quarta-feira, 6 de abril de 2011

A SITUAPOSIÇÃO COMEÇA A INFLACIONAR, PALAVRA DA MODA

Bem, o Aécio tinha certeza que a área da situaposição era só dele. De uma hora para a outra o pedaço começou a ficar inflacionado, palavra da moda: Alckimin e agora a não menos que Senadora Kátia Abreu, já garantindo que o velhíssimo/novo Partido Social Democrata terá ao menos 40 deputados federais.

Foi o que bastou. Aécio agora é oposicionista, a situação vai ter que esperar.
Grande Brasil. Grande política.

Demetrio Carneiro

A GUERRA CAMBIAL E UMA PROPOSTA DE SOLUÇÃO

O texto abaixo foi publicado originalmente no número 29 da revista Política Democrática.
Basicamente é possível produzir uma política cambial sem sair taxando tudo e eliminando o câmbio flutuante, o que já tem muita gente achando que é a saída?
Neste pequeno trabalho, produzida a três mãos, pretendemos mostrar que há como manter o câmbio flexível e ainda assim conter a apreciação cambial.
Demetrio Carneiro

Guerra Cambial - Uma Nova Proposta - 84-88

A MP DO TREM-BALA E O ROLO COMPRESSOR DO PODER EXECUTIVO

Aprovação de algo tão ilógico quanto a MP do Trem-Bala mostra a total subserviência da base governamental aos caprichos midiáticos do Poder Executivo Central.
A discussão do Salário Mínimo já havia dado a métrica do que será a legislatura que se inicia.
Antes disso, ainda na legislatura passada, a aprovação pelo Congresso Nacional na LDO 2010, para os efeitos da LOA 2011, autorizando o Poder Executivo a ignorar as decisões do TCU quando se tratasse de obras do PAC, foi na direção de desmoralizar a instituição principal de controle do próprio Congresso.
Em seguida tivemos o verdadeiro “acordos entre amigos” que concedeu generoso aumento às suas excelências e aos cargos políticos do poder executivo. Cautelosamente deixou-se de lado o Poder Judiciário que vinha irritando sua excelência o Rei com impertinências incabíveis a um orgãozinho de segunda categoria frente o brilho e esplendor de sua majestade imperial.

Vamos deixar de lado considerações republicanas fundamentais do tipo o parlamento foi criado dentro de um sistema de pesos e contrapesos para garantir a permanência do regime democrático. Afinal já podemos convencionar que não vivemos mais sob uma república. O que temos hoje é um consentido regime imperial onde de tempos em tempos muda o Rei ou a Rainha. Talvez por isto Lula, que sempre se sentiu Rei, ficasse tão confortável no modelito.

A questão principal é que a República faliu por consentimento dos representantes eleitos da população agindo em interesse material próprio. Os escândalos, os envolvimentos, são aspectos fenomenais desta rendição à hegemonização de uma democracia de fachada.

Não há o que não possa ser decidido se o Executivo Imperial assim o quiser. Vão por terra quaisquer argumentos que obstaculizem as reformas sabidamente necessárias. Se não ocorrerem serão por culpa única e exclusiva da Rainha.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MEDIDA PROVISÓRIA 511: COMO NÃO FAZER GESTÃO PÚBLICA

Está a ponto de ser votada a MP do Trem-Bala. Na primeira divulgação na mídia era dito que o trecho SP/RJ custaria R$20 bi. Nada mais falso. R$34 bi custará o trecho SP/Campinas. De Campinas ao Rio será infinitamente mais caro, pois terá que cruzar a Serra do Mar.
Anexada a MP a criação de uma, mais uma, Estatal. Segundo o relator governista será para “absorver a tecnologia”, como se nossas universidades e institutos tecnológicos fossem insuficientes ou incompetentes.

De concreto mais recursos do Tesouro Nacional para o BNDES via formação de Dívida Pública. Mais enganação num projeto que, como Belo Monte, deveria ser problema da iniciativa privada e vira um problema para o contribuinte.

Curioso o governo que se declara interessado em realinhar o setor público às nossas condições concretas e possíveis de crescimento, via corte de gastos, na intenção de não pressionar a inflação.
Bom não esquecer que a recente pesquisa CNI/Ibope coloca a inflação no topo das preocupações da população.

Num governo que muitos defendem a relativização do combate a inflação como uma questão menos importante do que o gasto até dá para entender...

Demetrio Carneiro

domingo, 3 de abril de 2011

DURVAL O CARA DAS RELAÇÕES ESTRANHAS

Continua sendo muito estranha a situação de Durval Barbosa. Eventualmente participa do tiro-ao-pato liberando material de não se sabe bem qual interesse político, mas que demonstra uma efetiva participação do MP e da PF em algum tipo de operação muito maior do que cumprir a lei. A total falta de clareza do processo não deixa claro quem manipula quem neste jogo a três entre o delator, o MP e a PF.

Agora, segundo informações num post do Blog do Noblat :
Como prestou os serviços de delação, revelando por meio de vídeos os que favoreceu com dinheiro sujo, foi dispensado das multas, devoluções e cadeia. Prestará serviços alternativos, tipo fornecer cestas básicas ou dar atendimento comunitário. Bingo!
Durval havia sido condenado, em primeira instância, a quatro anos e sete meses de cadeia, mais o pagamento de multas de R$ 441 mil e devolução dos R$ 9,8 milhões ao erário.”

Enfim, nosso ilustre “arrependido”, no melhor estilo das famiglias mafiosas da Itália, poderá curtir o resto de sua vida em algum quanto do mundo com outra identidade, mas com todos os caraminguás que juntou roubando descaradamente recursos públicos. O crime pode sim compensar.
Quem deu azar foi o PC Farias...

Demetrio Carneiro

sábado, 2 de abril de 2011

A OPOSIÇÃO E AS PERCEPÇÕES DO GOVERNO DILMA 1

Fora do espaço da política há um intenso debate sobre a percepção/avaliação do governo Dilma na condução da política econômica. Podemos mapear o debate em, pelo menos, três diferentes questões:

O quanto continua ou descontinua as propostas anteriores?
Debate do uso contínuo, e pouco flexível, do estímulo à demanda agregada.

Qual exatamente é a resposta que se dará ao fim da época de ouro do crescimento mundial?
Ai o debate do piso do PIB ou da noção mais liberal de variação dentro da banda em detrimento do foco no alvo.

Como se utilizarão as novas oportunidades nos termos do excedente de capital estrangeiro disponível?
O dilema da política cambial e o conceito de piso mínimo para a apreciação do real.

Em realidade a oposição formal dos partidos políticos é incapaz de reverberar estes temas.

Agora temos a divulgação da pesquisa CNI/Ibope trás o lado da percepção da população.

Pelo que se vê oposição continuará emparedada pelos altos índices de aceitação do governo, sem saber como lidar com isso.
Seja por absolutizarem o fato de que essa percepção se constrói sobre uma base objetiva que é a percepção geral de que "agora está melhor que antes", o que é verdade.
Seja devido a uma base subjetiva trabalhada pela massiva propaganda. É o tal governo midiático apoiado num esquema de militância. Estes últimos são os defensores avulsos do governo. Alguns interessados, mas outros realmente ideológicos.

A oposição "perde" na avaliação objetiva por que é incapaz de mostrar que "pode fazer melhor" e, certamente fazer melhor não é ser contra o aborto, por exemplo. Mas também perde na base subjetiva, pois não tem ponto de partida propositivo para a contra-propaganda e não tem capacidade de militância, seja interessada ou seja ideológica.

De concreto a oposição está sob o rolo compressor governamental e impossibilitada de maiores movimentos, o que, de alguma forma, é um processo de hegemonização da política. A confirmação do antigo projeto petista. Qual mal a ausência de diversidade trará ao nosso curto processo democrático ainda descobriremos no futuro.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O QUE COMPETE E O QUE NÃO COMPETE AO ESTADO

O nacional-desenvolvimentismo dominante tem toda uma lógica sobre o que cabe ou não ao Estado. Infelizmente esta lógica caminha pela perigosa trilha do oportunismo.

Certamente não compete, com certeza, é garantir que o principal controlador do Banco Pan Americano se dê bem apenas por ter “ajudado” a campanha de Dilma.

Também não compete interferir na gestão de uma empresa privada, como é o caso da Vale.


Demetrio Carneiro

CAMINHO PARA O GOVERNO MEDÍOCRE?

Já antes das eleições vínhamos comentando sobre a possibilidade de um governo medíocre e suas consequências na política.

De certa forma Dilma vai caminhando para isto. O quadro geral envolve a possibilidade de perda do controle da inflação, a insistente valorização cambial vista como um mal a ser combatido imediatamente e a queda do crescimento.

De fato há uma saia justa quando o compromisso de manter o crescimento envolve uma noção de piso mínimo incompatível com o momento da economia. Mantega costuma dizer que ninguém sabe qual é realmente o teto do produto potencial, para efeito do que pode gerar um processo inflacionário mais intenso. Certamente também não sabe onde e quando parar o estímulo à demanda para garantir o piso mínimo. Talvez dai a dificuldade de reconhecer a existência de um componente inflacionário na demanda.

No discurso oficial havia um gatilho implícito nos 4%. Pois bem, chegamos lá.Agora o dilema inflação versus crescimento ficará mais explícito.
O irônico disto tudo é que a política de piso de crescimento, e o consequênte sacrifício dos pressupostos da estabilidade, poderá levar a uma perda maior do crescimento. Quando estávamos num período de crescimento garantido o dilema era entre manter o superávit ou investir em políticas públicas. O próprio crescimento, mais alguma criatividade, acabou abrindo espaço para a permanência da proposta de superávit.

Agora contexto e propostas são diferentes. A mediocridade pode estar batendo nossas portas.

Para Dilma a oposição amorfa e voltada para seu próprio umbigo é o melhor dos mundos. Bom registrar que muitos oposicionistas participam solidários da solução dilmista no dilema central "crescimento versus inflação" e devem estar tão confusos quanto ela.

Demetrio Carneiro


Para Samuel Pessôa, da consultoria Tendências, BC está mais heterodoxo e governo subestima a inflação de demanda

01 de abril de 2011

Raquel Landim - O Estado de S.Paulo
O Banco Central (BC) está se tornando mais "heterodoxo" no combate à inflação e o governo Dilma Rousseff corre o risco de "meter os pés pelas mãos". A avaliação foi feita ontem por Samuel Pessôa, sócio da Tendências Consultoria e professor do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), em encontro com investidores em São Paulo.

Ele afirmou que está menos otimista em relação à administração Dilma. O especialista afirmava que as indicações iniciais eram de que seria um governo "fácil" e de "continuidade" em relação ao mandato de Lula.

Na sua avaliação, a presidente deveria focar em três pontos: um ajuste fiscal forte e liberdade para o Banco Central elevar a taxa de juros e manter a inflação sob controle; aumento da carga tributária para financiar a política de reajuste do salário mínimo; e investimentos em infraestrutura para conseguir promover a Copa e a Olimpíada.

"Com essas medidas, o País cresceria menos, mas a sensação de bem-estar seria mantida. Dilma chegaria a 2014 com a popularidade em alta e com chances de ser imbatível nas próximas eleições", disse Pessôa. "Mas apareceram alguns sinais preocupantes nas últimas semanas."

O principal temor do mercado é com a condução da política monetária. Pessôa está receoso com a percepção do governo de que não existe inflação de demanda no Brasil, expressa pela própria presidente Dilma, em entrevista ao jornal Valor.

Para ele, a demanda segue muito forte, impulsionada pelo mercado de trabalho robusto e pelo crédito abundante. A avaliação do governo é que a alta da inflação, que deve superar a meta de 4,5% este ano, foi provocada pelo choque de preços das commodities.

Demanda. Pessôa afirma que o nível da atividade econômica não deve ser medido pelo comportamento da indústria da transformação, que sofre com a concorrência dos produtos importados. Ele disse que a demanda das famílias está crescendo em ritmo bem mais forte.

Heterodoxo. "Agora o Banco Central também começou a ter ideias heterodoxas próprias", disse Pessôa, referindo-se às mensagens da autoridade monetária no Relatório de Inflação, divulgado na quarta-feira.

Para o economista, o sinal mais grave do novo comportamento do Comitê de Política Monetária (Copom) foi o de que "o mercado tenta cooptar o BC, com estimativas mais altas para a inflação, para forçar a alta da taxa de juros".

"Essa é uma percepção de algumas pessoas, mas não corresponde à realidade", disse. Segundo Pessôa, a pesquisa Focus demonstra que o mercado costuma "subestimar" a inflação.

Pessôa também criticou a política de intervenção do governo no câmbio, para tentar manter o dólar acima de R$ 1,60. Ontem o Banco Central atuou pesadamente e garantiu que a moeda americana fechasse com leve alta de 0,06%, a R$ 1,63.

"Não temos mais um câmbio flutuante no Brasil", disse o especialista. "É um câmbio fixo, que o governo gostaria que ficasse acima de R$ 1,70, mas estão perdendo essa briga."

Outra preocupação de Pessôa é com a intervenção do governo na iniciativa privada. Ele diz que os dois casos mais emblemáticos são o rombo no Banco Panamericano e a sucessão na Vale.

No caso Panamericano, os bancos privados concordaram em salvar o banco de Silvio Santos após pressão do governo. Na Vale, auxiliares de Dilma estão pedindo a substituição do atual presidente, Roger Agnelli.

Caindo na real

SAMUEL PESSÔA
SÓCIO DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA E PROFESSOR DO IBRE/FGV

"Não temos mais um câmbio flutuante no Brasil. É um câmbio fixo, que o governo gostaria que ficasse acima de R$ 1,70, mas estão perdendo essa briga."