoria integral. Somente os trabalhadores da classe média alta do setor privado têm incentivos a poupar, pois receberão do INSS uma renda mensal inferior ao salário pré-aposentadoria.
Os dólares comprados pelo banco central chinês são aplicados no exterior, sobretudo em títulos da dívida pública norte-americana, o que explica as gigantescas reservas internacionais chinesas. Do ponto de vista macroeconômico, o banco central chinês atua como um intermediário financeiro entre o poupador chinês e o tesouro norte-americano. Isso significa que, no futuro, quem pagará a aposentadoria do trabalhador chinês que hoje poupa metade de sua renda será o contribuinte norte-americano das próximas décadas.
O Brasil só poderia cogitar uma estratégia de crescimento do tipo asiática se adotasse medidas destinadas a aumentar significativamente a poupança doméstica. Mas isso exigiria um novo pacto intergeracional completamente distinto daquele fixado pela Constituição de 1988. As gigantescas pressões pelos aumentos de gastos sociais observados nas duas últimas décadas, a resistência à reforma de nosso sistema previdenciário concentrador de renda, o tabu em relação à cobrança de mensalidade no ensino superior público, para citar apenas alguns exemplos de compromissos constitucionais do Tesouro, refletem a opção da sociedade brasileira por um modelo de desenvolvimento distinto do asiático.
O espetacular crescimento dos tigres asiáticos baseou-se na conjugação de enorme taxa de poupança doméstica, elevado investimento em educação e em infraestrutura, e economia aberta ao comércio internacional. Ao benefício do crescimento acelerado e baixa inflação correspondeu o sacrifício do adiamento do consumo, o esforço educacional e a resistência aos lobbies protecionistas.
Os entusiastas do modelo de crescimento econômico asiático deveriam apresentar também seus custos. Não podem vender ilusões à sociedade brasileira. Além da valorização cambial, há outras dificuldades enfrentadas diariamente pelos empresários brasileiros, como a voracidade tributária do Estado, o cipoal de regulações impostas por diversos órgãos das três esferas de governo, os achaques de fiscais que vendem facilidades criadas por aquelas regulações, a má qualidade da mão de obra, a lentidão da Justiça, o elevado spread bancário, para citar apenas algumas.
Por que eleger a taxa de câmbio a solução miraculosa de toda essa gama de distorções resumida na expressão Custo Brasil? Em vez de apresentarem o câmbio real desvalorizado como o ovo de Colombo do crescimento, a fórmula mágica e indolor que geraria crescimento sem sacrifícios, eles deveriam defender as eternamente adiadas reformas estruturais destinadas a aumentar a poupança pública e privada no Brasil.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Quase Despercebido (Orçamento e Crise Energética)

O Governo afirma que não há problemas com a infra-estrutura de energia do país. Antes de Lobão, Dilma foi ministra de Minas e Energia. O conhecimento que ambos tem da área é o mesmo, nenhum!

Teoricamente, Dilma havia estudado o sistema brasileiro durante seu mestrado e doutorado na Unicamp, como esses cursos não passavam de uma breve mentira curricular, que, segundo a ministra, contou com apoio de um hacker misterioso que invadiu o Currículo Lates da ex-doutora e o site da Casa Civil e manteve por vários meses essa informação lá, é fatal que os estudos sobre o setor enquadrem-se na mesma categoria.

O setor, que não está em crise oficial, apesar dos apagões, teve um aumento fantástico na sua previsão orçamentária. Tão incrível que ultrapassou o orçamento previsto para 2010 do Ministério da Defesa e do Ministério da Saúde, usuais terceiro e segundo maiores orçamentos da Esplanada, ficando atrás apenas do orçamento da Previdência.

Ora, ou o PAC 2 está centrado no Ministério de Minas e Energia, o que seria evidência de falta de investimento durante o governo Lula, ou o sequência de ministros incompetentes começou a cobrar seu preço. Pena que com o atual gestor boa parte do recurso deva acabar no ralo, ou melhor, na rachadura da barragem.

abs

José Carneiro