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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A MORTE DE KADHAFI E A DEMOCRACIA NA LÍBIA

Certamente a detenção de Kadhafi tinha um peso fundamental na identificação do Conselho Nacional de Transição como autoridade central na Líbia. 

A morte dele, pelo que dá para deduzir por meio de execução sumária, pode ser vista como a consequência dos mais de 40 anos de um regime violento, mas certamente a própria democracia nascente teria mais a ganhar com sua prisão e julgamento.

Agora seria uma boa hora para seus ex-amigos brasileiros falarem. Dilma que foi gerentona de Lula quando Lula via em Kadhafi um amigo dos brasileiros meio enigmanticamente falou em respeitar o morto.

A Líbia segue um caminho diferente do Iraque. Ambas as nações de alguma forma dispensaram a ditadura. Agora poderemos ter um termo de comparação entre um país em que a deposição do ditador foi consequência de uma intervenção militar externa e outro país que, mesmo contando com ajuda material externa não passou por um processo de ocupação territorial. O sucesso da democratização da Líbia talvez exponha com mais acidez as contradições da intervenção militar americana no Iraque.

Seja como for, tanto tempo depois da queda do Muro de Berlim e do fim da dualidade, ditaduras que foram toleradas, sustentadas ou que se organizaram no vácuo de poder entre as duas super-potências vão perdendo sua funcionalidade. Nessa hora é bom lembrar que os regimes autoritários na região foram extramente úteis como meio de controle das fontes de fornecimento de petróleo, tão essencial ao estilo de desenvolvimento atual, no âmbito das economias ocidentais. 

É bem provável esse processo democratizante ainda gere influência na questão de Israel e do Irã, dando força àqueles movimentos internos nessas nações voltados para a distenção interna e externa.

Se tudo isso implicará em um amplo processo de democratização de toda a região ainda veremos. 

Se essa democratização vier também é certo que deverá o fim das fortes desigualdades sociais. 
De certa forma olhar para a violência política desviou o foco da preocupação da violência econômica embasada na apropriação dos recursos naturais dos países por uma Elite em detrimento de toda a população nacional . São fortunas de bilhões de dólares construídas sobre a miséria.

Atualmente há todo um investimento em pesquisa de fontes alternativas e de qualquer forma o petróleo é uma fonte finita. Resta torcer para que aquilo que produziu qualidade de vida para as populações ocidentais e sustentou todo um processo civilizatório possa agora finalmente ser utilizado em benefício dos nacionais. Há uma dívida nossa com essas populações que foram em nome de nosso bem estar condenadas à violência política e econômica. é bom que não esqueçamos.

É disso que a região precisa: Democracia, mas democracia e justiça social. Uma não existe sem a outra.

Demetrio Carneiro



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DITADURAS COMO UM CUSTO NA LUTA CONTRA O TERRORISMO


    Os fatos relatados pelo Financial Times apresentam relações, antes apenas imaginadas por nós, e agora evidenciadas na mídia, entre os serviços de inteligência da Inglaterra, dos EUA e a quase extinta ditadura na Líbia. Falta localizar o ditador e trazê-lo à justiça.

     Ingleses pegam mais leve e procuram confundir as coisas. Americanos, a CIA, são mais diretos e assumem que o importante a garantir o público interno. Fica implícito que sustentar ditaduras é o custo da defesa dos EUA.

      É interessante observar que, se o mundo mudou, a CIA ainda mantém a mesma linha de lógica da guerra fria. Naquele período ditaduras eram muito funcionais para ambos os lados, EUA e URSS, na medida em que apoiar aquelas elites e sua política repressiva era uma forma de manter essas populações sob o status quo de cada bloco. Em ambos os blocos conflito distributivo e democracia se eram soluções para a população local eram problemas para o sistema.

      Todas essas décadas de guerra fria impuseram uma lógica de domínio e hegenomia viabilizadora dessas ditaduras. Inclusive a nossa, aqui no Brasil. Encerrada a guerra fria vai ficando muito difícil manter esse padrão e isso pode enfraquecer os laços entre os regimes ocidentais e as ditaduras, apesar da leitura da CIA sobre a permanência de outra guerra, mas vamos considerar que há um jogo interno de poder nos EUA e que a CIA precisa de guerras para lutar e permanecer enquanto burocracia poderosa e rica. Perdendo sua funcionalidade essas ditaduras vão perdendo apoio externo e vão esvaziando internamente. Parte das elites, buscando a sua sobrevivência, tende a abandonar os antigos núcleos de poder e a compor com os desafiadores, como vem ocorrendo.

       As administrações civis, não os serviços de inteligência, é que pagam o custo, que pode se transformar em votos, e não parecem mais interessadas no crescente custo político de manter ditaduras, mesmo que seja para lutar na guerra contra o terrorismo. Até porque talvez tenham percebido que, inclusive nos outros países, a democracia é a melhor forma de evitar o terrorismo.

        Nota: À vista desse processo de abandono das ditaduras seria bastante produtivo avaliar o papel da política externa brasileira no apoiamento a regimes autoritários. Não esquecendo que o ditador deposto já foi nosso "amiginho". Quer dizer, nem vai dar para o PT tirar uma casquinha dessa realação entre os serviços de informação e Kadhafi.

Demetrio Carneiro

terça-feira, 8 de março de 2011

HUMANITARISMO: LÍBIA UM PEÃO DA GEOESTRATÉGIA DOS PAÍSES

Enquanto as grandes nações ficam tentando acertar suas diferenças entorno do papel da Líbia no norte da África, no mundo árabe, na distribuição mundial de petróleo, na correlação mundial de forças, na posição relativa de cada país na correlação mundial de forças, o tempo passa.

Há uma completa assimetria entre o equipamento disponível nas mãos de Kadafi e o equipamento nas mãos dos rebeldes. Não se trata apenas de aviões. De certa forma mineiramente dão tempo ao tempo.

Se não custasse vidas humanas seriam interessante observar toda a sofisticação dos diversos arranjos e o uso da linguagem. Para minorar vão divulgando que as operações serão assim ou assado, ora pela OTAN, ora pela ONU.
E as pessoas continuam morrendo.

Demetrio Carneiro

sexta-feira, 4 de março de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

RESUMO DA FALA DA REPRESENTANTE BRASILEIRA NO CONSELHO DOS DIREITOS HUMANOS DA ONU

Abaixo o resumo da fala da representante brasileira no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Embaixatriz Maria Nazareth Farani Azevedo, hoje pela manhã:

"Que o respeito à liberdade de reunião e a liberdade de expressão, incluindo a liberdade de imprensa, são valores para os quais este Conselho não se pode deixar de considerar.
O Brasil não vai tolerar qualquer forma de violação dos direitos humanos em qualquer país, inclusive em seu próprio território.
O uso da força contra manifestantes pacíficos é absolutamente inaceitável.
Havia brasileirostrabalhando na Líbia, cuja segurança foi razão de grande preocupação.
O Brasil pediu que as autoridades líbias garantam a segurança e a livre circulação de estrangeiros, assim como facildades para a saída daqueles que desejam deixar o país.
Nenhum governo pode ser sustentado através da força ou da violência e punição dos dissidentes.
Nenhuma liderança dura com exclusão social, desemprego e pobreza.
Nenhum povo pode suportar em silêncio a violação de seus direitos fundamentais e do desprezo por suas legítimas aspirações de liberdade e prosperidade. A paz e o desenvolvimento, bem como os direitos humanos e o desenvolvimento, estão de mãos dadas. Esta foi a mensagem que eles apreenderam na avassaladora crise que estão testemunhando."  

É um termo de compromisso forte e claro que realmente vai indicando uma mudança na linha de política externa brasileira, mas também é uma fala para "dentro" e reafirma os compromissos do discurso de posse..

Demetrio Carneiro