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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

INFORMALIDADE: COMEÇANDO COM O PÉ ESQUERDO

Algumas considerações sobre a matéria abaixo, publicado no Blog do Noblat, assumindo que seja o que está lá relatado:

A proposta é “desonerar a folha de pagamentos” das empresas formais, para estimular a busca pela formalidade.
Fala-se em “renúncia fiscal” na ordem de R$20 bi por conta da redução da contribuição previdenciária. O problema é que não é uma renúncia no melhor sentido do termo, pois o Estado não vai “deixar de recolher”. Ele vai ter que “cobrir” mais um déficit da já deficitária conta da previdência. Evidentemente o recurso terá que sair de algum lugar ou vai gerar dívida nova. O que não é coerente nem com as propostas de redução da Dívida Pública, nem com a prometida sobriedade fiscal.

Seja como for a questão não é trazer as empresas informais para a formalidade. É mantê-las lá, abertas, operando e prosperando.
Isto envolve outras questões do nosso “Custo-Brasil” como burocracia, o volume excessivo de tributos, custo absurdo de transporte, financiamento para as empresas a juros que viabilizem os investimentos, estímulo ao uso de inovações (é bom ter em vista que empresas informais tendem a ter uma baixíssima produtividade), formação e capacitação de mão de obra ( talvez seja essa uma questão prioritária do lado do trabalho ) e uma dezena de outras questões.

Mais saudável seria ter uma agenda estratégica, sistêmica, que listasse o conjunto de ações importantes e estabelecesse uma linha de tempo para a ação.

Esperemos que este tipo de proposta não esteja ligada à lógica do futuro Ministério das Pequenas e Médias Empresas e seja apenas um “balão de ensaio”.

Seja como for, se começar por ai, começa com o pé esquerdo.

Demetrio Carneiro


Presidente pretende desonerar a folha de pagamento das empresas, reduzindo custos do setor produtivo

Martha Beck, O Globo

O primeiro passo da presidente Dilma Rousseff para concretizar a promessa de estimular a economia e reduzir os custos do setor produtivo — feita em seu discurso de posse — será a desoneração da folha de pagamento das empresas.
Ela já deu ordem para que sua equipe apresente, até o fim do primeiro semestre de 2011, uma proposta que reduza a contribuição previdenciária incidente sobre a folha — hoje fixada em 20%. Os técnicos da área econômica trabalham em cima de rascunhos que foram feitos durante o governo Lula e que previam uma queda gradativa do tributo em cinco pontos percentuais.
Como sempre, o maior desafio é acomodar essa renúncia. Cada ponto percentual de redução da contribuição previdenciária “rouba” R$ 4 bilhões da arrecadação. Por isso, no limite, isso significaria uma renúncia de R$ 20 bilhões caso a proposta seja colocada em prática. Esse foi um dos motivos pelos quais o assunto não avançou nos oito anos da era Lula.
Mesmo assim, é um ponto considerado indispensável para dar competitividade à industria nacional. Num momento em que os produtos brasileiros estão perdendo espaço tanto no mercado doméstico quanto no internacional por conta do câmbio, reduzir os custos dos empresários com mão de obra é considerado uma forma de minimizar o problema.
Além disso, a medida teria como bônus aumentar a formalização do mercado de trabalho, que hoje está em 50% dos trabalhadores. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, dependendo do tamanho da desoneração, o aumento da formalização seria entre 2 e 8 pontos percentuais.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A INFORMALIDADE E O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL

Conforme vamos insistindo nosso país tem muitas vulnerabilidades por conta do atual modelo de desenvolvimento.

Uma delas é a economia informal. Conforme se vê abaixo é equivalente a 18,6% do PIB. Todo o debate sobre o superávit primário se dá ao redor dos 3,3% do PIB.
Tendo em vista a altíssima carga tributária brasileira certamente os tributos não arrecadados pela informalidade da economia são muito mais que o valor do superávit.

A lógica da política brasileira de fomento à economia formal é completamente defasada e não debatida. O SEBRAE que seria um braço operacional acabou virando uma outra coisa muito menos operacional nas mãos do esquemão petista.
Poderia haver maior reforço na questão do trabalho cooperativado, como forma de romper com a informalidade, mas dependeria de empenho muito maior que o atual.
Há uma imensa fila de leis no Congresso Nacional, nas câmaras estaduais e municipais, mas nenhuma delas somadas às existentes consegue eliminar com eficiência a questão da informalidade.

A informalidade gera dificuldades no acesso ao crédito à inovação colocando essas empresas à margem do centro mais dinâmico da economia. Podem contribuir para o crescimento da economia gerando uma renda que mesmo não agregada aos números da Contabilidade Nacional circula pela economia. Mas não produzem desenvolvimento, justamente por estarem alijadas do núcleo mais dinâmico. Esse é um outro debate que não se faz.

Para o governo a informalidade não gera tributos, mas gera empregos e acaba reduzindo as tensões sociais. Acaba não sendo um máu negócio.
Para a nação a informalidade pesa do lado da absoluta falta de produtividade, leia-se desenvolvimento - do setor informal que acaba acomodando sua vantagem competitiva muito mais pelo lado da sonegação dos tributos.

Demetrio Carneiro


Fonte: Blog do Instituto Millenium

A informalidade equivale a 18,6% das riquezas produzidas no país – exatamente o quanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderia ser maior, caso não houvesse informalidade. Os dados são do Índice de Economia Subterrânea de 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). A análise revela que o Brasil perdeu R$ 656 bilhões, que ficaram de fora da economia formal.
O presidente do Instituto Etco, o economista André Franco Montoro, vê com preocupação o crescimento da economia subterrânea e atribui a expansão à falta de medidas focadas na redução da informalidade. Medidas contra a burocracia poderiam ajudar a reduzir a informalidade, diz.
O informe do Instituto Etco destaca que “a informalidade, além de suas relações com o crime organizado e de precarizar as relações de trabalho, traz prejuízos diretos para a sociedade e cria um ambiente de transgressão, estimula o comportamento econômico oportunista, queda na qualidade do investimento e redução do potencial de crescimento da economia brasileira, além de redução de recursos governamentais destinados a programas sociais e investimentos em infraestrutura”.
Fonte: jornal “O Tempo”