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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

QUANDO O CRESCIMENTO SE DÁ EM BASES INSUSTENTÁVEIS

Conforme viemos comentando ao longo dos últimos meses Dilma fez uma clara escolha dentro dos limites do trade off clássico da teoria do ciclo político-partidário: A ter menos inflação e menos crescimento ela preferiu ter mais inflação para gerar mais crescimento. Dai a desconstrução na noção de centro de meta da inflação e a adoção da teoria de Delfim sobre a inflação boa. Não deu tão certo e o crescimento é bem menos espetacular do que estava nos sonhos tanto da equipe econômica como da presidente e a inflação poderá incomodar muito ainda.

No caso importa mencionar que a escolha foi fundada no crescimento a qualquer custo e mais ainda nos atalhos de crescimento. Existe uma lógica de geração de votos nessa escolha e é um mecanismo de sobrevivência política via reeleição. . Nesse caso em específico o que se vê é um grande e correto esforço de ampliação do mercado interno conduzido da forma errada, justamente devido ao atalho.

Alguns ainda caem no conto de fadas de que o crescimento do mercado interno se dá única e exclusivamente pelo aumento da renda dos trabalhadores. É verdade que a massa salarial ao menos entre 2004 e 2010 veio crescendo a um ritmo maior que a inflação e incorporou praticamente todos os ganhos do crescimento do PIB. Mas também é a mais completa verdade que a maioria dos trabalhadores está na faixa abaixo de dois salários e que nossa distribuição de renda é uma das mais injustas do planeta.
Ora o que vem expandido o mercado interno é justamente o segmento de salário mais próximo do salário médio e abaixo dele. Não é preciso sacar muito de economia ou sociologia ou estatística para entender que essas populações têm uma demanda fortemente reprimida. Mas também não é preciso fazer muitas contas para perceber as fortes limitações do poder de compra desses agrupamentos de trabalhadores abaixo de cinco salários, por exemplo. 
Se agregarmos a isso o fato de que mais da metade da população brasileira vive em 300 municípios, que neles está 75% do PIB brasileiro, que um outro corte em 50% do PIB resulta em nenos de 130 municípios, que nesses municípios o custo de vida é significativamente mais alto, que São Paulo é a 10ª cidade do mundo com custo de vida mais alto e que a cidade do Rio de Janeiro é a 12ª podemos ter um outro cenário.

Enfim esses dados todos alinhados indicam que boa parte da renda dessas famílias acaba em gastos de manutenção, não devendo sobrar tanto para consumo de bens duráveis e nada para a poupança.

Apesar desses fatos a estratégia de governo é buscar atalhos para o crescimento. Isto vai resultar numa forte pressão na mídia com apelos para o consumo, o que explica a notícia dada pela Folha e repercutida pelo César Maia: O nível de endividamento das famílias brasileiras é maior do que o nível de endividamento das famílias americanas. Vinte e dois por cento contra dezesseis por cento. Quase 40% maior! Vamos insistir novamente: Em detrimento da poupança.

O problema mais complicado é que essa forte expansão só se viabiliza com base nas absurdas taxas de juros cobradas pelo sistema financeiro. Atenção: O Banco Central pode até ser omisso, mas basicamente existe ai um problema institucional de desregulação econômica em favor dos oligopólios na área financeira. É um problema de governo. 
São taxas extremamente altas que viabilizam qualquer aventura nessa área, pois funcionam como um seguro contra a inadimplência garantindo uma taxa de ganho que talvez seja a maior em termos comparativos mundiais com qualquer outro tipo de negócio diferente do tráfego de armas ou de tóxicos.

Sendo assim a classe trabalhadora comemora seu poder de compra, mas quem faz mesmo a festa são outras e outros. 

Ao contrário do que afirma o governo não dá para dizer que isto é crescimento em bases sustentáveis, embora até dê para dizer que gera muitas riquezas. Para alguns.

Demetrio Carneiro

A BOLHA CRESCE!
    
(Folha de SP, 28) Os consumidores brasileiros comprometem uma fatia maior de sua renda com dívidas do que os americanos.  Os brasileiros gastam hoje 22% do que ganham com o pagamento de empréstimos e outros tipos de financiamento, de acordo com o Banco Central. Os americanos comprometem cerca de 16% de sua renda com dívidas. Em novembro, as taxas de juros cobradas dos consumidores estavam 14% mais elevadas do que há um ano, apesar da redução da taxa básica de juros pelo governo nos últimos meses.(grifo nosso. DC)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

CÉSAR MAIA COMENTA GOVERNO DILMA EM 2011

Abaixo uma avaliação do governo Dilma em 2011 por César Maia.

Não concordo tanto com a leitura sobre Aécio Neves ou que esse fato mais o fato da oposição lançar candidatos próprios torne a base de governo mais fluída ao ponto da oposição poder ampliar a sua base por meio de cooptações na base de governo, o que seria a única forma de "vencer". 

Até outro entendimento ainda acho que o grande campo de embate vai ser dentro da base aliada e não fora dela. A não ser que Dilma, claro, resvale do governo medíocre que vem fazendo para um governo desastrado ou tão desastrado quanto a gerência dela. A estrutura de governo, principalmente a da Presidência da República, é complexa, muito ampla e tem diversas ilhas autônomas de excelência. No final do dia alguma coisa sempre anda em algum lugar. A máquina, mesmo ineficiente, não trava a ponto de ser inoperante.  

O poder executivo central conta com uma fonte enorme de recursos, muito significativos do ponto de vista dos indivíduos ou grupos. Pode lançar mão desses recursos com certa facilidade e no tipo de coalizão que existe importa é poder colocar a mão no bolso quando se torna necessário. Se houver problema ele não virá da base política, mas da reação popular a uma gestão desastrosa que não entregue as promessas de emprego, consumo & renda.

Vale observar com atenção a correlação entre eleições municipais e eleições estaduais e nacionais conforme comenta CM. Há uma certa e errada tradição sobre eleições municipais serem isoladas e não afetadas pelas disputas nacionais. Não é o que veremos este ano e certamente isso irá se refletir em 2014.

Demetrio Carneiro



2011: O GOVERNO FEDERAL!
                
1. O ano de 2011 foi um ano perdido para o governo federal, seja do ponto de vista político ou econômico. Do ponto de vista econômico, apesar de todos os indicadores internos e externos apontarem para um ano recessivo, o governo insistiu em manter um discurso otimista para criar expectativas. Só que ele mesmo se convenceu disso e manteve a simples rolagem da política econômica anterior. No final do ano, quando se deu conta que a situação era grave, é que vieram as medidas, mas de forma pontual e atabalhoada. Os fatos atropelaram o governo federal.
                
2. O crescimento de 7,5% produzido no ano eleitoral de 2010, a golpes de populismo fiscal e cambial, era insustentável. A inflação antecipou os fatos. Em nossas análises antecipamos isso desde o final de 2010 usando a renúncia do presidente do Banco Central como referência. Os fatos confirmaram as projeções. O Brasil, ao responder a crise de 2008 com medidas de keynesianismo juvenil, perdeu a oportunidade de investir em infraestrutura, reduzindo o "custo Brasil". A indústria brasileira perdeu competitividade e sua balança comercial saiu de um superávit de 18 bilhões de dólares em 2006 para um déficit de 80 bilhões de dólares em 2011. Quase 100 bilhões de dólares de "gap" em 5 anos. E a bolha de crédito só não estourou -ainda- pela rolagem da inadimplência.
              
3. O desembolso do BNDES para a Indústria em 2011 foi reduzido a menos da metade de 2010. O déficit em conta corrente subiu para quase 55 bilhões de dólares e as projeções do Banco Central para 2012 são de 65 bilhões de dólares, ou 3,5% do PIB, um dado semelhante a países europeus em crise. O PIB em 2011 não crescerá 3% e nos últimos meses o crescimento foi nulo. Para 2012, logo após a presidente oferecer números otimistas, o próprio Banco Central reduziu para números mais realistas.
              
4. No entanto, o impacto progressivo da crise europeia, com refluxo do crédito e retorno de capitais, leva 2012, na melhor hipótese, para o mesmo crescimento de 2011. O patamar inflacionário com que se trabalhou em 2011, no entorno de 7%, será mitigado pela própria recessão. Mas se o ano eleitoral levar a um novo açodamento keynesiano, nem isso se conseguirá. E uma incerteza adicional vem com a bolha chinesa de crédito e o arrefecimento da taxa de crescimento que, de uma ou outra maneira, afetará o crescimento das exportações brasileiras. A associação dos exportadores projeta, em 2012, um superávit comercial de apenas 3 bilhões de dólares. A crise internacional já se faz presente por aqui.
             
5. A combinação de uma base parlamentar de 17 partidos, com o maior deles -o PT- com apenas 16,7% dos deputados e a inexperiência da presidente em matéria parlamentar, já que nunca sequer foi vereadora, levou a uma parálise na tomada de decisões. A heterogeneidade da base aliada -da direita à esquerda- garante a aprovação da rotina, mas inviabiliza qualquer mudança nas direções imaginadas pelo PT e Dilma. Os escândalos com a saída de 6 ministros e com a desintegração da autoridade de um sétimo, exatamente o mais próximo da presidente, acentuou esta crise na capacidade de governar.
            
6. As avaliações das funções de governo são negativas e Dilma -ainda- escapa por passar, junto à imprensa, a imagem de que está longe disso tudo e que é apenas herança de Lula, a quem lealmente não desgasta. A expectativa da volta de Lula em 2014 mantinha a base aliada (expandida por um novo partido). Independente de que supere sua doença, como vem sendo noticiado, a possibilidade de ser candidato em 2014 fica eliminada.
            
7. O ano de eleições municipais de 2012 acirrará os ânimos na medida em que não se pode repetir, em nível municipal, a base em nível federal. E como se sabe (Jairo Nicolau-IUPERJ), a correlação efetiva está entre a eleição de vereadores e -dois anos depois- de deputados federais, o que acentua os conflitos internos na base aliada. No correr do ano de 2012 ficará claro que o senador Aécio Neves é um forte competidor para Dilma e estimulará o DEM e o PPS a lançarem candidatos. Isso tornará a oposição mais aguerrida, mais retórica e a base aliada ainda mais fluida.
            
8. E se o voluntarismo prevalecer em 2012, não será mais um ano perdido, mas um governo perdido.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS DA DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Por coincidência enquanto postava sobre a desindustrialização e cobrava evidências materiais recebi o mailling do César Maia:
PRODUÇÃO INDUSTRIAL NO PRIMEIRO QUADRIMESTRE CRESCE PÍFIOS 1,6 %!



O IBGE divulgou a produção industrial de abril de 2011. Em relação a março de 2011, a queda foi de (-2,1%). Esse número é agravado pelo fato de março ter sido um mês atípico com carnaval. Comparando abril de 2011 com abril de 2010 a queda foi de (-1,3%). No acumulado de 2011, ou seja, janeiro-abril comparado com 2010, o crescimento foi pífio: 1,6%. Lembre-se que em outubro do ano passado o crescimento industrial em 12 meses era de 11,8%, em março de 2011, já havia caído para 6,9% e em abril para 5,4%, em 12 meses. O setor com maior queda foi o de bens duráveis que no mês caiu (-10,1%) e (-5,6%) na comparação abril de 2011-abril de 2010. O fator mais destacado é a taxa de câmbio que está desintegrando a indústria brasileira.



Como se vê lá no finalzinho ele desanca com a questão cambial. Obviamente relacionando o baixo crescimento industrial no Q1 com o câmbio apreciado.

Algumas ponderações:

1 – O produto industrial perde valor relativo em escala planetária. Não é por acaso que os termos de troca brasileiros se inverteram depois de 500 anos;

2 – O problema brasileiro não tem nada a haver com o dólar e muito a haver com a concorrência chinesa que afeta a produção industrial na concorrência interna, solúvel sem a necessidade de intervenção cambial. Aliás “resolvida” com a discussão sobre a reorientação dos investimentos chineses no Brasil. Mesmo país que é fortíssimo concorrente brasileiro no mercado externo. Sendo a China nosso maior “cliente” como é que os ilustres colegas pretendem resolver o assunto?;

3- Já num prazo nem tão longo há uma possibilidade de apreciação do dólar por conta da retomada da economia mricano;

4 – Seja como for também há uma forte tendência de substituição do dólar por uma sesta de moedas que inclui o Real. Neste acaso vamos realmente “querer” um real fraco?;

5- Para encerrar não fica nada claro nos número apresentados por CM, até pelo tamanho da série e o período considerado, se estamos vendo uma soma resultante de questões colocadas acima mais um ajuste de estoques decorrente da mudança do eixo da política econômica de forte estímulo governamental para uma posição mais neutra. Ainda falta a comprovação dessa correlação entre câmbio e crescimento industrial.

Enquanto isso continuo achando que há debates mais importantes como todas as nossas deficiências na área de financiamento de longo prazo, problemas de infraestrutura etc. Lembro um estudo da CNI sobre o custo-Brasil em que afirmam lá pelas tantas que todos os itens desse custos, uma vez vencido representariam uma queda de 15 a 30% no preço final dos produtos. Supondo que o estado não resolva avançar sobre esse ganho, será que esse debate não seria bem mais importante. Ao menos agora?

Demetrio Carneiro

terça-feira, 1 de março de 2011

TAXAS DE INVESTIMENTO DO BRASIL FRENTE A AMÉRICA LATINA E O MUNDO

Mais números do CM.
É interessante ler os números do PIB comparado, no post anterior, e do Investimento abaixo.
Depois, dê um tempo, tome um cafezinho e leia as notícias de hoje: Corte etc. Tenho certeza que o olhar será diferente.

Demetrio Carneiro


TAXA DE INVESTIMENTOS DO BRASIL MENOR QUE AMÉRICA LATINA E MUNDO!

(IBGE - Abimaq - deee) A média da Taxa de Investimentos como % do PIB no Brasil, alcançou nos 10 anos (1998-2007), 16,8%. Nesse período na América Latina 18,7%. E no Mundo 23,7%.

Entre 2000 e 2010 a Taxa de Investimentos no Brasil foi, ano a ano: 16,8% \ 17,0% \ 16,4% \ 15,3% \ 16,1% \ 15,9% \ 16,4% \ 17,4% \ 18,7% \ 16,9% \ 19,0%

No período Lula, entre 2003 e 2010, a média foi de 16,9%.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CÉSAR MAIA: AVALIANDO O FUTURO DO GOVERNO DILMA

O texto abaixo eu retirei do mailling do CM.
É uma avaliação com um viés bem interessante. Acho que vai bem até abrir caminho para o catastrofismo.
É uma questão que havíamos comentado antes das eleições:
Um bom governo não interessa à oposição e muito menos ao grupo ligado à Lula;
Um péssimo governo joga 2014 não no colo da oposição necessariamente, mas sim no colo de Lula "o salvador";
Para todos o melhor seria o que parece que será - Um governo medíocre, seguindo a trajetória do que se considera por aqui um "ótimo" crescimento, algo por volta de 4,5%/5%.
Acho que é para este horizonte provável que deveriam estar olhando.

Demetrio Carneiro


"HERANÇA PERVERSA"!

Coluna de sábado de Cesar Maia na Folha de SP (19).

1. As primeiras medidas do governo Dilma em relação aos cortes nos gastos públicos, ao câmbio, aos juros e à política externa são apresentadas como herança recebida do governo Lula. São vistas como produto das distorções eleitorais relativas aos anos de 2009 e 2010. Por isso, sua abordagem cria no governo um certo constrangimento. Mas nada disso é problema. Ao contrário. Dilma aparece como mais centrada, mais racional e mais dedicada às questões administrativas, o que a eleva ao andar de cima do meio acadêmico, empresarial, jornalístico e político.

2. Com todos os desdobramentos relativos a essa herança, ela certamente não é o problema que Dilma e seu governo terão de enfrentar. Todas as pesquisas nos últimos anos, em relação às funções do governo, mostraram uma avaliação mais próxima do regular. Mas as mesmas pesquisas mostraram uma avaliação ótima de Lula. É como se o personagem que criou, inserido nas massas e confundido com elas, nada tivesse a ver com seu governo. Até o fato de a crise financeira de 2008/2009 não ter chegado aos países emergentes como chegou aos desenvolvidos foi percebido como efeito Lula.

3. Seus atos são sempre confundidos com seu populismo retórico. As inaugurações de pedras fundamentais eram percebidas como realizações, e a "caravana holiday" de seus comícios inaugurava nada, mas que -em outras partes do país, via satélite- era percebido como tudo.

4. Com o mensalão de 2005, Lula abandonou o uniforme de líder operário urbano e incorporou o jeito de líder retirante num populismo protorreligioso que tão bem se conhece Brasil afora, desde a segunda metade do século 19. Essa condição é que é a herança perversa. Nem Dilma nem nenhum outro nome cogitado no processo pré-eleitoral desde 2008 teria condições de parecer-se com o personagem criado e mitificado por Lula.

5. Todos sabem que o ano de 2011 será um ano de desconforto social, com a economia crescendo metade da de 2010, com inflação acima da meta, especialmente nos alimentos, e os juros mais altos. Há ainda a economia europeia desacelerada, a crise nos países árabes e seus reflexos etc e tal. Esse desconforto social se acentuará com a menor capacidade de compensação pelos Estados e municípios, maior desemprego, alguma reversão de expectativas e muito maior assanhamento dos políticos da base aliada e da oposição.

6. E o imaginário popular, tão acostumado ao estilo anterior, vai suspirar nas esquinas: "Ah, com Lula isso não estaria acontecendo". Nesse momento, a popularidade de Dilma despencará. E Lula correrá em seu auxílio, piorando a situação. Como disse Bertolt Brecht: "Infeliz a nação que precisa de heróis".

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CÉSAR MAIA: A ECONOMIA DO TRÁFICO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO!

Numa gentileza do ex-prefeito o acesso a um interessante trabalho sobre a economia do tráfego no Rio.

Não dá para discutir o que vem ocorrendo esses dias sem discutir:
- Coesão social e combate ao tráfego;
- O contrabando de armas e munições;
- A importação e a exportação de drogas. Aqui, por exemplo, ainda falta esclarecer o exato papel das FARCs no norte do país;
- E, finalmente, o papel econômico do tráfego. Não apenas do lado do menor contratado e seu papel como arrimo de família, mas também do lado da inteligência e do controle da circulação desses recursos. Ninguém deve guardar R$ 640 milhões debaixo do colchão.

Demetrio Carneiro

A ECONOMIA DO TRÁFICO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO! 

Trechos do estudo de Sergio Guimarães Ferreira e Luciana Velloso, da subsecretaria estadual de fazenda - abril de 2009.

1. Estimativa de consumo anual. Maconha 90 toneladas. Cocaína 8,8 toneladas. Crack 4,3 toneladas.

2. Faturamento anual do Tráfico (ajustando a subestimativa das pesquisas diretas): Maconha 108,1 milhões de reais \ Cocaína 423,2 milhões de reais. Crack 102,1 milhões de reais. Total: 633,4 milhões de reais.

3. Custo Anual Estimado: Pessoal 158,7 milhões de reais. Custo de compra das drogas 193,9 milhões de reais. Armas 24,8 milhões de reais. Perdas por apreensões 19,4 milhões de reais. Total 396,8 milhões de reais. Lucro operacional: 236,6 milhões de reais.

4. Quantidade de delinquentes envolvidos no tráfico: 16.387 pessoas (estimativa da Polícia Civil).


Obs.: Ex-Blog apenas como referência, pois as situações variam muito. Supondo 1000 bocas de fumo em toda a cidade, o lucro seria de 236 mil por boca de fumo/ano ou quase 20 mil reais por mês. Se uma comunidade tiver várias bocas de fumo e o tráfico ali fosse centralizado, como Alemão, Rocinha, Jacarezinho..., a facção controladora ali teria um lucro de 20 mil reais x Y bocas de fumo por mês, em média.