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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

AVALIANDO O GOVERNO DILMA 1

Primeiro mês, diversas avaliações estão em curso.

Vou arriscar a minha:
O grande vencedor do debate econômico foi Serra. Afinal foi ele, durante a campanha, quem de fato ressaltou a importância de coordenar as políticas econômicas a partir da lógica nacional-desenvolvimentista.

Quer dizer, não se trata bem de subordinar a política monetária à política fiscal pura e simplesmente, como gostaria Mantega. É um ponto acima, algo mais sofisticado, onde ambas as políticas devem se adequar convenientemente ao projeto final. O “alargamento”, não da capacidade de variação da banda, mas o de fato, cobrando tolerância maior com a inflação ou o faz-desfaz das promessas de superávit são consequências da necessidade principal de manter o projeto. Assim, a economia é meio que moldada a essas necessidades. Não é outra a lógica que fechou as contas do superávit do ano passado incorporando as latas de óleo enterradas a alguns quilômetros de profundidade no leito do oceano. Haja esperança!

Pior para o Banco Central, nomeado único guardião possível da Política de Estabilidade, que todos detestam, mas, não tendo como dela se livrar, acabam burlando.
Tombini em Davos dá ao banco uma dupla responsabilidade, inflação e câmbio, como se manter apenas a primeira, sem qualquer condição de coordenação real com o lado do gasto pelo gasto, fosse moleza. Tudo bem, a palavra da vez é coordenação mesmo. Caberá ao BC que já paga os pecados da política fiscal, pagar agora os pecados da política cambial. Vamos lá. O santo deles é forte.

Demetrio Carneiro

segunda-feira, 15 de março de 2010

PROGRMA DE GOVERNO: UMA QUESTÃO DE OLHAR.

Poucos dias atrás tive a satisfação de estar numa palestra do filósofo Pierre Lévy, num evento dentro da Conferência Internacional de Redes em conjunto com a Conferência Internacional de Cidades-2010, em Curitiba, Paraná. Na palestra Lévy nos leva a imaginar a web como um imenso texto de criação coletiva, aonde se vão colocando, retirando elementos.

Das conferências falarei em outra hora, por agora quero reter essa imagem do texto coletivo. Nos últimos dias o debate programático que havia ficado apenas nas mãos da situação, dando um cômodo palco para Dilma Roussef expor o que acha e imagina acabou chegando ao campo da oposição. Talvez até por força da aparente falência no projeto de atrair Aécio Neves para compor a chapa com Serra. Aquilo que parecia se desenhar como um confronto de competências acabou caminhando para um confronto de propostas.

Numa interessante sequência tivemos o texto de FHC, a matéria do Estado de São Paulo de domingo sobre Serra, no mesmo jornal um texto de Malan e na Folha de São Paulo uma matéria sobre o possível programa econômico de Marina. Esses textos estão todos interligados e trouxeram em poucos dias um volume de referências que não se viu em meses.

Os textos passeiam pela questão do Estado e da política econômica, mas com olhares diversos. É bom assinalar. Por força da suposta visão estatizante de Serra e Dilma essa parece ser a peça de resistência do debate. Peça falsa, como veremos.

O texto de FHC, que já comentamos aqui no Blog, basicamente trás um tom tranqüilo de mostra que a questão do Estado e das políticas econômicas está subordinada a uma proposta mais geral de modelo de desenvolvimento.

O texto do Estadão sobre Serra, “Serra dá viés heterodoxo ao PSDB”, é, na realidade, uma colcha de diversas notícias que saíram recentemente na mídia. Na verdade não é uma fala do “mistério” Serra. É um amontoado de suposições do que se imagina que poderia ser a política econômica do governador de São Paulo, caso chegue à presidência. Mais suposições sobre o que se imagina que será a equipe. Mas fica a bandeira de Serra no desenvolvimentismo keynesiano e no Estado “ativo” seja lá o que for isto. Não bastasse a figura do superado desenvolvimentismo keynesiano, conceito recém órfão de Dilma Roussef , ser justamente o que há para se superar neste debate, o texto inverte a premissa de FHC e parte do “Estado que queremos” para o modelo de desenvolvimento, como se fosse o Estado o único elemento, o grande e único condutor de tudo. Para coroar com sucesso o texto o seu parágrafo final isola a equipe de FHC e os situa como “ortodoxos” num falso debate, tão ao gosto dos desenvolvimentistas keynesianos, entre heterodoxos e ortodoxos. Deu-me saudade do Oreiro.

Já Malan, "Fatos, versões e bravatas", trata do esquematismo do debate de oposições. Conforme ele “Para um debate sério sobre o País e seu futuro seria fundamental evitar o “nós” contra “eles” no caso o lulo-petismo. Defende “um debate voltado para ‘o que fazer’ com vistas a assegurar a gradual consolidação do muito que já alcançamos como país, e, principalmente, como – e com qual tipo de lideranças – avançar mais, e melhor, no processo de mudança e continuidade que nos trouxe até aqui.

No Caso de marina a Folha também investe no maniqueísmo: “Empresário pró-Marina rejeita rótulo de neoliberal”. Aqui, ao menos, o citado, Eduardo Gianetti, pode argumentar. Embora o título da página “Liberalismo sustentável” já trás tudo o que se quer dizer. Não diria que o veneno não escorre pelas presas, mas, pelo menos, não pinga! O subtítulo é melhor: Economia verde - Propostas em discussão na prá-campanha de Marina Silva. É o que dá brigar com o PT.
De qualquer forma Gianetti coloca alguns pontos nos “is” do debate programático ao sublinhar a importância de questão ambiental, relata considerar importante a questão do capital humano, fala sobre investimentos e em particular sobre o processo de formação de base de capital do BNDES e toca em outros pontos importantes. Na fala dele fica evidente que Estado e política econômica são resultado de uma visão de desenvolvimento e não ao contrário.

Talvez, e enfim, o debate programático tenha começado.

Demetrio Carneiro

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

2010

Nos termos da sucessão presidencial que se aproxima a coisa pode ser bem mais complicada do que parece e a atitude de esfinge do Serra pode ser a mesma que ferrou com ele no embate com Alckmin. É bom não esquecer.




O Aécio tem 2014 e todo o resto do tempo. E parece, desde o início, estar mais interessado em forçar a mão para ser hegemônico dentro do PSDB do que em ganhar a eleição.



Para ele é bastante confortável sair para o Senado, mas depois de desmontar o processo, numa claríssima aliança de interesses estratégicos com o grupo de Lula. Até mesmo pode "correr o risco" de sair um candidato de consenso.



Aécio Neves não tem projeto de governo. Tem projeto de poder. Nisto é muito parecido com o Lula. Como um baloneiro vai para onde o vento mandar, desde que isto o leve ao poder.



Talvez seja uma contradição. Mas é a extrema fragilidade do processo de continuidade do grupo PT/Lula que está gerando toda esta questão. No fundo ela não se confunde com a continuidade pessoal de Lula, que já pavimentou o retorno em 2014 com o Pré-Sal, Olimpíada e Copa do Mundo.



Agora só falta transformar, por lei, as SUAS políticas públicas sociais no que ele chama de Políticas de Estado. Ai terá assunto para ficar os próximos 4 anos falando do quanto ele construiu para os pobres. No fundo o que ele gostaria é de substituir o Getúlio no imaginário popular. Tem certas coisas que não tem preço.



Quem duvidar que Lula possa criar políticas de Estado a partir de sua vontade leia a Estratégia Nacional de Defesa aprovada por decreto em dezembro de 2008. Principalmente na parte introdutória e verifique se o que está proposto não é a "política latino americana" de Lula de aliança profunda com Chavez etc...



Demetrio Carneiro

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Não é para ficar irritado?

O PAC deu chabu e adeus inaugurações espetaculares. A candidatura dela faz água. Aécio se entende com Serra. Não é para ficar irritado?
Demetrio Carneiro
Em Roraima, Lula critica os que mentiram contra o seu governo
Fonte: Zero Hora
Em sua primeira visita a Roraima desde que assumiu a Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, sem citar nomes, as pessoas que trabalharam contra o seu governo e impediram o Estado de crescer mais.
— Esse Estado (Roraima), liderado por algumas pessoas, passou a contar mentiras sobre o meu governo — disse, durante evento, hoje, em Boa Vista. 
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 Aécio e Serra selam aliança, afinam discurso e criticam Lula
Fonte: Estado de São Paulo
SÃO PAULO - Entre caipirinhas de cachaça mineira e pães de queijo, os dois principais pré-candidatos do PSDB sacramentaram nesta segunda-feira, 14, em São Paulo, a promessa de estarem juntos nas eleições de 2010, independentemente de quem for o cabeça de chapa. Demonstrando afinação, os dois criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.