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sexta-feira, 6 de maio de 2011

CRESCIMENTO, LIMITAÇÕES E DEBATE OCULTO

No post anterior o Roberto Padovani, chama atenção para os fatores limitadores do nosso crescimento futuro. De certo modo essas questões ficam ocultas pelo debate atual sobre a inflação, pois de certa forma se trata agora é de crescer menos para realinhar a economia com expectativas de inflação mais reduzidas. É uma busca de retorno ao centro da meta, numa linguagem bancocentralês, e para isso se dar, contra a visão dominante no governo, não tem outra forma senão reduzir a atividade econômica.

Enfim, com o debate da inflação o debate do crescimento futuro acabou relegado a um plano secundário, mas está ai e as condições limitadoras também estão ai e já está muito clara a necessidade de um Plano Estratégico e também está muito claro que o PAC anda muito longe de ser esse plano, por mais que o governo tente emplacar essa visão.

Em outro post o Anivaldo Miranda fala em mudanças de paradigma. Esse é um tema, por exemplo, que o PAC como peça de visão estratégica aborda pelo lado inverso, já que o que se inscreve na sua visão estratégica é o "crescimento-a-qualquer custo", o tal crescimento no estilo Belo Monte ou Jiráu, capaz de produzir trabalho semi-escravo e de neutralizar com muita eficiência as funções e obrigações fiscalizatórias do Estado brasileiro.

Nessa questão infraestrutural o Edson Mineiro, do Banco América do Sul, já tem algum tempo, reportou num seminário realizado, em São Paulo, pela consultoria Tendências, a fala de Paulo Fleury, que é especialista respeitado na área de logística. Alguns números relatados são de fato impressionantes:

Para termos um sistema rodoviário semelhante ao norte-americano necessitaríamos de um investimento de R$ 9,6 trilhões. Como está no texto original do informe dá a noção do abismo infraestrutural existente.

Na área de portos os investimentos necessários somam R$ 42,9 bi, quando o PAC prevê R$ 3,3 bi.

Em ferrovias são necessários R$ 130.8 bi e o PAC aloca R$ 54,4 bi, sendo que a maior parte na festa do Trem-Bala.

Realmente há um complexo problema e há uma leitura governamental completamente equivocada quanto ao que deva ser investimento em infraestrutura e há sim ai um fortíssimo limitante estrutural para efeito de crescimento nacional.

Quem se habilita a um debate sério sobre o assunto?

Demetrio Carneiro

domingo, 20 de setembro de 2009

No lugar certo...


Tendo em vista as comemorações dos 45 anos de existência do Ipea Lula foi até lá. Segundo a agência de informações do órgão é o primeiro presidente que visita a instituição.
Em discurso sobre o desenvolvimento o presidente anunciou um novo PAC visando o orçamento de 2011. Quer dizer, se sua gestão foi incompetente para implementar o programa, mesmo tendo capturado mais de um terço de tudo que se produz no país, mesmo dispondo de todo o poder de que atualmente dispõe o executivo central, ainda assim imagina que o seu PAC que terá que dar certo com o novo presidente.
Evidentemente fez honras a casa e espera “que o Ipea participe e contribua de forma extraordinária com isso...” “O Ipea pode, neste novo momento, construir grupos de pensamento sobre o que queremos para o futuro”.De fato o presidente estava no lugar certo. O apoio ideológico é irrestrito e o aparelhamento PerfeiTo.
Lula também falou da continuidade das atuais políticas públicas como Políticas de Estado, certamente uma excelente forma de transformar as suas escolhas em escolhas permanentes, nova tentativa, já numa outra abordagem, de enquadrar o futuro presidente, seja quem for.
De resto vale assinalar a afirmação de que “o grosso do petróleo será explorado lá para 2016, 2017”. Quem sabe, digo eu, já pensando na sua eleição em 2014.
Demetrio Carneiro



Fonte: Agência IPEA
                                                                                         

Por ocasião de seu aniversário de 45 anos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) recebeu nesta quarta-feira, dia 16, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro vai à sede do Instituto em Brasília. Lula discursou sobre desenvolvimento, anunciou que será lançado um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma consolidação das políticas públicas brasileiras, e reiterou que a receita do pré-sal reduzirá a desigualdade social.
Leia mais sobre o aniversário do Ipea no Blog do Planalto

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Batalha do pré-sal

Comentário: Talvez lhe falte responsabilidade suficiente ou talvez tenha cedido de vez à estratégia populista de Chavez colocando a oposição como “inimiga” da nação, seja lá como for o Brasil tem instituições mais consolidadas e não é muito provável que os seguidores do presidente se prontifiquem a ir às ruas, “mobilizados” por seus medos eleitorais ou porque a oposição tenha ousado tocar no destino de seu mais novo brinquedo, já que o PAC deu xabu nas mãos da supergerente. Seja como for Lula pode estar levando longe demais seu visível desprezo pela ação política dentro dos marcos da democracia. Tem mais que um jogo de cena ai.
Demetrio Carneiro
Fonte: Zero Hora
Na TV, Lula pede pressão popular sobre o Congresso.
Em cadeia nacional, presidente pede apoio para que não prevaleçam “interesses menores da oposição”
Uma semana depois de defender maior presença do governo no controle dos negócios com o petróleo do pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um pronunciamento em cadeia de rádio e TV pedindo que os brasileiros se “mobilizem” e pressionem deputados e senadores para que os “interesses menores” da oposição não vençam no Congresso e “retardem ou desviem a marcha do futuro”.