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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

RESPONSABILIDADE FISCAL, COPA 2014, OLIMPÍADAS 2016


As despesas de governo cresceram em 12% de janeiro à agosto desse ano. No mesmo período o superávit primário encolheu 68% em relação ao ano passado, como evidente resultado do aumento das despesas contra a redução da entrada de tributos.
Já existe formulada em muitas das cabeças pensantes uma convicção de que equilíbrio fiscal, Lei de Responsabilidade Fiscal, estabilidade econômica fundada em regime de metas e câmbio flutuante são questões “do passado”. Essas pessoas propõem a revisão desses paradigmas definidos por elas como neoliberais.
A história econômica brasileira já mostrou aonde se chegou com a aplicação das propostas de formação de dívida pública como instrumento de financiamento da ação do Estado e também já mostrou aonde se chegou no regime de estabilidade econômica e responsabilidade fiscal. Estivesse o país na proposta de financiamento pela dívida certamente a saída da crise não teria acontecido.
Temos sim paradigmas a mudar, mas os que devem mudar, e rapidamente, são aqueles do desenvolvimento industrial clássico desligado da questão ambiental e o do papel do Estado no crescimento econômico. Não interessa à sociedade um Estado fundado no gasto como forma de manutenção de poder de grupos. Interessa um Estado que seja parceiro no processo de crescimento e para isso ele deve ser democratizado, tornado mais eficiente, cumprir seu papel regulatório, zelar para que tenhamos instituições estáveis e confiáveis. Nenhuma dessas premissas impede uma fundação distributiva que busque mudar o perverso perfil da distribuição de renda, pelo contrário é a estabilidade econômica que permite às pessoas mais pobres usufruir benefícios. Mas também é a carga tributária pesada e regressiva que as impede de obter mais. O que se precisa oferecer para as famílias de menor renda é oportunidades que tornem permanentes as conquistas obtidas e isso não se consegue com bolsas, mas com capacitação para o trabalho, criação de oportunidades e, principalmente, emprego.
Há uma pergunta que fica: Muito bem, Copa em 2014, Olimpíada em 2016...Agora tudo é festa, mas como e quem financiará? Vão ser os ganhos do pré-sal? Parece que estamos levando muito a sério a proposta de transformar os países emergentes de poupadores em gastadores.
Demetrio Carneiro

domingo, 27 de setembro de 2009

DÍVIDA PÚBLICA, FINANCIAMENTO E SUPERÁVIT



Pressionado pelas realidades mais óbvias, de seu gasto crescente e a queda da receita, o governo resolveu reduzir novamente o superávit primário de 2009. Inicialmente em 3,8%, logo no início do ano, abril, foi reduzido para 2,5% e agora a previsão é que caia para 1,14% ao absorver cerca de R$28 bi referentes aos custos do PAC, se for à frente o projeto de lei que se pretende levar ao Congresso.
De uma ponta a outra a deseconomia será de cerca de R$78 bi, ou seja, num contexto que já está registrando crescimento da dívida pública, serão menos R$78 bi para abater dela. Nesse mesmo contexto, no intuito de honrar os prometidos R$100 bi para o BNDES e não tendo mais de onde tirar, o governo federal decidiu sacar contra a dívida pública mais de R$30 bi.
Certamente os arquitetos das contas públicas estão acreditando em suas previsões de que o PIB irá reagir mais que favoravelmente já agora e principalmente em 2010.
Lentamente vamos caminhando na direção defendida por diversos economistas alinhados ao núcleo de governo. Para eles a responsabilidade fiscal é um estorvo e um empecilho ao desenvolvimento e à justiça social. Se toda essa dívida vira mais à frente carga tributária e se a carga tributária proporcionalmente mais pesada recai sobre os segmentos mais pobres não parece ser uma questão que os preocupe muito.
Demetrio Carneiro