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sábado, 3 de outubro de 2009

OUTRAS OPÇÕES DA INOVAÇÃO


Há todo um debate sobre o gasto público. Há um outro debate sobre o governo gastar ou investir. Há um outro debate sobre quanto, onde e como o governo deve investir. Também há um outro debate sobre a relação entre investimento e crescimento econômico. Nesse último debate os economistas de corte competiriam, digamos assim, defendem que o melhor tipo de investimento, por sua capacidade multiplicadora positiva sobre a economia, é o investimento nas inovações seja de processos de produção ou administração, seja de novos produtos que se encaixem em novos nichos de mercado. Num país como o nosso o debate do investimento em inovações, até pode depender de premissas anteriores como um bom sistema educacional, visão de transversalidade das políticas públicas, acaba rolando sempre para o segundo plano ou para plano nenhum, pois sempre temos coisas mais urgentes para discutir, mesmo que seja o resultado do último jogo de futebol. Discutir investimento em inovações depende de posturas claras quanto às propostas de desenvolvimento econômico, papel do Estado etc...Convenhamos que não são temas tão comuns abaixo do equador.
De qualquer forma vale dar uma lida no texto abaixo postado no blog americano Market design, sob o título Hotbeds of innovation: food in Portaland. É um bom exemplo de como uma inovação de efeitos positivos sobre a economia pode ocorre em segmentos inimaginados. No caso a marca é a formação de uma rede de interações.

Focos de inovação: alimentos in Portland


Por que o Vale do Silício e Cambridge, MA, são focos de inovação? Um bom texto do NY Times sobre a história da cena culinária em Portland, Maine, por Julia Moskin, poderia dar algumas idéias: Em “Portland’s Restaurants, a Down East Banquet ." muitos cozinheiros e padeiros, plantadores de nabos, vendedores livros de receitas e uma variedade de gênios loucos das comidas estão se preparando para um inverno alegre. 
"Eu não chamaria isso de uma competição, eu diria que é um coletivo", Josh Potocki, o chef e proprietário do Café da 158, Pickett St.,em South Portland, disse sobre o cenário das comidas da cidade. "Estamos todos tentando elevar o nível de alimentos em Portland para um nível insanamente alto". ... 
"Chefs aqui se alimentam um do trabalho do outro, de uma forma que é impossível nas grandes cidades ( Em Portland população é de cerca de 65.000 habitantes e tem um compacto centro urbano), constantemente comendo e comentando sobre um outro restaurante.” “Fiz inimigos, com certeza ", disse Joe Ricchio, um garçom que faz pho vietnamita (NT: comida típica daquele país) em seus dias de folga. Tem um fraco por um flamenjante scorpion bowls (NT: um tipo de drink mais pesado) e escreve um blog intitulado Portland Food Coma.  
Em 2007, o Sr. Ricchio começou um evento festivo debochado agora conhecido como Deathmatch, um tipo de jantar/competição  Iron Chef ,  com cada chef convidado contribuindo com um curso. 
"A maioria dos jovens chefs de Portland ...  trabalhou em - e saiu de lá – uma outra cozinha. ... Muitos circularam entre os templos gêmeos de Sam Hayward na Middle St., onde Rob Evans é o chef. Estas são as cozinhas que colocaram, inicialmente, Portland como destino para um regular e rigoroso alimento delicioso.

"Noventa por cento dos melhores restaurantes são pripriedade dos chefs, pequenos, e com um único atendente", disse Samantha Hoyt Lindgren,  proprietária da Rabelais, uma livraria especializada em comidas e vinhos. "Isso faz uma enorme diferença na qualidade dos alimentos e nas relações com os fornecedores”, disse ela."... "E para os chefs se tornarem proprietários, o preço da entrada – valor do ponto, renovação da cozinha, etc - é relativamente baixo. ”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Malan: proposições para um novo governo



O debate sobre a crise colocou a questão das oportunidades. Supondo que a crise fosse também o lugar de escolhas possíveis, novas escolhas puderam ser pensadas. O debate eleitoral prematuro, precipitado por interesse do governo, acabou trazendo essas proposições para uma plataforma de governo. Demandas foram geradas e acabaram mesclando crise, pós-crise e eleições.
De um ambiente onde não tínhamos nada a não ser uma fala governamental restrita a nos garantir que teremos sempre mais do mesmo, Lula=pós Lula, passamos para um novo ambiente onde, ainda que de forma meio cuidadosa, alguns personagens mais centrais vão soltando a fala. Serra falou, Aécio falou. Agora nos fala Malan.
Na edição de 9 de agosto do “O Estado de São Paulo”, sob o título “Respostas à crise: mais além de 2010” o ex-ministro, de olho na questão ética, tece algumas considerações sobre este olhar mais longe. Diz explicitamente esperar que o debate sobre o próximo governo “leve em conta seis temas inter-relacionados”. A saber:
1- Abertura pra o resto do mundo nas dimensões comercial, financeira, investimento direto, ciência, tecnologia, cultura e inovação. Enfim, a abertura que nunca se fez completa;
2- O custo-Brasil é o próximo item: Infraestrutura e logística em energia, transporte, telecomunicações, portos rodovias. Aqui ele toca na questão regulatória e na importância dos investimentos privados nesta área. Provavelmente falamos de PPP’s.
3- A questão da educação recebe o terceiro destaque e o ministro assinala que aqui estão as deficiências que comprometem o futuro;
4- Estabilidade macroeconômica e manutenção do tripé – câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal. Assinala que o projeto de estabilidade não é um fim em si próprio, mas a condição para o crescimento sustentado de longo prazo;
5- Estímulo ao investimento privado, mas olhando para o ambiente institucional – “estabilidade e previsibilidade das regras do jogo”;
6- Esta não é exatamente uma meta, mas uma crítica à atual política externa brasileira, construída sobre o conceito de destino manifesto e não sobre a eficiência da economia e a efetividade das instituições.
Em realidade a questão ética pode ser vista ai como uma sétima meta. Citando um relatório do Banco Mundial que menciona o comportamento das autoridades como um poderoso “sinalizador” do que é ou não aceitável em uma dada sociedade, Malan comenta: “Vivemos tempos de excessiva complacência, relativismo moral...”.
Na lógica do texto as sete metas representam, em verdade, a solução do “desafio do desenvolvimento sustentado para além de 2010”.
Embora todas devam merecer atenção e sejam partes a se considerar de um projeto de desenvolvimento sustentável de longo prazo, a inexistência de citação concreta da conexão entre a sustenção do desenvolvimento econômico de longo prazo e políticas de sustentabilidade ambiental colocam uma diferença importante que pode ser percebida em Serra e Aécio que, em discursos recentes, fizeram clara menção ao assunto. Se falarmos em desafios do desenvolvimento não é uma nuance a ser desconhecida e sua presença ou omissão tem desdobramentos que devem ser considerados.
Demetrio Carneiro