Mostrando postagens com marcador eleições. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eleições. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A MÁGICA ELEITORAL



A mágica eleitoral admite tudo desde materialistas empedernidas como Dilma Roussef serem acometidas de um surto fervoroso/religioso e saírem Brasil a fora, participando de todo e qualquer evento religioso até a “invenção” do recurso público.

Tradicionalmente o recurso público pode vir do tributo.
A questão do tributo como meio de sustenção do Estado tem duas dificuldades atualmente:
a) É notório que a carga tributária não só chegou no seu limite de expansão. Até os economistas desenvolvimentistas ligados ao conceito keynesiano já se deram conta disso;
b) Durante um bom período o crescimento da economia injetava adicionais de tributação.
Todos devem lembrar dos sucessivos recordes de arrecadação logo antes do início da crise. Se não me falha a memória ainda em novembro de 2008 aconteceu o último desses recordes e o fato chegou a ser motivo de comemoração do ministro Mantega, como prova de nossa força econômica num mundo em crise.
Pois é não tem mais adicional e a tributação comprometida com as despesas de manutenção começa a dar sinais de stress. A decisão de não iniciar o processo de devolução do IR ou o atrazo efetivo no pagamento das folhas do pessoal federal mostram que a fonte está secando.
A aventura keynesiana do gasto pelo gasto começa a cobrar seu custo que ninguém achava que havia.

Não vindo do tributo o recurso público deverá vir da dívida pública.
Em algum momento lá trás o fim da dívida pública externa foi motivo de comemoração do governo. Nesse momento a dívida começa a se mostrar como única saída viável para manter o ritmo de investimentos de interesse do governo federal.
Começou com a transferência de recursos na ordem de R$ 30 bi para o BNDES, na intenção de completar o prometido pacote de R$100 bi, alardeado em prosa e verso por Lula e Dilma.
Agora, tendo ainda como objeto o BNDES, o governo federal resolveu usar o Tesouro Nacional para transferir mais R$ 12 bi, ao banco para garantir recursos às obras do trem-bala que ligará o Rio de Janeiro à São Paulo.
Claro que seria muito mais importante um trem-bala para transportar mercadorias, mas isso não dá voto no Rio ou em são Paulo. Apenas essa escolha transporte de produtos x transporte de indivíduos já deveria ser questionada. Quantos quilômetros de ferrovias para transporte de cargas, utilizando trens elétricos, poderiam ser construídas? Em quanto seria reduzido o impacto ambiental? Mas isso também não dá voto.
Convém não esquecer que o recurso transferido ao BNDES é apenas a parte inicial do investimento, a contra-partida obrigatória. O resto será financiado pelo consórcio europeu proprietário da tecnologia. Alguém lembra das viagens para a Alemanha, para conhecimento do projeto? Lembram da festa?
Tem muito mais dinheiro envolvido nisso e, claro, muito mais dívida.
De qualquer forma o Tesouro também não tem recursos para repassar. Acabará constituindo dívida pública pela venda de títulos públicos.
Como estão dizendo alguns, que diziam que gastar não é problema é solução, dever não é problema é solução...para conseguir mais votos.

Muito bem, não podendo retirar de recursos de tributação, sendo a questão da formação de mais dívida emblemática e, portanto, vulnerável politicamente, fazer o quê para garantir, por exemplo, o projeto eleitoral básico, o PAC da Dilma.
A volta da ministras às missas por todo o país parece que animou a turminha e a bola da vez agora é o FGTS.
De forma, digamos, acintosa e cínica o governo federal enfiou de contrabando, em uma, mais uma, Medida Provisória, um instrumento que permitirá transferir recursos do FGTS para o PAC.
Duas observações:
a) Tirando a cara de pau do uso da MP, a cara de pau do contrabando de matéria, sobra a cara de pau de utilizar recursos de um fundo de destinação específica em outro fundo que não tem nada a haver com elas;
b) Onde andam os “representantes da sociedade civil” que fazem parte do Conselho paritário do FGTS? Qual a razão para esse silêncio das entidades sindicais que deveriam ser as primeiras a estar protestando contra esse desvio de finalidade?
A depender da base de governo será evidente que a MP passará. A oposição não tem votos suficientes para segurar uma medida de cunho eleitoral tão forte.
A hora agora deveria ser do movimento social e em especial dos sindicatos e centrais que deveriam estar lutando pelos direitos de seus associados.

O Boletim do Congresso em Foco do dia 12 vem com uma excelente matéria sobre o tema da MP contrabandista que está no Senado Federal.


Demetrio Carneiro

domingo, 20 de setembro de 2009

No lugar certo...


Tendo em vista as comemorações dos 45 anos de existência do Ipea Lula foi até lá. Segundo a agência de informações do órgão é o primeiro presidente que visita a instituição.
Em discurso sobre o desenvolvimento o presidente anunciou um novo PAC visando o orçamento de 2011. Quer dizer, se sua gestão foi incompetente para implementar o programa, mesmo tendo capturado mais de um terço de tudo que se produz no país, mesmo dispondo de todo o poder de que atualmente dispõe o executivo central, ainda assim imagina que o seu PAC que terá que dar certo com o novo presidente.
Evidentemente fez honras a casa e espera “que o Ipea participe e contribua de forma extraordinária com isso...” “O Ipea pode, neste novo momento, construir grupos de pensamento sobre o que queremos para o futuro”.De fato o presidente estava no lugar certo. O apoio ideológico é irrestrito e o aparelhamento PerfeiTo.
Lula também falou da continuidade das atuais políticas públicas como Políticas de Estado, certamente uma excelente forma de transformar as suas escolhas em escolhas permanentes, nova tentativa, já numa outra abordagem, de enquadrar o futuro presidente, seja quem for.
De resto vale assinalar a afirmação de que “o grosso do petróleo será explorado lá para 2016, 2017”. Quem sabe, digo eu, já pensando na sua eleição em 2014.
Demetrio Carneiro



Fonte: Agência IPEA
                                                                                         

Por ocasião de seu aniversário de 45 anos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) recebeu nesta quarta-feira, dia 16, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro vai à sede do Instituto em Brasília. Lula discursou sobre desenvolvimento, anunciou que será lançado um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma consolidação das políticas públicas brasileiras, e reiterou que a receita do pré-sal reduzirá a desigualdade social.
Leia mais sobre o aniversário do Ipea no Blog do Planalto