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domingo, 29 de agosto de 2010

DE BARRIL EM BARRIL ALGUÉM ENCHE O PAPO


Depois da mega especulação, até hoje não esclarecida, às vésperas das eleições, com as ações da Telebras, agora são as ações da Petrobras.

Seria um fato “normal” se a queda do valor não fosse resultado de uma verdadeira atrapalhada cometida pelo poder executivo à pretexto de fazer um “cessão onerosa” cuja finalidade seria facilitar a capitalização da empresa.

A atrapalhada vai gerar muito prejuízo e muito lucro e a Petrobras, ao contrário da Telebras, é uma empresa de grande porte submetida à lei das SAs.

Vamos torcer para que tenha sido apenas incompetência, na pressa de faturar o bônus midiático durante as eleições ou talvez um viés de “estilo” política eleitoral, como está no texto abaixo. Como não é nossa a escola de responsabilização de autoridades, a tal da “accountability”, certamente ficamos por aqui.

Mas, feita de forma voluntária ou não, essa confusão tem que ser apurada na ponta do mercado de ações.
Vamos torcer para não surgirem das névoas os personagens de sempre...

Demetrio Carneiro


A POLÊMICA DO BARRIL

FONTE:Instituto Millenium/“Brasil econômico”

A capitalização da Petrobras é uma operação financeira normal no mercado. A iniciativa do governo de angariar recursos para viabilizar sua participação na capitalização, através da cessão onerosa de áreas petrolíferas ainda não concedidas, embora introduza mais um regime jurídico na exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil, é também justificável.
Então por que o governo e a Petrobras criaram essa encrenca com a capitalização? Porque o que não é justificável e está causando essa enorme confusão e a queda brutal do preço das ações da Petrobras é a definição de um preço para o barril da cessão onerosa, através da contratação de certificadoras internacionais.
Isso fica claro quando lemos na imprensa sobre a disparidade entre o preço do barril calculado pela certificadora contratada pela ANP e o da Petrobras.
A certificadora da ANP teria calculado o barril entre US$ 10 a US$ 12, enquanto a da Petrobras fica entre US$ 5 e US$ 6. Essas diferenças mostram claramente que, dada a enorme quantidade de variáveis e premissas envolvidas no cálculo do barril, é possível justificar qualquer preço.
No fundo, o cálculo do barril de petróleo por uma certificadora envolve futurologia.
Adotar preço de barril de petróleo calculado por certificadoras é o mesmo que querer revogar a lei da oferta e da procura.
Agora, pasmem, parece que a solução é contratar uma terceira certificadora. No final, o mais provável é que o governo escolha um preço intermediário na casa dos US$ 9.
Quem calcula preço de barril é o mercado. Por isso, a solução correta seria promover um leilão dos barris da cessão onerosa.
A certificadora fixaria o preço mínimo. Mas aí o governo ficou com medo de ser acusado de entregar as riquezas do pré-sal para as empresas privadas nacionais e estrangeiras.
Afinal, o governo precisa manter o discurso populista de que o petróleo é do povo brasileiro.
Não há nenhum impedimento legal para que a cessão onerosa introduzida pela lei fosse efetuada através de um leilão.
Os recursos arrecadados pelo governo no leilão seriam utilizados no aporte da União na capitalização da Petrobras.
Dessa forma, a Petrobras seria capitalizada com moeda corrente, reduzindo o custo financeiro de seus investimentos, que, de outra, forma serão efetuados através de novos empréstimos.
A lei poderia prever ainda que, em caso de participação e vitória da Petrobrás na aquisição de direitos de blocos leiloados, a estatal os pagasse com títulos públicos e que estes títulos correspondessem a uma parcela do aporte do governo na operação de capitalização.
E por que o governo insiste com um modelo que só tem causado incertezas e desvalorização das ações da Petrobras? A resposta é que o governo tem privilegiado o ponto de vista político-ideológico.
A ideia é facilitar o aumento da participação da União na Petrobras e, ao mesmo tempo, privilegiar a Petrobras na cessão onerosa de reservas.
O problema é que quando o barril é fixado entre US$ 5 e US$ 6 a beneficiária é a Petrobras, e quando é de US$ 10 a US$ 12 passa a ser a União.
Como sair dessa sinuca às vésperas das eleições?

quinta-feira, 25 de março de 2010

TELEBRAS E O EFEITO TSE

Estamos em plena normalidade: Dentro do governo cada um fala o que acha melhor e a soma de todas as falas não diz nada. No fundo quando Lula não diz coisa com coisa ele sintetiza esse sentimento difuso na gestão pública federal.

A nota do Tesouro Nacional é clara. Mantega nega o óbvio, a nota, e diz que não é nada disso. Com isso o ministro mostra sua qualificação para substituir a cadidata-ministra na Petrobras.

No meio de tantas informações e contra-informações a Comissão de Valores Mobiliários-CVM não pode dar uma de TSE e fazer de conta que não é com ela. Já passou da hora de haver uma funda investigação que mostre quem, quando, como e com qual finalidade se montou essa mega operação de especulação com os papéis da Eletrobras.

Demetrio Carneiro

Links


Fonte: Blog Reinaldo Azevedo

Um mês após a revelação de que o ex-ministro José Dirceu recebeu R$ 620 mil de uma empresa diretamente interessada na eventual reativação da Telebrás, o governo encolheu o alcance do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), e o valor das ações da estatal caiu 44%, quase à metade.
Originalmente, o plano cobriria 3.200 cidades até o final do governo Lula. A nova versão reduziu-se a um simples projeto piloto com 300 municípios que, mesmo assim, seria implantado apenas no próximo governo, não mais em 2010.
Em fevereiro, a Folha mostrou que rumores e vazamentos sobre a reativação da Telebrás, que seria gestora do plano, haviam levado as ações da estatal a um ganho de 35.000% desde 2003 (até o dia 8 do mês passado), valorização recorde investigada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).


Fonte: Valor On line

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) suscitou nova tensão no governo federal, ontem, com a publicação de reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" informando que o Tesouro Nacional teria posição contrária à retomada da Telebrás como gerenciadora do programa. O parecer não era conhecido na Casa Civil, onde ocorrem as discussões sobre o assunto. No fim do dia, a Fazenda divulgou nota à imprensa em que nega a posição. "A discussão sobre a manutenção da Telebrás ou a criação de uma nova instituição pública depende do modelo a ser escolhido, para o qual as duas alternativas cogitadas são viáveis."


Fonte: Correio Braziliense

Brasília - O Ministério da Fazenda negou há pouco que o Tesouro Nacional seja contra a reativação da Telebrás para gerir o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Em nota divulgada nesta quarta-feira (24/3), o ministério informou que a nota técnica elaborada pelo Tesouro apenas levanta as vantagens e as desvantagens da medida, sem emitir opinião.

“A nota técnica do Tesouro Nacional tem como objetivo avaliar as implicações do processo de decisão em andamento, sendo pertinente e desejável que sejam levantados elementos, vantagens e desvantagens de todas alternativas cogitadas”, afirmou o comunicado.

De acordo com a nota, qualquer ação que acarrete em gastos públicos precisa ser avaliada pelo Tesouro Nacional para verificar o impacto nas contas públicas e no Orçamento. O documento, diz o ministério, também sugere a retomada das atividades da Telebrás e levanta a possibilidade de criação de outra empresa pública para instituir o PNBL.


Fonte: Folha Online

A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados aprovou requerimento nesta quarta-feira em que solicita a presença do ministro Guido Mantega (Fazenda) para prestar esclarecimentos sobre as ações da Telebrás, por conta das oscilações bruscas desse papel nos últimos anos. A autora do requerimento aprovado é a deputada Solange Amaral (DEM-RJ).
Somente hoje, as ações da estatal tiveram perdas de 13,6%. No ano, a valorização desse papel ultrapassa 90%. E no período do governo Lula, em torno de 35.000%.
Os deputados da comissão pretendem questionar o ministro sobre quais são os 30 maiores acionistas da estatal desde 2005 até a data atual e se a CVM (Comissão de Valores Mobilários) está apurando "o eventual vazamento de informações ou o uso de informação privilegiada relacionados à negociação de ações da Telebras".
A CVM é o órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais brasileiro, e é vinculado ao Ministério da Fazenda.


Fonte: Folha Online

A ação preferencial da estatal Telebrás amarga perdas de 15,38% no pregão desta quarta-feira na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). O volume de negócios com esse papel é bastante forte, na casa dos R$ 74,45 milhões. Desde o início do ano, a ação já valorizou mais de 90%.
No mesmo horário (16h50, hora de Brasília), o índice Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa paulista, cede 0,58%, aos 68.986 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,36 bilhões.
Os papéis da empresa já sofreram várias oscilações violentas nos últimos meses, em meio a rumores, confirmações e desmentidos sobre a reativação de sua rede para o projeto do governo de banda larga (internet de alta velocidade).



Fonte: Brasil Econômico

“Não vejo a necessidade de uma ‘Nova’ Telebrás. Temo que seja mais um cabide de emprego”, afirmou o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso em palestra em São Paulo.
Um viés crítico à polêmica proposta de recriação da estatal para tirar do papel o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O projeto tem o objetivo de universalizar o acesso rápido à internet utilizando redes de fibra ótica das estatais.
Desde a privatização do setor em 1998, a Telebrás apenas administra dívidas e obtém receitas por meio de aplicações bancárias.

Ações em queda

Às 13h15 (horário de Brasília), as ações preferenciais da companhia (TELB4) apresentavam queda de 10,05% no pregão desta quarta-feira (24) na BM&FBovespa, cotadas a R$ 1,52.
Os papéis refletem a emissão pelo Tesouro Nacional de uma nota técnica em que condena a reativação da empresa, conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada hoje.