Por gentileza do Zero Hedge uma visão antecipada do mapa futuro da Europa em 2022. Acho que concordarão que é muito engraçado, mas muito realista:
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A TRIBUTAÇÃO COMO UM INSTRUMENTO DE SAÚDE PÚBLICA AQUI E LÁ
Dentro da teoria econômica os tributos pigouvianos são destinados a internalizar as externalidades negativas. Quer dizer quando um agente econômico gera, por sua atividade produtiva e de forma involuntária, efeitos negativos sobre outros agentes ou consumidores, a forma de corrigir a situação é criar algum tipo de tributação que onere o preço forçando a redução da oferta. A redução da oferta por si só já reduziria o efeito negativo e, adicionalmente, o tributo geraria renda pública que poderia ser utilizada para minorar os impactos da externalidade. Por exemplo, indústrias de refrigerantes com base em açúcar geram empregos etc., mas também geram problemas de saúde aos seus consumidores. Como não está em jogo proibir a atividade econômica, então, a solução pigouviana é tributar o bem para reduzir o consumo e gerar novas rendas para o Estado.
No Wonkblog(1) de ontem, 8, há um texto sobre o uso da tributação para efeitos de melhorar os problemas de saúde pública.
A depreender do texto os americanos bebem anualmente cerca de 1 bilhão de latinhas de refrigerantes com base em açúcar, o equivalente a um consumo per capita diário de cerca de 4 latinhas. Acho que dá para chamar de epidemia.
Ainda dentro do texto um estudo da Universidade de Columbia sugere que um tributo de U$ 0,12 por latinha levaria a uma queda entre 10% e 25% no consumo. Tendo em vista a população entre 25 e 64 anos de idade uma queda média de 15% no consumo de refrigerantes reduziria os casos de diabetes 2 em 2,6% e os casos de obesidade em 1,5%. Em dez anos seriam menos 96 mil casos de doenças coronarianas, menos 8 mil derrames e menos 26 mil mortes prematuras. Sem contar que seriam mais U$ 17 bi em tributos para apoiar as ações de saúde.
Segundo a articulista, Sarah Kliff, embora a tributação tenha todos esses efeitos positivos, e existam diversos projetos de lei em estados americanos, dificilmente eles seriam aprovados, tendo-se em vista que a tributação já existente - quando há tributação - é menor que a proposta de novo acréscimo de taxação. Enfim, seria preciso quase que dobrar a tributação atual dos refrigerantes.
Evidentemente as resistências vão existir nos EUA por conta de uma indústria que gera empregos etc. No caso brasileiro, como a tributação já varia entre 36% e 46% do valor final, dá para imaginar que um aumento de tributos, tipo uma CPMF específica e destinada aos setores de saúde pública, campanhas etc. iria certamente carrear recursos, mas teria que passar pelo poderoso quase-monopólio dos produtores de bebidas. Com uma tributação já tão elevada talvez não haja reflexos no consumo.
De qualquer forma as evidências são de que o aumento do consumo de refrigerantes caminhas junto com o aumento da capacidade de compra.
Há outras constatações localizadas, mas que dão uma boa noção sobre o comportamento geral:
Fatores associados ao consumo regular de
refrigerante não dietético em adultos de Pelotas, RS
RESULTADOS: Cerca de um quinto da população adulta de Pelotas (20,4%) ingeria regularmente refrigerante não dietético. Indivíduos do sexo masculino(RP 1,50; IC95%: 1,20;2,00), fumantes atuais (RP 1,60; IC95%: 1,20;2,10) e que consumiam semanalmente lanches (RP 2,10; IC95%: 1,60;2,70) apresentaram maior prevalência de consumo de refrigerantes não dietéticos na análise ajustada. A análise estratifi cada por sexo mostrou que o consumo regularde frutas, legumes e verduras foi fator protetor ao consumo de refrigerantesentre mulheres (RP 0,50; IC95%: 0,30;0,90)
CONCLUSÕES: A freqüência do consumo regular de refrigerantes não dietéticos na população adulta foi elevada, particularmente entre homens, jovens e fumantes.
RESUMO
Avaliou-se a associação entre o consumo de refrigerantes, sucos e leite, com o índice de massa corporal (IMC) em 1.423 estudantes, entre 9 e 16 anos, de escolas públicas de Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. O consumo de bebidas foi avaliado por meio do recordatório alimentar de 24 horas e questionário de freqüência de consumo alimentar. Peso e estatura foram coletados para o cálculo do IMC. As análises de regressão linear foram estratificadas por sexo e ajustadas por atividade física, idade e efeito do conglomerado (classes). Verificou-se associação positiva entre freqüência de consumo de refrigerante e idade (p = 0,05) e negativa entre consumo de leite e idade (p = 0,004). Apenas para as meninas, o IMC associou-se positivamente com o consumo de sucos (β= 0,02; p = 0,03). Para as outras bebidas não foram encontradas associações entre IMC e freqüência usual de consumo. O consumo de refrigerantes e sucos representou cerca de 20% do total de energia média consumida diariamente. Os resultados indicam que esforços para reduzir a ingestão de energia por meio de bebidas devem enfatizar também os sucos.
(1) O Wonkblog é coordenado por Ezra Klein e é publicado no Washington Post. Klein também coordena o blog Zero Hedge(Dístico do blog: Numa longa linha de tempo a taxa de sobrevivência de qualquer um cai para zero).
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES E CRESCIMENTO BRASILEIRO : DETALHES QUE PODEM FAZER A DIFERENÇA
Ninguém pode dizer que governar é fácil. Bem, talvez quem navegue em certas mares de facilidade, como um ambiente internacional fortemente propício até ache isso. Mas de modo geral governar não é fácil e as escolhas, governar envolve escolhas, são difíceis.
Em agosto desse ano a ministra Miriam Belchior apresentou o Plano Plurianual para o período 2012-2015. Na sua apresentação, em slides, está previsto um total de investimentos em infraestrutura de R$ 1,2 trilhões no período. Evidentemente todos sabemos do peso estratégico da infraestrutura no crescimento nacional e dispomos de algumas toneladas de papel escrito com fartas demonstrações sobre como a infraestrutura ineficiente interfere nele. Portanto gastar alguns trilhões ao longo de quatro anos é sim relevante.
Nosso problema é que quando falamos de infraestrutura normalmente falamos de transporte de cargas e pessoas e sua logística, saneamento, energia elétrica e telecomunicações. A apresentação é da ministra e ela apresenta como quer os dados, mas os problema é que, por exemplo, a construção de moradias equivale a mais de um terço do total estipulado para “infraestrutura”.
Indo ao que interessa “transporte” tem um dispêndio previsto de 9,8% do total, o que dá cerca de um pouco mais de R$170 bi. Seria algo como 1,55% do valor somado do PIB previsto para o período 2012-2015. Segundo dados da apresentação nos pouco mais de R$ 170 bi estão todos os investimento governamentais, de empresas estatais e da “parceria” privada. Restaria de fora os investimentos privados propriamente ditos. Embora o Plano Nacional de Lógística e Transporte(PNLT), ora em vigor, comemore “o bom ambiente para a atração de investimentos privados tudo o que se sabe é que, independentemente de haver uma crise no mundo, o ambiente está muito longe de ser “atrativo”. Há problemas de entrave bem delimitados, e permanentemente cobrados pela CNI e outras corpoorações, nas Parcerias Público Privadas(PPPs) e os Fundos de Investimento e Parceria na Infraestrutura(FIP-IE) não parecem estar exatamente decolando. A excessão de sempre fica por conta dos Fundos de Pensão das Estatais, indiretamente controlados pelo governo, via sindicatos. Historicamente os investimentos privados, apesar de toda a movimentação governamental, vêem caindo em termos de PIB e atualmente andam na faixa de 1%.
Ai está o nosso problema: Se o governo irá investir 1,55% e se o setor privado mantiver seu nível atual de investimento de 1%, tudo o que teremos será um investimento total de 2,55%, que é a metade do que deveria ser investido se quisermos nos comparar à Índia, por exemplo. A China investe cerca de 7,5% de seu PIB. Ou seja três vezes mais.
Resguardando, claro, as devidas proporções a China está investimento apenas numa rede de transporte de massa subterrâneo, a ser instalada em 28 cidades até 2020, U$ 160 bi, algo como R$ 280 bi. Segundo o Zero Hedge, indignado com a postura republicana de ter matado no Senado americano a proposta de investimento de Obama em infraestrutura, no valor de U$ 60 bi, o “pacote” chinês de investimentos em infraestrutura chega a U$ 260 bi ou R$ 455 bi.
Essa questão do investimento em transporte de massa é outro problema brasileiro. Nossa infraestrutura de transportes e logística é tão precária na área de cargas que os recursos são praticamente todos direcionados para ela. Claro que a infraestrutura de transporte de massas pode rebater e coincidir em muitos casos, mas os nossos problema mais sérios não estão na longa distância, problema do transporte de cargas, mas nas distâncias bem menores como a circulação intrermunicipal, tema extremamente crítico e “terra de ninguém” e na circulação urbana.
O pensamento governamental parece ser mesmo o do ex-ministro Anísio Silva, que se referindo à mobilidade durante a Copa disse que “não seria um problema” ou o pensamento de Miriam Belchior que colocou na mesa a solução do feriado. Enfim, um governo arquipreocupado em construir estádios, mas nada preocupado em como as pessoas sairão e chegarão lá. Essa “enorme” preocupação transformou-se em ridículos R$ 18 bi concedidos para a mobilidade urbana.
Claro que os previstos pouco mais de R$ 170 bi eram previstos num plano de vôo com um PIB de 5% em 2012 e 5,5% nos anos seguintes, conforme os delírios de Mantega.
Como essas contas são feitas com base na arrecadação prevista e supondo que na realidade o crescimento do período esteja mais para alguma coisa perto de 3 a 3,5%...
É isto. Precisa mais?
Demetrio Carneiro
sábado, 26 de junho de 2010
UM DIA A CASA CAI...2
A festa da gastança keynesiana parece que vai chegando ao fim.
A cada nova situação vai ficando claro que a saída da crise não apontava e não aponta para o gasto público/estímulo da demanda agregada como única solução possível para a crise.
Desconsiderar a confiança e a percepção dos agentes, imaginando nisto uma lógica neoliberal.
“Esquecer” que na raiz de tudo estão hábitos de consumo insustentáveis.
Não ter em vista que os recursos públicos são um ‘saco com fundo” e que a fatura sempre aparece.
Nada disso foi levado em conta.
Apenas história, ação e reação: Deu certo antes, tem que dar agora.
Abaixo, tradução livre, um post do Zero Hedge abordando a questão, insustentável, do dólar americano, o quadro mundial e a reunião do G-20.
Interessante cotejar a avaliação com a percepção que passa pela mídia nacional e está na lógica de muitos articulistas e acadêmicos nacionais.
Demetrio Carneiro
O G-20 e o dólar
Foi uma semana terrível na terra dos euros. Os spreads das obrigações gregas caíram 10%. A reestruturação não pode estar muito longe. Eles estão realizando um “teste de esforço bancário” (1) que parece ser uma piada. Os resultados excluem o risco soberano. Exatamente onde reside o risco. O Euro deve ter sido golpeado tendo isto como pano de fundo. Se fosse no mercado teria sido a um mês atrás.. Mas não esta semana.
Alguns gráficos sobre as maiores reservas de moedas em relação ao dólar americano:
O dólar tem sido apoiado de forma significativa desde a primeira semana de junho. Alguns diriam que a Cesta está sofrendo apenas alguma indigestão após um grande movimento num curto período de tempo. Um bom exemplo pode ser o Euro 10-15% mais baixo do que é hoje apenas nos fundamentos. Mas não é isso que os fatos estão nos dizendo.
As moedas têm duas funções. Elas são um meio de troca para ajuste do comércio internacional e das finanças. Todas as moedas em reserva fazem um bom trabalho nessa função. O outro papel de uma moeda é ser um estoque de riquezas. Ainda não está claro para mim se qualquer uma das mais importantes moedas mais importantes cumpre bem esta finalidade.
Com o passar do tempo coisas como os desequilíbrios comerciais e os déficits em conta corrente são fatores determinantes na fixação das taxas de câmbio. No curso de um mês, dado essas influências, a forma como as taxas são definidas não tem quase nada a haver com isso. No curto prazo, tudo se trata de percepção.
Eu vejo os E.U.A. perdendo a batalha da percepção. Com todos os problemas no Reino Unido e da UE, pelo menos, os governos estão a tentar resolver o problema fundamental dos desequilíbrios orçamentários. Mesmo a Alemanha está tendo problemas. Isso, provavelmente, vai revelar-se o beijo da morte para a Grécia. Mas uma falha da Grécia não é por si só, o beijo da morte para a Euro.
A reunião deste fim de semana do G20 pode nos dar algumas pistas sobre a questão da percepção. Vejamos algumas linhas principais de enfrentamento. Obama e Geithner estarão empurrando na direção de um pacote para o crescimento. É provável que alguns dos outros países apontem o polegar para baixo, nesse assunto, ao E.U.A. América vai ser o único grande país que se deixou continuar no caminho da insanidade fiscal.
O comunicado final vai ter uma conversa agradável sobre a coordenação global e um grande "obrigado" a China por ter reforçado a ação e ajustado a sua política cambial. Nos bastidores, ela será menos amigável. Alguns países tentarão punir as escolhas devassas dos E.U.A. Ninguém na reunião estar realmente satisfeito pela a China ter reajustado a sua taxa câmbio em relação ao dólar com um mísero meio por cento como um ingresso para o show.
Se os E.U.A. poderá ser apresentado como " um modelo de como não fazer as coisas" ou se estaremos recebendo alguns comentários irritados de um ministro das finanças ou dois veremos isso no mercado de câmbio no domingo à noite. A única coisa que ninguém estava pensando era ter no verão de 2010 num problema com o dólar. Essa é provavelmente a melhor razão para que isso possa acontecer.
(1)Nota de esclarecimento- Os testes de esforço constituem ferramentas de gestão de risco utilizadas no âmbito da avaliação e gestão de risco das instituições, cuja utilidade consiste num melhor entendimento do seu perfil de risco. Em particular, os testes de esforço devem desempenhar um papel de relevo no planejamento do capital interno e da liquidez, de modo a assegurar a capacidade das instituições para absorver choques adversos.
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