segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SÍRIA: POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA CAMINHA PARA NOVO FIASCO

Mais um desastre anunciado para nossa política externa. Nosso alinhamento indevido aos supostos interesses sul-sul da China e da Rússia nos colocam do outro lado de nossas tradições, fornecendo razões para a permanência de uma ditadura sanguinária.

Demetrio Carneiro

Primeiro-ministro sírio acusa governo de genocídio e foge para a Jordânia

PESQUISA SEMANAL FOCUS: ECONOMIA SEGUE LADEIRA ABAIXO

Desastre de gestão da Petrobras à parte, ao menos por enquanto o sonho do segundo semestre redentor ainda está distante. 

Comparativamente à semana anterior a expectativa do PIB 2012 caiu de 1,9% para 1,85%, confirmando o que falamos já há alguns meses: que o PIB desse ano pode se aproximar bastante do crescimento vegetativo da população, 1,05% em 2010. Tem lá a sua importância. 

Do lado do IPCA chegamos à marca de 5%, quando na semana anterior era 4,98%.

Esse desalinhamento entre queda do crescimento e alta da inflação, mesmo que derivada dos alimentos, por conta a seca americana, também tem implicações.

Resta ver como vai se comportar a arrecadação tributária frente à queda da atividade econômica. De princípio uma inflação na casa de 5% ao ano é benéfica ao governo e gera um fluxo positivo a seu favor.  Dada essa situação ainda iremos ver qual e de quanto será o prometido corte nos impostos. Ai veremos se o Estado brasileiro é capaz de se virar sem pressionar o contribuinte no limite.

Demetrio Carneiro

OS NOVES PRINCÍPIOS DA COALIZAÇÃO PARA A ECONOMIA VERDE - GEC


Nos termos de sua própria auto-definição a Green Economy Coalition, que podemos traduzir como Coalização para a Economia Verde, é o somatório de um conjunto de instituições e setores de ONGs, institutos de pesquisa, organizações da ONU e interesses de sindicatos.

A proposta da coalizão tem origem no reconhecimento comum a seus membros de que a economia falha em oferecer a sustentabilidade e a equidade social. Em síntese para a GEC a economia falha tanto com as pessoas como com o planeta.

A visão da coalizão é a de uma economia que seja resiliente, podendo prover melhor qualidade de vida nos limites ecológicos do planeta. Sua missão é acelerar a transição para uma economia verde.

O conjunto dos nove princípios da GEC: sustentabilidade, justiça, dignidade, planeta saudável, inclusão, responsabilização, resiliência, eficiência e suficiência, (direitos das) gerações, são resultando tanto da visão como da missão e oferecem uma boa síntese que sirva de base a um projeto concreto.

Esses princípios não orientam um caminho fácil. Pelo contrário invadem a zona de conforto dos agentes políticos e dos agentes econômicos. Nem o Estado é visto como um ente absoluto, nem o Estado-Nação oferece isoladamente possibilidade de sucesso, nem a economia por si mesma nos levará rumo a um futuro sustentável, nem as sociedades passarão por esse processo sem profundas mudanças.

A grande questão desses princípios está justamente em sua aplicabilidade ao mundo real, mas estão ai. Não são uma aventura ou uma proposta delirante e recuperam um importante senso de humanismo que dava a impressão de ter se perdido frente ao que parecia ser o fim da história.

Demetrio Carneiro

NOVE PRINCÍPIOS DA GREEN ECONOMY COALITION

Uma economia verde, justa e inclusiva provê melhor qualidade de vida para todas e todos dentro dos limites ecológicos do planeta.

1 – Princípio da sustentabilidade: Uma economia verde, justa e inclusiva é o meio de alcançar a sustentabilidade
É um veículo para alcançar a sustentabilidade e não um substituto dela.
Compreende a dependência de um ambiente saudável e se esforça por levar o bem estar a todas e todos.
Foca as três dimensões (ambiental, social e econômica) e desenvolve mixes de políticas que as integram e buscam o melhor resultado possível.

2 – Princípio da justiça: Uma economia verde, justa e inclusiva apoia a equidade
Apoia a equidade entre e dentro dos países e entre as gerações.
Respeita os direitos humanos e a diversidade cultural.
Promove a igualdade de gêneros e reconhece o conhecimento, a habilidade, experiência e contribuição de cada indivíduo.
Respeita os direitos das populações tradicionais à terra, territórios e seus recursos.

3 – Princípio da dignidade: Uma economia verde, justa e inclusiva cria a genuína prosperidade e bem estar para todos
Elimina a pobreza.
Orienta os países para um alto nível de desenvolvimento humano.
Provê segurança alimentar e acesso à saúde básica, educação, estrutura sanitária, água, energia e outros serviços essenciais.
Transforma o trabalho por meio de novas capacidades e habilidades, respeita o direito dos trabalhadores e busca o desenvolvimento ativo de novos empregos e carreiras verdes.
Leva diretamente à transição.
Ajuda à compreensão do trabalho não-remunerado.
Promove o auto-emponderamento e a educação das mulheres.
Apoio o direito a um desenvolvimento voltado para um caminho sustentável.

4 – Princípio do planeta saudável: Uma economia verde, justa e inclusiva restaura a biodiversidade perdida, investe nos sistemas naturais e reabilita os que estão degradados
Reconhece a dependência da produtividade dos ecossistemas e da biodiversidade.
Não viola, não fomenta a disruptura ou ultrapassa os limites ambientais a busca operar dentro deles, inclindo a redução da poluição, proteção aos ecossistemas e da integridade da biodiversidade e dos recursos naturais como a água, o ar, o solo e os cilcos bioquímicos.
Isto implica em considerar que a integridade amboental vem antes da alocação dos recursos com vistas ao uso competitivo.
Implica no uso amplo dos recursos naturais, incluindo a água, gás natural e recursos minerais, sem contudo comprometer as perspectivas das gerações futuras.
Apoio e respeito a todas as formas de vida.
Aplicação dos princípios precaucionais.
Procura entender o potencial impacto das novas tecnologias e inovações antes de sua aplicação.
Procura entender  os impactos ambientais da política econômica e busca ações com menor impacto disruptivo, positivas no s benefícios ao meio ambiente e às pessoas.

5 – Princípio da inclusão: Uma economia verde, justa e inclusiva é inclusiva e participativa na tomada de decisões
Basea-se na transparência, envolve a participação da ciência e um visível engajamento dos formadores de opinião relevantes.
Apoia a boa governança em todos os níveis. Do local ao global.
Empondera cidadãos e promove uma autentica participação voluntária em todos os níveis.
Respeita valores culturais, tolera pontos de vista religiosos e a escolha de estilos de vida. É sensível para as considerações éticas.
Constrói a consciência social por meio do desenvolvimento da educação e da qualificação.
É transparente inclusiva e participativa. Advoga e dá iguais oportunidades a jovens e velhos, mulheres e homens, pobres e trabalhadores pouco qualificados, povos tradicionais e minorias étnicas, assim como comunidades locais.

6 – Princípio de responsabilização (accountability) e boa governança: Uma economia verde, justa e inclusiva opta pela responsabilização
Provê um pano de fundo para estruturar os mercados e a produção em coordenação com os formadores de opinião.
Publiciza seu progresso sustentável nas medidas econômicas, sociais e ambientais, nas empresas nas prestações de contas nacionais e internacionais.
Busca a transparência.
Promove a cooperação internacional e define as responsabilidades internacionais.
Promove uma política de coerência global e cooperação internacional justa.
Promove responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
Compromete-se com os padrões de direitos humanos e acordos ambientais.

7 – Princípio da resiliência: Uma economia verde, justa e inclusiva contribui com a resiliência social, econômica e ambiental.
Apoia a implementação de sistemas de proteção ambiental e social, preparando-se a adaptando-se para eventos extremos e desastres.
Cria um piso universal de proteção social.
Promova a variedade de modelos de economia verde resultado de diferentes contextos ambientais, sociais e culturais.
Tem em consideração os conhecimentos locais das populações tradicionais e promove a troca entre os diversos sistemas de conhecimento.
Basea-se nas capacidades e competências locais, voltando-se para elas.
Apoia a economia diversa e as comunidades locais.
Promove a aproximação dos diversos sistemas, reconhecendo a interdependência e a natural integração entre eles, determinadas pela cultura e os valores éticos.

8 – Princípio de eficiência e suficiência: Uma economia verde, justa e inclusiva visa a produção e o consumo sustentáveis.
Significa assumir preços que reflitam custos reais que incorporem as externalidades sociais e ambientais.
Busca implementar o princípio do poluidor pagador.
Apoia a racionalização e integração ambiental do ciclo de vida dos produtos (life cicle managment), busca a emissão zero, resíduos zero, eficiência dos recursos e uso ótimo da água.
Prioriza e energia e os recursos renováveis.
Busca a redução máxima dos impactos ambientais e sociais negativos tanto na produção, como no consumo.
Busca estilos de vida sustentáveis que sejam baseados em transformações culturais de fundo.
Promove inovações social, ambientais e econômicas.
Dá justo direito de acesso à propriedade intelectual num conjunto de normas legais globais.

9 – Princípio das gerações: Uma economia verde, justa e inclusiva no presente e no futuro
Busca a justiça inter-geracional e intra-geracional.
Promove a conservação dos recursos e da qualidade de vida no longo prazo.
Regula e influencia o setor financeiro para investir no verde e numa economia justa e inclusiva.
Busca um sistema monetário estável.
Prioriza o longo prazo, fundamentando cientificamente e tomada de decisões no curto prazo.
Ela promove a educação equitativa em todos os níveis de educação e sustentabilidade para as crianças.

domingo, 5 de agosto de 2012

THE BIG PICTURE: UMA VISÃO SOBRE O CAPITALISMO


What's wrong with capitalism? Too much "i"....

MEIRELLES E O MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA


Em evento reportado pela revista Época Henrique Meirelles teceu alguns comentários sobre o atual momento da economia brasileira. A revista sintetiza a fala no título da matéria: Momento mágico de crescimento do Brasil já passou, diz Meirelles.

Excessivamente diplomático  Meirelles, elogiando primeiro a Estabilidade e dando ela como motivo para chegarmos bem na crise, prefere falar em aumento da produtividade ou não discutir a absoluta falha de leitura da previsão de um PIB que desabou pela metade. Ou ainda prefere uma discussão sobre se crescer além de 4% não é muito...Como se fosse um ato de vontade.

O ex-presidente do Banco Central indiretamente reconhece tanto que a Era Lula foi a beneficiária daquele bom momento da economia mundial, quanto que tudo que havia por se fazer do ponto de vista de fornecer elementos de uma transformação na direção sustentável da economia não se fez naquele bom momento. Questões como infraestrutura ou mudanças institucionais necessárias. Obviamente não se atreveu a criticar as leituras de gasto excessivo no custeio em detrimento ao investimento ou da frouxidão fiscal como impeditivos de desempenho.

Os elementos positivos, que “devem separar os fatores globais dos domésticos”, apontados por Meirelles:

- Não voltaremos ao período de crises recorrentes como no passado, porque a realidade agora é diferente" afirmou. "Temos mais de US$ 350 milhões em reservas internacionais, nossa dívida cambial foi paga e nossa dívida externa é menor que as reservas. A situação é outra"; 

-A crise afeta diretamente o canal de comércio, especialmente as exportações, mas outros fatores da economia local, como a criação de bases econômicas sólidas, redução do desemprego e o crescimento interno do mercado consumidor fortaleceram nossa economia". 

A grande questão é que esses elementos isoladamente não são garantia de coisa alguma sem que haja vontade política.
Neste sentido o fim da exuberância pode ter como sequência a mediocridade e para não ter essa consequência o que é necessário é a coragem política para romper a área de conforto tanto dos agentes políticos como dos agentes privados. Nenhuma Elite é democrática e inclusiva. Toda Elite busca sua própria satisfação. O governo Dilma não é diferente.

Daí que compete aos desafiantes a coragem política de oferecer um programa de governo capaz de superar o desafio de um ambiente econômico e social ainda em crise.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

BOLSA FAMÍLIA, VOTO E POLÍTICA PÚBLICA

Recentemente houve um forte debate na mídia, provocado pelo Reinaldo Azevedo, envolvendo uma pesquisa feita na periferia da capital de São Paulo. O achado do autor da pesquisa é de que haveria uma redução da participação de jovens na criminalidade em decorrência da participação no programa Bolsa-Família. O que Azevedo fez foi mostrar, mesmo que tenha sido de uma forma desnecessariamente grosseira, com dados concretos que não era a leitura correta, se fosse para generalizar as conclusões. Eu mesmo recolhi dados e mostrei que havia sim é uma forte correlação entre os períodos de governo de Serra e Alckmin e a queda geral de criminalidade na região. 

O achado que é comprovado é que há uma relação entre o programa e o voto. O que não chega a ser uma surpresa em termos do uso político do assistencialismo já consagrado. Outro achado tem a haver com a influência econômica desses recursos em pequenos municípios do interior. Na medida em que o gastos dessas famílias é voltado para o consumo básico há um forte efeito no comércio local que evidentemente também se transforma em voto e acaba sendo um efeito político indireto da prática assistencialista. 

De qualquer forma o governo tem procurado demonstrar que o programa além de assistencialista é estruturante. Uma pesquisa do PNUD, contratada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, vai nessa linha e busca dados sobre educação, saúde, emponderamento feminino, trabalho infantil e mercado de trabalho. 

O problema dessa pesquisa são as referências utilizadas. No caso da educação é frequência escolar quando, para ser estruturante, a referência deveria ser aproveitamento escolar. No caso da saúde a referência é a cobertura vacinal. Nesse caso a pesquisa parece não levar em conta o amplo trabalho desenvolvido pelo Ministério da Saúde junto aos municípios. Mas o que chama mais atenção é o quanto o programa ainda provoca um evento negativo e na realidade desestruturante, com potencial impacto negativo: “Entre beneficiários de 18 a 69 anos, houve uma diminuição de 8,8 horas semanais no trabalho formal, e aumento equivalente no trabalho informal. Os autores da pesquisa avaliam que esse comportamento pode resultar de uma incompreensão das famílias sobre as regras do Programa – uma vez que a formalização do vínculo não impede a manutenção do benefício –, gerando receio de trocar a transferência de renda estável por um vínculo laboral instável, ainda que formal.” 

Embora o programa seja bastante prático em termos da política local nos municípios e isso acabe reforçando a rede de apoiamentos da base situacionista, noves fora o governo ainda fica devendo uma proposta estruturante.

Demetrio Carneiro

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

MANTEGA AGAINST THE WORLD


Resultado frustrante da indústria reforça pessimismo, dizem analistas
Produção industrial cresceu 0,2% em junho ante maio e teve queda de 5,5% em relação a junho de 2011, segundo IBGE

Produção industrial: esperava-se recuperação mais forte
Depois de três meses seguidos registrando queda, a produção industrial brasileira cresceu em junho, mas bem pouco. A alta foi de 0,2% na comparação com maio, quando havia recuado 1%. Apesar da variação positiva, o resultado acabou frustrando os analistas, que esperavam uma recuperação mais forte.

Para Mantega, produção industrial está dando uma virada
Ministro da Fazenda diz que resultados serão melhores 'daqui para frente'

VISITA DE CHAVES FECHA UM CICLO


Parece que ontem se encerrou o ciclo de “defesa da democracia paraguaia”: A Venezuela chavista finalmente entrou para o Mercosul. Com direito a um espetacular aparato de segurança...

Com suas indústrias em petição de miséria, graças ao socialismo moreno, a Venezuela precisa de manufaturados. Com a pauta de exportação de manufaturados em queda o governo brasileiro descobriu quem os quer de forma incondicional e pode pagar em petróleo.

A concepção geral da operação é perfeita. Só falta saber se dessa vez vão mesmo honrar os compromissos. Mas isto é detalhe para quem se preocupa mesmo é com a mídia e a comoção dos chavistas brasileiros.


Demetrio Carneiro