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quarta-feira, 9 de março de 2011

PARA UMA REFLEXÃO PÓS-CARNAVAL: AQUECIMENTO GLOBAL

Enquanto se discute o sexo dos anjos, a crise mundial e a retomada ou o último jogo de futebol o aquecimento global vai deixando suas marcas irreversíveis.

Demetrio Carneiro


Nível nos mares deve subir mais rápido que o previsto, caso velocidade do degelo não seja retardada

As camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida estão perdendo massa a um ritmo mais acelerado que os prognósticos feitos até agora, o que repercutirá na alta do nível dos oceanos, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira pela Nasa.

Os resultados do estudo sugerem que as camadas de gelo estão derretendo mais rápido que as geleiras das montanha e serão o principal fator de contribuição para uma alta global do nível dos oceanos, muito antes do previsto.

Como exemplo, em 2006 os polos perderam uma massa combinada de 475 gigatoneladas ao ano em média, uma quantidade suficiente para elevar o nível global do mar em uma média de 1,3 milímetros ao ano frente as 402 gigatoneladas que as geleiras da montanha perdem em média.

A Nasa analisou dados de seus satélites entre 1992 e 2009 e descobriu que a cada ano durante o curso do estudo as camadas de gelo dos polos perderam uma média combinada de 36,3 gigatoneladas a mais que no ano anterior.

"Que as camadas de gelo serão a principal causa do aumento do nível do mar no futuro não é surpreendente, já que possuem uma massa de gelo muito maior que as geleiras da montanha", assinalou o autor do estudo, Eric Rignot, da Universidade da Califórnia.

"O surpreendente é que esta maior contribuição das camadas de gelo já está ocorrendo", advertiu o cientista, que realizou a pesquisa com a colaboração do Laboratório da propulsão do jato (JPL) da Nasa.

As medições realizadas indicam que se "as tendências atuais continuarem é provável que o aumento do nível do mar seja significativamente maior que os níveis projetados pelo Grupo Intergovernamental de Analistas sobre a Mudança Climática em 2007", acrescentou.

(com Agência EFE)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ETANOL: CADA VEZ MENOS UM COMBUSTÍVEL ALTERNATIVO

Registrado novo aumento no preço de etanol. Neste momento apenas um estado brasileiro tem preço competitivo com a gasolina, o Mato Grosso.

Se tivermos em vista a forte exportação de açúcar somada a forte redução da área plantada, não dá para dizer que as coisas vão bem na área dos combustíveis alternativos. Ao contrário dos americanos, que usam milho, não dá para argumentar que o que se usará em combustível deixará de alimentar alguém em algum lugar. Tudo bem, pode fazer rapadura.

Aqueles consumidores que compraram carros com tecnologia flex provavelmente serão pessoas de olho no futuro. Futuro daqui a cinquenta anos,quem sabe,quando a gasolina form um bem escasso. Até lá a nossa Petrobras vai seguir se dando bem vendendo petróleo para que todos possamos alegremente contribuir com mais poluição.

Tudo muito bem. Tudo blu!

Demetrio Carneiro

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O PETRÓLEO COMO META E O MEIO AMBIENTE

Enquanto aqui gastamos uma enorme quantidade de energia discutindo o Pré-Sal, há uma evidente questão de poder latente na autoridade de conceder o benefício gerando emprego, há outras discussões envolvendo o petróleo.

Uma vertente fala dos danos ambientais da extração. Outra fala dos danos ambientais do uso.

Parece que há algo como o nosso “direito natural” de extrair o petróleo para tirar lucro dele. A desculpa está em que esse lucro seria empregado em “prol” da nação. Tendo em vista que o agente é o Estado e apenas lendo os jornais dá para desconfiar da eficiência com que esses recursos serão usados em prol da nação e não em prol do Sarney ou do Collor ou do Lula, por exemplo.

Mas também parece que nosso “direito natural” nos impede de avaliar os prejuízos ambientais de mais 20 bilhões de barris. Na raiz da indagação sobre esta fome, esta ansiedade de consumir, estão muitas respostas sobre nossas escolhas e sobre o futuro que queremos para nós e para nossos descendentes. Mas quem tem coragem de enfrentar um debate que começa na recusa ao consumo? Isso tira voto...

Abaixo o belo exemplo do Chile e do Equador.

Demetrio Carneiro




Com repasse de US$ 100 mil, país se torna primeiro a apoiar proposta equatoriana de não extrair 846 milhões de barris na Amazônia

da PrimaPagina

O governo chileno oficializou a entrega de US$ 100 mil para ajudar o Equador a não explorar um total de 846 milhões de barris de petróleo localizados nos campos Ishpingo-Tambococha-Tiputini, que ficam dentro da reserva ecológica Yasuní, na parte equatoriana da Amazônia.

Com isso, o país se tornou o primeiro a aderir à proposta equatoriana, nomeada Yasuní ITT e que evitará a emissão de 407 milhões de toneladas métricas de carbono à atmosfera, quantidade que seria liberada pela queima dos combustíveis fósseis.
O ministro das Relações Exteriores do Chile, Alfredo Moreno Charme, foi o encarregado de entregar a seu colega equatoriano, Ricardo Patiño, o certificado de que os US$ 100 mil tinham sido depositados no fundo de fideicomisso administrado pelo PNUD.

O chanceler chileno admitiu que o valor não é alto, mas destacou que a contribuição é um reconhecimento ao esforço que o Equador está fazendo ao tentar compatibilizar a agenda ambiental com o desenvolvimento.

"O investimento e compromisso que o governo do Chile está fazendo economicamente a este fundo, embora não seja uma cifra muito significativa, é o que podemos fazer", ressaltou Moreno Charme, que lembrou que o país ainda se recupera de um terremoto, registrado em fevereiro, e precisa atender a outras necessidades da população.

No evento, o chanceler chileno e o representante do PNUD no Equador, José Manuel Hermida, assinaram o acordo. Hermida afirmou que espera que o exemplo de Equador e Chile sirva para incentivar as contribuições necessárias para o sucesso da iniciativa Yasuní ITT e atrair outros países do mundo, que poderiam reproduzi-la.
"Essa seria uma nova arma no arsenal da luta implacável contra a mudança climática", complementou.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Meio ambiente, crise, pós-crise e política.


Do ponto de vista ambiental e relacionado com a crise a primeira coisa que me vem a mente é a declaração da Primeira-Ministra alemã, logo no início, dizendo algo como: crise não é lugar para frescuras ambientais. Se tivermos que investir em tecnologias não muito amigáveis com relação ao meio-ambiente, mas que sustentem a produção, é o que faremos.

De fato não deu outra.

Numa outra ponta do problema a FIESP já se movimenta em função de possíveis restrições que poderão ocorrer na próxima conferência sobre clima e meio ambiente, em dezembro, Copenhague. Segundo está na coluna de Sérgio Leo, no Valor Econômico de 17 de agosto: “Cresce, no setor privado, o temor de retaliações a pretexto do combate ao aquecimento global”. Claro, estamos falando da linha de defesa de indústrias altamente poluentes como as de cimento ou aço.

Todos os governos, sem exceção, jogaram recursos orçamentários em diversas destas indústrias sob a alegação de que geram empregos imediatos ou os garantem. O déficit dos países centrais deu um salto razoável. Não apenas nacionalmente, mas globalmente, parece que esta questão de paradigmas está muito longe de ser uma vontade coletiva. O que tivemos foi uma confirmação dos processos que criticamos.

Se o debate do pós-crise visto como a “oportunidade para mudanças” naqueles círculos decisórios ligados ao poder real, que é o que move as coisas, está, contudo, muito longe de mudanças reais, pelo menos na direção para a qual olhamos.

Quando fui à Câmara Federal, falar na sessão da Comissão Geral sobre a crise, o que deu para ver foi todos os nossos “peso pesados” com discursos supostamente inovadores, pregando as novas oportunidades, mas falando as mesmas coisas de sempre e confirmando os atuais paradigmas. A minha fala foi a única em outra direção: a crítica. Estou aguardando a transcrição da sessão. Pretendo ainda fazer um estudo sobre o que está dito lá. Acho que servirá como um bom exemplo do que pensa o poder real brasileiro.

O processo industrial voltado para a indústria manufatureira, sem preocupações de repercussões ambientais, tem décadas de "eficiência" gerando empregos e renda. As mudanças políticas necessárias para uma revisão das políticas públicas e mesmo as privadas, não ocorrerão no curto prazo. Indivíduos não costumam trocar o presente pelo futuro sem motivações muito fortes. É muito improvável que as mudanças necessárias ocorram de forma natural, por si próprias. Não há nada que aponte o processo civilizatório, como já pensamos, como um caminho em direção ao melhor, moldado pelo conjunto de condições objetivas. O que os fatos têm demonstrado, contra o pensamento tradicional progressista, é que as condições subjetivas têm enorme influência. No caso o querer permanecer empregado é um apelo muito forte.

O que estamos sempre chamando a atenção é para a inexistência deste debate, posto de lado por “outras” questões. Chamamos a atenção para sua prioridade estratégica e para os nexos de ligação entre coisas diversas como: Estado, desenvolvimento, políticas púbicas, ação pró-ativa dos partidos políticos, mobilização da sociedade civil etc... De outro lado, como percebo as coisas hoje, o “estar” no Estado será condição insuficiente para estas mudanças, que não dependem apenas da “vontade de Estado”, mas da vontade da sociedade. Neste projeto a iniciativa privada não pode ser vista como um obstáculo ou como um bando de carneirinhos a ser conduzido pelo aparelho do Estado ao melhor dos mundos.

No caso brasileiro especialmente se houve algum tipo de evolução em direção a uma maturidade ela terá que se manifestar e se apresentar em propostas muito mais sólidas do que as atuais.

Demetrio Carneiro