Mostrando postagens com marcador avaliação do governo Dilma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador avaliação do governo Dilma. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PREVENÇÃO DE EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS: A CORRUPÇÃO NÃO É O ÚNICO MAL

Não é apenas do mal da corrupção que padece o ministério de Dilma, o patrimonialismo tem outros formatos como a proteção dos interesses políticos e o favorecimento via orçamento público de um determinado grupo.

O ministro disse que a presidente sabia que a maior parte dos recursos foram para um estado apenas...Se ela sabia e não fez nada foi conivente e agiu contra os interesse de todo o país, principalmente das populações agora atingidas em Nova Friburgo, RJ, e Minas Gerais em diversos municípios. 

O ministro não precisa brincar de andar de helicóptero ou ficar fazendo de conta que o trabalho dele é sério, se reunir com o governador, tirar fotos e fazer declarações evidentemente mentirosas... nada disto. 

Ele precisa mesmo é ter um pouco de dignidade, reconhecer a própria incompetência, submissão aos interesses políticos mais mesquinhos e se demitir pelo bem de todos os brasileiros....
E Dilma precisa ter a coragem e a honradez de fazer uma autocrítica pública.

Bezerra Coelho vai ao Rio para se reunir com Cabral



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

CÉSAR MAIA COMENTA GOVERNO DILMA EM 2011

Abaixo uma avaliação do governo Dilma em 2011 por César Maia.

Não concordo tanto com a leitura sobre Aécio Neves ou que esse fato mais o fato da oposição lançar candidatos próprios torne a base de governo mais fluída ao ponto da oposição poder ampliar a sua base por meio de cooptações na base de governo, o que seria a única forma de "vencer". 

Até outro entendimento ainda acho que o grande campo de embate vai ser dentro da base aliada e não fora dela. A não ser que Dilma, claro, resvale do governo medíocre que vem fazendo para um governo desastrado ou tão desastrado quanto a gerência dela. A estrutura de governo, principalmente a da Presidência da República, é complexa, muito ampla e tem diversas ilhas autônomas de excelência. No final do dia alguma coisa sempre anda em algum lugar. A máquina, mesmo ineficiente, não trava a ponto de ser inoperante.  

O poder executivo central conta com uma fonte enorme de recursos, muito significativos do ponto de vista dos indivíduos ou grupos. Pode lançar mão desses recursos com certa facilidade e no tipo de coalizão que existe importa é poder colocar a mão no bolso quando se torna necessário. Se houver problema ele não virá da base política, mas da reação popular a uma gestão desastrosa que não entregue as promessas de emprego, consumo & renda.

Vale observar com atenção a correlação entre eleições municipais e eleições estaduais e nacionais conforme comenta CM. Há uma certa e errada tradição sobre eleições municipais serem isoladas e não afetadas pelas disputas nacionais. Não é o que veremos este ano e certamente isso irá se refletir em 2014.

Demetrio Carneiro



2011: O GOVERNO FEDERAL!
                
1. O ano de 2011 foi um ano perdido para o governo federal, seja do ponto de vista político ou econômico. Do ponto de vista econômico, apesar de todos os indicadores internos e externos apontarem para um ano recessivo, o governo insistiu em manter um discurso otimista para criar expectativas. Só que ele mesmo se convenceu disso e manteve a simples rolagem da política econômica anterior. No final do ano, quando se deu conta que a situação era grave, é que vieram as medidas, mas de forma pontual e atabalhoada. Os fatos atropelaram o governo federal.
                
2. O crescimento de 7,5% produzido no ano eleitoral de 2010, a golpes de populismo fiscal e cambial, era insustentável. A inflação antecipou os fatos. Em nossas análises antecipamos isso desde o final de 2010 usando a renúncia do presidente do Banco Central como referência. Os fatos confirmaram as projeções. O Brasil, ao responder a crise de 2008 com medidas de keynesianismo juvenil, perdeu a oportunidade de investir em infraestrutura, reduzindo o "custo Brasil". A indústria brasileira perdeu competitividade e sua balança comercial saiu de um superávit de 18 bilhões de dólares em 2006 para um déficit de 80 bilhões de dólares em 2011. Quase 100 bilhões de dólares de "gap" em 5 anos. E a bolha de crédito só não estourou -ainda- pela rolagem da inadimplência.
              
3. O desembolso do BNDES para a Indústria em 2011 foi reduzido a menos da metade de 2010. O déficit em conta corrente subiu para quase 55 bilhões de dólares e as projeções do Banco Central para 2012 são de 65 bilhões de dólares, ou 3,5% do PIB, um dado semelhante a países europeus em crise. O PIB em 2011 não crescerá 3% e nos últimos meses o crescimento foi nulo. Para 2012, logo após a presidente oferecer números otimistas, o próprio Banco Central reduziu para números mais realistas.
              
4. No entanto, o impacto progressivo da crise europeia, com refluxo do crédito e retorno de capitais, leva 2012, na melhor hipótese, para o mesmo crescimento de 2011. O patamar inflacionário com que se trabalhou em 2011, no entorno de 7%, será mitigado pela própria recessão. Mas se o ano eleitoral levar a um novo açodamento keynesiano, nem isso se conseguirá. E uma incerteza adicional vem com a bolha chinesa de crédito e o arrefecimento da taxa de crescimento que, de uma ou outra maneira, afetará o crescimento das exportações brasileiras. A associação dos exportadores projeta, em 2012, um superávit comercial de apenas 3 bilhões de dólares. A crise internacional já se faz presente por aqui.
             
5. A combinação de uma base parlamentar de 17 partidos, com o maior deles -o PT- com apenas 16,7% dos deputados e a inexperiência da presidente em matéria parlamentar, já que nunca sequer foi vereadora, levou a uma parálise na tomada de decisões. A heterogeneidade da base aliada -da direita à esquerda- garante a aprovação da rotina, mas inviabiliza qualquer mudança nas direções imaginadas pelo PT e Dilma. Os escândalos com a saída de 6 ministros e com a desintegração da autoridade de um sétimo, exatamente o mais próximo da presidente, acentuou esta crise na capacidade de governar.
            
6. As avaliações das funções de governo são negativas e Dilma -ainda- escapa por passar, junto à imprensa, a imagem de que está longe disso tudo e que é apenas herança de Lula, a quem lealmente não desgasta. A expectativa da volta de Lula em 2014 mantinha a base aliada (expandida por um novo partido). Independente de que supere sua doença, como vem sendo noticiado, a possibilidade de ser candidato em 2014 fica eliminada.
            
7. O ano de eleições municipais de 2012 acirrará os ânimos na medida em que não se pode repetir, em nível municipal, a base em nível federal. E como se sabe (Jairo Nicolau-IUPERJ), a correlação efetiva está entre a eleição de vereadores e -dois anos depois- de deputados federais, o que acentua os conflitos internos na base aliada. No correr do ano de 2012 ficará claro que o senador Aécio Neves é um forte competidor para Dilma e estimulará o DEM e o PPS a lançarem candidatos. Isso tornará a oposição mais aguerrida, mais retórica e a base aliada ainda mais fluida.
            
8. E se o voluntarismo prevalecer em 2012, não será mais um ano perdido, mas um governo perdido.


sábado, 19 de março de 2011

ECOS DO PASSADO E AFIRMAÇÃO DO PRESENTE.

Dilma falou...

E, para quem pouco fala, falou bastante. Ai abaixo, no final do post, vão as avaliações de Tony Volpon.

De meu ponto de vista registro basicamente a confirmação de que a política econômica será tocada pelo conceito de gatilho a ser disparado por um piso de crescimento previsto para 4,5%/ 5%.
Sendo assim há limites para tudo que crie obstáculo ao piso, o que explica o corte com contra-corte destinado a mudar a operação contábil, mas não a proposta do gatilho. Da mesma forma explica a mudança da política de atacar o centro da meta inflacionária pela política de tolerar variações dentro da banda sem que o núcleo seja o gatilho da Selic. Segundo Dilma variações para baixo (magnanimidade?) ou para cima.

Como diz o Tony, abaixo, é o trade-off, clássico, entre crescimento e inflação. Dilma parte da lógica desenvolvimentista presente em amplos segmentos do PT e de outras forças de esquerda: Só o crescimento e o forte papel do Estado, pela via do gasto, implementação do investimento e do estímulo ao gasto das famílias, são capazes de garantir uma política distributivista, direta ou indireta, contínua. É dentro da lógica do distributivismo que encara com tranqüilidade o aumento do salário mínimo previsto para 2012. Na realidade a gestão Dilma assume claramente um lado na questão do Estado e da partição da renda.
Na lógica desenvolvimentista mais clássica, como a atual, cabe ao mercado interno o pólo dinâmico e sustentável de crescimento, tendo o consumo das famílias papel preponderante. É realmente a escolha pelo consumo como pólo dinâmico, o que sustenta todas as políticas de expansão de crédito. A trava dada agora foi uma trava macro-prudencial ou seja pontual. Em notícia de hoje avalia-se que a decisão de aumentar a margem de compulsório, por exemplo, retirou da economia R$75 bi o que não é exatamente um valor desprezível.

Na realidade é um mix de política econômica onde se aceita o princípio da estabilidade fundado na lógica do tripé, desde que não afete o piso de crescimento projetado. É uma relativização condicional do conceito de Estabilidade.

Para cima a conversa é bem outra. Quando Dilma questiona o “teto” de crescimento, dentro da lógica de que há um limite estrutural a partir do qual o crescimento perde impacto e vira inflação o faz repetindo um discurso já existente de que ninguém é capaz de determinar com precisão onde está o teto: 5%, 5,5% etc. e assume, portanto, que nos período de forte expansão o governo buscará o teto experimentalmente, que é meio o que veio sendo feito agora. Enfim, há um gatilho para baixo, mas não há um gatilho para cima. Evidentemente esta lógica de tolerância para cima afetará o conjunto de desempenho do pensamento econômico do governo, inclusive o BC.

A questão distributivista no seu sentido mais amplo merece uma observação a mais. Sendo o eixo central da política do gatilho do piso mínimo pode levar a questões complicadas :

Uma é a admissão de que a inflação é tolerável desde que se mantenha a proposta básica e enveredarmos pelo caminho do inverso do que se pretende com um crescimento comprometido. Convém alertar que a perda da memória inflacionária de nosso passado é relativa, já que as pesquisas de percepção indicam um grau de preocupação com a questão disseminado entre a população;

Outra é a que se refere ao resultado concreto. A estratégia de governo para executar esta proposta distributivista no seu sentido mais amplo de partição de renda a partir do Estado é firmada na promoção apenas na faixa de população de risco. Acima do risco cessam os efeitos das políticas de promoção. Quer dizer o aumento da renda via salário mínimo, importante para os segmentos não qualificados da população, com um bom exemplo no setor de trabalhadores que atendem a classe média, tipo empregadas, faxineiros etc., ou o pagamento dos benefícios de previdência ou o pagamento da Bolsa-Família, pode ter forte impacto num mercado interno sempre capenga da participação de amplos segmentos da população brasileira, pode ter impacto na PNAD promovendo a incrível e recente mudança na base social. Lembrando que essa mudança só se viabilizou pela via da promulgação da Constituição de 1988.

Muito bem, o problema da atual lógica é que a renda não resolve a promoção social sozinha.
Há, por exemplo, uma forte, midiaticamente falando, política de promoção de direitos. Mas é mais midiática que concreta e a prova está na execução orçamentária. Hoje, também, o Portal Contas Abertas divulga que a Secretaria da Igualdade Racial desembolsou menos da metade de sua verba. Certamente não será por falta de objeto, mas de objetivo.

Infelizmente agregado ao conceito desenvolvimentista clássico, que é o dominante, a visão de Delfim Netto, de distribuir por conta do crescimento do bolo, é a prevalente. Fala-se em crescimento como “receita mágica”.
Não o crescimento não é receita mágica. Se fosse todas as nossas décadas de crescimento econômico, acima do crescimento vegetativo teriam gerado necessariamente outro perfil de distribuição de rendas, que é tão absurdo hoje quanto era 20, 30, 40 ou 50 anos atrás, quando começou o atual ciclo de crescimento mais acelerado, com relação ao passado anterior entre o início do século e a década de 60.
Nenhuma coincidência no fato de 30% dos mais ricos do mundo, na relação da Forbes, serem brasileiros.

Acima da faixa de pobreza o que garante promoção social é ensino qualificado que gera o emprego qualificado. É bom não esquecer que a máquina que elegeu Dilma foi montada pela retirada da qualidade do Ensino Básico como prioridade e sua substituição pelo PAC.
A construção de uma sólida estrutura capaz de fornecer um ensino básico de qualidade é uma questão de tempo e vontade política, mas é a partir desta base concreta que se constrói um processo de autentica promoção social.

De outra forma não adianta ter pessoal qualificado se não em áreas voltadas para a economia sustentável, o que representa a necessidade de repensar todo o nosso modelo de desenvolvimento.
A exportação de commodities pode ser um bem ou um mal. Anotem, para não esquecer, que uma das pautas mais importantes da visita de Obama é assinar um acorde de fornecimento de petróleo bruto para os EUA.
Poderemos, como nos últimos 500 anos, exportar material bruto e dar ao país praticamente nada e, quando se esgotarem as commodities finitas, apenas lamentarmos o azar ou podemos usar o processo para financiar outras escolhas, que sejam sustentáveis.

Isto, por sua vez, vai nos remeter ao Custo-Brasil e aos gargalos de investimento que a política de transformar o BNDES num banco de investimento três maior que o Banco Mundial absolutamente não resolve.

Enfim, todo este debate sobre gatilho para baixo, inexistência de gatilho para cima ou relativização do conceito de Equilíbrio é apenas uma ponta de outro debate. Quer dizer, pensar assim não retira a essencialidade e importância da discussão da política econômica de Dilma, mas é importante que se perceba onde um debate fica inserido em relação ao outro.
Quem muda, taticamente é bom esclarecer, é o projeto nacional-desenvolvimentista que agora confirma a aceitação da Estabilidade, mas relativizada, para alívio de muitos.
Menos mal, pois foi este mesmo projeto que navegou, sem medos ou receios, pelo menos inicialmente, tanto pela irresponsabilidade fiscal, quanto pelo regime de alta inflação.

Entretanto é bom frisar que a aceitação tática anda muito longe de representar uma mudança do pensamento central, que permanece o mesmo dos últimos 50 anos.
Demetrio Carneiro



Abaixo a nota do Tony:

Em sua primeira entrevista como presidente ao jornal financeiro Valor, publicada hoje, a presidente Dilma Rousseff fez uma série de observações importantes sobre a economia brasileira, que resumimos abaixo:

1. Ela julga a que a atual crise japonesa "atrasará um pouco" a recuperação mundial, mas que conduzirá a uma maior demanda por petróleo e gás natural em substituição a energia nuclear.

2. Ela considera que o desenvolvimento do petróleo do "pré-sal" como estratégica para o desenvolvimento econômico nacional; que ela o chama de "passaporte para o futuro" do Brasil.

3. Ela diz que vai "não permitir que a inflação volte ao Brasil." Mas ela também diz que acredita que o Brasil vai crescer 4,5-5% este ano, e que "não há incoerência entre o corte de R$50 bilhões em gastos e entregar R$55 bilhões para o (banco estatal de desenvolvimento do Brasil) BNDES, para sustentar os investimentos ".

4. Continuando na frente macroeconômica, ela afirma que "a velha discussão sobre o potencial de crescimento tem de ser revisitada" e que ela não acredita que a inflação no Brasil é devida ao excesso de demanda. Relativamente ao último ponto, ela afirma: "[este é o lugar onde] nós divergimos com determinados segmentos. Nós não pensamos é um problema de demanda ... é óbvio que temos tido ultimamente uma alta no preço dos alimentos ... e pressão sazonal. Quando perguntada sobre a inflação de serviços, que bateu o nível de 8%, ela respondeu:" nós temos que acompanhar isso. Mas não é possível dizer que o Brasil está crescendo além de sua capacidade e assim que o crescimento está causando a inflação. "

5. Dilma Rousseff também diz que não irá "derrubar o crescimento", mesmo que ela prometa reduzir os gastos correntes. Ela descreve sua política fiscal como "consolidação fiscal" e não uma política de contenção orçamentária.

6. Ela diz que sua política quanto a inflação é manter a inflação na meta, mas "nós temos a parte ascendendo ou descendendo na banda". Quando perguntado sobre as dúvidas do mercado sobre o Banco Central do compromisso do Brasil (BCB) de combate à inflação, ela disse que o mercado às vezes acerta, às vezes erra, e que ela acredita em um "Banco Central profissional e autônomas".

7. Quando perguntado sobre os riscos da inflação decorrente do aumento, esperado, de 14% do salário mínimo em 2012, Dilma Rousseff justificou a regra atual (correção da inflação anual, mais o crescimento do PIB de dois anos) como sendo justa para dar aos trabalhadores parte do crescimento e da produtividade ganhos vistos no passado. Ela diz que a regra atual "não é a indexação, e quem diz isso não se preocupa com o trabalhador brasileiro".


8. A entrevista deixa claro que há áreas de divergência entre o governo e o mercado, mas também apresenta nuances de ponto de vista sobre as principais questões macroeconômicas. A recusa em admitir qualquer tipo de trade-off entre inflação e crescimento podem ser em parte uma estratégia para manter elevado o "espírito animal" e da necessidade, que é política, de não admitir ajustes fiscais como consequência da política induzida de sobreaquecimento da economia. A ênfase na explicação do choque pelo lado da oferta para a inflação atual é, também, acreditamos, uma defesa do uso excessivo do “escorvar a bomba”*, feito por seu antecessor em ano eleitoral. No entanto, mesmo com os ajustes que estão sendo feitos há uma clara escolha de investimentos “direcionados” que irão adicionar capacidade de produção futura independentemente de qualquer esforço para controlar a inflação, o que é consistente com a visão do governo de que foram os pesados investimentos do BNDES, que "salvaram" a economia brasileira, de uma grande recessão durante a crise financeira. Sua defesa da política de salário mínimo atual é na mesma linha, com o seu governo acreditando que o forte crescimento do consumo é a chave para o desenvolvimento social e econômico em curso.

Apesar da insistência de Dilma Rousseff de que ela não vai "negociar" com a inflação há outras "metas" importantes em sua política macroeconômica: Da sustentação dos altos investimentos até a utilização da política salarial como um instrumento de redistribuição de renda.
O como ela equilibrará as escolhas, no sentido do trade-off econômico básico “crescimentos versus inflação”, é que determinará em grande parte o sucesso de seu governo.

*Mecanicamente significa uma sangria que retira as bolhas de ar que impedem que a água seja sugada por uma bomba hidráulica. Em economia trata-se de um conceito keynesiano que envolve estímulo pela via da despesa pública para manter ou elevar níveis de demanda.NT(DC)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ENSINO: PARA ONDE O FUTURO NÃO APONTA OU NÃO DEVERIA APONTAR

“A competitividade econômica, a eqüidade social e o desempenho cidadão são simultaneamente impactados pela educação . A educação de qualidade representa, portanto, um objetivo estratégico sem o qual o projeto de desenvolvimento nacional em curso não se viabiliza . Para isso, como parte da agenda estratégica, o Governo Federal coloca em execução o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que reúne um conjunto de iniciativas articuladas sob uma abordagem do sistema educativo nacional, cuja prioridade é a melhoria da qualidade da educação básica . Investir na melhoria da qualidade da educação básica
passa por investimentos na educação profissional e na educação superior, pois, os diferentes níveis de ensino estão ligados, direta ou indiretamente. Significa mobilizar a sociedade para a importância da educação envolvendo pais, alunos, professores e gestores, em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola”
Mensagem presidencial - PPA 2008/2011

Nossa rápida história principia quando Lula decide mudar a orientação geral de seu segundo PPA (2007-2011).
Assim como o primeiro PPA foi dedicado ao primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, “Erradicar e extrema pobreza e a fome”, originalmente o segundo PPA seria dedicado à segunda meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Ensino Básico Universal, sendo lido no PPA como um ensino básico de qualidade, alinhando-se assim às críticas de que este tipo de meta deveria visar a qualidade e não a quantidade. Naquele momento o PAC, embora previsto, era uma segunda linha.
Posteriormente alguém decidiu que ensino de qualidade não era boa matéria eleitoral. De fato na leitura de alguns gênios da mídia para os pais bastaria que os filhos estivessem matriculados em alguma escola. Foi quando o PPA foi modificado e o PAC passou a ser a prioridade, incorporando as propostas de ensino, que voltaram basicamente a ser quantitativas. É quando inauguramos a gestão-chafariz, isto é a gestão pública federal no estilo municipal mais tradicional, muito bem sintetizado pela imagem de Sucupira de Dias Gomes. Iniciamos um forte ciclo de inaugurações, nem que fosse de placas.

Dilma esteve presente em todos esses momentos e deve sua eleição a essa inflexão de lógica eleitoral que acabou mudando o sentido do PPA. De certa forma ao se mostrar tão dedicada ao ensino talvez venha refazendo o roteiro original. O tempo dirá.

Agora o Estado de São Paulo trás uma matéria, citada no Blog do Noblat, sobre a questão dos cursos tecnológicos. A descrição é altamente preocupante: De um lado esses cursos se mostram um filão excepcional de investimento. Entre o ano 2000 até 2009, o número de cursos cresceu de 364 à 4.449.
Difícil dizer se a acelerada expansão foi realmente lucrativa para os investidores, mas com certeza respondeu a uma demanda reprimida fundada na noção generalizada de que a formação passou a ser elemento essencial para o mercado de trabalho.
É ai que deveria entrar o papel regulador do Estado. Não se trata de um número de mágica. Na mão esquerda uma demanda reprimida. Na mão direita a iniciativa privada. Abracadabra milhares de bons tecnólogos imundam o mercado de trabalho desabastecido e todos serão felizes para sempre.
No mundo real as avaliações oficiais indicam, conforme título da matéria, que 160 mil estudantes estão matriculados em cursos mal avaliados. Isto que apenas pouco mais de um terço dos cursos pode ser avaliado.
Mais que incompetência não é um estelionato legitimado pela omissão do poder público?
E agora?

Demetrio Carneiro

domingo, 30 de janeiro de 2011

DILEMAS DA OPOSIÇÃO III: A AVALIAÇÃO DO GOVERNO DILMA

O que vem primeiro? O ovo ou a galinha.

Há duas formas possíveis de fazer um debate de avaliação do governo Dilma. O se parte da conjuntura e se deduz tudo a partir dela ou se parte um olhar fundado na questão programática e, usando, ai sim, a conjuntura, se faz a avaliação.

Na primeira ficamos nas questões conjunturais e com base em nossos princípios (Que seriam quais? A ética?) fazemos projeções para o nosso futuro. O complemento seria “ser cuidadoso” e ir avaliando item por item o que presta e o que não presta. O que apoiamos e o que não apoiamos. Em 100 entre 100 tentativas este estilo de debate termina ou no completo antagonismo do nada presta e tudo fede ou, no lado inverso, na mais simples adesão fisiológica. Corremos o risco de uma oposição situacionista.
Depois de oito anos na seca e com perspectiva de mais quatro ou oito a oposição está mais para achar valores ocultos e inimaginados em Dilma do que para exercer a alegre e rejuvenescedora atividade do bate-bate.
O forte apelo do auto-reajuste, incontestado e resignadamente aceito por todos, dos parlamentares, do belíssimo reajuste do Fundo Partidário mostram bem com o que estamos lidando e como uma análise baseada apenas em conjuntura pode ser adequada.

Uma outra opção pode ser partir de uma proposta programática e avaliar o desempenho do governo Dilma a partir daí, ai sim usando os instrumentos de análise conjuntural.

Os exemplos possíveis são muitos:

Na questão ambiental a Belomonte ou a inexistência de propostas concretas quanto à Nova Economia.
Na questão das reformas o “alto custo” de fazer as reformas mais importantes.
Na questão da Estabilidade a resistência no ajuste fiscal e todas as consequências resultantes.
Na questão da equidade a inexistência de propostas concretas para além do assistencialismo.

E ai por diante. A lista pode ser muito grande, mas o que pode ou não “aproximar” mais ou menos a oposição do governo terão que ser os parâmetros programáticos e não os pragmáticos. Do contrário vamos estar sempre patinando e, no fundo, bem lá no fundo, mesmo que não se admita, contando com um governo desastroso para buscar a alternância de poder.

Claro que esse segundo viés depende da percepção de que haja um programa possível. Aqueles que acham que os episódios do passado eliminam o futuro e qualquer projeto possível de fato ou que nossa capacidade de inovar nas proposta ou na ação política estão eliminados terão enormes dificuldades de entender ou mesmos aceitar que sequer exista uma questão programática. Ai, de fato, só resta a "operação" da política pelo referencial do oportunismo. Aliás, o referencial que "deu certo" e elegeu o PT. Talvez por isto muito já não vejam muita dificuldade em "se aproximar" do viés petista. 

Seja como for, não termina ai. Avaliar o governo Dilma envolverá, também em principalmente, fazer o que a oposição se recusou a fazer durante todos os anos anteriores a campanha de 2010: Discutir um programa e pô-lo à prova no debate público, sendo capaz de apresentar proposições que contraponham o que parecer incorreto ou mal formulado.
Isto exige uma coisa chamada “capacidade-de-resposta-articulada-e-fundamentada”.
A oposição tem essas partes em diversos níveis, mas é incapaz de juntar as peças a produzir ação e jogar o jogo verdadeiro.

Por isto mesmo está perplexa e procurando, já agora, a bóia de salvação em 2014.
Será o Aécio? Será o Alckmin? Mas e se o Lula voltar? E se Dilma fizer um bom governo? Normalmente a teoria da bóia “esquece” prudentemente as duas últimas possibilidades.

No final isso implica em atropelar as eleições de 2012 e, desde já, fornecer todas as desculpas para o mais simples fisiologismo.

Demetrio Carneiro