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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O BIPARTIDARISMO BRASILEIRO E O RISCO DAS ATUAIS OPOSIÇÕES VIRAREM PÓ

Em um relatório de uma consultoria política que li hoje vem uma constatação bem interessante: O PMDB não entraria na briga da Lei das Florestas se não tivesse convicção da fragilidade de Dilma...

Eu acho que uma das razões mais fortes para o Lula entrar na briga foi esta ai: Segurar o avanço do PMDB. Acho que ele vai ter muita dificuldade em fazer isto, pois a arquitetura de aliança que ele montou colocou o PT em minoria e ele, goste ou não, não está no governo, por mais que tenha força. PMDB e PSB sabem muito bem que Lula em Brasília elimina qualquer chance de ambições dos dois partidos para 2014. Daí eu acho que vai haver uma antecipação do inevitável: Um choque dentro da base de governo que vai repercutir em 2012.
O detalhe é que esta briga de gigantes deixa os partidos de oposição totalmente ao largo do processo principal de luta pelo poder.

É muito interessante e é fundamental entender o que está acontecendo: Estamos consolidando um regime bipartidarista real, talvez com o PSB se aproximando taticamente do PMDB, dentro da atual coalizão de poder.

A oposição clássica tipo Dem, PSDB ou PPS não tem qualquer papel nesse processo, pois ele não sustenta uma “terceira via”. Se essa oposição não se pensar rapidamente, agora mesmo em 2012, já vai virar poeira. Talvez essa seja a pragmática do partido do Kassab que está se movimento para entrar na coalizão de poder e deve ser reposicionar lá dentro.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 16 de maio de 2011

FORMAÇÃO DE BASE DE GOVERNO E HEGEMONISMO PETISTA: BIPARTIDARISMO À BRASILEIRA

Apesar da revoada de partidos políticos o sistema político brasileiro tendê a se comportar de forma bipartidária. A origem desse processo de bipartidarização real num mundo de partidos nominais merece ampla discussão, mas parece estar numa forte composição entre a necessidade, derivada da experiência negativa de Collor, de formar alianças estáveis e amplas o suficiente para não correr riscos, do tipo 70% dos votos parlamentares nas duas casas. Ou não foi assim que o lulismo blindou todas as suas aventuras financeiras? Claro, nem sempre anda 100% bem, principalmente nesse momento de fragilidade da presidente, com problemas de saúde e problemas com seu principal articulador político que poderá ser abatido, ainda não foi, por fogo amigo.

Nas eleições tivemos o choque oposição x situação onde a inteligente jogada de atração do PMDB colocou a oposição frente à suas perplexidades e contradições. As diversas fragilidades de Dilma abrem a porta tanto para o lulismo quanto para o PMDB. É de supor que o PMDB não assistirá na arquibancada e como herdeiro legítimo do processo irá se firmar frente as fragilidades do governo Dilma. Não é de duvidar que surgirá um novo esquema de enfrentamento bipartidário PMDB x PT. A incógnita vai estar por conta do posicionamento futuro das outras forças, mas o mais provável é que elas se agrupem à volta desses dois partidos. Por exemplo, o PSB fica "confortável" com o PMDB tendo em vista o nordeste? Ou esse olhar aliancista para o governo Dilma do partido do Kassab dá certo com o PT? Sendo a lógica verdadeira o espaço dos atuais partidos de oposição some, pois esse esquema não opera com uma terceira via. Onde fica o Aécio?

É um assunto a se pensar, pois, se correta a avaliação, muda e muito a lógica de construção de alianças, já para 2012.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

GOVERNO DILMA: APENAS POR CURIOSIDADE

Qual será o futuro que o futuro nos reserva?

Eleita, Dilma assumirá o cargo logo após o envolvimento de sua ex-assessora/amiga num escândalo de proporções bem razoáveis.
Eleita, Dilma receberá a faixa de Lula, chefe de toda a estrutura que abriga os personagens do escândalo.
Eleita, Dilma terá que negociar com o PMDB. Aquele do centrão, do baixo clero e do Sarney.

Pessoalmente me sinto como aquelas ovelhas na fila da tosquia.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O ATRASO DEFINIDO POR SÍ PRÓPRIO

O texto abaixo, de M.I. Nassif, com direito a repercussão em toda a rede unida dos blogs petistas, é um belo discurso da matriz petista pensante e tem todas as meias verdades tradicionais.
Confirma o pensamento petista que se imagina o único que compreende o mundo das pessoas despossuídas em oposição ao pensamento elitista. Uma certeza que confunde muita gente nos outros partidos.
Esta certeza é a base ideológica que justifica a vontade hegemonizante. Se o PT é o único partido com esta visão de mundo, então compete a ele “liderar” o processo.

São os velhos temas:
- Dicotomia: A luta de classes não é mais entre operários e burgueses, mas entre pobres e ricos. Evidentemente aqueles ricos privilegiados pelos acordos de poder, aquelas coisas tipo BNDES etc., são os “companheiros de viagem”. Há uma vasta literatura sobre os companheiros de viagem dos processos revolucionários.
- Liderança: Compete ao partido da vanguarda a liderança absoluta do processo.

Dito isto, os “atrasados” são os outros que não compreendem esta maravilha que só é dada aos petistas alcançar. Este é o viés messiânico clássico, encontrado nos grupamentos de esquerda.

A articulista de forma proposital mistura as denuncias contra as tentativas de quebrar o Estado de Direito com a discussão sobre a hegemonização da política institucional brasileira.

Contudo a Nassif parece que “esquece” a base prática da ação petista é a cooptação para dentro do aparelho do Estado.

Claro, como Lula, petistas nunca viram nada, não sabem de nada, sequer sabem explicar os dólares nas cuecas. São exemplos de castidade e pureza.

O problema é que eu, por exemplo, falo em mexicanização não pelo PT, mas pela via da aliança entre PMDB/PT.
O PT sozinho não tem esta condição. O PT e os grupos de esquerda entorno dele não venceriam esta eleição sem o PMDB.

A mexicanização virá pela via da cooptação ou da auto-cooptação como forma de sobreviver politicamente num mundo fisiológico elevado ao seu extremo.
Muito longe, portanto, desta utopia delirante daqueles que se julgam “modernos” lutadores contra o atraso.

Vai ser sempre assim: Uma esquerda completamente atrasada tentando se fantasiar de moderna para justificar sua promiscuidade .

Demetrio Carneiro




Fonte: Valor
Maria Inês Nassif

A "mexicanização" do quadro partidário brasileiro é um debate a ser colocado em devidos termos. A ameaça de que o PT, depois das eleições de outubro, se transforme num Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000, é apresentada como "denúncia". Isso é, no mínimo, um equívoco. A questão merece ser tratada criticamente por todos os atores do cenário político, sob pena de a eleição consolidar, de fato, e por um bom tempo, um único partido com condições de acesso ao poder pelo voto.
Essa perspectiva está colocada não porque o PT trapaceou, mas porque a oposição acreditou demais no seu poder de influenciar massas via convencimento das elites. É uma estratégia medíocre de ação política, num mundo onde o acesso à informação tem aumentado e ao mesmo tempo saído da órbita exclusiva da influência dos grandes grupos, e num Brasil onde um grande número de cidadãos-eleitores deixou a pobreza absoluta, outro tanto ascendeu à classe média, a escolaridade aumentou, o acesso à internet é maior e a influência das elites sobre os mais pobres tornou-se muito, muito relativa.

Oposição não mobilizou militância nem formou quadros

Dos partidos na oposição, apenas o P-SOL, em passado recente, e o PPS, quando remotamente era PCB, conseguiram pelo menos formular idealmente um conceito de partido de massas. O P-SOL fracassou porque foi criado na contramão de um crescimento espantoso do PT, partido do qual se originou, e do recuo de setores que, durante o mensalão, ensaiaram abandonar o partido de Lula. Amedrontados com a retórica pré-64 da oposição, esses setores acabaram lentamente retornando à órbita do petismo. O PCB conseguiu a façanha de ser um partido de massas apenas quando tinha um líder carismático, Luiz Carlos Prestes. Como viveu boa parte de sua existência na clandestinidade, é difícil saber se teria vocação para sair da política de vanguarda e ganhar substância em setores mais amplos. O PPS, que o sucedeu, certamente não mostra essa capacidade.
O PT continua a exceção no quadro partidário. A estrutura montada pelo partido nacionalmente, quando começava a se perder na burocratização da máquina, foi salva pelo lado popular do governo Lula e pela ofensiva oposicionista. O partido não é mais o que era quando foi fundado, mas é certo que tem uma representação social.
As demais legendas, em especial as de oposição, não conseguiram sair da camisa de força dos partidos de quadros. O PSDB, que catalisou a oposição a Lula, e o DEM, com o qual é mais identificado, terceirizaram a ação partidária para uma mídia excessivamente simpática a um projeto que, mais do que de classes, é antipetista. Todo trabalho de organização partidária, de formulação ideológica e de articulação orgânica foi substituído por uma única estratégia de cooptação, a propaganda política assumida pelos meios de comunicação tradicionais. A vanguarda oposicionista tem sido a mídia. Esta, espelhando-se na velha estrutura social do país, tem praticado uma conversa exclusiva com os seus: assumiu um discurso para agradar a elite, que por sua vez perdeu quase totalmente seu poder de influência sobre os menos ricos e escolarizados. Os partidos de oposição e a mídia falam um para o outro. Pouco têm agregado em apoio popular, que significaria voto na urna e, portanto, vitória eleitoral.
A ideia de propaganda política via mídia, que para a esquerda pré-Muro de Berlim era uma parte da estratégia de tomada do poder, e para os social-democratas a estratégia de conquista do poder pelo voto, tornou-se a única ação efetiva da oposição brasileira, exercida, porém, de fora dos partidos. Teoricamente, a mídia tradicional brasileira não é partidária. Na prática, exerce essa função no hiato deixado pela deficiente organização dos partidos que hoje estão na oposição ao presidente Lula. E o produto final não é exatamente a agregação de adeptos, mas uma conversa entre iguais, que se autoalimenta de um discurso trazido do udenismo, pouco propenso a conduzir um debate propriamente ideológico.
Esse não é um fenômeno pós-Lula simplesmente, embora os dois governos do presidente petista tenham dado grande contribuição a esse descolamento entre a "opinião pública" e a "opinião dos pobres". Logo no início da redemocratização, foi instituído o voto do analfabeto. Ao longo dos dois últimos governos - portanto, nos últimos 15 anos - ocorreram ganhos de cidadania via aumento de escolaridade e renda que, por si só, incentivam a autonomia do voto. Nos últimos sete anos, os programas de transferência de renda reforçaram essa tendência.
Esse contingente de novos eleitores ganhou autonomia de voto e se descolou da mídia tradicional. Nesse universo, os formadores de opinião pública - por sua vez formados pela mídia - não têm o mesmo acesso que tinham antigamente. O ingresso dos antigos desletrados na era da informação tem se dado pela televisão - e aí o horário eleitoral gratuito é neutralizador - e um pouco pela internet, mas a decisão política ocorre por ganhos de cidadania. Como a mídia tradicional é a única a operar como "propagandista" dos partidos de centro e de direita que nunca acharam necessário incorporar militância, formar quadros ou mesmo publicizar ideário, é de se supor que a capacidade de formação de consensos da mídia tradicional seja pouco significativa numa parcela do eleitorado que ascendeu recentemente ao mercado consumidor.
O bloco oposicionista, que inclui não apenas os partidos, mas a mídia tradicional, não entendeu as mudanças que ocorreram no país. O modelo partidário que trazem na cabeça é um que pressupõe alinhamento automático de parcelas da população com líderes distantes ou donos de votos locais, ou a submissão da "ignorância" popular à opinião formada por iluminados. O novo Brasil não comporta mais isso. Esse modelo de política é elitista, porque não parte do princípio que as pessoas são iguais inclusive no direito de formar uma opinião própria.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PMDB 4EVER


Mais do que os Beatles o PMDB parece ser eterno. Não é muito difícil estabelecer o momento em que o partido deixou de ser o local de resistência ao autoritarismo e passou a ser o “centrão”. Muito provavelmente terá sido quando deixou de ser abrigo de diversas forças que foram originar a grande maioria dos atuais partidos. Todos queriam seu lugar ao sol, mas a poderosa máquina municipal permaneceu quase intacta e se confirma a cada eleição.

O PMDB é exatamente a cara da atual República. Vive em profunda simbiose com a máquina pública. Não está tão preocupado em estar no poder, desde que ele  tenha acesso aos recursos públicos e possa utilizá-los para confirmar sua hegemonia. 
O volume de votos que acarreta, o número de prefeitos, governadores e parlamentares, dos três níveis, que elege colocam o partido como fiel de qualquer balança eleitoral que se crie. 
Com os atuais partidos e mesmo com futuros partidos que possam vir a serem criados conforme os resultados das próximas eleições.

A vitória de Dilma não será a vitória do PT, mas a vitória do PMDB que ocupará espaços mais amplos. 
Diferentemente dos petistas e de outros neófitos no palco político, pemdebistas dificilmente são pegos com a boca na botija. Fazem os mesmo aparelhamentos, a mesma apropriação dos recursos públicos, mas são melhores.

Que futuro terá o nosso futuro?

Demetrio Carneiro