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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

UM ESTADO SECULAR OU RELIGIOSO NOS PAÍSES MUÇULMANOS ?

A vitória dos partidos pró-religiosos e pró-fundamentalistas no primeiro turno das eleições parlamentares do Egito, trás para o cenário político um importante debate sobre escolhas entre um Estado religioso ou um Estado laico. Os grupos vencedores, Irmandada Muçulmana, partido Nour e outros, são defensores do Estado religioso islâmico num país relativamente diverso, com uma minoria religiosa não-islâmica bem significativa. Os coptas somam um quarto da população egípcia.

Não era o que se antevia no ar durante as revoltas que derrubaram o Mubarak. Naquele momento falava-se em democracia e Estado laico. O que ocorre agora vem numa direção inversa e deve ser sim motivos de preocupação.

Não se trata apenas de uma discussão sobre modelos ocidentais ou não-ocidentais ou sobre a autonomia do povo de cada país. Aqui há implicações geo-estratégicas. Aquela não é exatamente a região mais tranquila do planeta. Aqui também há implicações sobre democracia e autoritarismo que nos interessam diretamente. Estados religiosos são necessariamente autoritários por sua necessidade de hegemonia absoluta.

Nem todos os islamitas pensam na imposição de sua religião. Num artigo escrito para o site Religion and Ethics, WHY MUSLIMS NEED THE SECULAR STATE, o professor Abdullahi Ahmed An-Na'im, professor da Emori School of Law, defende que o islamismo pode perfeitamente conviver com o Estado laico e que a adoção das regras da Shari'a, enquanto política pública, ou não, deveriam ser derivadas de um trabalho de convencimento e não de imposição. É uma visão extremamente diferente da adotada pelos vitoriosos no Egito.

Seja como for essa discussão sobre escolhas rebate em nosso país frente à crescente força política dos segmentos religiosos fundamentalistas e essa força já foi capaz de mudar tendência de voto no Congresso e até mesmo postura de candidatos eleitoralmente competitivos. 
É de se observar o Egito com um olho no Brasil. 
No fim do dia a discussão é a mesma: Estado laico ou Estado religioso?

Demetrio Carneiro

domingo, 18 de abril de 2010

FUNDAMENTALISMO E SINCRETISMO NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Há uma evidente onda de conversão fundamentalista, principalmente na baixa classe média urbana. Natural que candidatos à presidência procurem atuar de forma “neutra” ou como, Dilma, até se convertam. Contudo ainda somos historicamente sincretistas. Somos, pela nossa formação, culturalmente sincretistas. Somos, por todos os ângulos de formulação, dados colhidos, sicretistas.

O presidente brasileiro será presidente de todos e não apenas de fundamentalistas. Como seria se um fundamentalista que fosse contra a transfusão de sangue fosse eleito? Proibiríamos a rede pública de realizar transfusões? Se um fundamentalista for eleito presidente vamos destruir nossa herança sincrética e obrigar nossas crianças ao ensino religioso?

As declarações “de consciência” de Marina comprometem o projeto do PV. Tradicionalmente o movimento ambientalista tem se aliado, e mesmo encontrado fortes e pioneiros adeptos, nas questões de opção sexual.
Será muito difícil o palanque dela com Gabeira, por exemplo. E este deveria ser o principal. Será muito difícil explicar aos apoiadores do PV no Rio de Janeiro que sua candidata se posiciona contra o homosexualismo.

Marina deveria ter guardado para si suas objeções de consciência. Até porque, em sendo a presidente e o Congresso aprovando, por exemplo, a união civil homosexual, ela faria o quê? Não sancionaria a lei?

Demetrio Carneiro