sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Um crime de 400 anos e a produtividade do setor público
CPMF ou CSS: os mesmos problemas com nomes diferentes
Quem é Aécio?
A declaração de Aécio sobre a possível radicalidade do PSDB merece considerações. Inicialmente por comprar de forma subrepitícea a aposta de Lula na eleição plebicitária. De qualquer forma Aécio tem dado sucessivas demonstrações de pretender ser uma outra alternativa melhor que Lula, mas também melhor que o “radicalismo” de seu partido. Onde está exatamente o radicalismo e que programa de governo ele tem a propor, que marque esta diferença, nós ainda não sabemos e caberia ele ir além das afirmações. Por enquanto está parecendo apenas uma estratégia para permanecer na mídia e capturar um tipo de eleitorado que está entre criticar o governo por suas mazelas na formação dsua base de sustentação e apoiá-lo por suas ações na área social. Como tem muita gente nesse barco pode ser uma boa aposta, mas também pode ser um tiro no pé se o candidato a candidato, que pretende pontuar sua independência de tudo e todos, não for capaz de mostrar exatamente qual é sua proposta, já que estará lidando com um governo que “venceu a crise”. Mídia por mídia a de Lula é muito mais poderosa.
Demetrio Carneiro
Aécio: País está cansado de radicalismos de PSDB e PT
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) voltou a afirmar que é pré-candidato tucano à presidência e que espera que o candidato não seja definido apenas pela cúpula do partido.
Além disso, negou enfaticamente a possibilidade de haver uma chapa "puro-sangue" - exclusivamente formada por membros do PSDB - na eleição e se disse "cansado do radicalismo" entre PT e PSDB.
"O que o Brasil busca, hoje, é uma nova convergência", avalia. "O Brasil está cansado desse radicalismo que coloca PT e PSDB cada um num canto do ringue e quem perde as eleições se coloca de forma radical nas oposições, enquanto questões e reformas que são importantes para o Brasil ficam sendo constantemente adiadas."
Aécio diz que mostrará diferenças de PSDB e PT
SALVADOR. Embora esteja percorrendo o Nordeste discutindo política e tendo encontros com líderes políticos, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem, em Salvador, que quem está fazendo campanha “é o outro lado”, numa referência à ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT à Presidência da República em 2010.
— Não sou Lula, não me confunda. O outro lado está fazendo isso há dois anos — disse Aécio, pouco antes de receber o título de Cidadão Baiano na Assembléia Legislativa da Bahia.
Na visão do governador de Minas, suas passagens recentes por Ceará, Sergipe e agora Bahia não podem ser classificadas como campanha, mas como o processo de construção de propostas do partido.
Aécio disse que sua estratégia é, a partir de novembro, definir quatro ou cinco bandeiras para mostrar aos brasileiros diferenças entre a proposta tucana e o governo Lula — no qual, segundo ele, existem virtudes, mas também falhas graves.
O tucano descartou a possibilidade de ser vice numa eventual chapa “puro sangue” presidencial com o governador José Serra, de São Paulo, na cabeça.
— Isso não ocorrerá. Seria presunção do PSDB achar que, nesse quadro partidário tão amplo e plural, pode compor solitariamente uma chapa e ganhar a eleição — disse, afirmando que é “pré-candidato a candidato” à Presidência da República pelo PSDB.
Nesse processo, o governador insiste que os tucanos realizem uma prévia para escolher o nome que disputará o pleito, sem se pautar pelas pesquisas de intenção de voto (nas quais Serra aparece como favorito).
Aécio pede prévia para presidente no PSDB, mas se diz preparado para apoiar Serra
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), voltou a defender nesta quinta-feira a realização de prévias no partido para escolher quem disputará o cargo de presidente da República em 2010, embora também se diga "preparado" para apoiar o governador paulista, José Serra, caso ele seja o escolhido para a missão.
"O que eu tenho defendido, e continuarei defendendo, é que essa não seja uma decisão da cúpula partidária. Eu acho que no momento em que mobilizarmos as nossas bases e essas bases tiverem oportunidade de discutir e definir, não apenas em razão de indicadores de pesquisa, mas na capacidade de aliança, de potencial de crescimento durante a campanha e, sobretudo, do que cada candidatura representa, eu acho que existe uma chance", disse Aécio após receber, em Salvador, o título de cidadão honorário da Bahia.
"Mas, da mesma forma que eu disse que estou preparado para uma disputa, eu estou da mesma forma preparado e pronto para apoiar o companheiro José Serra, se essa for a decisão da maioria do meu partido", ressaltou em seguida.
Apesar de apoiar Serra caso o governador paulista seja o escolhido, Aécio rejeitou a hipótese de ser o candidato a vice-presidente. "Vejo que alguns gostariam que essa possibilidade pudesse ocorrer, respeito essa posição, mas ela não ocorrerá por uma visão muito clara que tenho de que num quadro partidário tão plural como o brasileiro, com tantos partidos, e com a necessidade que nós temos de buscar, inclusive, outras alianças, (...) é natural que a composição da chapa se dê com a participação de outro partido político", disse.
O governador mineiro ainda ressaltou que, antes de definir qual será o candidato tucano à Presidência, o PSDB deve definir "que ele apresentará de diferente, que o diferencie da proposta daqueles que estão no governo". "Nós temos que apresentar ao Brasil novas propostas e a partir daí definirmos quem será o candidato que empunhará essas propostas", explicou.
Links do dia - 4 de setembro
Leia com atenção o que diz Lula! Ele se acha acima das leis? Brasil não é Venezuela!
Fonte: Ex-Blog do César Maia de hoje, 4.
1. Lula disse em entrevista à AFP que "não faria o que fez Chávez com a mídia". Mas será que ele pensa que no Brasil um presidente poderia fazer isso, atropelando a Constituição? Na verdade, aqui ele não pode, mesmo que queira fazer. Aqui não há um regime autoritário que a lei é a vontade do executivo, como na Venezuela. Se Lula pensa que deu uma de democrata, na verdade deu uma de autocrata. A resposta deveria ter sido: - No Brasil as leis não permitiriam isso.
2. (ESP, 04/09) Lula sobre Chávez: ''Não faria o que ele fez com a mídia''. O presidente Lula afirmou que não daria aos meios de comunicação o mesmo tratamento dado por seu colega venezuelano Hugo Chávez, que se tornou alvo de críticas dentro e fora de seu país ao ordenar a revogação das licenças de dezenas de emissoras de rádio. "Eu não faria o que o Chávez fez com os meios de comunicação", disse Lula, em entrevista à agência francesa France Presse (AFP).
Lula sanciona projeto de lei que institui Dia Nacional da Marcha para Jesus
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou hoje o projeto de lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus. A comemoração ocorrerá sempre no primeiro sábado contados 60 dias após o domingo de Páscoa.
O evento teve origem em Londres e hoje ocorre em diversos países. A organização cabe a igrejas evangélicas, mas a intenção é atrair diversas denominações religiosas como objetivo de promover a manifestação pública da fé cristã.
O projeto de lei foi apresentado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
Dilma é abençoada por líder da Renascer
Em um movimento de aproximação com o eleitorado evangélico, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, recebeu hoje líderes de várias igrejas, que participaram da cerimônia de sanção da lei que cria o dia nacional da marcha evangélica. Entre os presentes, o casal Estevam e Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, que retornou ao Brasil há um mês dos Estados Unidos após cumprir pena por não declarar US$ 56 mil ao entrar naquele país.
'The Economist' questiona habilidade do Brasil em investir no pré-sal
Uma pergunta que muitos brasileiros podem estar se fazendo desde que se começou a falar sobre pré-sal ganhou o mundo: "Essa riqueza será investida ou desperdiçada?". É dessa maneira que a revista The Economist inicia reportagem publicada nesta quinta-feira sobre a capacidade de investimento do Brasil em petróleo.
Definindo o pré-sal como um "bilhete milionário", a reportagem afirma que a exploração das reservas "será um teste moral crucial para o Brasil", descrito como um país que tradicionalmente não pensa no futuro, "investe pouco e poupa ainda menos".
Governo prepara pacote tributário para pré-sal
De Eliane Oliveira, Henrique Gomes Batista e Lino Rodrigues:
O governo prepara um conjunto de incentivos tributários para atrair fornecedores internacionais da cadeia produtiva do petróleo para o Brasil. O projeto está sendo desenhado, enquanto o Ministério do Desenvolvimento realiza, com o BNDES, um inventário sobre a base industrial do setor junto a empresas brasileiras.
— Trabalhamos para que o país tenha capacidade de atender à demanda da Petrobras e de outras empresas que venham a participar da cadeia, sempre pensando não só na produção nacional em si, mas também em transferência de tecnologia — afirmou Miguel Jorge ao GLOBO.
As chances do governo aprovar o pré-sal
De Ângela Pacheco Pimenta, do blog Esquerda, direita e centro da revista EXAME:
Apesar do barulho da oposição e do enorme mal-estar entre a base aliada, a estratégia tipo rolo-compressor do governo em aprovar o novo marco regulatório do pré-sal tem uma chance razoável de dar certo.
É o que indica uma análise da consultoria política Arko Advice, obtida em primeira mão pelo blog.
Segundo ela, o governo tem 60% de chance de aprovar a nova legislação e vê-la sancionada pelo presidente Lula até o segundo trimestre de 2010 - justamente quando a campanha presidencial chegar às ruas.
Uma em cada três graduações tem nota ruim no Enade
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta-feira os dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Uma em cada três instituições de curso superior no país teve nota ruim (entre 1 e 2). Ao todo, 7.329 cursos em 30 áreas foram analisados. Entre os cursos estão pedagogia, química e física. Também fizeram parte da avaliação 10 cursos tecnológicos.
Dúvidas de Stiglitz sobre se recuperação pode ser sustentada.
Texto original em inglês
Joseph Stiglitz critica a visão dos economistas (bem, dos economistas consultados pela Bloomberg e do Wall Street Journal, não é de surpreender uma atitude otimista) de que a economia está em recuperação ou à beira dela.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Fitch critica política fiscal brasileira
Em estudo divulgado hoje, a Fitch, uma das três empresas de ratings mais reconhecidas no mercado, criticou a recente forte piora na política fiscal brasileira. O estudo esta disponível no site http://www.fitchratings.com/.
Primeiro eles notam que o governo teve, antes da crise, um espetacular crescimento na receita tributaria, 37% acima do crescimento do PIB nominal. Isso foi devido a natureza do crescimento nesses ultimos anos, concentrado na alta das exportações, a formalização do emprego na indústria e na atividade dos mercados financeiros (como IPOs). Vale notar como essas coisas foram devido ao forte crescimento da economia mundial, e tevem nada a ver com a política econômica do governo Lula. Apesar disso o crescimento global possibilitou forte aumento nas despesas correntes do governo sem afetar o “saldo” necessário para sustentar o endividamento do Estado (o famoso “superávit primário”). Fitch nota que com a crise, os bons tempos do lado da receita acabaram.
Enquanto o tamanho das medidas fiscais anticíclicas no Brasil foram pequenas comparado com outros paises, a Fitch critica a composição desse esforço.
Em 2009 receita nominal caiu 6.9%, mas as despesas aumentarão em 15.9%. Dentro disso, salários do funcionalismo publico aumentaram 19.1%. Enquanto isso, as o crescimento dos investimentos caíram entre 2008 e 2009, de 48.6% para 16.7%.
Isso mostra claramente que política anticíclica para o governo Lula não é investir mais na economia, mas sim inchar a folha do governo. Vale apena comparar o Brasil com a China, onde o nivel de investimentos durante a crise atingiram mais de 40% do PIB, liderado pelo setor publico.
A conta então sobrou para o superávit primário, que caiu de 4.2% do PIB em 2008 para 1.3% este ano. A Fitch acha provável que o Governo Lula não cumpra a já diminuída meta para o superavit primário em 2009, já incluindo todos os truques contábeis como o tal “fundo soberano brasileiro” que de fundo nao yem nada.
Tudo isso aumenta o endividamento do Estado, que já subiu 5.2% esse ano para 44.1% do PIB, e isso com uma forte queda nas despesas com os juros da divida publica por causa dos cortes promovidos na Selic pelo Banco Central.
Enquanto por ora nada disso coloca em risco o “grau de investimento” que a Fitch atribui ao Brasil, ela pede que o governo demonstre como essa situação vai se reverter nos próximos anos.
Tony Volpon
Links do dia - 3 de setembro
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Entrevista hoje com Agencia Estado
JUROS
O dado acima das expectativas da produção industrial permitiu uma disparada nas taxas dos
contratos futuros de juros com vencimento em 2011 e 2012 no início da manhã. Mas os contratos
bateram níveis chaves e, com o clima pesado no exterior, a realização de lucros reprimiu a
manutenção do ímpeto inicial. No começo da tarde, as taxas desses contratos se mantinham firmes,
mas sem se distanciarem muito dos níveis de sexta-feira, enquanto os contratos mais curtos
mostravam a solidificação da expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a
Selic em 8,75% ao ano nesta semana.
A produção industrial brasileira cresceu 2,2% em julho, na comparação a junho, acima do teto das
estimativas traçadas por analistas ao AE Projeções, que variavam de +0,3% a 2%. Na comparação
com julho do ano passado, a produção caiu 9,9%, em linha com as estimativas do AE Projeções, que
indicavam uma variação de -12,00% a -8,80%, com mediana em -10,60%. No ano, a produção
acumula queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado e em 12 meses, recuo de
8%, o que assegura que não há espaço para precipitações no front da política monetária. A produção
de bens de capital, indicador de investimentos, subiu 1,4% em julho ante junho, mas ainda tem queda
de 23,1% em relação ao mesmo período do ano passado e retração de 10,1% nos 12 meses até
julho.
"Foi uma taxa bastante forte, que se soma ao dado do emprego", comentou o estrategista de juros
para a América Latina do banco Standard Chartered, Tony Volpon, de seu escritório em Nova York.
"E não vejo porque o Banco Central daria gasolina ao fogo", ponderou Volpon, que endossa a
expectativa de manutenção da Selic amanhã ao não ver necessidade de uma nova flexibilização
monetária.
A solidificação da aposta de manutenção era visível no contrato de juro futuro para vencimento em
2010, cujo juro projetado era de 8,62%, às 13h55, mesmo nível do ajuste. O contrato para outubro
projetava taxa de 8,60%, abaixo do 8,61% no ajuste, mostrando que não houve fundamento que
justificasse alteração de posicionamento para a expectativa de manutenção da Selic nesta semana.
Nos contratos mais longos, o efeito da produção acima das expectativas foi mais sensível. O contrato
para 2011 projetava taxa de 9,72%, às 13h36, ainda em alta ante o nível de 9,69% no ajuste e 9,70%
no fechamento de sexta-feira, embora se descolasse dos picos da manhã. Após abrir projetando taxa
de 9,81% e bater a máxima de 9,83% ao longo da manhã, as taxas desaceleraram a alta nesse
contrato, com fontes atribuindo a redução da velocidade ascendente à queda da Bovespa e do
petróleo. O contrato para 2012 indicava taxa de 11,06%, abaixo da máxima intraday de 11,13%. Na
sexta-feira, o ajuste do contrato foi com uma taxa de 11,03% e o fechamento a 11,08%. Às 14h10, o
Ibovespa cedia 2,59%, fortemente pressionado pelas ações da Petrobras. O petróleo WTI para
outubro desabava 4,17%, a US$ 69,70 por barril, na Nymex eletrônica.
Quanto ao horizonte futuro da política monetária doméstica, Volpon acredita que só a partir do
segundo semestre do próximo ano o Copom começará a elevar a taxa básica de juros. "Por ora, a
dinâmica da inflação não oferece uma 'smoking gun' (de pressão)", disse Volpon. O termo 'smoking
gun' remete a algo como "prova irrefutável". "O BC não vai antecipar a alta do juros. Deve optar pelo
segundo semestre do próximo ano, quando deve ocorrer o fechamento do hiato do produto e a
exaustão do que estamos vendo de impacto na inflação vindo do câmbio", disse Volpon.
Para o estrategista do Standard Chartered, mesmo a proximidade da eleição no segundo semestre
de 2010 não impediria o BC de buscar taxas mais elevadas de juros, caso a economia se recupere.
"Ninguém vai se matar em Brasília se o BC subir os juros diante da melhora da economia", disse ele.
E sobre a eventual saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, do cargo, Volpon não
vê apreensões. "(O BC) tem um ritmo e uma densidade institucional que torna a política monetária
independente das pessoas", disse. No entanto, o estrategista é um defensor da saída de Meirelles no
momento em que ele se declarar candidato. "Não gostaria de vê-lo candidato e no BC ao mesmo
tempo. O BC tem que ter um tecnocrata que busque o sistema de metas."
Locomotivas do desenvolvimento
Que o transporte ferroviário e aquaviário são mais eficientes para distancias médias e grandes, é fato sabido. Que o transporte rodoviário deveria ser concentrado no transporte de curta distância, apenas para ligação entre ferrovia/aquavia e destinatário final também é sabido. A questão é como chegar lá.
Como, por exemplo, romper um poderoso lobby que começa na indústria automobilística, tem interesses em toda a rede de fornecedores desta indústria, passa pela mega-empreiteiras que asfaltam e reasfaltam infinitamente as estradas, envolve toda a rede de transporte rodoviário de cargas e pessoas. Estamos falando de quantos milhares de pessoas e quantos bilhões – isto mesmo, bilhões – ano?
Falar em um modelo ambientalmente melhor é uma coisa. Implantá-lo é outra bem diferente e passa pelo mundo da política, anéis de poder que vão dos sindicatos patronais aos sindicados de trabalhadores. Votos, muitos votos. É contra esta parede que batem as boas intenções nas últimas décadas. Quando se cruza esta matriz rodoviária com petróleo as coisas só ficam piores. Em termos ambientais e em termos de grupo de pressão.
A cultura desenvolvimentista instalada em nosso passado foi a do lema de Juscelino na década de 40/50: Industrialização e eletrificação. Não por acaso parecida com o projeto stalinista para a União Soviética. Industrializar e eletrificar a qualquer custo. Nosso problema é que o lema era, mesmo, indústria de automóvel e eletrificação. De lá para cá o resto se conformou ao marco inicial.
Bem na moda a China tem dois interessantes exemplos a dar na questão das ferrovias. Aonde a energia elétrica não chegou, usam as “Maria-fumaça”. Um sistema de transporte que desprezamos como superado movimenta uma largíssima parcela do interior chinês. Apenas estas atuais não são as nossas antigas. As locomotivas chinesas foram modernizadas, apresentam rendimento muito superior às antigas e não queimam mais carvão de madeira, mas óleo diesel. A pesquisa foi feita na China e é lá que as máquinas foram fabricadas. A locomotivas elétricas se beneficiaram das pesquisas para carros elétricos e a China já possui servomotores muito mais potentes e econômicos depois de um grande investimento na produção de imãs a partir de terras raras. Pesquisa feita na China e produção feita na China.
O que se vê ai é que não houve apenas uma escolha por um meio de transporte ou um tipo de via, mas também pela pesquisa e produção local de equipamento. Houve uma escolha por um modelo de desenvolvimento.
A vontade de mudar a matriz não é suficiente. É preciso que se perceba o que está envolvido nisto e quais podem ser as escolhas e alternativas. Mas, mais que tudo, propostas como estas devem estar ligadas a modelos de desenvolvimento mais ambiciosos. Muito mais ambiciosos.
Demetrio Carneiro





