Não tem nada que indique mudança nos paradigmas. Não havendo, não tem nada que indique que o quadro muda.
Teremos para o futuro, provavelmente, um pouco do mesmo de sempre.
Vivemos uma situação privilegiada geo-estrategicamente, dispomos de uma meio ambiente particularmente rico e bem equilibrado, uma população grande, mas com um território também grande. Enfim, todos os dados são positivos. De negativo a forte tendência de perder os bondes da história.
Demetrio Carneiro
CRESCIMENTO MEDÍOCRE DO BRASIL NOS OITO ANOS DE LULA E DE BOOM MUNDIAL!
Fonte: C. Maia
(Globo, 10) O Brasil cresceu em média 4% nos oito anos de governo do presidente Lula. O Brasil ficou abaixo da média da América Latina no período: 4,64%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que já tem projeções para 2010. Considerando as estimativas do FMI, entre 2003 e 2010, o Brasil fica à frente apenas do México, que cresceu 2,1% nesse período, se consideradas as economias da América Latina. O país empata com Chile e Paraguai, que também fecharão o período 2003-2010 com crescimento médio de 4%. A Argentina, por exemplo, registrará taxa de 7,4%; o Peru, de 6,4%; e a Venezuela, de 4,6%.
No ano de 1968, em Sófia, capital da Bulgária, participei de um evento que reunia jovens israelenses e árabes palestinos.
Estávamos numa época de tensão máxima, logo após a Guerra do Seis Dias, onde Israel havia ocupado militarmente parte do território palestino, delimitado no acordo da ONU.
Apesar do clima meio pesado a reunião transcorreu num clima de busca de conversas.
Ao redor daquela mesa éramos jovens brasileiros e americanos, além dos árabes e israelenses. Brasileiros, americanos e israelenses ligados aos diversos partidos e grupos de esquerda nacional. A delegação palestina participava sob a bandeira da Organização pela Libertação da Palestina.
Consensual entre nós, a demanda da OLP: o recuo das tropas israelenses às fronteiras originais e o reconhecimento do Estado Palestino, mas havia também a demanda da formação de um estado multicultural. Naquela altura já em segundo plano. De qualquer forma era uma tentativa de formação de consenso dentro de uma lógica de paz e união dos povos. Aquela ainda não era uma questão religiosa. Era uma questão laica.
De 1968 para cá os setores radicais tiveram voz e vez. O pensamento de esquerda israelense acabou encurralado, na defensiva. A OLP e seus segmentos mais voltados para a pacificação vão sendo superados pela leitura da resposta militar.
Extremistas religiosos israelenses tem uma forte linha de convergência com extremistas religiosos palestinos: Ambos defendem a eliminação física de seus oponentes. Guerra, supostamente religiosa, de extermínio, como recentemente também ocorreu na Europa Central.
Neste quadro o reconhecimento do Estado Palestino, embora não satisfaça as ambições americanas e israelenses, talvez possa ser mesmo uma ação positiva, retirando a Autoridade Palestina de seu isolamento. Desde que sirva como elemento de pacificação.
O que nos deve preocupar é como o reconhecimento funciona dentro da atual estratégia de política internacional brasileira. Sem querer querendo Lula e seu grupo já deram a métrica dos próximos anos e, parece agora, dificilmente Dilma se afastará dessa trilha.
Preocupante é a ligação com o governo Iraniano que se liga e é bom que se diga, financia, por sua vez, aos grupos religiosos palestinos mais radicais.
Olhando por esse lado a postura brasileira pode ser crítica, se este reconhecimento passar por suportar a leitura radical. Escolher um “lado”, escolhendo os radicais, pode não ser uma boa escolha.
A política externa brasileira está articulada na bipolaridade do mundo: Norte/Sul, desenvolvidos/emergentes etc. Não é uma leitura de pacificação, mas de confronto. O problema é que esse tipo de confrontação não se dá, na política internacional, no curto prazo. Ele é cumulativo no longo prazo. São diversas ações simultâneas que acabam se somando e vão colocando o Brasil num campo extremamente problemático. O dos países mais radicais.
A criação da UNISUL se deu nessa lógica de cisão norte-sul e desafiou a estrutura da OEA, vista aqui como um capacho americano. Não é difícil imaginar outros movimentos mais amplos que desafiem a estrutura da ONU, por exemplo. Talvez isso explique o “desinteresse” de Lula em assumir a presidência da UNASUL, neste momento. Por mais que tentem disfarçar a não indicação do Brasil para o Conselho de Segurança foi um duro golpe na diplomacia brasileira e certamente haverá um troco na linha vingativa que já se faz um hábito.
Infelizmente política externa no Brasil é assunto para especialistas e há uma alienação generalizada, mesmo nos partidos políticos. É nesta alienação que navega o grupo que vai aos poucos tirando nossa política internacional de seu eixo pacifista e nos colocando em outro eixo.
O debate da política internacional brasileira precisa tomar corpo e deve envolver a sociedade como um todo. Do contrário nos arriscamos a chegar onde não nos interessa, com parceiros que não nos servem.
Quanto desenvolvimento será possível com o custo de uso das redes de web dos mais caros, e menos eficiente, do planeta?
Quanto desenvolvimento é viável com uma das telefonia fixa, de celular e 3G, mais caras do planeta?
Tudo mera coincidência?
A comunicação é artigo de segunda nesse processo?
É problema do consumidor?
O Estado que mete a mão em tudo neste país não sabe de nada? Ou é mais negócio facilitar a vida dos oligopólios e ficar brincando de fazer justiça social? É este o nosso "modelo" do coração?
Levantamento feito pela Macworld Brasil em 10 países apontou o iPad brasileiro como o mais caro.O modelo mais simples sai por R$ 1.650 no Brasil, quase o dobro dos R$ 848 pagos nos Estados Unidos. Na Argentina, o segundo lugar mais caro, custa R$ 1.450.
Comparando os preços brasileiros com um estudo da australiana ComSec, publicado em maio, que englobou 10 países, também mostrou que o Brasil tem o iPad mais caro.
O tablet da Apple está disponível hoje em 43 países.
Na direção oposta da maior parte dos analistas o Tony aposta na estabilidade da taxa. A tese dele de "alongamento dos horizontes" como norma do efeito reativo do BC, cumprindo seu papel de guardião da oscilação controlada da inflação, tem sentido.
Mantega quando propôs a solução criativa de retirar alimentos e combustível da cálculo que fundamenta a reatividade do BC deveria estar perseguindo alguma noção muito parecida.
Politicamente aumentar a SELIC em janeiro, mês de posse de Dilma, tem implicações para quem fez da redução da taxa um dos principais elementos de seu programa econômico.
As apostas estão feitas. É aguardar para ver o resultado. E suas implicações...
Política monetária: Para 27 dos 32 entrevistados, o Copom começa a subir os juros na 1ª reunião de 2011
Lucinda Pinto e Angela Bittencourt | De São Paulo
Alta dos preços das commodities, já capturadas pelos índices de inflação; emprego, renda e crédito vigorosos; preocupação com a evolução dos gastos públicos; e dúvidas sobre a autonomia do Banco Central no próximo governo. Esses elementos compõem o cenário da maioria dos analistas e justificam a aposta em aumento de juros no curto prazo. Dentre 32 economistas ouvidos pelo Valor, dois já esperam o início do aperto monetário na reunião do Copom da próxima semana. A grande maioria, 27 dos consultados, acredita que o aperto monetário terá início em janeiro. Apenas cinco trabalham com estabilidade da Selic ao longo de 2011.
O Bradesco está no grupo que representa a minoria da pesquisa e projeta, no cenário básico, estabilidade da Selic em 10,75% até dezembro de 2011, com a possibilidade de implementação de medidas na área de crédito, resultado fiscal que seja "supreendentemente" positivo e volta dos preços dos alimentos, além da manutenção das preocupações globais com o agravamento da situação europeia. "Concedemos o benefício da dúvida ao esforço fiscal sinalizado pelo governo e acreditamos que medidas macroprudenciais poderão ser implementadas na área do crédito. A confirmação dos R$ 540 de salário mínimo nos parece decisiva como sinalização para os juros", afirma Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco. Ele diz que, se os sinais forem outros, sobretudo no plano fiscal, há um cenário alternativo, de aumento de 0,50 ponto percentual a partir de janeiro em um total de 1,25 ponto, combinado com medidas prudenciais na área de crédito.
O Tony Volpon, estrategista para América Latina do Nomura Securities, também está entre os que apostam em estabilidade da Selic no próximo ano, embora reconheça que haja um "grande risco de estar errado". Ele lembra que o BC já declarou estar perseguindo a meta de inflação em horizontes mais longos. "O horizonte mais longo dá ao BC tempo para que esses choques se acomodem, sem que ele precise subir os juros", afirma. Além disso, Volpon trabalha com o cenário de que o governo irá cumprir o compromisso com a meta fiscal. "O regime de metas amadureceu e isso dará mais espaço ao BC para ignorar os choques primários de preços, que abatem outros bancos centrais no mundo também", afirma.
A maioria dos economistas, entretanto, considera que há uma deterioração importante das expectativas de inflação - base do sistema de metas -, o que justifica o início imediato do aperto monetário. E há quem diga que o BC já demorou para reagir a esse ambiente, o que pode tornar ainda mais caro o próximo ciclo. É o caso do diretor da Tandem Partners, Paulo Vieira da Cunha, que espera uma alta de 0,5 ponto da Selic em janeiro e um ciclo total de aperto de dois pontos percentuais. "O BC chegou atrasado e, assim, seria bom que a nova presidência deixasse claro o compromisso com a meta e já começasse a subir os juros na primeira reunião do ano", afirma.
Na mesma linha, está o Itaú Unibanco, que antecipou a projeção de retomada do ciclo de alta da Selic de abril para janeiro de 2011, contemplando um ajuste total de dois pontos percentuais, com a taxa alcançando 12,75% em dezembro de 2011. Em relatório, Ilan Goldfajn, economista-chefe da instituição, explica que a decisão foi tomada devido à deterioração adicional na perspectiva de inflação e da necessidade de controlar o processo de piora nas expectativas. "Reiniciar o ciclo apenas em abril resultaria em uma projeção ainda mais elevada para a inflação de 2011".
O Santanderprojeta, para dezembro de 2011, Selic a 13%, resultado de quatro elevações de 0,50 ponto e uma de 0,25 ponto. Tatiana Pinheiro, economista da instituição, pondera que o banco esperava que o ciclo de aperto monetário, iniciado em abril, fosse concluído neste ano [portanto seria maior do que 2 pontos percentuais confirmados]. Mas a inflação praticamente zero em junho, julho e agosto e as dúvidas do BC sobre o ambiente externo e os seus efeitos no Brasil levaram o Copom a encerrar o ciclo mais cedo do que esperava o Santander. "Continuamos, contudo, com a ideia forte de que havia pressão inflacionária não trivial que levaria a inflação à alta ainda maior neste ano. As indicações já estavam aí: estoque de crédito e concessões em expansão, mercado de trabalho apertado e taxa de desemprego abaixo da natural, além de reajustes salariais acima da inflação. A retomada da trajetória dos índices era questão de tempo, considerando as pressões desses fatores domésticos amplificados pelo juro real de 6%, além da política fiscal expansionista. Para nós, esse juro está abaixo do neutro que estimamos entre 7% e 8%", explica a economista.
Nas últimas décadas quem desceu do morro não foi o filho da Dina da canção de Martinho - Diz lá prá Dina que eu volto. Que seu guri não fugiu. Só quis ver como é. Qual é.
Era a década de 60. Ninguém imaginava, mas alguns meses depois os cariocas estariam sentido o peso da opressão de uma ditadura que veio para durar mais de uma década. Quase duas.
Eram os anos da apoteóse lacerdista. Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, ex-capital da república, atual cidade do Rio de Janeiro, por conta de uma fusão resignadamente aceita, ele. Lacerda, era o cara.
Líder da direita assumida, coisa rara em nossos dias, popularíssimo entre a classe média urbana, branca, católica e anti-comunista, Lacerda se propunha a modernizar a cidade e trazê-la para o século XX, numa proposta tão arrojada quanto a do Prefeito Passos, no início do século.
Daí saíram obras perpetuadas e acabadas como o Aterro do Flamengo, água para o ano 2000 no Guandú, outras projetadas como o Túnel Rebouças, mas também o Esquadrão da Morte e Vila Kenedy.
O Esquadrão era a saída oficosa para romper a burocracia legal e prisional propondo uma via alternativa rápida entre essa vida e a próxima. Julgamentos caros, demorados, custos de prisão eram resolvidos a la chinesa: Uma bala. Se bem que no caso costumavam sempre serem muitas. Cara de Cavalo foi o personagem emblemático desse período, mas o EM começou mesmo suas atribuições como serviço social: Recolher e desovar (desovar os cadáveres) os mendigos, que já então assolavam e enfeiavam a paisagem carioca, no Rio da Guarda, afluente do Gandú, estrela da cora de obras públicas.
Outra marginalidade irritante eram as favelas. Não tanto as da zona norte, mas as do pedaço mais precioso de nosso cartão postal, a zona sul. O Rio vivia a cultura do túneis. A cidade se dividia em antes de depois dos túneis. Para nós que éramos da zona norte o pós-túnel era a sociedade dourada da beira de praia. No entre-meio tinha Flamengo, Botafogo e Urca – ainda usáveis, mas era Copacabana o objeto de desejo.
Num ato de arrojo Lacerda busca recursos na Aliança Para o Progresso da Kenedy e inicia um ambicioso programa de remoção de algumas favelas emblemáticas:
Morro do Pasmado, acima do Túnel Novo, logo ali na marca da transição oficial entre o Rio do Sul e o Rio do Norte.
A favela da Lagoa, bem de frente para o metro quadrado, na época, mais caro da cidade.
Outras foram no embalo: No Maracanã, abrindo mais tarde espaço para a Universidade do Rio de Janeiro. Na Praia do Pinto e em Ramos, bem na beira de Av. Brasil, via já na época de intensa circulação e ponto de chegada a Rio/São Paulo. As duas eram as única favela que existiam na beira da Av. Brasil na época.
Vila Kenedy foi uma operação de orientação estética. Resultado da discriminação social e de uma sociedade fortemente exclusiva. Essa foi a leitura da esquerda carioca e foi ao redor desses conceitos que o combate de idéias foi travado. Apenas de idéias, pois por mais que fosse desejado aquela não era uma questão que mobilizasse a população, nem mesma as populações das outras favelas em vias de seguirem o mesmo modelo.
Lacerda quis e fez. Mais traumático que a frustração esquerdista foi o lá viver para aquelas populações.
Favelas são construídas como estratégia de sobrevivência com a finalidade de aproximar geograficamente oferta e demanda de mão de obra não qualificada.
A mais de duas horas de viagem do mercado de trabalho, as casas, muito superiores aos barracos, não foram argumento suficiente para suprir o desemprego.
Certo que o projeto, feito pelos americanos da APP, sabiamente previa, já naquela época, a requalificação da mão de obra, mesmo que burocrático e ineficiente. Contudo estávamos do lado de cá do túnel e do lado de baixo da linha do equador. Não só não tínhamos pecados. Também não tínhamos vergonha e os projetos jamais decolaram.
Para a esquerda carioca Vila Kenedy foi o emblema da aliança entre a direita nacional, Lacerda, e o imperialismo norteamericano, a Aliança Para o Progresso.
Naquele momento a marginalidade na habitação não era apenas arte que se expressava nas músicas – Podem me prender, podem me bater que eu não mudo de opinião. Daqui do morro eu não saio não...- ou no cinema, o Orfeu Negro.
No imaginário carioca o malandro sempre teve lugar de honra. Era um ilegal, vivendo de golpes e esperteza. O avô do “se dar bem” de Romário. Mas era, principalmente, uma figura simpática e contraposição ao autoritarismo policial.
A questão da favela carioca ou das ocupações marginais e a possibilidade de soluções alternativas acabou cristalizada como um ato de resistência política, num momento em que ser marginal era sinônimo de ser revolucionário. O MST respira, ainda, este mito.
A dimensão de resistência deixou escapar questões fundamentais como a possibilidade de reprodução infinita do modelo por toda a cidade. A lógica de anti-planificação trouxe mais próximo o caos urbano.
O lócus do narcotráfico não é a marginalidade idílica da cultura de esquerda. É o caos urbano. É lá que ele se instala territorialmente e cria seu próprio Estado.
Na leitura que faço da obra dela, ao contrário de locais da revolução social as favelas são os locais de reprodução do modo capitalista ao acomodar as contradições de uma sociedade basicamente injusta, criando oportunidades de emprego para a mão de obra desqualificada, que só são viáveis pela proximidade geográfica, fator fundamental numa mega-cidade como o Rio, onde a locomoção de um ponto ao outro pode, entre ida e volta, significar até seis horas por dia.
Revolta a cultura tradicional de esquerda, ainda, mas as favelas são válvulas de escape do sistema injusto e não a panela de pressão. É o problema do copo meio vazio ou meio cheio.
Na realidade o debate da Vila Cruzeiro não for seguido sobre um debate à propósito do caos urbano e da marginalidade habitacional teremos uma vitória de Pirro. Ao hastearem as bandeiras na Vila Cruzeiro Reinaldo Azevedo lembrou, sabiamente, que, em curto espaço de tempo, era na verdade a terceira vez que aquilo era feito.
Cabe à cidade debater, mas o fato é que as favelas são o que são e são principalmente lugar de confirmação da desigualdade fundamental de nossa sociedade. Questões que só se resolverá com a geração de emprego e condições dignas de habitação e qualidade de vida.
A acomodação e o paliativo não substituem a renda do emprego, a necessidade de saneamento básico ou a inexistência de um sistema educacional eficiente. A maior ausência do Estado está na expansão do caos urbano.
Urbanizar favelas terá que ser muito mais que asfaltar ruas ou fornecer água e energia elétrica.
No fim do dia o problema das habitações marginais é carioca, mas também é brasileiro e só se resolve, da mesma forma que as outros questões sociais, saindo do mero asistencialismo na direção de políticas de promoção social.
O “levar o Estado” às favelas é sonoro, dá votos, mas sozinho não resolve.
Pessoas subempregadas ou desempregadas continuarão com os mesmos problemas de falta de futuro numa sociedade cuja dinâmica desloca do mercado até mesmo as classes e grupos mais bem colocados.
Não existe romantismo nenhum a não ser no imaginário e nas resistentes matérias sobre os cariocas que “adoram” morar na favela.
As pessoas não estão lá por vontade própria, mas por falta de opções na questão da habitação, no direto à habitação, que é tratado como recurso eleitoral e não como questão que afete profundamente a qualidade de vida das pessoas. É preciso discutir com clareza as relações econômicas entre a favela e a cidade.
A cidade não pode mais ser a herança feudal dos Castelos à prova de sítio e das Marcas nas suas fronteiras.
É precisamos discuti-la como local da equidade.
A cidade inclusiva como responsabilidade de todas e todos.
Essa nova cidade precisa ser inventada como obra coletiva.
Conforme vamos insistindo nosso país tem muitas vulnerabilidades por conta do atual modelo de desenvolvimento.
Uma delas é a economia informal. Conforme se vê abaixo é equivalente a 18,6% do PIB. Todo o debate sobre o superávit primário se dá ao redor dos 3,3% do PIB.
Tendo em vista a altíssima carga tributária brasileira certamente os tributos não arrecadados pela informalidade da economia são muito mais que o valor do superávit.
A lógica da política brasileira de fomento à economia formal é completamente defasada e não debatida. O SEBRAE que seria um braço operacional acabou virando uma outra coisa muito menos operacional nas mãos do esquemão petista.
Poderia haver maior reforço na questão do trabalho cooperativado, como forma de romper com a informalidade, mas dependeria de empenho muito maior que o atual.
Há uma imensa fila de leis no Congresso Nacional, nas câmaras estaduais e municipais, mas nenhuma delas somadas às existentes consegue eliminar com eficiência a questão da informalidade.
A informalidade gera dificuldades no acesso ao crédito à inovação colocando essas empresas à margem do centro mais dinâmico da economia. Podem contribuir para o crescimento da economia gerando uma renda que mesmo não agregada aos números da Contabilidade Nacional circula pela economia. Mas não produzem desenvolvimento, justamente por estarem alijadas do núcleo mais dinâmico. Esse é um outro debate que não se faz.
Para o governo a informalidade não gera tributos, mas gera empregos e acaba reduzindo as tensões sociais. Acaba não sendo um máu negócio.
Para a nação a informalidade pesa do lado da absoluta falta de produtividade, leia-se desenvolvimento - do setor informal que acaba acomodando sua vantagem competitiva muito mais pelo lado da sonegação dos tributos.
A informalidade equivale a 18,6% das riquezas produzidas no país – exatamente o quanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderia ser maior, caso não houvesse informalidade. Os dados são do Índice de Economia Subterrânea de 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). A análise revela que o Brasil perdeu R$ 656 bilhões, que ficaram de fora da economia formal.
O presidente do Instituto Etco, o economista André Franco Montoro, vê com preocupação o crescimento da economia subterrânea e atribui a expansão à falta de medidas focadas na redução da informalidade. Medidas contra a burocracia poderiam ajudar a reduzir a informalidade, diz.
O informe do Instituto Etco destaca que “a informalidade, além de suas relações com o crime organizado e de precarizar as relações de trabalho, traz prejuízos diretos para a sociedade e cria um ambiente de transgressão, estimula o comportamento econômico oportunista, queda na qualidade do investimento e redução do potencial de crescimento da economia brasileira, além de redução de recursos governamentais destinados a programas sociais e investimentos em infraestrutura”.
Embora sejam agrupamentos evidentemente voltados para ações terroristas e o narcotráfico, o socialismo(?) de base os une a personagens dominantes no atual e no futuro governo brasileiro.
Há um claro movimento de cobertura política das FARCs que tem origem no governo amigo de Hugo Chaves e é repercutido por nosso governo. Faz parte da nova leitura de política externa brasileira.
O tal “acampamento’ descoberto, os indícios de fornecimento de armas para o narcotráfico carioca e, agora, o vazamento, via documentos internos do governo americano, de que as FARCs exploram minas de minérios estratégicos no norte do país, certamente estarão no rol dos assuntos classificados pelo governo brasileiro e suas autoridades como fantasiosos.
As evidências vão se acumulando e a questão passa a ser a confiabilidade dessas autoridades.
Posso até estar professor, mas prefiro ceder o espaço para pessoas como o Simon, que entendem muito mais da questão educacional.
Particularmente não tenho nenhuma dúvida quanto ao papel da educação no processo de desenvolvimento nacional e tenho todas as dúvidas quanto às escolhas feitas pela atual gestão da educação, que, aliás, será uma, entre outras formas de gestão, que não mudará no próximo governo.
Estamos entrando em pleno processo do bônus demográfico e, logo, as pressões serão ainda maiores no acesso ao ensino médio.
A educação tem que sair da área das boas intenções e virar projeto eficiente, do contrário ainda teremos desemprego crescente, e por consequência a qualidade de vida, por falta de qualificação para o trabalho.
Na outra ponta teremos uma mão de obra ineficiente para um perfil de indústria e serviços que responda ao novos paradigmas do desenvolvimento. Por isso a questão do Ensino Técnico como opção viável e agregada à uma continuidade no ensino superior é crítica.
O conceito de diversidade aqui se refere ao direito de escolhas diversas das atuais, segundo o texto "engessadas".
No corpo desse post de Simon está anexado o texto da apresentação propriamente dita. Deveria ser lida na íntegra.
Acho muito importante ir pontuando questões concretas e não apenas as mais abstratas.
Nos dias 25 e 26 de outubro o Instituto Unibanco organizou um grande seminário, com quase mil participantes, sob o tema de “como aumentar a audiência no Ensino Médio?” O gráfico ao lado, com dados da PNAD 2009, resume a situação. Cerca de 60% dos jovens no Brasil entram hoje no ensino médio aos 16 anos, e outros entram mais tarde. Aos 18 anos, 30% ainda estão estudando neste nível, e 19% já concluíram. Até os 30 anos de idade, 45% terão concluído o ensino médio ou superior, e 55% nunca concluirão.
Para lidar com o problema, o Instituto Unibanco tem dois projetos, o “Jovem de Futuro”, que apóia com recursos financeiros e técnicos a gestão de escolas públicas que desenvolvam um plano de melhoria de qualidade definido por elas mesmas, e o “Entre Jovens”, que traz estudantes de licenciatura para atividades de tutoria com alunos da primeira série do ensino médio, também em escolas públicas. Em 2009, o “Jovem de Futuro” apoiou cerca de 60 mil alunos em 86 escolas, e o “Entre Jovens”, cerca de 20 mil jovens em 176 escolas
Com os dois projetos, o Instituto trata de melhorar o funcionamento das escolas e o atendimento aos estudantes, fazendo com que eles se interessem mais pelos cursos e não o abandonem, mas sem colocar em questão os objetivos e o conteúdo do ensino médio que é ensinado. No entanto, para alguns dos palestrantes do seminário – entre os quais Claudio de Moura Castro, Francisco Soares e eu – é essencial abrir alternativas e criar mais opções para os estudantes neste nível de educação, como ocorre em quase todo mundo menos no Brasil. Vanessa Guimarães, Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, também falou sobre a importância de fazer com que as escolas de ensino médio ofereçam uma educação condizente e adequada aos alunos que recebem, ao invés tentar forçá-los a absorver um currículo sobrecarregado de 14 ou mais matérias que é o que existe atualmente.
Na minha apresentação, que está disponível aqui, eu procuro mostrar que o engessamento do ensino médio brasileiro vem da própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, e é reforçado pelo ENEM que, no seu formato atual, não abre espaço para opções. Um efeito particularmente perverso desta legislação é o atrofiamento do ensino técnico no país, que, ao invés de ser uma alternativa, se transformou em um peso adicional aos alunos que querem este tipo de formação, já que ela não dispensa que eles façam também o currículo do ensino médio tradicional.