quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DILMA SE MANIFESTA CONTRA O APEDREJAMENTO DE SAKINEH

Hoje, durante entrevista, junto com Lula, provocada por uma reporter, Dilma Roussef se manifestou contra o apedrejamento de Sakineh. Foi veemente em suas palavras.
Neófita no assunto de ser presidente, ou presidenta como prefere Lula, faltou consultar algum assessor. Sakineh vai ser enforcada.

De qualquer forma valeu a força.

Demetrio Carneiro

GOVERNO AMERICANO SE MANIFESTA SOBRE POSSÍVEL EXECUÇÃO DE SAKINEH

Enquanto o governo Lula se mantém ocupado em assuntos mais importantes, da mesma forma que a presidente eleita, Dilma Roussef, o governo americano em nota condena a ameaça de execução de Sakineh.

A atitude silenciosa de Dilma com relação a esse fato já vai pautando que governo poderemos esperar a partir de janeiro. 
Valores como respeito à dignidade e à vida humana não são questão de protocolo.

Demetrio Carneiro

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

IRÃ PLANEJA EXECUTAR AMANHÃ SAKINEH MOHAMMADI ASHTIANI

Ai está um bom test-drive para Dilma Roussef, enquanto mulher, defensora da democracia e presidente eleita do Brasil.

De Lula, o Pequeno, não há nada para esperar. Não fez grandes coisas antes e, dificilmente, fará agora. A frieza com que lidou com o problema mostra muito de sua personalidade.

Também não lembro de ter visto qualquer manifestação de Dilma, mas na época ela não era defensora da democracia ou presidente eleita, embora fosse mulher e tenha silenciado. 
Ainda é tempo de se redimir e dar ao mundo um belo exemplo.

Demetrio Carneiro

POBREZA E ESTABILIDADE: O DILEMA DE SEMPRE

Tem questões pendentes no debate de gestão pública.
O discurso Dilma como candidata eleita tinha a confirmação tanto da permanência das políticas de combate a pobreza como da política de responsabilidade fiscal, indicando controle dos gastos.

É um assunto sempre posto de lado, mas apresenta o que fica parecendo uma forte contradição lógica que pega muita gente boa pelo pé:

Se o Estado é quem combate a pobreza, como ele vai combater sem gastar.

Esse núcleo de debate sempre foi o centro dos argumentos contra a Política de Estabilidade, na medida em que ela implica em poupança dos governos. É esta, também, a raiz do discurso contra o rentismo, que empolga amplos setores da esquerda.

Ontem, em entrevista para a CNN Internacional, Tony foi perguntado pela repórter americana sobre essa aparente contradição e respondeu corretamente ao dizer que a política fiscal mais equilibrada melhora a economia e que a melhor forma de combater a pobreza é melhorar a economia. A pergunta não foi casual, pois é também assunto atual entre nossos irmãos do norte, com a devida licença do líder em exercício Chaves.

Qualquer um que avaliar os gastos sociais reais dos governos nos seus três níveis, em termos da execução orçamentária e não da intenção orçamentária, verá que o argumento do gasto total público intocável, porque garante o combate à pobreza, é falso.
Os gastos sociais não são a principal componente de despesa.
A principal componente é a manutenção do aparelho de Estado, se olharmos apenas para o Orçamento do Governo Central e a Despesa Pública, se olharmos para o Orçamento Geral da União.

O debate que não houve também não debateu essa questão que retorna à diferença entre políticas públicas de assistência social e políticas públicas de promoção social.
Claro, está implícito no programa de governo de Serra, inteligentemente divulgado 24 horas antes das eleições do segundo turno.
Nas políticas públicas de assistência o foco é o gasto por transferência de renda e nas de promoção o foco é a geração de sustentabilidade.
Não se trata do dilema de Delfin: Crescer para dividir o bolo. Se trata de perceber que não há promoção social consistente se não for sustentada e não há sustentabilidade se não for por emprego e não há emprego se não for por formação educacional contínua.
Pronto. Estamos de volta ao debate do desenvolvimento. Que também não aconteceu.

O “combate” à política de formação de poupança pública nos orçamentos de governo para redução da dívida não é um bom combate, pois acaba escamoteando outro debate muito mais importante que é o do desenvolvimento.

Demetrio Carneiro

A DISPUTA PELOS ESPAÇOS DENTRO DO PODER

A reunião do grupo de Dilma, relatada pelo Estado de São Paulo, abre a temporada de caça aos cargos no Governo Central.

É um jogo de pressões e contrapressões que pode paralisar o governo dela.
É erro de avaliação é imaginar que o PT está unido.
Para mim vão ser diferentes linhas de pressão:

O grupo de Lula, o Pequeno. Que eu acho que reflete essa continuação do Mantega, como forma de tentar isolar o pensamento pró controle fiscal de Palocci. Mantega é o cara do gasta-gasta.

Os setores mais radicais. Que eu acho que ainda não irão para o embate econômico. Embora não tenha dúvida de que irão, já que a política de estabilidade nunca esteve nos planos deles. Acho vão estar mais concentrados em manter sua área de influência no setor de comunicação e política externa.

O PMDB que vai cobrar a conta e, ao contrário dos grupos internos do PT, pode desequilibrar, pois tem os votos no Congresso e pode transformar rapidamente o governo Dilma em maioria a caminho de ser minoria. São mestres na arte de obter vantagens táticas. O discurso hegemônico petista é pró forma.

E o PSB que cresceu muito e vai buscar mais espaços dentro do governo. Três ministérios e o BNDES não é pouco apetite.

Palocci vai ter muito trabalho internamente e externamente. Logo vão ressucitar a besteirada que ele fez com aquele motorista e tem o DNA do autoritarismo petista.
Quando o namoro acabar, Dilma, por sua vez terá que explicar que "não viu" a famiglia Erenice fazer o que fez. Vamos ver se terá a mesma capacidade de Lula, o Pequeno, de dizer nada falando pelos cotovelos.
Uma coisa e outra são vulnerabilidades que aparecerão nas mesas de negociação e viram capital negativo.

A vitória não foi tão fácil. E permanecer em cena será menos ainda.
Um governo Dilma bem sucedido atrapalha os planos de Lula, o Pequeno. O que é um bom argumento para uma rápida busca de autonomização em relação ao ex-chefe e mentor. Excluindo, claro, a submissão total.
Mas um governo Dilma bem sucedido também não parece estar interessando a muitos outros parceiros. Principalmente PMDB e PSB.
Não que eu ache que jogarão para prejudicar. Mas poderão jogar apenas para si e nesse contexto um governo medíocre pode servir melhor para seus futuros projetos de poder.

Dilma Roussef para ser mais que um poste terá que ter arrancada.

Demetrio Carneiro.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

VOLPON: POLÍTICA ECONÔMICA DO GOVERNO ROUSSEF

Agora pela manhã o Tony enviou uma nota sobre a sua percepção quanto ao que poderá ser a política econômica do futuro governo Roussef.
Aqui no Brasil muitos apostam que Dilma Roussef manterá a política de gastos, e o que terminou em irresponsabilidade fiscal, do atual governo.
Não é a avaliação de Tony, que dá suas razões e insights.
Reproduzo abaixo.

Demetrio Carneiro


Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) venceu a segunda rodada da eleição presidencial este domingo, com 56 por cento dos votos contra 43 por cento para José Serra, do Partido Social Democrata (PSDB).
Em seu primeiro discurso como eleita Dilma Rousseff falou sobre a necessidade de erradicar a pobreza no Brasil, mas igualmente reafirmou seu compromisso com uma política econômica responsável.

De fato, o Broadcast (serviço de informações financeiras da Agência Estado – NT ) de hoje informa que o governo já vem trabalhando em um plano para trazer as taxas de juros reais, atualmente na região de 6%, para 2% até 2014.
O eixo central do plano será um retorno para o instrumental mais básico: 3,3% de meta do superávit primário (sem descontos para investimentos ou antecipações de receitas) e uma regra que regule o crescimento das despesas tornando-as inferiores ao crescimento da economia. Também devemos ver medidas para reduzir ainda mais a indexação dos preços na economia que gera forte inflação inercial.

Estas medidas foram formuladas pelo atual Secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, que deverá ter um papel de liderança na equipe econômica de Dilma Rousseff .

Como argumentamos em agosto (ver "primeiro Dilma 100 dias", 25 de agosto de 2010), essas medidas serão fundamentais para Rousseff afastar a sombra de seu patrono político, o presidente Lula, gerando uma ruptura decisiva com algumas das presentes políticas de governo e o pessoal que as executa.
Apesar de retratar-se a si mesma como uma "Candidato da continuidade", foi a estratégia eleitoral correta, a natureza altamente centralizada das demandas presidências brasileira determina Rousseff como o único centro de poder para governar eficientemente. Conquanto haja muitas maneiras de fazer isso, e alguém poderia imaginar uma guinada para a esquerda, o sinais enviados por Nelson Barbosa indicam o desejo de usar uma política fiscal mais apertada como a primeira iniciativa para diferenciar o novo governo.

Após a séria deterioração da política fiscal empreendido nos últimos anos, culminando com a utilização da oferta de ações da Petrobras para "antecipar" receitas, muitos participantes do mercado estão céticos quanto a Rousseff implementar uma política fiscal mais apertada.
O Brasil certamente parece ter sofrido um forte "ciclo político eleitoral": As despesas nominais, fora juros, em relação a 2009, cresceram de 9,95%, com base anualizada, em janeiro, para 19,51% em agosto. Despesas na casa de 20% são claramente insustentáveis e têm sido um importante elemento de estímulo à demanda e ao mercado de trabalho, aumentando as preocupações quanto ao controle da inflação.

Assim, enquanto no final do período de campanha, por si só constitui uma razão para retomar as despesas para num caminho de crescimento mais sustentável, acreditamos que o membros da provável equipe econômica de Rousseff entenderão que a abundante condição de liquidez torna possível trocar a política fiscal mais apertada por uma forte redução nas taxas de juros reais, onde a soma dos pagamentos de juros anuais é de mais de R$184 bi. O movimento de trabalhar na região da taxa de juros de 2% é um explícito e, a nosso ver, muito positivo, reconhecimento de que este trade-off existe e que está na hora certa de o perseguir.

Uma política fiscal mais apertada é a premissa-chave por trás da nossa não-consensual previsão de uma política de taxas baixas no próximo ano no Brasil, com a Selic caindo para 10% dos 10,75% atuais (ver “Nine reasons to receive rates”, 30 de setembro de 2010).
Na verdade, o Banco Central do Brasil reconheceu, na ata da reunião do Copom de outubro, que uma política fiscal mais apertada é condição necessária para a inflação convergir para meta.
Acrescentaríamos a isso a apreciação cambial muito maior que o que se espera (esperamos o USD/BRL a 1,55 na final do próximo ano contra uma expectativa mediana do mercado a 1,78 de acordo com a Pesquisa Focus semanal). Esta apreciação, nos nossos termos, será um driver necessário para uma Selic menor em 2011.
Embora as taxas futuras tenham caído em antecipação a essas medidas, o preço ainda está cerca de 150pp acima do que deveria estar. Nós acreditamos que a taxa continuará a cair assim que Rousseff nomear os membros de sua equipe econômica que, esperamos, estarão comprometidos com uma política fiscal mais apertada. Uma forte inflação visível, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos, deve manter as taxas sob pressão ao longo dos próximos meses. No entanto, podemos usar o histórico das taxas para justificar, que a inflação dos alimentos provavelmente será uma inflação menor-que-o- esperado no início do próximo ano, da mesma forma que a alta inflação no início deste ano levou ao arrefecimento das leituras da inflação no meio do ano. Acreditamos que uma menor leitura de inflação e sinais concretos de política fiscal mais apertada no início do próximo ano, juntamente com a continua apreciação do Real, levarão o mercado a reduzir o atual não-razoável nível do prêmio de risco ao longo da curva de juros

Tony Volpon

A LUTA CONTRA O RACISMO CHEGA À LITERATURA BRASILEIRA

Aparentemente a ABL pretende tomar um chá com s Secretaria da Promoção da Igauldade Racial e discutir a sábia decisão de banir Monteiro Lobato.

No lugar dos imortais eu tomaria cuidado para não ser processado. Afinal defender Monteiro Lobato, um racista, é defender o racismo.

Na foto acima, de quebra, ainda comprovamos que o Bando da Emília também cometeu crime ambiental. É evidente o olhar de malícia lançado pelo indivíduo de alcunha "Pedrinho" contra nossa Onça Pintada, animal protegido pelas leis ambientais.
Acho que o IBAMA deveria processar Monteiro Lobato por crime ambiental e ainda por disseminar entre nossas crianças uma leitura ambientalmente incorreta. Multa nele!

A cerimônia que queima dos livros poderia ser transferida para o Pantanal como forma de reparar os danos morais das Onças Pintadas.

Semana que vem será a vez de José de Alencar ser processado pela FUNAI.

Demetrio Carneiro

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CRONICA DO DIA SEGUINTE

Diferentemente das eleições estaduais e municipais em que os gatos podem ser todos pardos, nas eleições presidenciais as posturas tendem a ficar mais claras. Pensando assim, os mais de 43 milhões de votos dados ao candidato de oposição dizem alguma coisa.
Para mim a questão é saber se viram capital político ou serão postos de lado.

Talvez a primeira coisa seja não confundir os apelos voltados para deixar mais serena a política com puro e simples adesismo. Voltaremos todos ao nosso lado brasileiro-cordato.

Sempre na linha de bom-senso foi FHC o primeiro a tocar no assunto. A seguir manifestou-se aquele que se julga herdeiro do espólio de votos: Aécio. Ambos falaram na sequência de outra fala agressiva de Lula, o pequeno, sobre o Serra “pequeno”. Lula, como sempre, tentava pregar em outro sua própria prerrogativa e parecia acenar com a continuidade pós-eleitoral do festival de agressões, a tudo, inclusive ao seu cargo, que ele mesmo começou cerca de dois anos atrás quando decidiu com seu grupo lançar Dilma.
As mensagens de FHC e Aécio são compreensíveis e válidas, mas não são uma abertura de porteiras no que já parece ser a leitura de alguns oposicionistas de ocasião mais apressadinhos.

A hora agora é de observar. Dilma está com as brancas e tem nas mãos a possibilidade de confirmar ou enterrar vaticínios. Como muitos sinais contraditórios foram emitidos são muitos os vaticínios.
Apenas para registrar, a proeminência de Palocci, a manutenção das linhas gerais da política de estabilidade econômica com todo o seu séquito são muito pouco compatíveis com os Conselhos “Sociais” de Mídia, por exemplo. Apontam para lógicas completamente diferentes. Suas bases políticas não falam a mesma linguagem.
Dilma terá que estabelecer na prática o que é passivo e ser carregado ou descartado.

De qualquer forma ela começa seu governo credora de muitos forças que parecem caminhar em direções divergentes, embora possam convergir em aspectos táticos:

Lula, o pequeno e seu grupo representam um forte vetor de restrições. Muito evidente que Dilma foi plantada para Lula continuar sendo pequeno. Também é evidente que seu grupo estará nos primeiros lugares da fila para compor a nova equipe.

Os setores radicais do PT e aliados. Esses setores vêem realizando intensas mobilizações e na reta final prestaram grande ajuda à campanha. Apesar da mobilização de toda a máquina federal, apesar de toda a dinherama despejada, é muito provável que Dilma tivesse problemas sem a participação ativa desses grupos. A estratégia de organização dos Conselhos Estaduais de Mídia mostra que estão ativos e funcionam em rede nacional coordenada. Isto dá outro tipo de protagonismo.

O PMDB. Na realidade se contássemos com a leitura de senso comum sobre a popularidade de Lula, o pequeno, somada às dimensões do PMBD, Dilma deveria ter sido eleita por mais que seus 54,9 milhões de votos ou cerca de 40 por cento do voto dos eleitores aptos ou 28,4 por cento dos votos sobre a população geral. Visto assim o auxílio do PMDB precisa ser bem relativizado.
Contudo ainda resta aguardar, já que caberá ao partido outra função concreta no próximo governo: Estabilizar a base da situação no Congresso Nacional.
Isso é muita coisa. A oscilação de postura do partido pode transformar rapidamente a maioria governamental em minoria. É muito poder.

E Dilma, ela mesma? Essa é a maior de todas as incógnitas. Estas campanha eleitoral trucada foi a seu favor, dispensando-a de dizer com clareza o que realmente pensa, embora o movimento intencionar de se deixar levar por Palocci tenha lá seu significado. Se vamos entrar ou não no terreno proposto por Tony em sua leitura sobre os 100 primeiros dias logo saberemos. Pois eles passam rápido.
Há toda uma equipe a ser montada. Logo começarão a ser confirmados os nomes da equipe da transição e as coisas ficarão mais claras.

Do lado de Serra fica propriamente a lição, que não foi apreendida na eleição de 2002: Arrogância só dá certo quando você tem poder real nas mãos.
A arrogância de Lula, o pequeno deu certo. A de Serra deu errado.
A campanha em si teve pontos extremamente negativos. Muito eu vim abordando ao longo dos últimos meses e não me furtei de criticá-los abertamente.
Para mim, pessoalmente, o ponto mais vulnerável foi a passividade de todos frente às decisões claramente erradas emanadas “daquele-que-tudo-sabia”. Como não é onipresente dá para imaginar é que havia um grupo “que-tudo-sabia” e deve ter colaborado muito para enterrar a campanha.
Evidentemente não é nada fácil enfrentar toda a máquina de governo e a leniência de uma Justiça Eleitoral amorfa e passiva. Aliás para quê Justiça Eleitoral? Já não está na hora de eliminar esse item de despesa?
Mais centrada e menos arrogante a campanha seria certamente mais interessante.
O elemento de piada foi ter divulgado o programa de governo no dia anterior à eleição do segundo turno. Piada de mau gosto, pois mostra o completo desprezo pelo debate de propostas. Mostra a intenção manipulatória de quem a apontava nos adversários, mas não reconhecia as suas próprias.
Com um forte núcleo na questão do desenvolvimento sustentável talvez não tenha sido divulgado para não constranger Marina e tenha acabado esquecido em algum armário da sede da campanha lá em São Paulo. Provavelmente na véspera alguém se lembrou que Serra não poderia ser derrotado, desculpe, eleito sem apresentar um programa de governo. Ai divulgaram o “plano secreto” de mais de 300 páginas. Um enorme desperdício de tempo e capital social, já que havia no paralelo uma lista de debates especificamente voltada para as questões produtivas. Ali ficou configurada a abordagem manipulatória.

A oposição ao mandato de Lula, o pequeno, foi uma sequência de estratégias discutíveis. A lógica agressiva e denuncista, casada com uma completa inexistência de proposições comparativas, jogou um jogo que levou a lugar nenhum.
Além de aguardar o primeiro lance das pedras brancas os segmentos de oposição deverão se reinventar mesmo.
Três governos seqüenciados, no formato como opera nossa República de Resultados e nossa Federação de Brinquedo, pesarão muito nos próximos anos e poderão criar um estilo de oposição mitigado. O PSDB tende a ser um partido de governadores, influentíssimos governadores é bom dizer, num país onde a política de governadores é sempre de acomodação com o governo central. Não é difícil imaginar que seja, principalmente nos estados onde governa, um partido de prefeitos buscando acomodação, também.
Devemos acrescentar uma atitude esquizofrênica que dá apenas aos parlamentares a função visível de oposição, como se não houvesse tensões administrativas entre os entes federativos.
O executivo nesta lógica se transforma numa oposição silenciosa. O que manda mensagens contraditórias. Aliás. é o que Serra fez. Foi um magistrado.
Quando da votação da Constituição mecanismos foram criados, é disso que o governo central reclama e chama de engessamento, para garantir que recursos chegassem a estados e municípios independentemente das alianças políticas.
Certamente os executivos preferem não testar essa lógica e jogam no colo dos parlamentares o papel oposicionista.
Pode ser que esse fato ajude e muito a definir o estilo de oposição que fomos.

Logo chegaremos a 2012. Se insistirmos em não travar o debate programático, se não questionarmos claramente esse modelo de desenvolvimento, logo a força dos três governos se fará manifestar e o poder de pressão de um Estado que é o Estado de uma das maiores economias do mundo fará o resto.

Demetrio Carneiro