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sexta-feira, 16 de abril de 2010

QUESTÃO MAIS PARA MENINOS

O debate entre o “Estado mínimo”, que tentam colar na testa de Serra, e o “Estado Forte” que Dilma procura usar como lema foi comprado por parte da mídia, mas também por muitos outros e outras. 
Além de ficar parecendo aquela disputa de meninos, qual é mesmo a importância prática deste debate para o debate eleitoral sobre o próximo governo?

Certamente nenhuma. 
O uso manipulatório do conceito mira na tentativa ou de promover Dilma como a "campeã" na defesa dos legítimos direitos dos pobres ou de “isolar” Serra como agente do neoliberalismo, termo que significa na leitura de uma esquerda atrazada uma espécie de conspiração dos grandes rentistas, quer dizer capitalistas, contra os interessas do povo. 
Automaticamente o Brasil estaria dividido entre “bons”, PT e seus aliados defendendo as bandeiras populares, o socialismo etc... e o “maus”, PSDB e aliados, agentes do capitalismo, do rentismo.

A discussão é estéril. Basta conhecer um mínimo das relações entre, por exemplo, Eike Batista e o governo ou entre as grandes empreiteiras e a política externa “amiga” do Brasil na África, na América Latina ou no Haiti, por exemplo.

A comparação  entre "tamanhos" também é ineficiente, pois o problema nos Programas de Governo vai estar é no conceito de desenvolvimento que se está propondo e, ai sim, qual Estado ou estrutura de Estado servirá com eficiência a este modelo.

O choque real é e será entre propostas de modelos de desenvolvimento. Se devemos nos esforçar por manter o atual modelo ou devemos nos esforçar por ter um novo modelo adequado ao nosso futuro e às nossas demandas.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 22 de março de 2010

CONTROLE CAMBIAL COMO NECESSIDADE

VENDO VOLKSWAGEN TRANSPORTER de 9 lugares, 1900 cc, 144.000 Km, de Maio de 2004, 1 dono, revisões sempre feitas na marca. Inspecção válida até 2010.
Marca: Volkswagen
Modelo: Transporter
Quilometragem: 144.000 Quilómetros
Ano: 2.004
Condição: Usado
Preço 13.900 euros.

Ai está, se vc quiser comprar a moderna versão da Kombi, a Tranporter, basta ir até...Portugal.
No Brasil, no ano do 60º aniversário da Kombi, o que vc consegue é uma versão melhorada do modelito original.

De fato uma indústria que produz Kombis no lugar de Transporters precisa demais de controle cambial.
Um gestor competente se preocuparia em estimular veículos modernos com combustível alternativo, os nossos usam o BNDES para financiar o Eike Batista na compra de carvão vegetal para tocar termoelétrica.

Ai não tem saída o real tem que chegar onde o Mantega quer que ele chegue: R$2,40/1 USD. Não é câmbio. É necessidade.

Viva o desenvolvimento brasileiro!

Demetrio Carneiro

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

QUESTÃO PROGRAMÁTICA EM 2010

Já houve quem apostasse que o debate programático para 2010 não teria muita importância. A evolução da situação está demonstrando exatamente o contrário.
Embora a mídia enquadre mais como uma queda de braço formal do PMBD para disputar espaços de governo, é sintomática a postura ao indicar Meirelles e Jobim como produtores de seu programa. Principalmente no caso de Meirelles aquele partido se mostra sensível a todo um processo de desconstrução do discurso de estabilidade econômica.
A crítica ao conceito de estabilização dentro do PT e em outros campos da esquerda sempre existiu. Não é por acaso que o PT votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, vista na época como uma imposição do FMI. A leitura da esquerda radical é a da estabilidade e seus instrumentos como elementos de operação de um conceito que fere diretamente os interesses da população brasileira e do desenvolvimento nacional.
Embora toda a história econômica recente mostre que os ganhos para as famílias mais pobres só se deram porque a estabilização monetária permitiu a permanência do poder de compra, hora ou outra alguém aparece com falas que tentam induzir uma lógica diferente.
Desde o início desse Blog estamos alertando que o debate principal de 2010 seria um debate sobre o Estado e seu papel na política de desenvolvimento. Não há desenvolvimento sem estabilidade.
Demetrio Carneiro

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A PESQUISA E A ECONOMIA

A pesquisa Sensus pode ter diversas leituras. Enquanto a maior parte da mídia lê a expansão da candidatura de Dilma, César Maia faz uma leitura estratégica e procurar ver os sinais que mostram os limites da expansão de Dilma, como os índices de rejeição de Lula ou críticas aos serviços públicos ou a altíssima carga tributária.

Seja como for talvez esteja na hora de acender o sinal amarelo no debate econômico.
A oposição escolhe mal o terreno do embate quando fica insistindo em se misturar ao discurso governista de juros baixos e controle cambial. Não se trata apenas do fato de ser incapaz de explicar com clareza como pretende reduzir juros ou como pretende segurar a apreciação do real ou se esse processo de desindistrialização que tanto nos ameaça é potencial ou real ou se outras propostas podem ou não ser melhores.

Trata-se mais da estratégia em si própria.
O debate que realmente interessa é o debate do modelo de desenvolvimento que aponte para algo que é muito mais que a superação da crise e sim um novo projeto que nos coloque em outro patamar. É desse debate que derivarão as outras questões e será ele que apontará uma nova qualidade que poderá sinalizar ao eleitor que valerá trocar o presente pelo futuro.

Esse debate de partes e discursos que possam soar mais simpáticos é apenas oportunista e aponta para a vitória de Dilma, por insuficiência.

Demetrio Carneiro