Mostrando postagens com marcador crescimento e desenvolvimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crescimento e desenvolvimento. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de outubro de 2011

AINDA SOBRE O PIB BRASILEIRO, AGORA NO LONGO PRAZO

Com referência ao post publicado hoje mais cedo um adendo com base numa dica do De Gustibus Nom Est Disputandum..

Dois economistas -Ricardo Hausmann e César Hidalgo -  lançaram na semana que passou, no Havard Center for International Development, o Atlas of Economic Complexity, Atlas da Complexidade Econômica. 

Sobre o Atlas falaremos outra hora, mas basicamente ele trata de predições de crescimento econômico para os próximos anos, foco em 2020, tendo por base a produtividade e especialmente seu papel na alavancagem das economias pela via da exportação de conhecimento agregado. Nunca é demais considerar o peso no crescimento de um país das suas relações com o resto do mundo.

Indo diretamente ao que interessa:

O Atlas coloca o Brasil no 11º primeiro lugar na América Latina em termos de PIB até o ano 2020, com um crescimento de 3,50%.
Mas o Atlas também coloca a China com uma expectativa de crescimento bem abaixo dos últimos anos: 4,66%.

Dai uma confirmação de que podemos sim ter um amplo período de baixo crescimento nos próximos anos. Isto independentemente dos riscos da atual política econômica que poderá contribuir ativamente com menos crescimento ainda e dentro de um possível quadro de alta inflação.

Nesta altura estar atrelado à China como meros fornecedores de commodities não vai resolver o nosso problema, já que provavelmente o pouso suave deles poderá ser bem mais longo do que espera o governo.

Como está evidente no Atlas a alavanca do crescimento não é transferência de renda, embora seja importante, ou concessão de crédito pessoal, embora também seja importante ou o dogma do "crescimento a qualquer custo" ou a"garantia" estatal da correção real dos salários. A Alavanca está em construir mecanismos capazes de gerar conhecimento produtivo. 

É assim: Democracia e produção de conhecimento. Talvez um pouco diferente do projeto de poder que parece existir nesse governo.

Demetrio Carneiro

domingo, 17 de abril de 2011

UMA OPINIÃO SOBRE O BRASIL, A POLÍTICA ECONÔMICA, O CRESCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO

A apresentação abaixo foi feita sábado passado. Foi uma palestra organizada pela Fundação Astrojildo Pereira. Na palestra de alguma forma tentei sistematizar todo o meu pensamento sobre as diversas relações cruzadas entre o capitalismo como um sistema mundial e o desenvolvimento possível, entre desenvolvimento e crescimento, entre crescimento e política econômica, entre política econômica e estabilidade e, finalmente, entre o pensamento econômico e a prática política, especialmente sobre o papel das oposições nesse jogo.

Não acho que tenha "fechado" uma lógica de fio à pavio, mas consegui me convencer de que estou no caminho certo se me imaginar como um ser político que também é economista e tem, portanto, necessidade de racionalizar e sistematizar o seu pensamento. O resto eu deixo a avaliação de cada qual.

Demetrio Carneiro

Brasil: Política econômica, crescimento e desenvolvimento

sábado, 5 de março de 2011

A FALÁCIA DO PIB DE 7,5% E A HISTÓRIA QUE NUNCA MUDOU NOS ÚLTIMOS 500 ANOS - 1

Abaixo entrevista publicada no Portal do PPS, em 3 de março passado. Ela servirá de introdução a um outro post que colocarei ainda hoje. 

No final de tudo a questão é saber qual é o ponto quando você raciocina para além da conjuntura? Tenho insistido que na prática política é fundamental ver para além do hoje, e às vezes do ontem já que o passado nem sempre pode servir de métrica. Conforme o ponto de foco da reflexão é possível chegar a resultados completamente diferentes.

O pensar sobre a oposição, por exemplo, apenas fundado nas questões de agora, no sentido de correlações de força e projeção dessas correlações, se não for um puro ato de fé do tipo "Eu vencerei" ou "Eu estou predestinado" que são leituras do líder e não do movimento, embora possam contagiar o movimento em última análise, acabarão sempre resultando ou na desistência ou na adesão, mesmo que disfarçada, pela necessidade de sobreviver num ambiente que parece ter normas pétreas quanto ao fisiologismo, apontando condições de imutabilidade do status quo. A forma de romper este encanto está no projeto.


Voltaremos ao assunto.

Demetrio Carneiro


Nenhum economista sério faria a festa que a equipe econômica do governo Dilma está promovendo em torno do crescimento de 7,5% do PIB. Uma análise minimamente responsável, com base em números concretos, mostra que, na verdade, o Brasil está na rabeira do crescimento mundial e vive o dilema de não poder ultrapassar uma taxa real de 4,5%, sob pena de fazer disparar a inflação. O alerta é feito pelo economista e professor da UnB Demétrio Carneiro, que resume o que realmente representa a taxa anunciada com pompa pelo ministro da Fazenda Guido Mantega: "O Brasil cresceu 7,5% em 2010 comparado com uma retração de 0,2% em 2009. Na prática, isso mostra que não demos um salto, estamos mantendo a mesma média medíocre. O governo fala uma coisa e esquece da outra".

A farsa do "espetáculo do crescimeto" vendida pelo governo pode ser melhor percebida, ressalta Demétrio, se compararmos o crescimento do Brasil e de outros países emergentes com relação a taxa do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá) de 1990 a 2008. Nesse período, o Brasil apresentou crescimento médio em torno de 6,8% (veja tabela), enquanto a China, país que o governo do PT gosta de se comparar, apresenta taxas de até 44%. Os Estados Unidos, por exemplo, vem mantendo crescimento em torno dos 45%. "Isso mostra qual é a realidade dos cálculos", ressalta Demétrio, que também é dirigente do PPS.

Para o economista, o grande problema é que a equipe econômica brasileira ainda trabalha com a lógica de que 4,5% é um crescimento espetacular. "O questionamento que temos que fazer é se realmente é espetacular. Eu acredito que não é. O Brasil teria condições de ter um crescimento muito maior. O problema é que para ter um crescimento mais elevado teríamos que ter toda uma transformação do conceito de desenvolvimento brasiliero. E isso o governo não está disposto a fazer", critica. O que o Brasil vem fazendo esses anos todos, ressalta o economista, é manter a mesmice. "E agora, com 7,5% em cima de um PIB de -0,2%, armam uma festa, uma festa errada. Isso é conversa fiada de marqueteiro", analisa Demétrio

BNDES

Demétrio também cita seu colega Tony Volpon, chefe da área de pesquisas de mercados emergentes da Nomura Securities International, para cobrar uma nova postura da equipe econômica. "O Tony Volpon me lembra, num texto que acebei de receber, que no ano passado o ministro Mantega afirmou que iriam criar condições institucionais para empréstimos de longo prazo a partir do setor privado da economia. O que acontece hoje? O BNDES é o maior banco de desenvolvimento do mundo, ele é maior que o Banco Mundial. Estamos usando recursos do Tesouro quando na verdade existem toda uma disponibilidade de recursos privados para poder financiar esse processo", afirma Demétrio.

Para que essa ideia prospere, lembra o economista, tem que ser montado um arranjo instituciional, que foi o que o ministro Mantega prometeu no ano passado e não cumpriu. "Então eu pergunto: Por que o governo não implementa essa política em vez de ficar repasando recursos para o BNDES. É um processo atravessado de financiamento do desenvolvimento, do crescimento econômico. Esse processo não tem futuro, não tem espaço para expandir. Você não pode depositar todo o crescimento do país em cima do BNDES. Isso é um absurdo", critica.

Na visão de Demétrio, o Brasil tem condições de ter cresicmento maior do 4,5%, mas isso exige uma mudança profunda que esse governo não tem condições de implementar. "Eles sabem que precisa ter toda uma transformação de infraestrutura e outra série de mudanças institucionais que o PAC, por exemplo, não vai resolver. Está provado que não resolve. Precisa de coragem para mudar tudo. Temos que ter outro tipo de desenvolvimento, esse aqui está vencido. Ou vamos ficar eternamente exportando minério de ferro para a China, a proposta é essa? Vamos fazer o que estamos praticando a 500 anos?", questiona.